Produção de Pacu (Piaractus mesopotamicus) em Tanque - Redes

Produção de Pacu (Piaractus mesopotamicus) em Tanque - Redes

(Parte 1 de 2)

Ministério da Educação

Universidade Federal do Piauí – UFPI

Campus Profª. Cinobelina Elvas – Bom Jesus – PI

Departamento Engenharia – DEN

Curso: Engª. Agronômica

Disciplina: Piscicultura Profª: Michelle Pinheiro Vetorelli

Produção de Pacu

(Piaractus mesopotamicus) em Tanque - Redes

Cirio Régis Schmitt 06b2091-2 Jodean Alves da Silva 06b2108-0

Bom Jesus, PI, Outubro de 2010.

Introdução

Características Gerais da Aqüicultura

A aqüicultura mundial tem apresentado segundo diversas pesquisas capitaneadas pela Organização para Alimentação e Agricultura - FAO, um rendimento satisfatório, com uma taxa de crescimento de aproximadamente 1% ao ano desde 1984, e alcançando em 2001, 48,4 milhões de toneladas, o que gerou uma movimentação financeira de US$ 61,4 bilhões de dólares. Apesar do crescimento mundial, o Brasil e a América Latina participam apenas com 2% deste total, enquanto a Ásia concentra 85% da produção da aqüicultura mundial (FAO, 2004). O Brasil se destaca como um dos países de maior potencial para a expansão da aqüicultura, no momento em que é crescente a demanda mundial por alimentos de origem aquática, não apenas em função da expansão populacional, mas também pela preferência por alimentos mais saudáveis (Valenti et al. 2000; FAO 2004). Neste sentido, a necessidade de desenvolver tecnologias que viabilizem a produção de espécies nativas tem levado os pesquisadores brasileiros a constantes estudos, principalmente no que diz respeito à alimentação e nutrição de peixes, uma vez que estes gastos podem atingir 60% do custo total de produção.

Embora ocorra uma baixa participação do Brasil na produção mundial, o país possui uma área territorial de aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados, detendo cerca de 12% da água doce disponível no planeta, caracterizando-se assim como uma das maiores reservas hídricas mundiais (SEAP, 2007). No Brasil existe cerca de 5,5 milhões de hectares em represas ou reservatórios naturais e artificiais. Boa parte destes recursos está depositada em reservatórios de grande ou pequeno porte, que inicialmente serviram para fins específicos, por exemplo, obras contra as secas, ou para geração de energia (SEAP, 2007; BRASIL, 2003).

Em função da escassez de alimentos e pela constante necessidade de aperfeiçoar os recursos, vem se delineando nos últimos anos a possibilidade de utilização das águas estocadas nos reservatórios, tendo em vista a necessidade de um desenvolvimento econômico regional sustentável. A necessidade de desenvolvimento regional, social e econômico sustentável gerou uma série intricada de relações entre os agentes econômicos e demandas, as quais tem a potencialidade de gerar externalidades no contexto da sustentabilidade econômica, social e ambiental das regiões circunvizinhas. . Segundo a FAO (2004) o consumo recomendado per capita de peixe deveria ser algo em torno de 12 kg/pessoa/ano. Um fator que tem grande influência no consumo de peixes tem a ver com os preços praticados e a disponibilidade de produtos a base de peixes em relação a outros tipos de carne. Esta diferença acentuada entre o consumo de peixe e de outros tipos de carnes se explica, basicamente, pela forte estrutura existente em muitos países em relação ao nível de produção agropecuária, processamento, beneficiamento e distribuição, onde a capacidade produtiva instalada, o nível tecnológico em toda cadeia produtiva, mercado interno e externo estão mais desenvolvidos que o da pesca, possibilitando preços competitivos e acessíveis à grande parcela da população para estes tipos de carne. A produção da aqüicultura na região, segundo dados da FAO (2006), no ano de 2003 representou algo em torno de 1,25 milhões de toneladas com valor da produção a preços correntes ao redor de US$ 4,60 bilhões de dólares. O Brasil e o Chile despontam neste cenário contribuindo com mais de 800.0 toneladas. As principais espécies cultivadas na região, no caso das espécies nativas ou endêmicas se destacam o Tambaqui (Colossoma maacropomum) e o Pacu (Piaractus mesopotamicus).

