Apostila de Leitura e Interpretação de Projetos - Aperfeiçoamento

Apostila de Leitura e Interpretação de Projetos - Aperfeiçoamento

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Leitura e Interpretação de projetos

NATAL/RN 2011

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Rio Grande do Norte 2011

FIERN – Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte

Flávio Azevedo Presidente

SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

Departamento Regional do Rio Grande do Norte

Rodrigo Diniz Diretor regional

Centro de Educação e Tecnologias da Construção Civil Rosária Carriço

Genildo Peixoto Diretor

Adriana de Castro Heloíza Beatriz Coordenação Pedagógica

Deyne Bezerra Caldas Elaboração

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Leitura e Interpretação de projetos

NATAL/RN 2011

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SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Norte CETCCRC – Centro de Educação e Tecnologias em Construção Civil Rosária Carriço

Caldas, Deyne Bezerra

SENAI – RN – Leitura e Interpretação de Projetos: Noções Sobre Projeto Arquitetônico – Noções Sobre Projeto Estrutural – Noções Sobre Projeto Hidráulico

– Noções Sobre Projeto Sanitário. - Natal/RN, 2011.

Leitura e Interpretação de Projetos: Noções Sobre Projeto Arquitetônico – Noções Sobre Projeto Estrutural – Noções Sobre Projeto Hidráulico – Noções Sobre Projeto Sanitário

Av. Senador Salgado Filho, 2860 – 3° andar – Casa da Indústria - Lagoa Nova

SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Norte

CETCCRC – Centro de Educação e Tecnologias em Construção Civil Rosária Carriço Rua Professor Antônio Trigueiro, 17 – Felipe Camarão – 59.074-100 – Natal/RN Tel.: (84) 3605 – 7116 / 3605 - 7339

Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida, desde que citada a fonte.

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“Só o conhecimento traz o poder.” Sigmund Freud

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A minha filha Giovanna Stephani.

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Agradeço a Anaclécia, pedagoga do CTGás, que me incentivou a enfrentar essa jornada.

Também, não poderia deixar de mencionar Fernando Antônio, professor de Elétrica do CETCC

Rosária Carriço, na correção gramatical dessa produção.

Igualmente, a todos que direta ou indiretamente tornaram esse trabalho possível.

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APRESENTAÇÃO 10 UNIDADE I NOÇÕES SOBRE PROJETO ARQUITETÔNICO 12

MATERIAIS E INSTRUMENTOS DE DESENHO 14

Prancheta 14 Régua tê 14

Régua paralela 15 Esquadros 16 Compasso 17

Escalímetro 17 Gabaritos 18 ESCALA NUMÉRICA 18

COTAS 2 PROJEÇÕES ORTOGONAIS 23 TIPOLOGIA DE TRAÇOS 26

O PROJETO ARQUITETÔNICO 27

Planta de situação 27 Planta de locação 28 Planta de cobertura 29 Planta baixa 30 Cortes 31 Fachadas 34 Detalhes técnicos 35 Perspectiva 37 UNIDADE I NOÇÕES SOBRE PROJETO HIDRÁULICO 40 OBJETIVOS DA INSTALAÇÃO PREDIAL DE ÁGUA FRIA 42 ETAPAS DO PROJETO 42

SISTEMA DE ABASTECIMENTO 4 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO 45 Sistema de distribuição direta 45

Sistema indireto de distribuição 46 Sistema de distribuição mista 46 TERMINOLOGIA 47

SÍMBOLOS E ABREVIATURAS PARA PROJETOS HIDRÁULICOS 48

Água fria 48 Água quente 48

UNIDADE I NOÇÕES SOBRE PROJETO SANITÁRIO 49 SISTEMAS PÚBLICOS DE COLETA DE ESGOTO SANITÁRIO 50

Sistema unitário 50 Sistema separador absoluto 50 Sistema misto 51 TERMINOLOGIA 51 OBJETIVOS DE UMA INSTALAÇÃO PREDIAL DE ESGOTO SANITÁRIO 52 ESTAPAS DO PROJETO 53 SISTEMA DE ESGOTO PRIMÁRIO, SECUNDÁRIO E VENTILAÇÃO 5 DEFINIÇÕES 57 SÍMBOLOS E ABREVIATURAS PARA PROJETO SANITÁRIO 58 REFERÊNCIAS 62

