Técnicas laboratoriais básicas

Técnicas laboratoriais básicas

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Seu comportamento no laboratório é um fator determinante na sua segurança e no desenvolvimento eficiente de seus experimentos. Para desenvolver suas atividades laboratoriais de forma organizada, você deverá estudar o roteiro da aula antes de entrar no laboratório, preparando uma estratégia de trabalho onde deverão ser incluídos, por exemplo, os cálculos para o preparo de soluções e os valores de parâmetros encontrados na bibliografia.

O seu local de trabalho deve estar sempre limpo, devendo ser evitados obstáculos inúteis ao seu redor e em torno de seu sistema ou equipamento em uso. Quando montar um sistema, chame o responsável pelo laboratório, antes de iniciar o experimento, para uma verificação final.

Você deve aprender a limpar o seu próprio material, antes e depois do uso, tendo sempre em mente as normas de segurança do laboratório.

A seguir serão descritos alguns utensílios mais comuns utilizados em um laboratório, bem como, algumas das técnicas de manipulação geralmente empregadas. Na primeira aula do curso, serão feitas várias demonstrações que complementarão essas informações.

Utensílios de Vidro

Antes de utilizar qualquer material de vidro verifique se o mesmo não está quebrado ou se não possui trincas. Vidros quebrados podem causar cortes profundos e frascos trincados, quando aquecidos, podem quebrar, com conseqüências imprevisíveis. Todo o material de vidro quebrado deve ser entregue ao responsável pelo laboratório, pois grande parte pode ser recuperada.

O procedimento mais comum recomendado para a limpeza de materiais de vidro é o de lavar o objeto cuidadosamente com uma escova e detergente, enxaguar com água da torneira e, finalmente, enxaguar com água destilada. Após a lavagem deixe a água escorrer colocando o objeto com a boca voltada para baixo ou seque-o em uma estufa. Quando for necessária a utilização imediata do material, enxague-o de duas a três vezes com pequenas porções da solução a ser utilizada.

Se uma limpeza mais cuidadosa for necessária, pode ser empregada uma solução de sulfocrômica, seguida de lavagem com água destilada. Cuidado ao empregar soluções de limpeza que contenham ácidos ou álcalis pois os respingos podem destruir suas roupas bem como causar queimaduras sérias. Não as utilize sem a supervisão do responsável pelo laboratório !

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Figura 1. Utensílios de vidro comuns em laboratórios químicos.

A Figura 1 ilustra os materiais de vidro de uso mais comuns no laboratório, cujas denominações e principais usos são descritos a seguir:

1. Tubo de Ensaio: utilizado para realizar reações químicas em pequena escala;

2. Béquer: copo de vidro utilizado para preparar soluções e aquecer líquidos;

3. Erlenmeyer: usado para titulações e aquecimento de líquidos; 4. Kitassato: parte do conjunto usado para filtrações a vácuo;

5. Balão Volumétrico: frasco calibrado de precisão utilizado para preparar e diluir soluções;

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6. Cilindro Graduado (ou proveta): usado para medidas aproximadas de volumes de líquidos;

7. Bureta: usada para medidas volumétricas precisas; 8. Pipeta Volumétrica: usada para medir volumes fixos de líquidos; 9. Pipeta Graduada: usada para medir volumes variáveis de líquidos;

10. Funil: usado para transferências de líquidos e para filtrações. O funil com colo longo e estrias é chamado de funil analítico;

1. Balão de Fundo Chato: usado para aquecimento e armazenamento de líquidos;

12. Balão de Fundo Redondo: usado para aquecimento de líquidos e para realizar reações que envolvam desprendimento de gases;

13. Balão de Destilação: possui saída lateral e é usado para destilações; 14. Funil de Decantação: usado para a separação de líquidos imiscíveis;

15. Vidro de Relógio: usado para cobrir béqueres durante evaporações, pesagens, etc.;

16. Placa de Petri: usada para cobrir cristalizadores, para o desenvolvimento de culturas, e inúmeros outros fins;

17. Cuba de Vidro: utilizado para conter misturas refrigerantes e finalidades diversas;

18. Bastão de Vidro: usado na agitação e transferência de líquidos; 19. Pesa-Filtro: recipiente usado para a pesagem de sólidos;

20. Condensadores: utilizados na condensação de vapores em processos de destilação ou de aquecimento sob refluxo;

21. Picnômetro: utilizado na determinação da densidade de líquidos;

2. Aparelho de Kipp: utilizado na produção de gases, tais como, H2S e CO2;

23. Dessecador: utilizado no armazenamento de substâncias sob pressão reduzida ou em atmosfera com baixo teor de umidade.

Observação: Não seque na estufa a vidraria graduada e volumétrica, pois o aquecimento, seguido de resfriamento, deformará o vidro, comprometendo a precisão das medidas posteriores.

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Figura 2. Utensílios de porcelana de uso em laboratórios químicos.

Utensílios de Porcelana

Na Figura 2 estão mostrados os utensílios mais comuns feitos de porcelana, cujos empregos são descritos a seguir:

1. Cadinho: usado em calcinações de substâncias;

2. Triângulo de Porcelana: usado para sustentar cadinhos de porcelana em aquecimentos diretos no bico de Bunsen;

3. Almofariz e Pistilo: usados para triturar e pulverizar substâncias sólidas; 4. Cápsula: usada na evaporação de líquidos;

5. Funil de Büchner: usado em conjunto com um kitassato para filtrações a vácuo;

6. Espátula: usada para a transferência de sólidos;

Utensílios Metálicos

Vários utensílios utilizados em um laboratório de Química são metálicos. Alguns deles são representados na Figura 3 e seus usos específicos são descritos a seguir:

1. Suporte Universal, Mufa e Garra: usados na sustentação de peças para as mais diferentes finalidades. A garra metálica pode ser específica para determinadas peças, por exemplo, garra para buretas (garra dupla), garra para destiladores (formato arredondado) e anel para funil;

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Figura 3. Utensílios metálicos de uso em laboratórios químicos.

2. Pinças de Mohr e de Hofmann: usadas para impedir ou reduzir o fluxo de líquidos ou gases através de mangueiras;

3. Pinça Metálica: usada para segurar objetos aquecidos;

4. Tripé: usado como suporte de telas de amianto e de triângulos em processos de aquecimento com bico de Bunsen;

5. Espátula: similar a de porcelana é de uso mais comum devido ao preço e a grande variedade de formatos, contudo tem limitações quanto ao ataque por substâncias corrosivas.

Outros Materiais

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