Descrição do cultivo do Pacu (Piaractus mesopotamicus)

peixes que também povoam riachos e represas, além de criações em lagos e açudes

São muitos os rios que cortam o território brasileiro, com grande diversidade de Entre as espécies mais cultivadas por aqui está o pacu (Piaractus mesopotamicus), que, ao lado do tambaqui e do híbrido tambacu, só perde para a tilápia e para a carpa.

Considerado um dos peixes mais importantes para a piscicultura nacional e para a pesca comercial, o pacu, também conhecido como pacu-caranha, tem grande potencial para a criação em cativeiro. A espécie come de tudo, adapta-se com facilidade à alimentação industrializada e há disponibilidade de tecnologia adequada para o seu cultivo. A atividade ainda é incentivada pela Secretaria de Aqüicultura e Pesca do governo federal, para aproveitar o imenso volume de água em reservatórios de usinas hidrelétricas no país, sobretudo em Itaipu, no rio Paraná. Espécie tropical originária da bacia do Prata, o pacu é encontrado em água doce de áreas que se estendem do nordeste da Argentina até o centro-oeste brasileiro. Os rios do pantanal mato-grossense são um dos seus principais habitats. Ambientes onde a temperatura média é de 28 graus são ideais para o seu desenvolvimento. Porém, se adaptado a regiões mais frias, tem capacidade para suportar até 16 graus. Coberto de escamas, o pacu tem coloração cinza com nuances de lilás ou com manchas em tons alaranjados. O formato prensado do corpo, comprimido nas laterais, deu a ele o apelido de "peixe redondo". O dorso e a barriga formam uma curva alongada ampliando espaço para acomodar uma carne farta, que é bastante apreciada pela sua textura e sabor. Apesar de atingir até 18 quilos na natureza, em viveiros pode ultrapassar 1,1 quilos e 50 centímetros em um ano de cultivo. Em geral, o peso ideal para a comercialização é de 1,5 quilos.

O pacu Piaractus mesopotamicus é uma das espécies nativas do Brasil mais importantes para aqüicultura. Originário das Bacias dos Rios Paraná, Paraguai e Uruguai, na América do Sul (Saint-Paul 1986), o pacu ocorre desde o nordeste da Argentina até a região centro-oeste do Brasil. Em geral, sua criação é realizada em viveiros escavados nos sistemas intensivo em monocultivo ou semi-intensivo em policultivo com outras espécies onívoras. Dados sobre a criação de pacus em tanquesrede ou gaiolas são escassos (Merola & Souza 1988; Borghetti & Canzi 1993), dificultando a geração de um pacote tecnológico, como existe para a tilápia. Estima-se que o Brasil possui aproximadamente 5,3 milhões de hectares de lâmina d’água em reservatórios de usinas hidrelétricas com potencial para a criação de peixes em gaiolas, sem contar os açudes e represas em propriedades privadas. No entanto, a criação em gaiolas, onde o alimento natural é limitado ou indisponível, ração deve ser balanceada para o bom crescimento dos peixes (Schmittou 1993).

O pacu (Piaractus mesopotamicus) é um peixe migratório de clima tropical.

Juntamente com o tambaqui (Colossoma macropomum) e seu híbrido tambacu (C. macropomum _ × P. mesopotamicus _), a produção desses peixes ocupa o terceiro lugar das espécies mais cultivadas no Brasil, após a tilápia e a carpa, respectivamente (IBAMA 2005). Essa importância dá-se ao seu rápido crescimento, hábito alimentar onívoro e carne de excelente sabor. Várias pesquisas sobre nutrição do pacu têm sido feitas em relação aos coeficientes de digestibilidade da energia e proteína de vários ingredientes (Abimorad & Carneiro 2004), à exigência protéica (Merola 1988; Carneiro et al. 1994; Fernandes et al. 2000), aos níveis e fontes de energia não protéica (Pezzato et al. 1992; Alves 1999; Munõz-Ramírez 2005; Abimorad et al. 2007) e à necessidade de vitaminas (Martins 1995; Almeida 2003; Belo et al. 2005); porém, poucas publicações foram encontradas a respeito da sua exigência em aminoácidos (Munõz- Ramírez & Carneiro 2002).