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A capacidade de elaborar projetos pode estar relacionada à facilidade que algumas pessoas apresentam em demonstrar algo que queira executar. Capacidade essa, que para muitos é chamada de “dom”. Independente dessa afinidade, os projetistas, em sua atividade, procuram fazer de seus projetos algo legível a todos que neles se debrucem para estudá-los. O estudo de projetos na Construção Civil é fundamental para a realização de qualquer atividade da área, pois nele está representado graficamente todo dimensionamento das diversas fases de uma obra, além de representar o objetivo almejado pelo cliente. A fidelidade ao projeto é o que se espera como resultado final das atividades realizadas para sua construção.

É fundamental nesse processo de construção do conhecimento descobrir que muitos elementos são representados de forma padronizada para cada tipo de projeto, o que chamamos de simbologia gráfica. Seu prévio conhecimento tornará possível a completa compreensão do projeto, facilitando sua leitura.

Como se pode perceber, para ler e interpretar projetos e dele extrair as ações necessárias ao desenvolvimento das fases da construção de uma obra não é necessário saber desenhar, mas sim ter prévio conhecimento da simbologia especifica do respectivo projeto e a finalidade para qual ele foi elaborado. Conhecimento esse acessível a todos que almejam trabalhar na área da Construção Civil.

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Para se qualificar em leitura e interpretação de projetos, é necessário percorrer um processo de aprendizado, que deve iniciar com o conhecimento dos instrumentos utilizados para o desenho, indo até as noções básicas necessárias a correta leitura e interpretação dos principais projetos relacionados à construção civil – arquitetônico hidráulico e sanitário. Nesse caminho se adquire vários tipos de informação, as quais enriquecem o universo daqueles que o percorrem, contribuindo de maneira positiva para a sua formação e qualificação, especialmente se atrelada à área dos profissionais desse campo de conhecimento.

A representação gráfica é uma parte importante no que diz respeito aos projetos relacionados à construção civil. Pois proporciona meios para que o projetista possa materializar suas idéias e desejos. Para obter uma correta representação é necessária a utilização adequada de certos instrumentos, tais como: prancheta, papel, régua tê, régua paralela, esquadros, compasso, transferidor, gabaritos, réguas flexíveis, escalímetro, dentre outros.

Atualmente, com a evolução tecnológica, o computador configura-se como uma ferramenta completa e indispensável para o desempenho da atividade de representação gráfica de projetos, através da utilização de programas específicos, como o AutoCAD. No entanto, seu uso não invalida os anteriores citados, pois estes fazem parte de um aprendizado inicial, importante, inclusive, para o seu manuseio.

Imagem 01: Representação de uma maquete eletrônica da fachada frontal de uma residência. (fonte: desconhecido)

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A seguir, ilustraram-se alguns dos instrumentos que auxiliam na prática do desenho técnico e que são necessários ao conhecimento de qualquer iniciante no estudo para elaboração gráfica de projetos.

Prancheta

Tipo de mesa, geralmente de madeira e formato retangular, que serve como instrumento de apoio a fixação dos papéis e a conseqüente atividade de desenho. Sobre ela também se utilizam as réguas tê e paralelas.

Imagem 02: Imagem de uma prancheta. (fonte: w.trident.com.br)

Régua tê É uma régua composta de duas outras, fixadas uma na outra. Uma delas é pequena e de madeira grossa, que desliza pela lateral da prancheta, esta parte denomina-se haste. A outra é normalmente em acrílico e desliza sobre a superfície da prancheta. Estas réguas formam um ângulo de 90º. A régua tê é um instrumento móvel que serve para traçar linhas horizontais paralelas¹ no sentido do comprimento da prancheta. Também serve de apoio aos esquadros para traçar paralelas verticais ou com determinadas inclinações. O comprimento da régua deve ser um pouco menor que a prancheta.

