Estratégia de ensino - cores

Estratégia de ensino - cores

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Santa Maria, RS, Brasil 2009

Trabalho apresentado ao Curso de Química Licenciatura Plena da Universidade Federal de Santa Maria, como requisito parcial a conclusão da disciplina de Didática da Química I.

Profº Orientador: Guilherme Carlos Corrêa

SANTA MARIA 2009

3 INDICE

1 INTRODUÇÃO4
1.1 OBJETIVOS5
1.2 JUSTIFICATIVA5
FUNDAMENTAL6
2.1 DIFICULDES ENCONTRADAS6
2.2 ABORDAGEM NOS LIVROS DIDÁTICOS7
2.3 CONCEITOS NECESSÁRIOS Á COMPREENSÃO DO TEMA8
2.3 PROPOSTA DE ENSINO: PLANO DE ENSINO8
3 CONCLUSÃO23

4 1 INTRODUÇÃO

A Terra é azul! Essa foi a exclamação do primeiro homem a ver o nosso planeta do espaço, o russo Yuri Gagarin. Ele poderia ter dito muitas outras coisas. Algo como a terra é redonda. Ou, então, que o planeta parece uma pequena bola perdida no infinito. Mas não. Gagarin, emocionado, preferiu gritar que a Terra é azul.

Foi através da Química que o homem conseguiu reproduzir os magníficos tons e cores gerados pela natureza, além de criar novas e infinitas tonalidades. As cores básicas do arco-íris inspiraram o nascimento de uma tecnologia que coloriu ainda mais o planeta azul. E tornou a cor mais acessível a todos. Como? Simples. Antes de desenvolver, no século XIX, o processo de síntese para a produção de corantes e pigmentos, o homem utilizava minérios, como os óxidos de ferro e de manganês, ou extratos vegetais para dar cor a artigos e objetos, o que limitava bastante a produção e também a criatividade dos artistas.

Convenhamos, sem a Química, gênios como Rembrandt, Picasso, Da

Vinci, Van Gogh, Monet, Portinari, Di Cavalcanti, Dali, Manabu Mabe, entre tantos outros, teriam mais dificuldades para "mergulhar" no cotidiano e descobrir cores e formas que estão à nossa volta, mas que nossos sentidos não percebem e que, por isso mesmo, precisam ser "despertados" pelo artista.

A Química é companhia constante de artistas de todo o mundo e, portanto, da poesia que nos cerca. É o caso da terebintina. Não, não se trata de nenhuma tela famosa, muito menos de uma pintora "naif" que começa a despontar nos círculos de arte. A terebintina é uma substância química que entra na composição dos solventes utilizados por pintores de todo o mundo, amadores ou profissionais, para dissolver tintas e limpar pincéis. É claro que, independente deste fato, ninguém vai entrar em um museu ou em uma galeria de arte para discutir a presença da Química nas telas. A idéia é deixar a alma se impregnar da beleza retratada pelo artista. Mas sempre é bom lembrar que sem os corantes e pigmentos desenvolvidos pela Química o mundo seria bem menos colorido.

5 1.1 OBJETIVOS

Tem-se como objetivo propor um plano de aula sobre as cores, direcionada ao ensino de ciências no ensino fundamental. Dentro desta proposta ressaltar as dificuldades encontradas na abordagem do tema, sua complexidade, abstração, assim como selecionar o que se julga relevante ensinar e o que acredita-se não ser importante dentro do contexto do público alvo.

Pretende-se superar as dificuldades encontradas na elaboração deste plano e desenvolver um trabalho que possa ser uma ferramenta auxiliadora na construção do conhecimento sólido, e não apenas “despejar” conceitos, ou fazer “receitas” de aulas práticas, sem um objetivo definido e um bom embasamento teórico.

1.2 JUSTIFICATIVA

Justifica-se a escolha por este tema em detrimento dos outros assuntos propostos visto o fascínio que a cor exerce sobre a humanidade. A cor mexe com nossas emoções, dá nova dimensão aos objetos, modifica espaços, altera formas. A Química é companhia constante de artistas de todo o mundo,

Por toda a história, corantes e pigmentos foram objetos de atividades comerciais. Hoje, são mais de 8 mil compostos diferentes sendo vendidos: substâncias que podem ser tanto orgânicas como inorgânicas. São elas que dão cor a nossas roupas, papéis, casas, carros ou lábios, ou seja. a química das cores é a química presente no cotidiano.