Caracterização do local de cultivo

O município está localizado na microrregião de Floriano, compreendendo uma área irregular de 1.500 km², tendo como limites os municípios de Itaueira e Rio Grande do Piauí ao norte, ao sul com Canto do Buriti e Eliseu Martins, a oeste com Eliseu Martins e Itaueira e, a leste com Rio Grande do Piauí, Flores do Piauí, Pajeu do Piauí e Canto do Buriti. A sede municipal tem as coordenadas geográficas de 07º57’57 de latitude sul e 43º13’21” de longitude oeste de Greenwich e altitude de 300m ao nível do mar, ) apresenta temperaturas mínimas de 25ºC e máximas de 37ºC, com clima quente e semi-úmido, dista cerca de 402 Km de Teresina.

A propriedade tem 4 ha de área total, sendo as estradas de fácil acesso, ficando uma parte nas margens da lagoa, portanto de pequeno porte, onde serão instalados os tanques-rede, nas proximidades do centro da cidade de Pavussu-Pi, a 1 km do centro, a mesma com uma extensão de 2,1 km por 1,0 a 1,2 km de espessura. A precipitação pluviométrica média anual é definida no Regime Equatorial Continental, com isoietas anuais acima de 800 m e período chuvoso estendendo-se de novembro–dezembro a abril–maio. Os meses de janeiro, fevereiro e março correspondem ao trimestre mais úmido (IBGE, 1977). Os solos da região, provenientes da alteração de arenitos, siltitos, folhelhos e calcário, são espessos, jovens, com influência do material subjacente, compreendendo latossolos amarelos, álicos ou distróficos, textura média, associados com areias quartzosas e/ou podzólico vermelho-amarelo concrecionário, plíntico ou não plíntico, fase cerrado tropical subcaducifólio, localmente mata de cocais (Jacomine et al., 1986). O acidente morfológico predominante, na região em apreço, é a ampla superfície tabular reelaborada, plana ou levemente ondulada, limitada por escarpas abruptas que podem atingir 600 m, exibindo relevo com zonas rebaixadas e dissecadas (Jacomine et al., 1986). A vegetação possui característica de transição entre caatinga e cerrado.

Dimensionamento do projeto

A propriedade tem 4 ha de área totais sendo 0,4 km de margem da lagoa que no período chuvoso chega a uma profundidade de 8m, ou seja, é como se fosse uma área de vazante, mas que nada é produzido ali, sendo colocados 12 tanques-redede de 13,5 m³ ,com mais um de reserva. Será construído um galpão de 80 m² para armazenar todo material, inclusive a ração, com um quarto para o empregado. O local onde será colocada a ração terá seus devidos cuidados, evitar o arejamento, para que não atinjam as mesmas e com isso não perda suas características originais.

O objetivo é avaliar a rentabilidade econômica de um projeto aqüícola em tanques-rede para o cultivo de pacu (Piaractus mesopotâmicus), no município de Pavussu-PI, propiciando assim informações para a tomada de decisão de investidores, produtores, técnicos, órgãos de fomento e demais instituições afetas à área, desde a fase de engorda até a comercialização para a microrregião de Floriano- PI.

Estratégia de cultivo Será utilizado um sistema de cultivo intensivo do tipo intermitente com despescas parciais com duração de rede serão povoados com juvenil tipo 2 médio dos pacus a serem comercializados é de 1,3 kg e a produção total por ano está estimada em 9003 kg.