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Imagem 03: Ilustração de uma régua tê. (fonte: MONTENEGRO, 1978, P. 04)

Régua paralela

Tem a mesma função da régua tê, porém é instalada com cordas fixadas nas extremidades da prancheta, permitindo seu deslizamento sobre a superfície.

Imagem 04: Imagem de uma régua paralela. (fonte: w.trident.com.br)

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Imagem 05: Ilustração de uma régua paralela fixada na prancheta. (fonte: MONTENEGRO, _, P. _)

Esquadros

São instrumentos, em sua grande maioria de plástico ou acrílico, utilizado para traçar retas, que podem ser perpendiculares às horizontais traçadas com a régua tê ou paralela. Podendo também ser, perpendiculares² às retas inclinadas, neste caso sem a utilização de régua.

Existem dois tipos de esquadros, um menor em forma de um triângulo de 45º. E outro maior, em forma de triângulo retângulo³, cujos ângulos são de 30 e 60º.

Imagem 06: Imagem de um par de esquadros técnicos. (fonte: w.trident.com.br)

_ 2 Retas perpendiculares, são linhas que se cruzam em um único ponto em comum, formando ângulos de 90º. Essas retas são fáceis de observar no assentamento de pisos cerâmicos, cujos trinchos desses pisos formam esses ângulos em suas extremidades. 3 Triangulo cujo um de seus vértices forma um ângulo de 90º.

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Compasso

É o instrumento que serve para traçar circunferências ou arcos de circunferências. É utilizado da seguinte maneira: aberto, com o raio desejado, fixa-se a ponta seca no centro da circunferência a traçar e segurando-se o compasso pela parte superior com os dedos indicador e polegar, imprimi-se ao mesmo, um movimento de rotação até completar a circunferência.

Imagem 07: Imagem de um compasso técnico de precisão. (fonte: BEZERRA, 2010)

Escalímetro

É uma espécie de régua graduada em formato triangular bastante utilizada, que traz consigo seis escalas de medição diferentes. No mercado existem vários padrões de escalímetro, variando de acordo com o tipo de escala. O mais usual é o que traz as escalas de 1:20 (lê-se: "um para vinte"); 1:25; 1:50; 1:75; 1:100 e 1:125 (também pode ser representada da seguinte forma: 1/20; 1/25; 1/50; 1/75; 1/100 e 1/125).

Imagem 08: Imagem de escalímetros de padrões diferentes. (fonte: w.trident.com.br)

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Gabaritos São instrumentos que servem como base para a representação precisa de determinados objetos e/ou equipamentos bastante utilizados no desenho técnico. Auxiliando o projetista na elaboração de desenhos já universalmente reconhecidos e padronizados, não havendo, portanto, a necessidade de construir novos desenhos que o representam.

Existe uma diversidade de modelos, tais como: gabarito de círculos; formas geométricas; louça sanitária; instalações elétricas; instalações hidráulicas; mobiliário; dentre outros.

Imagem 09: Imagem de gabarito de instalações sanitária. (fonte: w.trident.com.br) ESCALA NUMÉRICA

Antes de iniciar a atividade de leitura e interpretação de projetos, há a necessidade de conhecer alguns preceitos fundamentais que tornam essa prática mais fácil ao observador. Tais como, o prévio conhecimento de escalas numéricas, cotas e projeções ortogonais.

O termo escala pode ser entendido como sendo a relação entre cada medida do desenho e a sua dimensão real no objeto. Ou seja, é uma relação de proporcionalidade encontrada entre ambos, podendo ser de redução ou ampliação. Na construção civil as escalas sempre serão de redução, pois se constrói prédios enormes que estão

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desenhados numa simples folha de papel. Quanto à escala de ampliação, é mais comum nas áreas da mecânica e microeletrônica, onde algumas peças são minúsculas e precisão ser desenhadas de maneira ampliada para facilitar a compreensão de seus detalhes.