É bom lembrar que sem os corantes e pigmentos desenvolvidos pela

Química o mundo seria bem menos colorido E não é só na pintura que a Química dá o tom. Há milhares de corantes e pigmentos químicos, alguns com nomes bastante difíceis de pronunciar, que são utilizados em outras nos mais diversos segmentos e que se fazem presentes no dia-a-dia.

2 ESTRATÉGIAS DE ENSINO: O TEMA CORES NO ENSINO FUNDAMENTAL

2.1 DIFICULDES ENCONTRADAS

É um tema muito gostoso, muito presente. Porém, é um tema muito abrangente, envolve muitos pré-conceitos, dos quais muitos apresentam subjetividade e abstração no nível do ensino fundamental. É um tema que envolve química, compostos de estruturas e nomes complexos.Há milhares de corantes e pigmentos químicos, alguns com nomes bastante difíceis de pronunciar, que são muito utilizados, como o hidrocloreto de pentametiltriaminotrifenilcarbinol, corante utilizado no tingimento de couro, madeira, laca e na fabricação do papel carbono. Ou o tetrabromofluoresceína, utilizado para colorir líquidos em geral. A complexidade dos nomes químicos, porém, é uma outra questão. É muito mais simples e poético utilizar um nome popular. Afinal, a exclamação de Gagarin teria um impacto bem menor se ele dissesse "a terra tem a tonalidade do 1-(2-hidroxietilamino)4- metilaminoantraquinona". Azul é bem melhor.

Envolve também muitos conteúdos de física. O estudo da cor conduz a problemas chaves e conceitos fundamentais da Óptica que devem ser aprendidos e compreendidos para que se possa então compreender a cor.

na vivência dos alunos

A literatura sobre o assunto direcionada para o ensino fundamental é escassa, e as demais apresentam conceitos muito avançados para este nível de ensino e pouco relaciona a química e a física com os fenômenos presente

A grande parte de experimentos relatados em artigos possuiu enfoques para o ensino de artes, ou específico para o ensino de física e não relaciona em nenhum momento a parte química do conhecimento. Isto pode ser uma justificativa para a incompreensão e dissociação feita pelos alunos a muitos conceitos abordados em sala de aula, já que este é dissociado pelos próprios educadores.

7 2.2 ABORDAGEM NOS LIVROS DIDÁTICOS

Consultaram-se alguns livros didáticos direcionados ao ensino fundamental, e como já mencionado, a dificuldade em encontrar uma literatura adequada para tomar como base foi difícil e escassa.

Segue de forma sucinta como é abordado o tema cores nas literaturas consultadas.

LIVRO 1 e 2 Simplesmente não abordam o tema em nenhum momento, nem mesmo como exemplo.

LIVRO 3 A única referência a cores deste livro encontra-se no capítulo que trata sobre luz, que apenas descreve o seguinte: “nossa percepção visual, essa faixa é dividida em 7 regiões e, para cada região, temos uma cor de referência”. Não encontra-se nenhum exemplo prático, nenhum conceito de cores.

LIVRO 4 É abordado em capítulo denominado “A cor de um corpo”. O capítulo é de meia folha e aborda com a definição de que a luz branca emitida pelo sol, pode ser decomposta em sete cores principais, os quais ele cita e fala que a cor se da conforme a cor que ele refletir. Também não traz exemplos práticos, propostas alternativas de ensino.

LIVRO 5 Incluso no conteúdo luz e sombras, há um tópico a respeito do disco de

Newton, com histórico e explicação do fenômeno. Na seqüência, há explicação de como reproduzir o experimento em sala de aula.

LIVRO 6 No capitulo da “Decomposição da Luz” explica o prisma óptico e a decomposição da luz branca em sete cores fundamentais. Também aborda os comprimentos de ondas conforme a cor da luz. A proposta de experimentação do livro também é a confecção do disco de Newton.

