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ANCORAGEM 401

Podemos definir ancoragem em ortodontia, como a resistência ao movimento oferecida por diferentes dispositivos ou pelos próprios dentes.

De acordo com o local de sua origem podemos dividí-la em:

I - Ancoragem extrabucal. I - Ancoragem intrabucal.

I- DEFINiÇÃO

A ancoragem extrabucal é o método através do qual são geradas forças fora da cavidade bucal, nas regiões cervical, occipital e parietal, e que são aplicadas para estabilizar, movimentar elementos dentais ou direcionar o crescimento dos ossos do complexo maxilofacial.

O sistema mecânico gerador das forças destinadas à movimentação ortodôntica ou ortopédica denomina-se aparelho extrabucal.

O uso dos aparelhos de tração extrabucal para tratamento das más oclusões dentais ou esqueletais remonta há quase dois séculos, quando Cellier, em 1802, utilizou um apoio fora da boca, localizado na parte posterior e superior da cabeça, para imobilizar a mandíbula. A ele sucederam-se outros pesquisadores tais como:

Gunnel, em 1822, construiu uma mentoneira visando guiar o crescimento mandibular.

Kingsley (1866) foi considerado o precursor da ancoragem extrabucal ao reduzir uma protrusão maxilar com este tipo de aparelho.

Angle, por volta de 1907, após alguns anos de aplicação clínica do extrabucal, substituiu-o pelos elásticos intermaxilares no tratamento das más oclusões de Classe I.

Oppenhein (1930) reintroduziu na clínica ortodôntica a ancoragem extrabucal, valendose de forças leves e intermitentes.

Kloehn, em 1961, usando a região cervical como ponto de apoio, preconizou a utilização desse aparelho como excelente meio de controle para direcionar o crescimento dentoalveolar.

Interlandi, em 1962, obteve um melhor controle das forças extrabucais através da ancoragem cérvico-occipital (IHG), cujo casquete leva seu nome.

Graber, na década de 70, relata que o aparelho extrabucal é de grande valia na correção das más relações basais e nos tratamentos das Classes I e Classe II de Angle.

jacobson, 1979, publicou trabalho em que, através de experimentos mecânicos, demonstrou como as forças extrabucais atuam sobre os dentes e ossos basais, principalmente quando essas forças são assimétricas.

Mais recentemente Ricketts e outros ortodontistas pesquisaram a atuação dessas forças, principalmente levando em consideração seus fatores determinantes: duração, direção e intensidade.

3- COMPONENTES DO APARELHO EXTRABUCAL

A) Aparelho extrabucal com arco facial t composto de um arco facial, um apoio na região inferior, posterior ou superior da cabeça e elásticos ou molas para tracionamento. a - Arco Facial: simples ou composto. Arco Facial Simples - é o arco ligado diretamente ao aparelho fixo, por exemplo, o arco em 'jota", para distalizar caninos ou outros dentes (Fig. 19.1).

Fig. 19.1 -Arco facial simples (arco em "n.

Arco Facial composto - é o arco facial tradicional, constituído de um arco externo (facial) e um arco interno (bucal), unidos entre si na região mediana anterior. Comercialmente são encontrados nas seguintes medidas:

Arco interno medindo 0.045 polegadas ou 0.051 polegadas.

Arco externo medindo 0.062 polegadas ou 0.072 polegadas.

Os arcos internos e externos são soldados entre si na região mediana, de forma rígida (solda), ou unidos de forma articulada (Fig. 19.2).

402 ORTODONTIA • DIAGNÓSTICO EPLANEJAMENTO CLÍNICO

Fig. 19.2 -Arco facial composto mostrando seus componentes interno e externo, soldados na parte mediana.

Quando corretamente posicionado no paciente, o arco interno deve estar afastado aproximadamente 5 a 8 milímetros das faces vestibulares dos incisivos superiores. O extremo do arco interno será inserido no tubo do primeiro molar superior (face vestibular da banda ortodônrica). Faz-seuma dobra em baioneta ou um "stop", impedindo que o arco interno deslize totalmente para dentro do tubo. A dobra em baioneta é a melhor opção, pois permite que o arco interno funcione como um escudo à musculatura (bochecha), que atua sobre a face vestibular dos dentes, além de afastá-lo dos braquetes do aparelho fixo. O braço externo também deverá

ter uma dobra ou gancho, para que ali seja inserido o elástico ou mola para tração (Fig. 19.3).

Fig. 19.3 -Arco interno afastado de 5 a 8 m dos Incisivos.

b - Apoio extrabucal: Constitui-se de tiras flexíveis plásticas, de couro ou de tecido, ajustadas à cabeça na região cervical, occipital ou parietal.

c - Elástico ou mola: A direção da força do aparelho extrabucal, bem como a intensidade da mesma, são proporcionadas pelos elásticos (anéis ou tiras elásticas) ou molas de tração. Esses materiais fazem a ligação do arco externo ou braço externo ao apoio da cabeça. O dinamômetro ou tensiômetro quantifica essa força. A unidade é o grama.

B) Aparelho extrabucal sem arco facial

A mentoneira é o aparelho extrabucal da mandíbula, já que o ponto de aplicação da força é neste osso, mais especificamente no mento. A mentoneiraé constituída de um casquete colocado na parte superior ou posterior da cabeça, o apoio no mento (tecido, acrílico ou plástico) e uma mola ou elástico que provocará o tracionamento e regulará a força aplicada.

4-INDICAÇÕES EOBJETIVOSDO APARELHO EXTRABUCAL (AEB)

<, Quadro I Indicações e Objetivos

- Como agente de ancoragem - Correção de má oclusão - Classe I dental

- Correção de má oclusão - Classe I esqueletal

- Correção de má oclusão - Classe IIIesqueletal

- Correção de sobremordida

- Correção de mordida aberta - Movimentação dental individual ou em grupo

A - Como agente de ancoragem: a mecânica ortodôntica da má oclusào de

Classe I, utiliza-se o AEB quando há necessidade de proceder-se à exodontia de elementos dentais (por exemplo, premolares), e existe o risco de perda de espaço pela mesialização do segmento posterior (perda de ancoragem). O AEB imobiliza o molar, enquanto o alinhamento e retração dos segmentos anteriores se processam (Fig. 19.4).

B - Correção de má oclusão - Classe I dental

Apesar do bom relacionamento e equilíbrio existentes entre maxila e mandíbula, instalou-se

ANCORAGEM 403

Fig. 19.4 -AEB -Agente de ancoragem.

uma relação molar de Classe I devido à mesialização do molar superior, talvez conseqüente à perda precoce do segundo molar decíduo, ou perda de tecido dental. Usa-se aqui uma força

Fig. 19-5A - AEB - Correção de má oc/usão C/asse li - Dental.

extrabucal sobre O molar superior para recuperar o espaço através da distalização do mesmo, até se restabelecer a relação de Classe I. A força empregada é ortodôntica (Fig. 19.5A e B).

404 ORTODONTIA • DIAGNÓSTICO EPLANEJAMENTO CLíNICO c - Correção de má oclusão - Classe I esqueletal:

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