alfabetizar crianças dislexicas nas fases iniciais

alfabetizar crianças dislexicas nas fases iniciais

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COMO ALFABETIZAR CRIANÇAS DISLÉXICAS NAS SÉRIES INICIAIS – 2º ANO. O TRABALHO PEDAGÓGICO1.

EDEMILSON FERREIRA DA SILVA2

Este trabalho tem por finalidade situar dentro do contexto da alfabetização um dos fatores que influenciam determinantemente na construção da educação escolar, o distúrbio denominado dislexia. Nesse contexto as práticas pedagógicas se constituem em ingredientes críticos na arte de ensinar e na ciência do ensino como primazia de condição para enfocar os métodos e as posições dos docentes frente ao desafio que é moldar saberes na constituição do conhecimento do educando. Deve em preferência de intuito envolver procedimentos que estabeleçam nessa relação professores e alunos mais confiantes, críticos e reflexivos quanto à tarefa de ensinar e aprender. É, portanto inerente da ação humana que constitui o ato de ensinar como sendo único em caminhos que priorizam a sua relevância de assim o ser. Dentro de uma prática pedagógica que suscite em seus discentes o gosto pelo aprender e, seus fazeres se tornem em atitude de costumes cada vez elaborados na busca de uma educação de qualidade.

Palavras chaves: Dislexia, Práticas docentes, Atuação pedagógica.

1 INTRODUÇÃO

Caracterizada pela dificuldade de ler e escrever corretamente a dislexia tem de forma abrasadora, afetado a constituição do intelecto educacional de inúmeras crianças e conseqüentemente a intelecção de fatores primordiais ao cognitivo e as suas áreas de atuação. No entanto o que deveria ser motivo de desanimo torna se, nas mãos habilidosas de profissionais competentes fonte riquíssima de estudos e

1 Trabalho elaborado para conclusão de curso 2 Acadêmico do curso de Pedagogia do 7º semestre da Universidade Anhanguera – Uniderp interativa posterior aplicações de métodos e fazeres que visem sanar a disparidade em que se encontram essas mesmas crianças.

É nesse contexto que foca se o presente artigo, estabelecer parâmetros para a ação pedagógica do docente visando se não sanar, amenizar as disparidades de acometimento pelas quais passam suas vitimas em potencial, educandos em construção do saber, dessa co morbidade do ensino educacional. Dessa forma, construir saberes que possibilitem o fazer pedagógico do docente é sem sombra de dúvida alguma necessário para a efetivação do processo de ensino e aprendizagem, em especial no que nos remete ao ensino de crianças com distúrbios, em questão a dislexia, vista aqui como desafios a ser vencido rumo à consolidação do ensino.

Essa construção deve ser direcionada de forma a se dar autônoma e que facilite a auto estima no processo de construção do educando de produzir seu conhecimento. Daí justifica se estabelecer parâmetros para ações que visem sanar as dificuldades que delimitam o campo da compreensão do educando. E as formas de abordá la numa perspectiva de dizimá la do convivo do educando exige não só ações direcionadas como o envolvimento do docente com a sua intervenção pedagógica. E o professor como o mediador delas.

2 A PRÁTICA SABERES E COMPETÊNCIAS

A prática pedagógica como divisores de águas há muito se constituiu como uma ferramenta necessária para exercer com mais fluidez ações que direcionam o ensino e as formas de fazê lo. A capacidade profissional já não o é mais sinônimo de saberes e competências exigidas para a função exercida como docente. Novas ferramentas se fazem necessárias à administração das competências, quando nos referimos ao fazer pedagógico.

Dado a sinuosidade da ação, o fazer pedagógico poderá esbarrar se em pequenos, porém consistentes obstáculos que poderão culminar em ineficiência acirrada em se tratando da prática como um todo. Saberes e competências se fazem necessários. Apontando então ações pautadas em sistematizar o fazer pedagógico com suas especificidades de construir o ensino adequado e capaz. Dessa forma:

Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional, competências são as qualidades, capacidades, habilidades e atitudes relacionadas a esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. (LIBÂNEO, 2004, p. 77)

Quanto ao construir saberes Saviani (1998, p. 152) salienta a importância de se construí los adequadamente nos quesitos necessários a sua execução e, então, dessa forma se capacitar a exercê los concernentemente aos moldes da profissão. Nesse contexto são tão necessários quanto fundamentais, evidenciando fatores como saberes e competência e situando os cada qual a sua especificidade e na junção de ambos determinarmos ações dirigidas em consonância.

