Educação Especial - Saberes e Práticas da Inclusão

Educação Especial - Saberes e Práticas da Inclusão

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Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação Cristovam Buarque

Secretário Executivo Rubem Fonseca Filho

Secretária de Educação Especial Claudia Pereira Dutra

Brasília 2003

Educaçªo Infantil

Dificuldades de comunicaçªo e sinalizaçªo DeficiŒncia física

Saberes e prÆticas da inclusªo

Coordenaçªo Geral Prof“ Francisca Roseneide Furtado do Monte MEC/SEESP

Elaboraçªo Prof“ Ana Maria de Godói Associaçªo de AssistŒncia à Criança Deficiente - AACD

Prof“ Roberta Galasso Associaçªo de AssistŒncia à Criança Deficiente - AACD

Prof“ Sônia Maria Pinc Miosso Associaçªo de AssistŒncia à Criança Deficiente - AACD

Revisªo TØcnica Prof“ Francisca Roseneide Furtado do Monte MEC/SEESP

Revisªo de Texto Prof“ Ms. Aura Cid Lopes Flórido Ferreira de Britto MEC/SEESP

Consultores e Instituiçıes que emitiram parecer DØbora Deliberato Docente do Departamento de Educaçªo Especial Universidade

Estadual de Sªo Paulo UNESP/SP

Centro de Apoio Pedagógico Especializado da Secretaria de Educaçªo do Estado de Sªo

Paulo Fundaçªo Catarinense de Educaçªo Especial do Estado de Santa Catarina-CAPE

Secretaria de Estado de Educaçªo e Qualidade do Ensino Centro de Triagem e Diagnóstico da Educaçªo Especial do Estado do Amazonas SEDUC Secretaria de Estado de Educaçªo de Minas Gerais Diretoria de Educaçªo Especial

Secretaria Executiva de Educaçªo do ParÆ Departamento de Educaçªo Especial

Secretaria Catarinense de Educaçªo Especial FCEE Diretoria de AssistŒncia ao

Educando

Equipe de profissionais da AACD: Aparecida de Lourdes Benatti, Cynthia de Queiroz Pinto

Rojas, Eliane de Oliveira Matrini Silva, Ivani Correa Heler, Josyvanda Basílio Russo, Leila Buzzi Magalhªes, Lucimara Aparecida da Silva, Magali Ariga, Maria Fernanda Pereira de Souza, Maria Lodovina Gonzales Frosch, Maria Tereza Alvarenga da Cunha, Marília Peixoto D Oliveira, Marli RosÆrio do Espírito Santo Pereira, Patrícia Gustchov Campos, Renata Cristina Bertolozzi Valera e Roseli Duarte de Olivera

Colaboraçªo Institucional / Agradecimentos Escola JATY Mileni Albeny Vasconcelos

Lar Escola Sªo Francisco Centro de Reabilitaçªo - Roberta Galasso e Stella Maris Mollinari

Saberes e prÆticas da inclusªo : dificuldadesde comunicaçªo

1.Educaçªo inclusiva 2.Educaçªo infantil 3.Dificuldade de aprendizagem. 4.DeficiŒncias físicas. I. Galasso, Roberta. I. Miosso, Sônia Maria Pinc. I. Brasil. MinistØrio da Educaçªo. Secretaria de Educaçªo Especial. IV. Título.

CDU 376: 373.2

Carta de Apresentaçªo

A primeira infância das crianças exige carinho e cuidado. Mas para que a pessoa humana realize plenamente seu potencial, deve haver tambØm, desde o nascimento, um processo educativo que ajude a construir suas estruturas afetivas, sociais e cognitivas. Educaçªo infantil Ø mais do que cuidar de crianças. É abrir a elas o caminho da cidadania.

Se essa compreensªo orienta, hoje, as políticas pœblicas, atØ ela se consolidar foi um longo caminho. Entre os sØculos XVIII e XIX, na Øpoca da Revoluçªo Industrial, crianças e mulheres participavam de regimes desumanos nas fÆbricas. Trabalhadoras e trabalhadores tiveram que lutar, entªo, por melhores condiçıes de trabalho, inclusive para preservar a vida em família e para que as crianças pudessem viver sua infância. JÆ entre os sØculos XIX e X, certas teorias sugeriam haver pessoas e grupos inferiores ou superiores, ao defenderem que a capacidade mental vinculava-se à herança genØtica. A educaçªo, assim, viria apenas confirmar o veredito da desigualdade.

Hoje, estudos mostram que o potencial humano nªo se define de antemªo: nos trŒs primeiros anos de vida a criança forma mais de 90% de suas conexıes cerebrais, por meio da interaçªo do bebŒ com estímulos do meio ambiente. Essas novas idØias e a luta por um mundo mais justo passaram a demandar novas políticas, que criassem, para todas as crianças inclusive as que apresentam necessidades educacionais especiais contextos afetivos, relacionais e educativos favorÆveis. Isso Ø tarefa da educaçªo infantil, e demanda: projeto pedagógico na creche e na prØ-escola; atuaçªo de profissionais capacitados; participaçªo da família e da comunidade.

