Farmacopéia brasileira - Volume 2

Farmacopéia brasileira - Volume 2

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Farmacopeia Brasileira

Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Volume 2

5ª edição

Brasília 2010

Copyright © 2010 Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

5ª edição

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro de Estado da Saúde José Gomes Temporão

Diretor-Presidente Adjunto do Diretor-Presidente Dirceu Raposo de Mello Pedro Ivo Sebba Ramalho

Diretores Adjuntos de Diretores Dirceu Aparecido Brás Barbano Luiz Roberto da Silva Klassmann José Agenor Álvares da Silva Neilton Araujo de Oliveira Maria Cecília Martins Brito Luiz Armando Erthal

Chefe de Gabinete Iliana Alves Canoff

Elaboração e edição: AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA SIA Trecho 5, Área Especial 57, Lote 200 71205-050, Brasília – DF Tel.: (61) 3462-6000 Home page: w.anvisa.gov.br

Brasil. Farmacopeia Brasileira, volume 2 / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2010. 808 p., 1v/il. 1. Substâncias farmacêuticas químicas, vegetais e biológicas. 2. Medicamentos e correlatos. 3. Especificações e métodos de análise. I Título.

RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA - RDC Nº. 49, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2010

Aprova a Farmacopeia Brasileira, 5ª edição e dá outras providências.

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 1 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº. 3.029, de 16 de abril de 1999, e tendo em vista o disposto no inciso I e § 1º e 3º do art. 54 do Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I da Portaria Nº 354 da ANVISA, de 1 de agosto de 2006, republicada no DOU de 21 de agosto de 2006, e ainda o que consta do art. 7º inciso XIX da Lei nº. 9.782, de 26 de janeiro de 1999, em reunião realizada em 1 de novembro de 2010, adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação:

Art. 1° Fica aprovada a Farmacopeia Brasileira, 5ª edição, constituída de Volume 1 – Métodos Gerais e textos e Volume 2 – Monografias.

Art. 2° Os insumos farmacêuticos, os medicamentos e outros produtos sujeitos à vigilância sanitária devem atender às normas e especificações estabelecidas na Farmacopeia Brasileira.

Parágrafo único. Na ausência de monografia oficial de matéria-prima, formas farmacêuticas, correlatos e métodos gerais na quinta edição da Farmacopeia Brasileira, para o controle de insumos e produtos farmacêuticos admitir-se-á a adoção de monografia oficial, em sua última edição, de códigos farmacêuticos estrangeiros, na forma disposta em normas específicas.

Art. 3° É vedada a impressão, distribuição, reprodução ou venda da Farmacopeia Brasileira, 5ª edição sem a prévia e expressa anuência da ANVISA.

Parágrafo único. Sem prejuízo do disposto no caput desse artigo, a ANVISA disponibilizará gratuitamente em seu endereço eletrônico cópia da quinta edição e de suas atualizações.

Art. 4º Fica autorizada a Fundação Oswaldo Cruz, por meio da Editora Fiocruz, para a comercialização dos exemplares da quinta edição da Farmacopeia Brasileira

Art. 5º Ficam revogadas todas as monografias e métodos gerais das edições anteriores da Farmacopeia Brasileira. Art. 6° Esta Resolução entrará em vigor noventa (90) dias após a sua publicação.

Brasília, em 24 de novembro de 2010

DIRCEU RAPOSO DE MELLO Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Publicada no DOU Nº 224, 24 de novembro de 2010

Volume 1

1 PREFÁCIO 2 HISTÓRICO 3 FARMACOPEIA BRASILEIRA 4 GENERALIDADES 5 MÉTODOS GERAIS 5.1 Métodos gerais aplicados a medicamentos 5.2 Métodos físicos e físico-quimicos 5.3 Métodos químicos 5.4 Métodos de farmacognosia 5.5 Métodos biológicos, ensaios biológicos e microbiológicos 5.6 Métodos imunoquímicos 5.7 Métodos físicos aplicados a materiais cirúrgicos e hospitalares 6 RECIPIENTES PARA MEDICAMENTOS E CORRELATOS 6.1 Recipientes de vidro 6.2 Recipientes plásticos 7 PREPARAÇÃO DE PRODUTOS ESTÉREIS 7.1 Esterilização e garantia de esterilidade 7.2 Indicadores biológicos 7.3 Processo asséptico 7.4 Salas limpas e ambientes controlados associados 7.5 Procedimentos de liberação 8 PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS APLICÁVEIS AOS ENSAIOS BIOLÓGICOS 8.1 Glossário de símbolos 8.2 Fundamentos 8.3 Valores atípicos 8.4 Ensaios diretos 8.5 Ensaios indiretos quantitativos 8.6 Médias móveis 8.7 Ensaios indiretos “tudo ou nada” 8.8 Combinação de estimativas de potência 8.9 Tabelas estatísticas 8.10 Exemplos de cálculos estatísticos aplicados em ensaios biológicos 9 RADIOFÁRMACOS

10 EQUIVALÊNCIA FARMACÊUTICA E BIOEQUIVALÊNCIA DE MEDICAMENTOS 1 ÁGUA PARA USO FARMACÊUTICO 12 SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS DE REFERÊNCIA 13 SUBSTÂNCIAS CORANTES 14 REAGENTES 14.1 Indicadores e soluções indicadoras 14.2 Reagentes e soluções reagentes 14.3 Soluções volumétricas 14.4 Tampões

Volume 2 MONOGRAFIAS _ 7

7Farmacopeia Brasileira, 5ª ediçãoaa

ABACATEIRO Persea folium

Persea americana Mill. – LAURACEAE

A droga vegetal é constituída pelas folhas secas contendo, no mínimo, 0,4% de flavonoides totais expressos em apigenina e 0,14% de óleo volátil.