Isto, evidentemente, se houver concordância quanto à idéia de que o trabalho com o saber é a especificidade da educação escolar. E que, para cumprirem sua função político social, os profissionais da educação precisam dominar os fundamentos teóricos – lógicos e históricos – da formação e produção do conhecimento e de sua conversão em saber escolar. (SAVIANI, 1998, p. 152)

Numa visão arraigada sobre o que e como se define competências dentro dos termos profissionais Libâneo (2004, p. 78) considera que toda prática se constitui em capacidades de reunir recursos cognitivos na solução de problemáticas constituintes de seu fazer pedagógico. E para estabelecer essas conexões deve estar pautado em ações subjetivas que possibilitem essa interação. Assim:

Na perspectiva sóciocrítica a competência é sinônimo de formação unilateral (integral), formação politécnica, em que os profissionais desenvolvem capacidades subjetivas intelectuais, físicas, sociais, estéticas, éticas e profissionais visando à unidade, na ação humana, entre capacidades intelectuais e práticas. (LIBÂNEO, 2004, p.78)

Dessa forma, absorver competências capacita então o individuo a exercer a sua prática com mais especificidade e dinamismo, resultando assim em uma interação conceptual. Própria das relações estabelecidas com afinidades e afinco intrínsecos de uma boa relação3 Caracterizando o afeto no trabalho do educador e assim, facilitar o explicitar de seus objetivos a serem alcançados na aprendizagem e no ensino do educando.

Nesse contexto as práticas pedagógicas se constituem em ingredientes críticos na arte de ensinar e na ciência do ensino, como fatores essenciais capazes de transmitir conhecimentos aos educandos e assim ferramentas indispensáveis no construir de seus saberes. Sendo esse último fator essencial na aquisição de conhecimentos.

Então como evidenciar esses quesitos necessários ao bom ensino e conseqüentemente a uma boa aprendizagem? Como ensinar a crianças que supostamente não absorvem facilmente os conteúdos escritos e, assim não conseguem ler? E como fazê los compreender que uma situação leva a outra e sistematicamente os conduzirão ao apreender conhecimento? A tarefa não é de fácil execução. Como agir nessa situação a que se encontra a grande maioria de educadores com crianças disléxicas?

A resposta a estes questionamentos fica evidenciada quando nos remetemos à condução da prática pedagógica com subsídios próprios de cada situação, e constatar que em um ambiente alfabetizador há uma criança com dificuldades de aprendizagem e caracterizada como distúrbios peculiares e inerentes de disfunções do apreender, só facilita quando correta e previamente diagnosticada desse pequeno desvio de apreender conhecimento. Daí a importância do comprometimento profissional e da acuidade no seu fazer pedagógico.

Nesse sentido tanto comprometimento quanto o fazer pedagógico situado dentro de uma acuidade profissional é contextualizar o educador na lógica de sua prática, dessa forma Luckesi (2008. P. 26) estabelece que tentar definir o educador será contextualizá lo na sua prática, em sua prática desejável, pois, estamos dialéticamente situados num contexto educacional somos ensinados numa ação contínua, portanto construtor de reflexões.

E dessa forma saber conduzir com maleabilidade de procedimentos técnicas e metodologias unificando teoria e prática, por caminhos que o educando possa

3 Em relação às interações vivenciadas e presentes entre educador e educando assimilar em condições de primazia os seus ensinamentos com maior facilidade e, desenvolvendo assim o seu próprio processo de ensino e aprendizagem. Traduzindo essa prática educacional como eficaz. Como determina Santos (2008, p. 37):

Toda prática humana tem seus pressupostos teóricos, e é somente através da explicitação e da análise desses pressupostos que ela se torna intelegível e nos permite tomar consciência daquilo que fazemos.

Em consonância Brandão (2008, p. 60) enfoca que o docente quando gosta do que faz soma a isso uma boa dose de entusiasmo e motivação que reflete em sua prática e em seus alunos, que se envolvem e por isso aprendem.

Evidentemente as competências exigidas e necessárias para o professor ensinar, traduz na sua prática, que aprende ensinando e ensina aprendendo nas contextualizações de suas ações. E conseqüentemente com sua didática, sendo essa desenvolvida no apego pelo que fazem, pois colocam emoção e entusiasmo nas suas aulas. Logo competência e saberes a disposição da prática, que efetiva a ação docente como única, portanto ímpar e viável no solucionar de problemas possíveis dentro de seu campo de atuação pedagógica.

Entender o significado literal do que se refere à palavra dislexia é conturbante e complexo para docentes quando em fase de alfabetização de seus alunos. No entanto para a Associação Brasileira de Dislexia ABD o diagnostico é fácil de ser realizado já nos primeiros anos do educando dentro da escola. Há características próprias do distúrbio, que se manifestam desde a primeira infância, uma vez que a grande maioria dessa manifestação se dá devido a fatores genéticos.

