Análise do mapa de solos do Brasil

Análise do mapa de solos do Brasil

(Parte 1 de 2)

Curso de Graduação em Agronomia Nelmício Furtado

Analise circunstâncial do mapa de solos do Brasil

Trabalho apresentado ao curso de Agronomia do Instituto Federal Goiano – campus Rio Verde como requisito a disciplina de Física e Classificação dos Solos

Prof: Gilberto Colodro

1 Introdução

Sumário 3

2 Analise geral da distribuição de solos no Brasil
2.1 Analise geral da distribuição de solos em Goiás
2.2 Analise geral da distribuição de solos no Sudoeste de Goiás
2.3 Analise geral da distribuição de solos em Rio Verde

3 Analise geral da distribuição de solos nas regiões de fronteiras

agrícolas do Brasil
fronteira agrícola do Maranhão

3.1 Analise da distribuição de solos na região de expansão da 12

fronteira agrícola do Pará

3.2 Analise da distribuição de solos na região de expansão da 14

4 Conclusão
5 Refências

1 Introdução

O Mapa de Solos do Brasil identifica e cartografia dos diferentes tipos de solos encontrados no Brasil. Reúne informações e conhecimentos produzidos ao longo de mais de 50 anos de ciência do solo no Brasil e utiliza pela primeira vez a nomenclatura e as especificações recomendadas pelo Sistema Brasileiro de Classificação de solos - SBCS da Embrapa (1999), reflexo do avançado estágio de conhecimento técnico - científico dos solos tropicais pela comunidade científica brasileira. Para sua elaboração, foram utilizados os levantamentos exploratórios de solos produzidos pelo Projeto Radam Brasil ao longo das décadas de 1970 e 1980, complementados por outros estudos mais detalhados de solos produzidos principalmente pela Embrapa e pelo IBGE. Além de fornecer uma visão panorâmica da grande diversidade de solos do país, o Mapa de Solos do Brasil permite visualizar a distribuição espacial das principais classes de solos, fornecendo informações úteis para diversos fins, como ensino, pesquisa e extensão. Especificamente para o planejamento territorial, mesmo sem trazer informações para uso local, o mapa contém informação estratégica compreensão e avaliação da dinâmica da paisagem nacional, zoneamentos e planejamentos regionais e estaduais, além de planos setoriais, como uso e conservação dos recursos hídricos, corredores de desenvolvimento, sistemas viários e outros.

Figura 1- Mapa de solos do Brasil

2. Analise geral da distribuição de solos no Brasil

Os latossolos, que apresentam bom potencial para uso agrícola, aparecem no mapa em gradações da cor laranja (LA, LV e LVA) em gradações da cor laranja (LA, LV e LVA). Estão espalhados por todo o território brasileiro, principalmente na região Centro- Oeste, mas também no Triângulo Mineiro e no Nordeste. Mais profundos,antigos e com baixa disposição á erosão, os latossolos são utilizados no Centro-Oeste parar a produção de grãos, principalmente soja e milho. Essa utilização agrícola é praticada em geral de forma intensiva, com aplicação maciça de calcário e de fertilizantes químicos, bem como mecanização.

Esse tipo de solo também ocorre em grandes extensões dos tabuleiros costeiros do estado de Alagoas, onde são muito utilizados com a cultura da cana-de-açúcar, assim como no centro-oeste paulista. Já no Triângulo Mineiro, no oeste de Minas Gerais, os latossolos são muito utilizados para a cultura de café irrigada. Também a atividade pecuária do país se desenvolve largamente sobre latossolos, que em geral estão associados a relevos suaves.

No outro extremo da potencialidade agrícolas se encontram os solos brasileiros mais jovens, típicos de serras e de relevos mais movimentados, chamados neossolos litólicos, representados no mapa em cor cinza de tonalidade média(RL). Encontrados em expressivas áreas do Sul e do Nordeste, esses solos apresentam sério problemas de utilização devido á pouca profundidade, baixa retenção de água e dificuldade de penetração de raízes, além de predisposição á erosão.