Os sistemas de ensino devem se transformar para realizar uma educaçªo inclusiva, que responda à diversidade dos alunos sem discriminaçªo. Para apoiar essa mudança, o MinistØrio da Educaçªo, por intermØdio da Secretaria de Educaçªo Especial, elaborou uma Coleçªo ora apresentada em sua 2.“ ediçªo, revisada composta por nove fascículos. Sªo temas específicos sobre o atendimento educacional de crianças com necessidades educacionais especiais, do nascimento aos seis anos de idade. O objetivo Ø qualificar a prÆtica pedagógica com essas crianças, em creches e prØ-escolas, por meio de uma atualizaçªo de conceitos, princípios e estratØgias. Os fascículos sªo os seguintes:

6.Dificuldades de Comunicaçªo e Sinalizaçªo Surdocegueira / Mœltipla DeficiŒncia Sensorial

Esperamos que este material possa ser estudado no conjunto, e de forma compartilhada, nos programas de formaçªo inicial e/ou continuada de professores da educaçªo infantil. E que os conhecimentos elaborados no campo da educaçªo especial colaborem para que as crianças com necessidades educacionais especiais tenham acesso a espaços e processos inclusivos de desenvolvimento social, afetivo e cognitivo.

É esse o nosso compromisso.

Claudia Pereira Dutra SecretÆria de Educaçªo Especial - MEC

INTRODUO07

SumÆrio

1.1 O que Ø deficiŒncia física?1
1.2 Quem Ø o deficiente físico?13
decorrŒncia da paralisia cerebral14
2.1 O que Ø paralisia cerebral?17
3.1 Currículo23
3.2 Perspectivas de for maçªo de pr ofessores25
3.3 Formaçªo continuada25
3.4 InformÆtica na educaçªo: perspectivas de inclusªo26
especiais em decorrŒncia da deficiŒncia física29
4.2 Desenvolvimento neuropsicomotor29
deficiŒncia física32
4.4 De professor para professor32
4.4.1O educador e o diagnóstico - detectando dificuldades3
4.4.2 Um ganho qualitativo para todos34
necessidades especiais em decorrŒncia da deficiŒncia física34
4.6 Problemas de linguagem e comunicaçªo43
4.7 A linguagem pictórica e representativa46
4.8 Comunicaçªo alternativa47
4.9 Afetividade49
4.10 Trabalho em equipe51
5.1 Adaptaçıes curriculares na educaçªo infantil57
5.1.1 Crianças do nascimento aos seis anos57
5.1.2Desenvolvimento psicomotor do nascimento aos trŒs anos58
5.1.3Comunicaçªo alternativa do nascimento aos trŒs anos61
5.1.4Desenvolvimento psicomotor dos quatro aos seis anos64
5.1.5Comunicaçªo alternativa de quatro a seis anos6
5.1.6Recursos e adaptaçıes de materiais pedagógicos67
5.2 Adapataçıes de mobiliÆrio73
5.3 Planificaçªo futura75
6.1 Mielomeningocele81
6.1.1 Problemas neurológicos81
6.1.2 Problemas urológicos81
6.1.3 Problemas or topØdicos82
6.1.4 Alergia ao lÆtex82
mielomeningocele82
6.2 Doenças Neuromusculares84
6.2.1 Distrofia muscular progressiva84
6.2.2 Observaçıes ao pr ofessor85
6.3 Malformaçıes congŒnitas86
6.3.1 Artrogripose87
6.3.2 OsteogŒnese imperfecta8
6.4 Lesıes encefÆlicas adquiridas89
6.4.1 Esclarecimentos ao professor93

PARTE VI OUTRAS PATOLOGIAS CAUSADORAS DE DEFICINCIA FSICA 6.1.5Cuidados que o professor deve ter com a criança portadora de

PARTE VII BIBLIOGRAFIA ...............................................................................................................................97

Introduçªo

O MinistØrio da Educaçªo, por meio da Secretaria de Educaçªo Especial (SEESP), sentiu a necessidade de elaborar um documento sobre educaçªo de crianças com deficiŒncia física e/ ou paralisia cerebral, devido à demanda da política de educaçªo que vem sendo desenvolvida nos œltimos anos, que tem como filosofia construir escolas que atendam a todos os alunos, removendo as barreiras de exclusªo do sistema educacional.

Diante desse fato, a SEESP reuniu especialistas de diferentes entidades, governamentais e nªo-governamentais, e representantes de universidades, que trabalharam de maneira integrada na elaboraçªo desse documento. Ele tem por objetivo apresentar estratØgias e orientaçıes pedagógicas aos sistemas de ensino para a educaçªo de alunos com deficiŒncia física e/ou paralisia cerebral, as quais causam necessidades educacionais especiais que interferem na dinâmica da sala de aula, prejudicando o processo de ensino e aprendizagem desses alunos.

AlØm disso, esse documento traz uma reflexªo a respeito da equipe multi-profissional, sugerida nas Diretrizes Nacionais para Educaçªo Especial na Educaçªo BÆsica (Brasil, 2001, pÆg. 34). A funçªo desses profissionais Ø atuar de forma complementar para que o atendimento às necessidades dos alunos, se torne mais eficaz.

A Resoluçªo CNE/CEB n” 02, de 14 de setembro de 2001, em seus artigos 10 e 14, estabelece que os atendimentos complementares aos alunos com necessidades educacionais especiais poderªo ser realizados pela equipe multiprofissional por meio de convŒnios ou parcerias, com o objetivo de garantir o atendimento adequado e de qualidade às necessidades específicas dos alunos.

PARTE I DeficiŒncia Física

1.1 O que Ø deficiŒncia física? Definiçªo:

A deficiŒncia física refere-se ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o sistema osteoarticular, o sistema muscular e o sistema nervoso. As doenças ou lesıes que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir quadros de limitaçıes físicas de grau e gravidade variÆveis, segundo(s) segmento(s) corpora(is) afetado(s) e o tipo de lesªo ocorrida. (http://w.entreamigos.com.br)

Tipos/características:

Lesªo cerebral (paralisia cerebral, hemiplegias) Lesªo medular (tetraplegias, paraplegias)

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