Estratégia de cultivo Será utilizado um sistema de cultivo intensivo do tipo intermitente com despescas parciais com duração de 30 dias. Será praticado um ciclo anual. Os tanques juvenil tipo 2, onde só haverá a fase de engorda a serem comercializados é de 1,3 kg e a produção total por ano está

Será utilizado um sistema de cultivo intensivo do tipo intermitente com dias. Será praticado um ciclo anual. Os tanques- , onde só haverá a fase de engorda. O tamanho

Tanque-rede Venda

1/jan/12 Entrada
1/fev/12 30 dias Entrada
1/mar/12 60 Entrada
1/abr/12 90 Entrada
1/mai/12 120Entrada
1/jun/12 150Entrada
1/jul/12 180Entrada
1/ago/12 210Entrada
1/set/12 240Entrada
1/out/12 270Entrada
1/Nov/12 300

Entrada

1/dez/12 330

Entrada

1/jan/13 Saída
1/fev/13 Entrada Saída
1/mar/13 Entrada Saída
1/abr/13 Entrada Saída
1/mai/13Entrada Saída
1/jun/13Entrada Saída
1/jul/13Entrada Saída
1/ago/13Entrada Saída
1/set/13Entrada Saída
1/out/13Entrada Saída

Entrada Saída X

1/out/13 Entrada Saída X

1/out/13 Entrada X

Instalações

Tanques – Rede

Existem várias modalidades de criação intensivas de peixes, mas nenhuma delas é tão democrática como a criação intensiva de peixes em tanques redes ou gaiolas. Apesar de não ser a de menor investimento, ela possibilita ao produtor iniciar a sua operação com pequeno capital, ampliando modularmente o seu investimento.

Outra característica importante é o fato de que esta modalidade de cultivo pode ser feita mesmo por aqueles que não possuem terras, sendo utilizadas para isso áreas alagadas da união, sejam águas continentais ou marinhas. A criação de peixes em tanques redes ou gaiolas é a criação feita em estruturas de tela ou rede, fechadas por todos os lados para reter um determinado numero de peixes em seu interior. No caso de utilizarmos telas rígidas ou redes com estrutura fixa teremos as gaiolas e, no caso de termos redes soltas ou telas que podem ser recolhidas teremos os tanques redes. Estas estruturas poderão estar fixadas em estacas ou em armações com flutuadores ancoradas.

Esta modalidade de cultivo é praticada tanto em água doce como salgada.

O material empregado para cercar os peixes deve ser vazado de forma que possa haver troca constante de água em seu interior para promover a oxigenação dos peixes e remoção dos dejetos. Os materiais utilizados na estrutura de sustentação, contenção e flutuação devem ter as seguintes características: @ Permitir a troca eficiente de água entre o tanque-rede e o ambiente;

@ resistência à corrosão (ferrugem);

@ resistência mecânica (agüentar o movimento das águas, as maretas ou marolas);

@ baixo custo;

@ leve para facilitar o deslocamento e manejo;

@ material não cortante ou abrasivo para não causar ferimentos aos peixes;

@ permitir a saída dos dejetos produzidos pelos peixes (fezes e restos de ração).

As estruturas utilizadas para a armação de um tanque-rede são geralmente construídas usando tubos, perfis e barras metálicas, onde são presos os flutuadores e as malhas. Os materiais mais usados para a confecção das malhas podem ser flexíveis (fio de poliéster revestido de PVC, redes de nylon) ou rígidos (plástico aço galvanizado revestido de PVC de alta aderência, aço inoxidável, etc.).

As outras partes que compõem um tanque-rede são:

Flutuadores: são as estruturas que impedem que os tanques-rede afundem e podem ser feitos com tambores plásticos ou tubos de PVC tampados nas extremidades.

Comedouros: são estruturas que existem para evitar o desperdício de ração e servem para rações extrusadas, que são aquelas que bóiam na água.

A tampa onde estão os comedouros também tem a função de cobertura dos tanques-rede, evitando, dessa forma a fuga dos peixes em cultivo e a ação de alguns predadores. Os comedouros ficam no centro da tampa da gaiola, e o seu diâmetro é de 1,0 a 1,30 metros e 0,70 m de altura, variando o tamanho de acordo com as dimensões da gaiola e as densidades de cultivo pretendidas. O material para confecção do comedouro deve ser resistente à corrosão e não causar ferimentos nos peixes, por isso deve-se usar telas de PVC ou nylon multifilamento, com malhas de 03 m de abertura.

Existem vários tipos de tanques rede, e variam basicamente quanto à formada estrutura (redondos, quadrados e retangulares), e quanto à área útil para o cultivo. No projeto será utilizado tanque-rede com área de 13,5 m³ e malha de 19 m, (3m x 3m x 1,5m).

Insumos

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