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TAYLORISMO (Administração Científica) Aspectos conceituais e uma análise crítica

Marco Bräutigam Florianópolis, Dezembro de 2003.

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Índice

1. INTRODUÇÃO E A VIDA DE FREDERICK WINSLOW TAYLOR 3

2. TAYLORISMO 4

2.1. EXEMPLOS E IDÉIAS BÁSICAS DO TAYLORISMO 4 2.2. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 6 2.2.1. MÉTODO CIENTÍFICO 6 2.2.2. ENSINAR E SELECIONAR O OPERÁRIO CIENTIFICAMENTE 6 2.2.3. CONTROLE E COLABORAÇÃO 7 2.2.4. DIVISÃO EQÜITATIVA DO TRABALHO E RESPONSABILIDADE 8 2.2.5. EFEITOS DOS QUATRO PRINCÍPIOS 8 2.3. ORGANIZAÇÃO RACIONAL DO TRABALHO 9

3. ANÁLISE CRÍTICA 16

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 17 5. LITERATURA 18

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1. Introdução e a vida de Frederick Winslow Taylor

Entre o final do século XIX e o século X, um engenheiro americano chamado Frederick Winslow Taylor desenvolveu a "organização científica do trabalho". Durante sua vida Taylor dedicou-se ao estudo de metodização o modernização dos processos na indústria e o seu objetivo era elevar ao máximo a produtividade das fábricas. A máxima que talvez melhor descreva o Taylorismo é: Tempo é dinheiro. Durante sua vida Taylor se perguntou sempre: “Qual é a melhor forma para fazer este trabalho?” e “Qual deverá o trabalho de um dia?” Os métodos do Taylor provocaram mudanças significativas nos processos industriais e contribuíram de forma eficaz para o desenvolvimento industrial do século X. Os resultados do Taylor não foram acidentais, mas conseqüências de um estudo sistemático do trabalho e dos problemas que surgem no dia-a-dia do trabalho. Com os trabalhos do Taylor a produção econômica recebeu uma base nova.

Taylor é, entre Henri Fayol e Henry Ford, um dos pioneiros da organização. Ele é também chamado “o pai da administração científica do trabalho”.

Frederick Winslow Taylor nasceu no dia 20.03.1856 em Germatown, Pensilvânia, Estados Unidos. A família de Taylor pertencia à classe média e depois abandonado os seus estudos de lei na Harvard-University, Taylor começou trabalhar numa oficina mecânica com 18 anos. Em 1978 Taylor conseguiu entrar nas oficinas de construção de máquinas Midvale Steel Company, onde ele fez os primeiros estudos de tempos, aperfeiçoando um sistema de cronometragem. Durante seu tempo na Midvale Steel Company Taylor estudava a noite e em 1885 ele se formou como engenheiro mecânico. Em 1895, apresentou à "American Society of Mechanical Engineers" um estudo experimental denominado “Notas Sobre as Correias”. Pouco depois publicava outro trabalho, “Um Sistema de Gratificação por Peça”, um sistema de administração e de remuneração dos operários. No ano 1896 Taylor entrou na Bethlehem Steel Works e em 1903 foi lançado o seu primeiro livro: Shop Management (“Administração de Oficinas”). Em 1906 Taylor foi eleito presidente da “American Association of Mechanical Engineers” e publicou “The art of cutting metals”. 8 anos depois o seu primeiro livro, em 1911 Taylor publicou sei segundo livro: Principles of Scientific Management (“Princípios de Administração científica”), Poucos anos depois o seu lançamento, a obra adquiriu fama mundial, e já se encontrava traduzida em diversas línguas.

Taylor morreu no dia 21.03.1915 com 59 anos em Filadélfia, Estados Unidos, mas a teoria dele, ou seja, o taylorismo vive até hoje.