SINONÍMIA CIENTÍFICA Persea gratissima Gaertn. f.

Características organolépticas. A folha é inodora e de sabor fracamente adstringente.

Folhas simples, elípticas, oblongas ou oval-acuminadas, semi-coriáceas, de margens inteiras, mais ou menos onduladas; lâmina com 8,0 cm a 20,0 cm de comprimento e 4,0 cm a 9,0 cm de largura; pecíolo de até 5 cm de comprimento e 3 m a 4 m de largura na base; quando frescas são de cor verde-escura na face adaxial, pouco brilhantes e quase lisas, e de face abaxial de cor verde mais clara, fosca e um tanto áspera; folhas secas de coloração até castanho-clara. Nervura principal proeminente na face abaxial, com nervuras secundárias oblíquas, também proeminentes, dando origem às nervuras terciárias que se anastomosam em fina trama.

A lâmina foliar é hipoestomática e de simetria dorsiventral. A epiderme, em vista frontal, na face adaxial, é formada por células poligonais, com células de paredes levemente sinuosas e raros tricomas tectores unicelulares, curtos a longos, de paredes espessas; na face abaxial geralmente é formada por células menores, retangulares ou arredondadas, com paredes periclinais levemente convexas. A cutícula é granulosa e os estômatos são anomocíticos, com 3 a 4 células subsidiárias. Tricomas tectores são frequentes em folhas jovens e raros em folhas adultas. Em secção transversal, a epiderme é uniestratificada em ambas as faces, com cutícula espessa. Na face adaxial as células são alongadas no sentido transversal. O mesofilo é formado por uma ou duas camadas de células paliçádicas, alongadas, apresentando muitos idioblastos secretores de mucilagem e óleo volátil, volumosos e arredondados. O parênquima esponjoso apresenta poucas camadas de células irregulares, com grandes espaços intercelulares. Pode ocorrer uma conformação diferenciada do mesofilo, junto aos idioblastos secretores, formada por células parenquimáticas alongadas e achatadas tangencialmente, de paredes espessas. A nervura principal mostra um feixe vascular colateral desenvolvido, envolto por uma bainha esclerenquimática, praticamente contínua. Pequenos cristais fusiformes, de oxalato de cálcio, ocorrem em células parenquimáticas próximas às nervuras. Na base da lâmina foliar, dois outros feixes colaterais pequenos ocorrem junto ao bordo, voltados para a face adaxial.

O pó atende a todas as exigências estabelecidas para a espécie, menos os caracteres macroscópicos. São características: coloração verde-escura; fragmentos da epiderme voltada para a face adaxial com células poligonais isodiamétricas, recoberta por cutícula espessa; fragmentos da epiderme voltada para a face abaxial, com células menores; fragmentos da epiderme voltada para a face abaxial com estômatos anomocíticos; fragmentos da epiderme voltada para a face abaxial com tricomas tectores; tricomas tectores inteiros acompanhados de células da epiderme ou isolados; fragmentos de tricomas tectores; fragmentos do mesofilo com idioblastos secretores arredondados; fragmentos de nervura, como descrita, acompanhados de células contendo cristais fusiformes.

Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (5.2.17.1), utilizando sílica-gel GF254, com espessura de 250 µm, como suporte, e mistura de acetato de etila, ácido fórmico e água (80:10:10) como fase móvel. Aplicar, separadamente, à placa, 10 μL da Solução (1), recentemente preparada, descrita a seguir.

Solução (1): preparar tintura 20% (p/v) das folhas pulverizadas com etanol a 65% (v/v) por maceração ou percolação.

Desenvolver o cromatograma. Remover a placa, deixar secar ao ar. Nebulizar com anisaldeído SR. Examinar sob luz visível. Observar cinco manchas principais de coloração amarelada: na parte superior do cromatograma, uma mancha isolada e duas manchas bem próximas um pouco abaixo; na parte mediana do cromatograma, duas outras manchas próximas. Na parte inferior do cromatograma, observar uma mancha de coloração rósea e outra, mais abaixo, de coloração azulada.

ENSAIOS DE PUREZA Material estranho (5.4.2.2). No máximo 2,0%. Água (5.4.2.3). No máximo 12,0%. Cinzas totais (5.4.2.4). No máximo 5,0%. Cinzas sulfatadas (5.2.10). No máximo 10,0%.

DOSEAMENTO Óleos voláteis

Proceder conforme descrito em Determinação de óleos voláteis em drogas vegetais (5.4.2.7). Utilizar balão de 1000 mL contendo 500 mL de água como líquido de destilação. Utilizar planta seca rasurada e não contundida.

8Farmacopeia Brasileira, 5ª ediçãoaa

Proceder imediatamente à determinação do óleo volátil a partir de 100 g da droga rasurada. Destilar por 4 horas.

Flavonoides totais

Proceder conforme descrito em Espectrofotometria de absorção no visível (5.2.14). Preparar as soluções descritas a seguir.

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