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Assistência de Enfermagem em situações especiais de ressuscitação: hipotermia, afogamento, parada cardíaca associada ao trauma, choque elétrico ou eletrocussão, emergências cardiotoxicológicas.

1-Situações especiais de ressuscitação: Hipotermia

1.1- DEFINIÇÃO: A Hipotermia aparece quando a temperatura do corpo baixa a valores inferiores a 35ºC. Esta situação sobrevém quando a temperatura ambiente é muito baixa, principalmente se o frio é seguido por chuva, umidade ou neve, ou por imersão em mares, lagos ou rios. A falta de preparação física, a fadiga, a fome e a desidratação somam o risco de hipotermia. A temperatura central do corpo humano deve manter-se entre 36,5ºC e 37,5ºC. Inferior a esse limite, começam a aparecer esses sintomas, desde o frio intenso, levando ao óbito.

1.2- SINAIS E SINTOMAS:

A pele da vítima se encontra fria, pálida e seca;

A temperatura corporal está baixa – 35ºC ou menos; as terminações nervosas detectam a baixa temperatura, prontamente o organismo começa a realizar a vaso constrição (diminuição do calibre) dos vasos sanguíneos, principalmente da pele, com o objetivo de diminuir a perda do calor e estabilizar a temperatura interna. Devido a este fator a pele fica fria.

Diminuição da lucidez e alterações do comportamento;

O pulso e a ventilação estão abaixo do normal;

Os sintomas dos três tipos de Hipotermia:

• Leve (35 a 33ºC); sensação de frio, tremores, letargia motora, espasmos musculares. A pele fica fria, as extremidades do corpo dão tonalidade cinzenta ou discretamente arroxeada (cianótica). A pessoa tem confusão mental. • Moderada (3 a 30ºC); Os tremores desaparecem, a pessoa fica muito sonolenta, prostrada, quase inconsciente, rigidez muscular, alterações na memória e na fala, entre outros. • Grave (menos de 30ºC); A pessoa fica imóvel e inconsciente, as pupilas se dilatam e a freqüência cardíaca reduz, quase imperceptível. Se o paciente não for tratado, a morte é fatal.

A hipotermia pode ser considerada em três tipos: a aguda, subaguda e crônica.

Aguda : é a mais perigosa, brusca queda da temperatura corporal (em segundos ou minutos), por exemplo, quando a pessoa cai em um lago gelado.

Subaguda:acontece em escala de horas, usualmente por permanecer em ambientes frios por longos períodos de tempo. A crônica é comumente causada por uma patologia.

Primeiro Socorro:

Retirar vestuário molhado ou úmido; Colocar botijas de água quente, protegidas, nas axilas e virilhas para manutenção da temperatura central. A sua colocação nas extremidades é contra-indicada, pois o aumento da circulação periférica ajuda a diminuir ainda mais a temperatura central; Agasalhar com cobertor;

Colocar a vítima de acordo com o seu grau de consciência;

Vigiar as funções vitais;

Promover o transporte para o hospital.

2-Situações especiais de ressuscitação: Afogamento:

2.1- Definição: é a asfixia por aspiração de líquido de qualquer natureza que chega a inundar o sistema respiratório. Prejudicando a troca de oxigênio e gás carbônico.

2.2-Sinais e Sintomas:

Pode ocorrer hipotermia, náuseas, vômitos, distensão abdominal, tremores e cefaléia, dores musculares cansaço e mal estar podendo ocorrer parada cardiorrespiratória. (Brunner e Suddart,1980).

Enquanto aguarda a chegada do socorro:

Coloque a vítima deitada com a cabeça em declive, mais baixa que o corpo; Cuidado: não dobre e nem vire a cabeça doa vítima;

Não tente retirar água dos pulmões;

Observe se a vítima respira, ouvindo o movimento respiratório ou o movimento torácico;

Se a pessoa não estiver respirando, proceda imediatamente à respiração boca-a-boca;

Observe se há pulso, colocando as pontas do indicador no pescoço ou na região inguinal da vítima.

Caso a pulsação esteja ausente ou a pupila dilatada, o coração deve ter parado imediatamente proceder à massagem cardíaca;

Quando a pessoa recuperar a respiração e batimentos, deixe-a deitada de lado com um braço abaixo da cabeça, não permita que a mesma saia do repouso antes da chegada do socorro; Aqueça a vítima e se possível, leve-a a um local quente;

Tire as roupas milhadas e cubra-a com cobertores, toalhas, o que tiver na mão;

Se a pessoa estiver consciente ofereça uma bebida morna e não alcoólica e doce;

Não tente aquecê-la com banho de água quente, a fim de evitar o choque térmico;

Friccionar braços e pernas, para ajudar e estimular a circulação.

3-Situações especiais de ressuscitação: Parada cardíaca associada ao trauma

DEFINIÇÃO: A parada cardíaca - PC - pode ser definida como uma circunstância em que o débito cardíaco (DC) é inadequado para manter a vida, ou então, em que não se consegue palpar o pulso, verificar a pressão arterial (PA) e, quando associada a parada respiratória, não se observa atividade motora respiratória voluntária.

Para melhorar a sobrevida destes pacientes é necessária uma rápida avaliação e início simultâneo de procedimentos preconizados pelo A.C.L.S. e A.T.L.S.. Lembrando que a RCP é sempre aconselhada pois trabalhos provam que pacientes Politraumatizads que dão entrada em P.S. pós RCP têm melhor sobrevida que outros que não receberam RCP.

A PCR pós trauma é qualificada em mortal, fatal e agônica. A utilização dessa classificação é útil para dar o prognóstico e auxilia na tomada da decisão para início da ressuscitação.

Sinais vitais Sinais de vida Sobrevida

Mortal (grau 1) Ausentes Ausentes 0,3% Fatal (grau 2) Ausentes Presentes 14,6%

Agônica (grau 3)

Pulso filiforme, sem PA Presentes 40,3%

Sintomatologia: Sintomas de uma vítima em PCR: • Falta ou debilidade de pulsação;

• Dilatação das pupilas (midríase);

• Ausência de batimentos cardíacos (que podem ser checados encostando o ouvido do socorrista abaixo das papilas mamárias da vítima);

• Insuficiência respiratória;

• Palidez excessiva;

• Inconsciência

A PCR pós traumática é associada às alterações geradas por grande perda sanguínea (principal causa), hipóxia exacerbada ou tamponamento cardíaco ou outra constrição mecânica que impeça a entrada e saída de sangue do coração.

A perda acelerada e profusa de sangue tem a ver com lesões de grandes vasos ou de vísceras parenquimatosas, e seu efeito é a PC causado pela hipóxia tecidual, pois não há quem transporte o oxigênio. Os principais sintomas que direcionam este diagnóstico são:

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