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2. Taylorismo 2.1. Exemplos e idéias básicas do Taylorismo

Um dos mais famosos e conhecidos experimentos de Taylor é sobre o uso da pá, que está contido no seguinte: Logo depois da entrada de Taylor na Bethlehem Steel Works, ele viu cerca 500 trabalhadores, que gastavam a maior parte do seu tempo a movimentar diferentes materiais com pás. Taylor fez estudos de tempo para determinar qual a carga por pá que permitiria a um bom operador mover a quantidade máxima de material por dia. O resultado foi que a carga ótima estava 9,75 kg por pá. O problema era que os homens usavam a mesma pá para todas as matérias e portanto os trabalhadores movimentaram entre 1,6 e 17,2 kg por pá. Visto que a densidade das materiais varia, os tamanhos das pás devem ser ajustados para cada material. Isso significa, para materiais pesados devem ser usadas pás pequenas e para materiais leves pás grandes. Conseqüentemente a empresa forneceu pás ótimos(um tipo de pá para cada material) para os trabalhadores e obtendo a mesma produção, a empresa não precisava mais do que 140 homens.

Neste exemplo já pode ser observado que Taylor investigou detalhadamente os métodos de trabalho com o objetivo de determinar a melhor maneira de se executar um trabalho e de aumentar a produtividade. Isso representa um dos pontos mais importantes no Taylorismo.

Um outro exemplo, um diálogo entre Taylor e um trabalhador, que é tirado do próprio livro de Taylor – Princípios de Administração científica – esclarece a posição do trabalhador no Taylorismo. O trabalhador Schmidt foi chamado para falar com Taylor:

Taylor: “Schmidt, você é um operador classificado?” Schmidt: “Não sei bem o que o senhor quer dizer.” Taylor: “Desejo saber se você é ou não um operador classificado.” Schmidt: ”Ainda não o entendi.” Taylor: “Venha cá. Você vai responder às minhas perguntas. Quero saber se você é um operário classificado, ou um desses pobres diabos que andam por aí. Quero saber se você deseja ganhar $1,85 por dia, ou se está satisfeito com $1,15 que estão ganhados todos esses tontos aí.”

Schmidt: “Se quero ganhar $1,85 por dia? Isto é que quer dizer um operário classificado? Então sou um operário classificado.”

Taylor: “Ora, você me irrita. Naturalmente que deseja ganhar $1,85 por dia; todos os desejam. Você sabe perfeitamente que isso não é bastante para fazer um operário classificado. Por favor, procure responder às minhas perguntas e não me faça perder tempo. Venha comigo. Vê esta pilha de barras de ferro ?”

Schmidt: “Sim.” Taylor: “Vê este vagão?” Schmidt: “Sim.”

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Taylor: “Muito bem. Se você é um operário classificado, carregará todas estas barras para o vagão, amanhã, por $1,85. Agora, então, pense e responde a minha pergunta. Diga-se se é ou não um operário classificado.”

Schmidt: “Bem vou ganhar $1,85 para pôr todas estas barras de ferro no vagão amanhã ?”

Taylor: “Sim, naturalmente, você receberá $1,85 para carregar uma pilha, como esta, todos os dias, durante ano todo. Isto é que é um operário classificado e você o sabe tão bem como eu.”

Schmidt: Bem, tudo entendi. Devo carregar as barras para o vagão amanhã, por $1,85 e nos dias seguintes, não é assim?”

Taylor: “Isto mesmo.” Schmidt: “Assim, então sou um operário classificado.” Taylor: “Devagar. Você sabe, tão bem quanto eu, que um operário classificado deve fazer exatamente o que se lhe disser desde manhã à noite. Conhece você aquele homem ali?”

