Mapeamento do fluxo de valor - uma ferramenta

Mapeamento do fluxo de valor - uma ferramenta

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Anuário da Produção

Acadêmica Docente Vol. I, Nº. 3, Ano 2008

Luiz Paulo Cadioli

Faculdade Anhanguera de Matão luiz.cadioli@unianhanguera.edu.br

Leonardo Perlatto

FATEC Taquaritinga leonardo_fatec@yahoo.com.br

Este trabalho tem como objetivo apresentar o mapeamento do fluxo de valor, uma importante ferramenta da produção enxuta, que auxilia na visualização do fluxo da produção e no desenvolvimento de um fluxo de valor enxuto. Com esta técnica é possível representar todas as etapas envolvidas no processo produtivo, proporcionando a compreensão da agregação de valor, a identificação dos desperdícios e suas fontes geradoras, contribui ainda, revelando oportunidades de melhoria, associando conceitos e práticas da produção enxuta, evitando que a implementação de algumas técnicas sejam feita isoladamente, fornecendo a base de um plano de implementação para nortear as mudanças, objetivando o cenário futuro projetado. Inicialmente, é apresentada uma explanação geral sobre a produção enxuta e as práticas associadas, aprofundando em seguida, no mapeamento do fluxo de valor.

Palavras-Chave: Mapeamento do fluxo de valor; produção enxuta; processo produtivo.

This work has as objective presents the Value Stream Mapping (VSM), an important tool of the dry production, that aids in the visualization of the flow of the production and in the development of a flow of dry value. With this technique it is possible to represent all the stages involved in the productive process, providing the understanding of the aggregation of value, the identification of the wastes and your generating sources, it still contributes, revealing improvement opportunities, associating concepts and practices of the dry production, avoiding that the implementation of some techniques is made separately, supplying the base of an implementation plan to orientate the changes, aiming at the projected future scenery. Initially, a general explanation is presented on the dry production and the associated practices, deepening soon after, in the mapping of the flow of value.

Keywords: Value Stream Mapping (VSM); dry production; productive process.Anhanguera Educacional S.A.

Correspondência/Contato

Alameda Maria Tereza, 2000 Valinhos, São Paulo CEP 13.278-181 rc.ipade@unianhanguera.edu.br

Coordenação

Instituto de Pesquisas Aplicadas e Desenvolvimento Educacional - IPADE

Artigo Original

Recebido em: 16/10/2008 Avaliado em: 13/2/2008

Publicação: 13 de março de 2009

Mapeamento do fluxo de valor: uma ferramenta da produção enxuta

Anuário da Produção Acadêmica Docente • Vol. I, Nº. 3, Ano 2008 • p. 369-389

A produção em massa foi capaz de reduzir os custos e aumentar o volume de produção, mas, a pressão dos consumidores para resolver o trade-off entre eficiência e variedade de produtos, fez com que tivesse uma nova ordem com relação à manufatura. Os consumidores demandam uma maior variedade de produtos e continuam a exigir cada vez mais qualidade.

Contudo, surgem mais exigências em um mercado competitivo, destacandose, os prazos de entrega reduzidos e a produção em pequenos lotes customizados.

Devido à crescente competição e aceleração do passo tecnológico e mudanças organizacionais, o conceito de gerenciamento está mudando. A atenção gerencial muda o seu foco da manutenção do estado corrente das operações para um gerenciamento de inovações, na busca por implementação de projetos bem sucedidos em menor espaço de tempo.

De acordo com Lean (2006), as aplicações de produção enxuta, que englobam uma série de práticas, técnicas e ferramentas no sentido da eliminação de desperdício no sistema produtivo, têm proporcionado maior flexibilidade e qualidade em indústrias de diversos setores.

Entre as principais técnicas utilizadas nestas aplicações, podemos citar: o mapeamento do fluxo de valor (MFV), uma ferramenta capaz de representar visualmente todas as etapas envolvidas nos fluxos de material e informação à medida que o produto segue o fluxo de valor, auxiliando na compreensão da agregação de valor, desde o fornecedor até o consumidor.

1.1. Objetivo

O objetivo deste trabalho é apresentar uma ferramenta da produção enxuta, o mapeamento do fluxo de valor (MFV), que permite às empresas visualizar os seus desperdícios, direcionando as melhorias no fluxo que efetivamente contribuem para um salto no seu desempenho.

Esta é importante ferramenta, amplamente usada no processo de desenvolvimento de sistemas de produção enxuta, que foi introduzido por Rother e Shook (2003). Resumidamente, esta é uma ferramenta de modelagem de empresas com um procedimento para construção de cenários de manufatura.