Os sinais são clássicos, como determina a ABD, já na pré escola são determinantes para a condução do seu diagnóstico. As crianças tendem a apresentar sintomas que devem ser levados em consideração como alertas da disfunção. No entanto não se pode ocorrer no erro de relacionar determinados sintomas ao distúrbio. As crianças apresentarão sintomas como dispersão, fraco desenvolvimento da fala e da linguagem e coordenação motora, dificuldades em aprender rimas e canções assim como lidar com quebra cabeças e o pior, porém significante deles o desinteresse por livros impressos.

Uma vez identificado esses sinais e, após dissociá los de fatores correlatos inerentes ao aprendizado4, deve se procurar ajuda de uma equipe multidisciplinar que verificará todas as possibilidades antes de confirmar ou excluir o diagnostico de dislexia. Dessa forma, encaminhamento para acompanhar o disléxico deve ser singular as particularidades de cada caso no sentido de ser mais proveitoso e eficaz.

Nesse sentido deve se em teor de acuidade profissional, levantar características típicas e presentes identificados em cada fase que se estabelece o distúrbio. O enfoque dado ao distúrbio para acelerar a descoberta dos sintomas presentes numa condição de poder amenizá lo e assim favorecer ao educando uma educação de qualidade. Fica claro que o envolvimento dos profissionais com a ação estabelece um vínculo bem maior que a ligação do docente com educando e a instituição ao qual o aluno está inserido, valendo se da função social da escola e a ela inerente pela sua constituição, notável pelos saberes nos rumos do conhecimento.

No segundo ano das series iniciais a alfabetização já desponta com suas mais acentuadas dificuldades, a compreensão do conhecimento, podendo assim detectar fatores a ela intrínsecos e nela tentar saná los, visando adequação de metodologias e competências para dispor ao educando facilidades para adquirir o saber. Através de análises verificadas nas literaturas atuais, constatar, que as formas de como o professor se utiliza de suas competências na direção de consolidação do ensino são em primazia de solução a melhor das hipóteses encontradas para justificar mudanças de rumos em seus hábitos pedagógicos.

Ele estará embasado em fundamentos que subsidiam ações no campo do esclarecimento das dificuldades a ela inerentes e, assim estabelecer parâmetros que direcionarão o acolhimento e as futuras ações desenvolvidas pelos profissionais

4 Aqui fortalece a acuidade profissional para que não banalize esse diagnóstico como mais um caso de criança incapaz de assimilar conhecimento e assim necessitar de ação especializada, leva se em consideração a ética profissional para não passar adiante problemas que pode se resolver no cotidiano educacional.

envolvidos, sendo estes os de dentro e os de fora da escola. Considera se como um todo o ambiente ao qual o aluno estará sempre a ele vinculado, o escolar e o familiar. Todos de fundamental importância para melhoras consideráveis.

Quanto aos obstáculos, vale salientar que para desenvolver qualquer ação ou atividade envolvendo os rumos que decididamente farão lograr êxitos ou não nessa investida contra o inatingível, os envolvidos no contexto podem contar com elementos disponíveis no sentido de direcioná los.

As pesquisas no campo da aprendizagem e do desenvolvimento humanos oferecem subsídios que validam outras formas de organizar os tempos e os conteúdos escolares, de modo a se adequarem ao desenvolvimento e a aprendizagem dos educandos sem interrupções a cada ano letivo, que contribuem para a democratização do conhecimento e a superação ou, pelo menos, a minimização das características excludentes que a escola pública ainda mantém. (JACOMINI, 2004, p. 403)

Desta forma, situar a dislexia dentro do contexto da alfabetização escolar como um dos fatores que influenciam determinantemente negativo na construção da educação e na condução do conhecimento, é norte de ações que visem propiciar ao educando contentamento e satisfação na aquisição de saberes e na construção de sua compreensão de mundo e assim poder determinar sua leitura dele.

E as formas de abordá la numa perspectiva de dizimá la do convivo do educando exige não só ações direcionadas como o envolvimento do docente com a sua intervenção pedagógica como uma ajuda adaptada ao processo de construção do aluno. Esse privilégio está diretamente ligado ao seu fazer enquanto profissional e delimitado pelas formas de se pôr diante delas. Daí Provocar a reflexão sobre a própria atividade do educador enquanto mediador do ensino na intervenção pedagógica como instrumento do processo de construção do saber, arraigado em cada conexão disposta a elucidar as angustias do ser humano.