Alguns exemplos são o microchip e a ponta de uma caneta esferográfica.

As escalas podem ser classificadas como numérica ou gráfica. A primeira é representada por números. Já a gráfica é a representação da numérica por meio de gráfico.

Imagem 10: Ilustração dos tipos de representações de escalas. Acima uma gráfica, e abaixo, uma numérica. (fonte: Desconhecido)

Como já foi visto, a escala numérica pode ser de ampliação e de redução. A primeira é utilizada quando se deseja obter representações gráficas maiores que o tamanho natural do objeto. As escalas de ampliação recomendadas são 2/1; 5/1; 5/1;

10/1; 20/1; 100/1; etc. No entanto, quando se tem objetos cujas grandes dimensões impossibilitam sua representação, emprega-se a escala de redução. As mais usadas são 1/5; 1/10; 1/20; 1/25; 1/50; 1/100; 1/200; 1/500; 1/1000 etc. Para a escolha entre uma ou outra, deve-se levar em consideração o tamanho do objeto a ser representado; as dimensões do papel e a clareza que se dá ao desenho.

Vejamos a seguir, alguns exemplos de como representar algumas medidas em escala utilizando uma régua comum e tendo conhecimento da seguinte fórmula matemática:

Onde;

1/M – módulo da escala D – comprimento de linha no desenho R – comprimento de linha no terreno (real)

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Exemplo 01:

Uma porta tem 80 cm de largura, como posso representar essa medida na escala de 1/5 no papel, utilizando uma régua?

Escala 1/5 - cada 1 cm do desenho representa 5cm na largura da porta. Para desenhar nesta escala, divide-se por 5 a verdadeira grandeza das medidas. Então podemos estabelecer a seguinte relação: 1/5 = D/R.

Onde; D= uma medida no desenho a ser calculada.

R= a mesma medida feita no objeto (a medida real) = 80 cm.

Vamos lá;

D = 16 cm

Conclusão: A porta de 80 cm de largura vai ser representada com 16 cm na escala de 1/5, no papel.

EXEMPLO 02:

Um terreno tem 10 m de frente, qual medida pode representar essa dimensão no papel, na escala de 1/50?

Representar em escala uma grandeza de 10 metros na escala 1/50, é desenhar essa medida cinqüenta vezes menor do que sua medida real. Vamos estabelecer a seguinte relação: 1/50 = D/R.

Onde; D= uma medida no desenho a ser calculada. R= a mesma medida feita no terreno (a medida real) = 10 m.

A fórmula é nada mais do que uma regra de três simples, que se aprende no ensino fundamental.

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Só para lembrar: 1 m = 100 cm, logo; 0,2 m = 20 cm.

Conclusão: Um terreno de 10 m de frente vai ser representado na escala de 1/50 no papel, com 20 cm.

A escala vai representar a relação de verdadeira grandeza das dimensões, seja de peças mecânicas ou de medidas de terreno, prédio ou ambiente na construção civil.

Imagem 1: Ilustração da redução em escala de uma casa. (fonte: FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS, _, p. 06)

“Foi visto nos exemplos anteriores, a maneira de se calcular a representação de uma medida no desenho utilizando-se para tanto de uma escala previamente estabelecida e régua. Porém, é possível com a mesma fórmula estudada, calcular medidas reais, tendo suas medidas desenhadas em escala num papel.

Ou seja, o processo inverso dos cálculos realizados acima. Sugeri-se que o aluno calcule a medidas reais de um terreno, desenhado na escala de 1/50, que mediu na régua 15 cm de largura, por 30 cm de comprimento?”

Observe que a resposta foi dada na mesma unidade de medida da pergunta do problema, em metros (m). Sendo necessário, para a utilização da régua, transformar essa unidade em centímetros (cm).

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São os números que representam às dimensões do que está sendo representado pelo desenho. Qualquer que seja a escala do desenho, as cotas significam a verdadeira grandeza das dimensões.

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