Entre esses dois extremos, o Brasil apresenta solos com todo tipo de evolução e espessura. Entre todos, os de ocorrência mais frequente são os argissolos, de moderada alta suscetibilidade á erosão, que aparecem no mapa em tons de amarelo e ocre (PA, PV e PVA).

Os solos mais ricos, segundo sua utilização, são os nitossolos vermelhos (antiga terras roxas), de alta fertilidade, profundos a medianamente profundos. Representados no mapa em marrom arroxeado (NV), são terrenos de idade intermediária, originários de rochas básicas que, ao se decomporem, liberam nutrientes que originam solos ricos principalmente em cálcio, magnésio e potássio. Encontrados em regiões restritas do interior de São Paulo, nos estados da região Sul, no centro do Pará e na divisa de estados entre Maranhão e Tocantins, os nittossolos representam cerca de 1% do território nacional aproximadamente 9,23 milhões de hectares. Na região Sul, principalmente no estado do Paraná, esses solos são utilizados para produção de soja, trigo e milho.

O mapa permite visualizar ainda outros tipos de solos. Os vertissolos (VC) e cambissolos (CX) do Vale do rio São Francisco, principalmente em superfícies dos município de Petrolina PE e Juazeiro BA, São bastante utilizados com agricultura irrigada, destacando-se as culturas de cana-de-açúcar e a fruticultura melão, manga, uva e melancia principalmente. Os planossolos (SG) do extremo sul do país são utilizados com cultura de arroz irrigada. Os cambissolos da chapada do Apodi, que ocupam expressivas superfícies dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, são intensivamente utilizados com fruticultura irrigada, principalmente para produção de melão, maracujá e melancia.

Figura 2- Mapa de solos no estado de Goiás

2.1 Analise geral da distribuição de solos em Goiás

A evolução da agricultura que utiliza intensivamente tecnologia se verifica em especial na região Centro-Oeste, onde se encontram grandes extensões de área com latossolos, tipo de solo que permite uma boa mecanização para a realização eficiente de operações desde o preparo de solo até a colheita. Foi justamente o tipo de solo que, somando a outras características, permitiu transformar o Centro-Oeste no principal produtor brasileiro de soja, produto muito relevante da pauta de exportações do agronegócio. A região também é grande produtora de milho, arroz e feijão, mas outras culturas, como o sorgo e o girassol, vêm despontando nesse cenário. Os latossolos são pobres em nutrientes, mas têm qualidades como pouca tendência á erosão e boa estrutura, o que permite a penetração das raízes e da água. Assim, o uso de latossolos demanda correção com nutrientes, mas o plantio compensa economicamente graças á mecanização permitida pelo relevo suave ao qual geralmente está associado.

No Estado de Goiás observam-se os seguintes grupos de solos: Latossolo, Cambissolo,

Argissolo, Nitossolo, Neossolo Quartzarênico, Neossolo Litólico, Plintossolo, e Gleissolo, sendo o latossolo o grupo predominante. Possuem fertilidade natural variável de baixa a alta, dependendo do tipo de relevo predominante e da rocha geradora do solo. Os Latossolos Vermelhos predominam no sudoeste, ocupando 30% do Estado, e, apesar da baixa fertilidade, o relevo, as baixas declividades e a grande espessura desse solo favorecem à agricultura mecanizada. Outros 15% são ocupados por Latossolos Vermelho Amarelo, em áreas onde predominam pastagens plantadas

Latossolo

Em geral, apresentam relevo suave, grande profundidade, alta permeabilidade e baixa capacidade de troca catiônica. Ocorre a predominância de óxidos de ferro, de alumínio e caulinita, que é uma argila de baixa atividade, sendo predominante na fração argila dos latossolos. Esta combinação química, juntamente com matéria orgânica e alta permeabilidade e aeração conferem ao latossolo uma estrutura fina, muito estável que facilita o cultivo. Em caso de compactação subsuperficial, a erodibilidade destes solos aumenta, exigindo cuidados redobrados no seu manejo.

