Junções

Junções

Universidade Federal de Pernambuco

Centro de Ciências Biológicas

Departamento de Histologia e Embriologia

Citologia

JUNÇÕES

James Chagas Almeida

José Eduardo Adelino Silva

Biomedicina 1º período

Recife

2010.2

1. Definição

Junções celulares são estruturas da membrana plasmática das células e têm como função ligar uma célula às suas células vizinhas ou entre sua matriz extracelular.

2. Classificação

As junções são classificadas de acordo com as suas funções específicas:

2.1 Junção de oclusão

Atua como barreira de permeabilidade seletiva, separando os fluidos químicos diferentes em cada lado.

2.2 Junção aderente

Mantem as células unidas por meio de filamentos de actina.

2.3 Junção comunicante

Permite o contato entre células para que funcionem de modo coordenado e harmônico.

3. Zona de Oclusão

1. Imagem esquemática mostrando a localização da zona de oclusão (junção oclusiva).

As zonas de oclusão se encontram entre a camada mais externa das células adjacentes. Estabelecem uma barreira contra a entrada de macromoléculas (lipídeos, proteínas etc.). São encontradas em células epiteliais que revestem o intestino e outros órgãos impedindo a passagem de produtos no espaço (espaço intercelular) entre duas células. Assim, as macromoléculas que passam pela zona de oclusão são obrigadas a passar por dentro da célula, havendo um controle dos meios.

Também chamadas de junções oclusivas ou de oclusão, as zonas de oclusão são constituídas por:

  • Caderinas: proteínas transmembranais que têm os segmentos extracelulares ligados uns aos outros e os intracelulares se ligam com a catenina;

  • Cateninas: estão ligadas a filamentos de actina.

Estas proteínas interagem com outro tipo de proteínas para se ligarem com vias de transdução de sinal envolvidas nas suas regulações.

4. Zona de Aderência

2. Imagem esquemática mostrando a localização da zona de aderência (adherens junctions), da catenina (catenin), da caderina (cadherin) e dos filamentos de actina (actin filaments).

A junção que se liga ao citoesqueleto por meio de filamentos de actina e não por meio de filamentos intermediários é chamada de zona de aderência ou junção aderente. São muito frequentes em células musculares cardíacas. No tecido epitelial, formam uma estrutura conhecida como cinturão de adesão, localizada abaixo da zona de oclusão.

As membranas plasmáticas são unidas pelas caderinas, os filamentos de actina estão ligados às cateninas. Os feixes de actina, ligados às caderinas, formam uma malha que pode se contrair por meio de proteínas motoras.

  1. Desmossomos

3. Esquema representando os desmossomos.

Os desmossomos são estruturas responsáveis pela adesão celular. Eles são encontrados principalmente em células do tecido epitelial, mas também estão presentes nos discos intercalares responsáveis pela união dos cardiócitos adjacentes e nas meninges que revestem o encéfalo e a medula espinhal na sua superfície externa.

Em forma de disco, está presente na superfície celular, e que é sobreposta à estrutura idêntica presente na superfície da célula adjacente. Nesta região, as membranas celulares são retas, paralelas e geralmente separadas da membrana por uma distância um pouco maior (30 nm) do que os habituais 20 nm.

No lado citoplasmático da membrana de cada uma das células há uma placa circular chamada de placa de ancoragem, que é composta de pelo menos 12 proteínas. Nelas, filamentos intermediários de queratina se inserem na placa que, por serem filamentos muito fortes, promovem uma adesão bastante firme entre as células. Nas células não-epiteliais esses filamentos intermediários ancorados em desmossomos não são constituídos de queratina, mas de outras proteínas, como desmina e vimentina.

  1. Junções Comunicantes

4. Imagem esquemática da junção comunicante.

As junções comunicantes tratam-se de um tipo de especialização do domínio basolateral da membrana plasmática que proporciona a comunicação entre as células vizinhas através de canais hidrofílicos. Estão presentes nos mais variados tipos celulares, excetuando-se as fibras musculares esqueléticas e as células sanguíneas. A elas são atribuídas às funções de união elétrica e/ou metabólica.