Schmidt: “Não, nunca o vi.” Taylor: “Bem, se você é um operador classificado, deve fazer exatamente o que este homem lhe mandar, de manhã à noite. Quando ele disser para levantar a barra e andar, você se levanta e anda, e quando ele mandar sentar, você senta e descansa. Você procederá assim durante o dia todo. E, mais ainda, sem reclamações. Um operário classificado faz justamente o que se lhe manda e não reclama. Entendeu ? Quando este homem mandar você andar, você anda; quando disser que se sente, você deverá sentar-se e não fazer qualquer observação. Finalmente, você vem trabalhar aqui amanhã e saberá, antes do anoitecer, se é verdadeiramente um operário classificado ou não.”

Neste diálogo pode ser observado que no Taylorismo, um operador classificado é um soldado do trabalho e que os operadores são vistos como homens de mentalidade limitada, ou seja, como homens sem cérebro. Conseqüentemente a única maneira para estimular um trabalhador para trabalhar são incentivos em dinheiro. Um objetivo do Taylorismo é a obtenção de mão-de-obra econômica, retribuída, entretanto, com salários mais elevados.

Mais geralmente, o principal conceito do Taylorismo pode ser expressados em três enunciados:

1. Atribuir a cada operário a tarefa mais elevada que lhe permitam suas aptidões. É a designação do homem para funções na qual possam exercer sua capacidade inteiramente a contento, dando-se-lhe o encargo mais elevado, consentâneo com as suas possibilidades.

2. Pedir a cada operário o máximo de produção que se possa esperar de um operário hábil, de sua categoria.

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3. Cada operador, produzindo a maior soma de trabalho, tenha uma remuneração adequada, que seja de 30% a 50% superior à média dos trabalhadores de sua classe.

2.2. Princípios fundamentais

Depois vários anos de experimentos para determinar métodos de trabalho ótimos, Taylor propôs quatro princípios de administração cientifica, que serão descritos no seguinte1. Estes princípios devem ser implantados na qualquer empresa para obter um aumento da produção e para ter sucesso.

2.2.1. Método científico

O primeiro princípio é o método científico. Isso significa que para cada elemento do trabalho deve ser desenvolvido um método científica. Não é mais permitido que o operador siga um método empírico. Para conseguir isso é necessário reduzir o saber operário complexo a seus elementos simples, estudar os tempos de cada trabalho decomposto para se chegar ao tempo necessário para operações variadas. Para alcançar este objetivo a cronometragem foi introduzido nas fábricas e executado. Assim, o administrador deve juntar todo o conhecimento tradicional adquirido pelo trabalhador e classificar, tabular e reduzir este saber a regras, leis e fórmulas e devolvendo-as ao trabalhador. Existe só uma única melhor maneira de se executar uma operação e o operador deve executar o trabalho exatamente nesta maneira. O trabalhador receberá portanto as instruções de como e em quanto tempo ele tem que realizar sua tarefa parcelizada. Em suma, o que este primeiro principio estabelece é a separação das especialidades do trabalhador do processo de trabalho. Este deve ser independente do ofício, da tradição e do conhecimento do trabalhador, dependendo apenas das políticas gerenciais.

2.2.2. Ensinar e selecionar o operário cientificamente

O segundo princípio é o conceito de selecionar cada operador cientificamente e depois ensinar, especializar, formar, conduzir e aperfeiçoar o operário para que ele possa fazer a operação ótimo. Também devem ser eliminados todos os homens que se recusam a adotar os novos métodos ou são incapazes de segui-los. No passado cada operário escolhia seu próprio trabalho e o jeito como ele queria fazé-lo. Mas agora o trabalho intelectual é eliminado da fábrica e centralizado no departamento do planejamento, ou seja, toda atividade de concepção, planejamento e decisão deve ser realizado fora da fábrica pela

