Aula 03 - O desenvolvimento sustentável

Aula 03 - O desenvolvimento sustentável

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Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental 59

3.1 Contextualizando

Continuando nossa trajetória discursiva a respeito da disciplina

Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental, trazemos, neste capítulo, O Desenvolvimento Sustentável como conteúdo incluso na temática abordada pela mesma.

Apreender os conteúdos aqui abordados norteará sua formação, favorecendo uma atuação profissional orientada para a adoção de práticas que busquem a articulação entre desenvolvimento e sustentabilidade. Isso será possível por meio da forma como o tema será tratado, cujo foco central da discussão é a visualização do local (lugar onde as comunidades estão assentadas) como estratégia de desenvolvimento.

Assim, temas como prevenção, políticas setoriais e gestão serão debatidos para que você compreenda o quanto é importante e urgente pensar (de modo individual ou coletivo) em intervenções que atendam as demandas do desenvolvimento sustentável.

Neste sentido, ao final deste capítulo, espera-se que você esteja apto a:

•Identificar as diferenças entre crescimento e desenvolvimento e o modo como eles se complementam;

•Perceber como é possível intervir no ambiente prevenindo danos irreversíveis;

•Caracterizar a gestão responsável como um caminho para o desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente sustentável e economicamente viável.

O DESENVOLVIMENTO SUSTENTáVEL CAPÍTULO 3

Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental

Capítulo 3

Desejamos que este conteúdo seja proveitoso para seu desenvolvimento profissional. Tenha uma boa leitura!

3.2 Conhecendo a teoria

3.2.1 entendendo o desenvolvimento

Você percebe alguma diferença entre os termos crescimento e desenvolvimento?

Esses dois termos são considerados como sendo semelhantes, especialmente se forem analisados sob o prisma econômico, à medida que se consideram os Produtos Interno Bruto – PIB nacionais.

“Produto Interno Bruto (PIB) é o somatório de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território nacional num dado período.” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 108).

A característica do PIB fica evidente, quando verificamos os veículos de comunicação trazendo em seus noticiários temas como: déficit ou superávit da balança comercial, cotações de moedas estrangeiras, números de bolsas de valores, entre tantos do vocabulário econômico.

A esse respeito, devemos ter em mente como a forma adotada por cada nação para lidar com esses indicadores condiz com sua posição nas decisões internacionais, conforme destaca Sousa (2003, p.181-182):

O crescimento econômico de determinado país acontece em uma política de dinamização no processo produtivo, isto no que diz respeito ao setor primário, ou agricultura; ao setor secundário, ou de transformação e beneficiamento; e, ao setor terciário, ou de serviços. [...] O processo de crescimento de um país depende muito da ideologia que tal nação se encontra estruturada.

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Como forma de esclarecer essa afirmativa, é importante considerar que o pilar de sustentação da economia mundial está pautado na acumulação de capital privado por meio da maximização dos lucros.

A esse respeito, vale que você faça a seguinte reflexão:

O desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente sustentável estaria realmente na contramão do crescimento econômico?

É importante refletir sobre esse questionamento à medida que o termo crescimento é anterior ao surgimento das terminologias atreladas ao desenvolvimento, ou seja, foi a partir da incidência do primeiro que se percebeu a necessidade do segundo. Esse aspecto denota a forma como ambos estão intrínsecos, ficando visível que, para entender o desenvolvimento, é preciso compreender o condicionante para seu surgimento, o crescimento.

Reforçando esse pressuposto, é importante retomar o capítulo 2, onde você viu que, entre os princípios e dimensões norteadores da sustentabilidade, está a equidade econômica. Isso significa dizer que não se pode falar em desenvolvimento sem atrelá-lo a crescimento econômico.

Nesse aspecto, ainda é válido destacar que não só é possível, mas necessário, um crescimento que proponha a conciliação com os pilares do desenvolvimento. Para isso, é válido incorporar a sensibilidade com a dimensão social, a prudência ambiental e a viabilidade econômica como forma de garantir o atendimento aos objetivos socialmente desejáveis e a minimização dos impactos ambientais negativos.

Diante dos argumentos acima, é importante chamar novamente a sua atenção para o significado de desenvolvimento sustentável abordado em momento anterior:

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Vale a pena lembrar que um fator inerente ao desenvolvimento sustentável é satisfazer as necessidades da população atual sem comprometer a capacidade de atender as gerações futuras (ONU,1987).

É válido relembrar ainda que este é um conceito relativamente recente, apresentado na década de 1980, e que, portanto, sua aplicação eficiente carece da articulação ético-política capaz de mobilizar uma revolução, tanto pelas reformas do Estado como pelo fortalecimento das organizações da sociedade civil.

Em outras palavras, a proposta é suavizar as ressalvas impostas pela economia de mercado, por meio da implantação de mecanismos tecnológicos, que considerem e assegurem as ações ocorridas a partir dos conhecimentos individuais e culturais da sociedade.

[...] para que as coisas aconteçam, é preciso que sejam economicamente viáveis. A viabilidade econômica é uma condição necessária, porém certamente não suficiente para o desenvolvimento. O econômico não é um objetivo em si, é apenas o instrumental com o qual avançar a caminho do desenvolvimento includente e sustentável. (SACHS, 2007, p. 23)

Isso significa destacar que pensar e agir de forma orientada para o desenvolvimento sustentável é colocar o crescimento econômico como condição necessária para sua ocorrência. Entretanto, devemos seguir o preceito popular - ele afirma que prevenir é melhor do que remediar - como condição imprescindível para qualquer crescimento econômico.

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3.2.2 Prevenção como condição para o desenvolvimento sustentável

Observe o texto abaixo:

Um cientista muito preocupado com os problemas do mundo passava dias em seu laboratório, tentando encontrar meios de minorá-los.

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou fazer o filho brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível removê-lo, procurou algo que pudesse distrair a criança. De repente, deparouse com o mapa do mundo. Estava ali o que procurava. Recortou o mapa em vários pedaços e, junto com o rolo de fita adesiva, entregou-o ao filho, dizendo:

--- Você gosta de quebra-cabeça? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui esta ele, todo quebrado. Veja se consegue consertálo bem direitinho! Mas faça tudo sozinho!

Pelos seus cálculos, a criança levaria dias para recompor o mapa. Passadas algumas horas, ouviu o filho chamando-o, calmamente.

--- Papai, pai, já terminei tudinho!

A princípio, o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível, na sua idade, conseguir recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria o trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

--- Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?

--- Pai eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem, que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem virei a folha e vi que havia consertado o mundo. (Autor desconhecido)

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