São constituídas por um grupamento de canais proteicos hidrofílicos, os conéxons. Os conéxons de uma célula se alinham com os da célula adjacente, formando um canal aquoso contínuo que conecta os citoplasmas das células em contato.

Por proporcionarem essa comunicação intercelular direta, sem a necessidade de atravessar a membrana plasmática, as diversas células de um determinado tecido trabalham de um modo coordenado, como uma unidade cooperativa.

Enfim, as junções comunicantes, tipo de especialização do domínio basolateral da membrana plasmática, são canais proteicos hidrofílicos que medeiam a comunicação elétrica e/ou metabólica entre células vizinhas diretamente sem a necessidade de atravessar a importante barreira que é o plasmalema, apresentando relevantes implicações funcionais nos tecidos onde são expressas.

  1. Hemidesmossomos

    Juntamente com os desmossomos, os hemidesmossomos conferem resistência aos tecidos expostos à tensão e ao atrito, promovendo a fixação da célula à matriz extracelular.

    Localizam-se no domínio basal das células, o que justifica sua íntima relação com a lâmina basal subjacente. Estão presentes principalmente na córnea, pele, cavidade oral, esôfago e vagina, proporcionando estabilidade desses tecidos através da ligação dos filamentos intermediários do citoesqueleto aos componentes da lâmina basal.

    O hemidesmossomo é constituído por uma placa de ligação intracelular, na qual se ancoram os filamentos intermediários, e por outra porção constituída por proteínas transmembranas, que se ligam aos elementos da lâmina basal.

5. Esquema da ligação com hemidesmossomos.

  1. Contatos Focais

As adesões focais são formadas por proteínas da família das integrinas que proporcionam adesão célula-matriz extracelular e ligam-se aos filamentos de actina intracelulares. Assim, torna-se possível às células musculares ligarem-se aos seus tendões.

6. Imagem esquemática da posição dos contatos focais.

  1. Referências Bibliográficas

9.1 Sites

http://www.ufmt.br/bionet/conteudos/01.11.04/juncao.htm

http://www.ufmt.br/bionet/conteudos/01.11.04/oclus_bloq.htm

http://www.ufmt.br/bionet/conteudos/01.11.04/Jun_ader.htm

http://www.ufmt.br/bionet/conteudos/01.11.04/Ad_focais.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jun%C3%A7%C3%A3o_celular

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jun%C3%A7%C3%A3o_de_oclus%C3%A3o

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jun%C3%A7%C3%A3o_aderente

9.2 Imagens

1. http://www.sobiologia.com.br/figuras/Histologia/juncoes2.jpg

2. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/27/Adherens_Junctions_structural_proteins.svg/350px-Adherens_Junctions_structural_proteins.svg.png

3. http://3.bp.blogspot.com/_a1tFlaP9QQo/TAuflkcfOOI/AAAAAAAAASQ/XSg6RAJM2Zc/s1600/Desmossomos+(Afonso)+NOVO.jpg

4. http://4.bp.blogspot.com/_a1tFlaP9QQo/TEMvYJXey7I/AAAAAAAAAYk/BIYQT5FugOQ/s1600/JUN%C3%87%C3%95ES+COMUNICANTES.JPG

5. http://1.bp.blogspot.com/_a1tFlaP9QQo/THHYJED5qrI/AAAAAAAAAa4/Qgz6OVi1juY/s1600/Hemidesmossomos+(Elker).jpg

6. http://www.ufmt.br/bionet/conteudos/01.11.04/jun13.jpg

9.3 Arquivo

http://www.webbiblioteca.com/modulos/fisiopatologia/livros/FisioCelCap10_JUNCOES_CELULARES.pdf

9.4 Livros

LEWIS, J.; ALBERTS, B.; BRAY, D. Biologia molecular da célula, 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

JUNQUEIRA, L.C., CARNEIRO, J. Histologia básica, 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular: uma introdução à biologia molecular da célula, 2ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

KIERSZENBAUM, A.L. Histologia e biologia celular: uma introdução à patologia, 2ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

ALBERTS, Bruce et al. Fundamentos da Biologia Celular: uma introdução à biologia molecular da célula, Porto Alegre: Artmed, 2002.

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