1 A descrição dos quatro princípios é baseada no livro „O que é Taylorismo“, página 20-24

TAYLORISMO (Administração Científica) - Aspectos conceituais e uma análise crítica Página 7 de18 gerência científica e ser executada passivamente pelos trabalhadores dentro da fábrica. Este princípio ficou conhecido como o que estabelece a separação entre o trabalho de concepção e o de execução que é um dos pontos principais do Taylorismo. Segundo Taylor, a "ciência do trabalho" deve ser desenvolvida sempre pela gerência e nunca estar de posse do trabalhador. Ele compreende muito bem como a organização do trabalho pelo próprio operário é uma arma contra o capital. Consuma-se ai a dominação do capital sobre o trabalhador no interior do espaço produtivo, impondo-lhe um rendimento padronizado. Os órgãos de execução vão realizar aquilo que foi preparado, estudado e planejado pelos órgãos de planejamento. Conseqüentemente o operador fica apenas com a parte propriamente executiva

Os órgãos de planejamento ou seja os agentes de preparação e planejamento, diretamente ligados à direção, são os seguintes:

• O Encarregado de ordens e serviço (Order of work and route clerk)

• O Encarregado da disciplina ou das ralações humanas

A finalidade de planejamento é caracterizar qualquer tarefa que deve ser feito, como deve ser feito, onde deve ser feito e quando deve ser feito.

Os órgãos de execução, diretamente ligados aos operadores, são os seguintes: • O Encarregado de Preparação (Gang boss)

• O Encarregado da velocidade e do ritmo (Speed boss)

• O Encarregado de inspeção (Inspector)

2.2.3. Controle e Colaboração

O terceiro princípio é cooperar cordialmente com os trabalhadores para articular todo trabalho com os princípios da ciência que foi desenvolvido. Em palavras mais práticas isso significa que cada operário deve ser controlado se ele executa o trabalho exatamente (até mesmo os mínimos detalhes de sua execução) conforme as regras estabelecidas. Isso é necessário porque as regras foram estabelecidas por técnicos que conhecem a melhor forma de execução e por isso o trabalho só seja bem executado se o operário segue as regras. O ponto de vista do operário só será ouvido se ele tiver algo a acrescentar depois de testado o novo método. O princípio de colaboração é fundamental: objetiva-se estabelecer uma relação "íntima e cordial" ou seja “um espírito de profunda cooperação”entre o operário e a hierarquia na fábrica, anulando a existência da luta de classes no interior do processo de trabalho.

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2.2.4. Divisão eqüitativa do trabalho e responsabilidade

No quarto princípio, Taylor exige manter a divisão eqüitativa do trabalho e das responsabilidades entre a direção e o operário. A direção incumbe-se de todas as atribuições, para as quais esteja mais bem aparelhada do que o trabalhador, ao passo que no passado quase todo o trabalho e a maior parte das responsabilidades pesavam sobre o operário. Taylor acredita poder assegurar com esta nova divisão do trabalho a supressão das lutas operárias, sobretudo da greve, na medida em que possibilita uma colaboração íntima e pessoal entre as duas partes, em que se divide o trabalho. Na verdade, Taylor imagina para cada três operários um membro da direção, que dividirá as responsabilidades e o trabalho com eles, instruindo-os pelo menos com um dia de antecedência sobre: o que fazer, como fazer e o tempo concedido para fazê-lo. Nisto se resume a divisão "eqüitativa" do trabalho proposta por Taylor

2.2.5. Efeitos dos quatro princípios

Os quatro princípios foram implantados em muitas fábricas em todo o mundo industrial, muitas vezes aumentando a produtividade com o fator 3 ou até mais. Henry Ford também usava os quatro princípios de Taylor nas fábricas automobilísticas. Os princípios centralizam o poder de decisão nas mãos da direção, excluindo os produtores diretos da participação da concepção e do planejamento da produção. O operário deve apenas realizar as instruções, o que supõe submeter-se à ordens impostas pela hierarquia da fábrica. À direção compete dirigir, controlar e vigiar o trabalhador, impedindo por todos os meios sua articulação e comunicação horizontais no interior do espaço da produção. Localizados em seus postos, os superiores hierárquicos dispõem de um observatório através do qual analisam, classificam, registram, produzem conhecimentos sobre o subordinado, o que facilita a vigilância e o controle sobre ele.

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