Sendo o campo de atuação pedagógico tão rico faz provocar a reflexão sobre a sua própria atividade como educador enquanto mediador do ensino e assim entender a educação como um processo de construção conjunta e na atuação baseada com sua capacidade reflexiva segundo Zabala (1998, p. 9). Então atentar para métodos de alfabetização que privilegiam situações reais e corriqueiras no sentido de suas viabilizações no processo de ensino e aprendizagem, justifica a ação e o enfoque dado ao distúrbio na condição de poder amenizá lo e assim favorecer ao educando uma educação de qualidade.

Sob essa ótica Cagliari (1998, p. 249) defende que o professor além de ensinar, deve antes de tudo, ser um educador. E tratar com afinco das dificuldades de aprendizagem que seus discentes enfrentam no transcorrer de seu trajeto educacional, qualifica o como apto no ato de alfabetizar letrando. Dessa forma, conhecer as limitações, as causas e conseqüências advindas do processo de ensino e aprendizagem, prepara o ao situar suas ações, visando adequação de metodologias e competências para dispor ao educando facilidades para adquirir o saber. E isso implica a autonomia do educando. Nestes termos:

O crescimento pessoal dos alunos implica como objetivo último serem autônomos para atuar de maneira competente nos diversos contextos em que haverão de se desenvolver. Impulsionar esta autonomia significa tê la presente em todas e cada uma das propostas educativas, para serem capazes de utilizar sem ajuda os conhecimentos adquiridos em situações diferentes em que foram

Para Zabala (1998, p. 103) é levar a cabo uma ação de observação de todo o processo que envolve cada um desses alunos, no sentido de fornecer subsídios para uma atuação autônoma na interiorização de conteúdos. Em consonância afirma ainda que convirjam de um ambiente seguro e ordenado, condições que estimularão o trabalho bem como o esforço para que a aprendizagem seja potencializada de fato.

Isso implica interação ou um conjunto delas que norteiam essas ações, já que para haver sucesso o relacionamento humano esteja presente e fecundo nessas interações, assim Candau (2008, p. 14) afirma que o ensino aprendizagem é um processo que está sempre presente, de forma direta ou indireta, no relacionamento humano. Para Zabala (1998, p. 38) essas atividades conjuntas encontram fundamentos na zona de desenvolvimento proximal e assim constitui o ensino como processo de construção compartilhado de significados e orientações voltados a autonomia desse aluno.

Nesse contexto estabelecer parâmetros para a ação pedagógica do docente está diretamente ligado ao desenrolar pedagógico e as atitudes do docente frente às dificuldades que se estabelecem dentro do seu campo de atuação. Segundo Cagliari (1998, p. 6) a questão metodológica não é a essência da educação, mas apenas uma ferramenta de auxílio para transmitir informações. Portanto a aprendizagem é sempre um processo construtivo na mente e nas ações do individuo.

Considerando essas ações e seus parâmetros, pontua Candau (2008, p. 15) que o grande desafio é articular sem exclusivizar nenhum deles, visa então superar a dicotomia entre processo e o produto na atividade de ensino e aprendizagem nas áreas específicas da dimensão lógica e da dimensão psicológica.

Dessa, forma primar por métodos de ensino que visem à inclusão de crianças disléxicas é segundo Libâneo (1982, p. 42) dar ênfase no saber ser e sempre postura de um educador frente aos seus conhecimentos e assim instrumentos de ação. Essa atitude de forma alguma deve ser dissociada das duas outras dimensões de sua prática docente, o saber e o saber fazer. Caso ocorra a prática se tornará ineficiente.

Em consonância Nunes (1992, p. 29) salienta ainda que crianças disléxicas podem de forma simples, não conseguir estabelecer uma conexao entre os sons e as palavras que ouvem, portanto veem com dificuldades as articulações entre esses dois sentidos. Daí a dificuldade na construção da consciência fonológica e:

Os métodos de ensino mais efetivos para crianças disléxicas poderão ser radicalmente diferentes daqueles efetivos para as outras crianças, devendo ser planejado em razão dos obstáculos encontrados pelas crianças em sua aprendizagem. Crianças disléxicas [...] precisam de mais atenção, precisam de mais horas de ensino. (NUNES, 1992, pp. 11 12)

Logo laços entre o afetivo emocional e a compreensão da prática, são quesitos necessários para uma boa prática educacional e, reunir esses fatores que se relacionam entre si, como, a paixão pelo seu fazer e a fluência no exercer função docente é para Luckesi (2008, p. 28) uma ação comprometida ideologica e efetivamente. Não se pode fazer educação sem paixão. Dessa forma:

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