Cambissolo

São solos constituídos por material mineral com horizonte B incipiente subjacente a qualquer tipo de horizonte superficial, exceto hístico com 40cm ou mais de espessura, ou horizonte A chernozêmico, quando o B incipiente apresentar argila de atividade alta e saturação por bases alta. Plintita e petroplintita, horizonte glei e horizonte vértico, se presentes, não satisfazem os requisitos para Plintossolos, Gleissolos e Vertissolos, respectivamente.

Argissolo

São solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural imediatamente abaixo do A ou E, com argila de atividade baixa ou com argila de atividade alta conjugada com saturação por bases baixa e/ou caráter alítico na maior parte do horizonte B, e satisfazendo, ainda, os seguintes requisitos:

- Horizonte plíntico, se presente, não satisfaz os critérios para Plintossolo;

- Horizonte glei, se presente, não satisfaz os critérios para Gleissolo.

Nitossolo:

São solos minerais, não-hidromórficos, apresentando cor vermelho-escura tendendo à arroxeada. São derivados do intemperismo de rochas básicas e ultrabásicas, ricas em minerais ferromagnesianos. Na sua maioria, são eutróficos com ocorrência menos freqüentes de distróficos e raramente álicos. Quando comparados aos latossolos, as TRs apresentam maior potencial de resposta às adubações, conseqüência de sua CTC mais elevada.

Apresentam horizonte B textural, caracterizado mais pela presença de estrutura em blocos e cerosidade do que por grandes diferenças de textura entre os horizontes A e B. A textura varia de argilosa a muito argilosa e são bastante porosos (normalmente a porosidade total é superior a 50%). Uma característica peculiar é que esses solos, como os Latossolos Roxos, apresentam materiais que são atraídos pelo imã. Seus teores de ferro (Fe2O3) são elevados (superiores a 15%).

Na Região do Cerrado, é comum amostras de TRs com a presença de horizonte B latossólico logo abaixo do B textural. Essas passam a se chamar Terra Roxa Estruturada Latossólica e apresentam comportamento intermediário entre Terra Roxa Estruturada e Latossolo Roxo.

Em geral, são solos originados de depósitos arenosos, apresentando textura areia ou areia franca ao longo de pelo menos 2 m de profundidade. Esses solos são constituídos essencialmente de grãos de quartzo, sendo, por conseguinte, praticamente destituídos de minerais primários pouco resistentes ao intemperismo.

Essa classe de solos abrange as Areias Quartzosas não-hidromórficas descoloridas, apresentando também coloração amarela ou vermelha. A granulometria da fração areia é variável e, em algumas situações, predominam diâmetros maiores e, em outras, menores. O teor máximo de argila chega a 15%, quando o silte está ausente.

Neossolo Litólico

Os Cambissolos e Neossolos Litólicos ocupam 10% da área do Cerrado. Os

Neossolos Litólicos eram anteriormente chamados de Solos Litólicos. Uma das principais características dos Cambissolos e Neossolos Litólicos é serem pouco profundos e, muitas vezes, cascalhentos. Estes são solos "jovens" que possuem minerais primários e altos teores de silte atê mesmo nos horizontes superficiais (os latossolos, por exemplo, podem ter muita areia ou argila, mas nunca têm teores altos de silte). O alto teor de silte e a pouca profundidade fazem com que estes solos tenham permeabilidade muito baixa. Cambissolos diferenciam-se dos Neossolos Litólicos por apresentarem um horizonte B incipiente que tenha pelo menos 10 cm de espessura. Os Cambissolos também tendem a ser mais profundos que os Neossolos Litólicos

Plintossolo

No Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, é a classe de solos minerais formados sob condições de restrição à percolação de água, sujeitos ao efeito temporário de excesso de umidade, de maneira geral imperfeitamente ou mal drenados, que se caracterizam fundamentalmente por apresentar expressiva plintitização com ou sem petroplintita ou horizonte litoplíntico, na condição de que não satisfaçam os requisitos estipulados para as classes dos Neossolos, Cambissolos, Luvissolos, Alissolos, Argissolos, Latossolos, Planossolos ou Gleissolos.