Luiz Paulo Cadioli, Leonardo Perlatto

Anuário da Produção Acadêmica Docente • Vol. I, Nº. 3, Ano 2008 • p. 369-389

O mapeamento do fluxo de valor (MFV) concentra-se nas questões relativas à redução do lead time dos sistemas, tornando questões como redução de estoque e eliminação de desperdício.

2.1. Introdução

A produção enxuta é um sistema de negócios que visa organizar e gerenciar o desenvolvimento de produtos, as operações produtivas, os fornecedores e a relação com os clientes, reduzindo o nível de recursos de entrada, de acordo com um dado nível de saída para este sistema. Isto é obtido por meio da remoção de desperdício durante e entre os processos, primeiramente aqueles na forma de recursos a serem transformados (matéria prima e estoque em processo, por exemplo), mas também inclui mudanças em recursos como pessoas, processo tecnológico, layout, entre outros (LEAN, 2006).

A produção enxuta, segundo Ohno (1997) e Womack et al. (1992), relaciona a vantagem do desempenho da manufatura à sua aderência com relação a três princípios:

a) melhorar o fluxo de material e informação no ambiente de negócios; b) ênfase na produção puxada pelo consumidor, ao invés da produção empurrada pela organização; c) comprometimento com o melhoramento contínuo por meio do desenvolvimento das pessoas.

Em 1990 foi publicado um estudo sobre a indústria automobilística mundial, o qual analisou a forma de administração de 90 montadoras de automóveis, bem como as práticas produtivas adotadas pelas mesmas, a forma de desenvolvimento de projetos, relações com fornecedores e clientes, entre outros aspectos (WOMACK et al., 1992). Este estudo apontou as diferenças entre a produção de automóveis em massa e o estilo de produção japonês desenvolvido pela Toyota Motor Company. A essa forma de produção japonesa, os autores deram o nome de produção enxuta, e justificaram o uso ao adjetivo para descrevê-la:

A produção enxuta é ‘enxuta’ por utilizar menores quantidades de tudo. Comparando-se com a produção em massa: metade dos esforços operário na fábrica, metade do esforço para a fabricação, metade do investimento das ferramentas, metade das horas de planejamento para desenvolverem novos produtos em metade do tempo. Requer também, menos de metade dos estoques atuais no local de fa-

Mapeamento do fluxo de valor: uma ferramenta da produção enxuta

Anuário da Produção Acadêmica Docente • Vol. I, Nº. 3, Ano 2008 • p. 369-389 bricação, além de resultar em bem menos defeitos e produzir uma maior e sempre crescente variedade de produtos (WOMACK et al., 1992).

Conforme Zimmermann et al. (2000), embora a produção em massa fosse ca- paz de reduzir os custos e aumentar o volume produzido, a pressão dos consumidores para resolver o trade-off entre eficiência e variedade de produtos fez com que a manufatura repensasse a sua forma. Os consumidores demandavam uma maior variedade de produtos e continuavam a exigir cada vez mais qualidade.

O modo dominante da manufatura da produção em massa e padronizado prevaleceu até o surgimento da produção enxuta, que combinou a eficiência em custo, qualidade, flexibilidade e tempo. A produção enxuta mudou as regras da competição, diminuindo lead times, aumentando a variedade de produtos e modificando as preferências dos consumidores (WOMACK; JONES, 2004).

Segundo Womack et al. (1992), a filosofia de produção enxuta é modelada como um sistema produtivo integrado, com enfoque no fluxo de produção, produzindo pequenos lotes e conduzindo a um nível reduzido de estoques.

São apontados, ainda por Womack et al. (1992), outros princípios que caracterizam a filosofia de produção enxuta, tais como:

1. envolve ações de prevenção de defeitos ao invés da correção posterior;

2. é flexível, organizada por meio de times de trabalho formados por operadores multifuncionais;

3. pratica um envolvimento ativo na solução das causas de problemas, buscando maximizar a agregação de valor ao produto final.

Assumindo em sua última e utópica instância, a produção enxuta tem como objetivo atender à demanda instantaneamente, com qualidade perfeita, e sem nenhuma espécie de desperdício.

De acordo com Corrêa e Gianesi (1996), a produção enxuta não assume a estabilidade de metas e variáveis de desempenho de forma passiva, ao contrário, incentiva o melhoramento contínuo das características de processo por meio da eliminação do desperdício.

Segundo Campos (2005), para alcançar a meta estabelecida, os gerentes devem eliminar refugos e as avarias nas máquinas, reduzir o tamanho dos lotes e os tempos de preparação. O trabalho em equipe, tanto dentro da fábrica, quanto com os fornecedores externos, deve ser feito com o mesmo afinco.

Luiz Paulo Cadioli, Leonardo Perlatto

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