LIVRO 7 É o livro que trata o assunto com maior ênfase. Aborda o assunto através da decomposição da luz branca, explica o prima óptico, os fenômenos de refração e dispersão. Também aborda o disco de Newton, Explica o fenômeno do aparecimento do arco-íres, a cor dos corpos, as cores da televisão e das tintas.

2.3 CONCEITOS NECESSÁRIOS Á COMPREENSÃO DO TEMA

Como visto, não há como dissociar o ensino de cores do tema luz. Os temas encontram-se entrelaçados apesar de que alguns dos autores consultados abordaram de forma separada, ou até mesmo, nem foi abordado e o tema cores.

2.3 PROPOSTA DE ENSINO: PLANO DE ENSINO

Introdução ao tema em sala de aula através de uma pergunta-chave: É fato incontestável que uma pessoa, ao usar roupa escura num dia de sol, sentirá mais calor que outra que esteja vestida com roupa de cor clara. Como você explica este fato?

De um modo geral, quando se define a cor de determinado objeto, tomase como referência sua exposição à “luz branca”, ou seja, a proveniente do Sol.

Mas afinal o que é “luz branca”? Para responder a esta pergunta é necessário recordar que luz visível é “uma pequena faixa de freqüências das ondas eletromagnéticas: aquelas que conseguem impressionar e estimular nosso ‘aparelho receptor’, o olho, como pode ser observada na ilustração a seguir”:

Nas ondas luminosas as diferentes freqüências estão associadas às cores e, Isaac Newton, em 1666, ao fazer um feixe de luz do Sol atravessar um prisma, observou que na parede se projetavam sete franjas de cores diferentes. Assim, a “luz branca” pode ser entendida como a composição das ondas eletromagnéticas com freqüências entre 4.1014 e 7.1014 Hz que constituem o espectro visível.

A partir disso, quando se afirma que um objeto tem determinada cor, por exemplo, vermelho, é porque ele é capaz de refletir senão totalmente, uma grande quantidade de luz vermelha em relação às outras cores que compõem a luz branca.

No entanto, não se deve esquecer das luzes de outras cores que não foram refletidas, pois elas são absorvidas pelo objeto e transformadas em

Figura: Isaac Newton e a decomposição da luz branca através de um prisma.

calor. É devido a este fenômeno que as pessoas desaconselham o uso de roupas escuras em dias ensolarados e com temperaturas elevadas.

Para melhor compreensão reflita sobre o seguinte: uma pessoa só consegue ver um objeto porque chega luz aos seus olhos, e isto pode ocorrer devido ao objeto emitir ou refletir luz. Logo, se o branco é uma mistura de todas as cores, e se uma roupa branca deve refletir a maior parte da luz que sobre ela incide, uma parte bem menor de luz será absorvida e, conseqüentemente, a transformação de energia luminosa para térmica também será menor.

Pode-se então depreender que a cor de um objeto, dentre outros fatores, vai depender da cor da luz que o está iluminando. Por exemplo, as características de um objeto que é vermelho quando iluminado por luz branca são refletir luz vermelha e absorver a de outras cores; entretanto, se for iluminado apenas com luz azul, ele absorverá essa luz, visto que só pode refletir luz vermelha. Nessa última situação, o objeto não refletirá nenhuma luz, ficando assim preto. Contudo, cabe ressaltar que nesse tipo de análise, devem ser levadas em consideração as cores primárias e secundárias. Isto porque nem sempre que se incide luz de determinada cor, diferente da cor de um objeto quando iluminado com luz branca, ele se tornará preto, já que a maioria das cores é resultado da mistura de outras.

Conceito cientifico: (linguagem complexa para o ensino fundamental) Algumas palavras encontram-se em negrito para destacar alguns dos conceitos que tornam o tema complexo por esta abordagem

A cor é uma percepção visual provocada pela ação de um feixe de fótons sobre células especializadas da retina, que transmitem através de informação pré-processada no nervo óptico, impressões para o sistema nervoso. A cor de um material é determinada pelas médias de frequência dos pacotes de onda que as suas moléculas constituintes refletem. Um objeto terá determinada cor se não absorver justamente os raios correspondentes à frequência daquela cor.

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