Gleissolo

São solos constituídos por material mineral com horizonte glei iniciandose dentro dos primeiros 150cm da superfície, imediatamente abaixo de horizonte A ou E, ou de horizonte hístico com espessura insuficiente para definir a classe dos Organossolos, não apresentando horizonte vértico ou horizonte B textural com mudança textural abrupta acima ou coincidente com horizonte glei, tampouco qualquer outro tipo de horizonte B diagnóstico acima do horizonte glei, ou textura exclusivamente areia ou areia franca em todos os horizontes até a profundidade de 150cm a partir da superfície do solo ou até um contato lítico. Horizonte plíntico se presente deve estar à profundidade superior a 200cm da superfície do solo.

Figura 3- Mapa de solos da região Sudoeste de Goiás

2.2 Analise geral da distribuição de solos no Sudoeste de Goiás

Os Latossolos Vermelhos predominam no sudoeste do estado, ocupando 30% do estado, e apesar da baixa fertilidade o relevo, as baixas declividades e grande espessura desse solo favorecem a agricultura mecanizada. Outros 15% são ocupados por Latossolos Vermelho e Amarelo, em áreas onde predominam pastagens plantadas.

Latossolos

Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, dentro de 200cm da superfície do solo ou dentro de 300cm, se o horizonte A apresenta mais que 150cm de espessura.

Latossolos Amarelos – Solos com matiz mais amarelo que 5YR na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (inclusive BA).

Latossolos Vermelhos – Solos com matiz 2,5YR ou mais vermelho na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (inclusive BA).

Latossolos Vermelho-Amarelo – Outros solos com matiz 5YR ou mais vermelhos e mais amarelos que 2,5YR na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (inclusive BA).

A classe dos Latossolos constitui o agrupamento de solos mais extenso do sudoeste goiano. São, em geral, solos com boas propriedades físicas e situados, na maioria dos casos, em relevo favorável ao uso intensivo de máquinas agrícolas, exceção dos solos em regiões serranas. Os Latossolos tendem a apresentar elevada porosidade e friabilidade, o que facilidade seu manejo agrícola. O relevo com declividade geralmente inferior a 5% qualifica os Latossolos como os mais adequados para a agricultura extensiva no Estado de Goiás. Sua principal limitação é a baixa disponibilidade de nutrientes nos solos distróficos e a toxicidade por alumínio trocável. Porém, o relevo favorecendo a mecanização, torna tais deficiências de fácil correção quando aplicada a tecnologia adequada.

São solos com boa drenagem interna, mesmo os argilosos. Os Latossolos Férricos devido ao elevado teor de óxidos de ferro apresentam elevada capacidade de adsorção de fósforo. Tal fato pode ser de importância na planificação de emprego de insumos em áreas porventura ainda não agricultadas. Esses solos, quando ácricos, apresentam virtual ausência de alumínio ao longo do perfil, o que constitui fator positivo, mas natureza oxídica do material desses solos permite que se manifeste, a pouca profundidade, a predominância de cargas positivas sobre as negativas. Consequentemente, a retenção de ânions (sulfatos, fosfatos, nitratos) é maior que a de cátions, fato que demanda práticas específicas de manejo.

A baixa atividade das argilas dos Latossolos confere-lhes diminuta expansibilidade e contratibilidade, qualificando, os de textura argilosa, como excelente material para piso de estradas. Por serem solos fáceis de serem escavados e ainda bastante profundos e porosos são bastante apropriados para aterros sanitários.

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