Riscos da alimentação de bebes com fórmulas

Riscos da alimentação de bebes com fórmulas

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Riscos de se

Alimentar um Bebê com fórmulas

| Uma bibliografia resumida, com notas e comentários

Riscos de se

Alimentar um Bebê com fórmulas

| Uma bibliografia resumida, com notas e comentários

Quando não se pratica a amamentação exclusiva, as fórmulas infantis costumam ser usadas. O Código Internacional de Substitutos do Leite Materno, da Organização Mundial da Saúde, exige que os pais recebam informações completas sobre os riscos à saúde que decorrem do uso desnecessário e inadequado da fórmula para bebês. Esta bibliografia resumida, com notas e comentários, traz exemplos de uma ampla gama de pesquisas que documentam a importância da amamentação, além dos riscos associados ao uso das fórmulas infantis.

A Organização Mundial de Saúde recomenda:

A OMS recomenda a amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de vida, e a partir dessa idade, introdução de alimentos locais e ricos em nutrientes como complementação e a manutenção da amamentação até dois anos de idade ou mais.

(Resolução 54.2, 2001, OMS)

Riscos de se alimentar um bebê com fórmulas

Uma bibliografia resumida, com notas e comentários

Para bebês e crianças

1. Maior risco de asma 2. Maior risco de alergias 3. Desenvolvimento cognitivo reduzido 4. Maior risco de doença respiratória aguda 5. Maior risco de mal-oclusão 6. Maior risco de infecção por contaminação da fórmula 7. Maior risco de deficiências nutricionais 8. Maior risco de cânceres infantis 9. Maior risco de doenças crônicas 10. Maior risco de diabetes 1. Maior risco de doença cardiovascular 12. Maior risco de obesidade 13. Maior risco de infecções gastrintestinais 14. Maior risco de morte 15. Maior risco de otite média e outras infecções no ouvido 16. Maior risco de efeitos secundários de contaminantes ambientais

Para as mães

1. Maior risco de câncer de mama 2. Maior risco de excesso de peso 3. Maior risco de câncer de ovário e endométrio 4. Maior risco de osteoporose 5. Redução do espaçamento entre nascimentos 6. Maior risco de artrite reumatóide 7. Maior risco de estresse e ansiedade 8. Maior risco de diabetes materno

1. Maior risco de asma

Um estudo prospectivo de 1246 bebês saudáveis no Arizona (EUA) procurou determinar a relação entre o aleitamento materno e recorrência de chiados (respiração difícil). Os resultados mostraram que crianças não-atópicas, aos 6 anos de idade, que não haviam sido amamentadas, tinham probabilidade três vezes maior de apresentar recorrência de chiados.

Wright AL, Holberg CJ, Taussig LM, Martinez FD. Relationship of infant feeding to recurrent wheezing at age 6 years. Arch Pediatr Adolesc Med 149: 758-763, 1995

Um estudo de 2184 crianças no Hospital for Sick Children em Toronto (Canadá) mostrou que o risco de asma e respiração difícil era 50% maior nos bebês alimentados por fórmulas, quando comparados a bebês amamentados por nove meses ou mais.

Dell S, To T. Breastfeeding and Asthma in Young Children. Arch Pediatr Adolesc Med 155: 1261-1265, 2001

Pesquisadores na Austrália Ocidental estudaram 2602 crianças para entender o aparecimento de asma e respiração difícil aos 6 anos de idade. A ausência de aleitamento materno aumentou o risco de asma e chiados em 40%, quando comparado com bebês amamentados exclusivamente por 4 meses. Os autores recomendam a amamentação exclusiva durante um mínimo de 4 meses para redução do risco de asma.

Oddy WH, Peat JK, de Klerk NH. Maternal asthma, infant feeding, and the risk for asthma in childhood. J. Allergy Clin Immunol. 110: 65-67, 2002

Foi realizada uma revisão de 29 estudos para avaliar o efeito protetor do aleitamento materno na asma e na atopia. Após aplicação de critérios rígidos de investigação, 15 estudos continuaram sendo revisados. Todos mostraram um efeito protetor da amamentação. A conclusão clara e consistente foi que a ausência do aleitamento materno coloca os bebês em risco de asma e atopia.

Oddy WH, Peat JK. Breastfeeding, Asthma and Atopic Disease: An Epidemiological Review of Literature. J Hum Lact 19: 250-261, 2003

2. Maior risco de alergias

Crianças finlandesas amamentadas por muito tempo apresentaram a mais baixa incidência de atopia, eczema, alergia alimentar e alergias respiratórias. Aos 17 anos de idade, a incidência de alergias respiratórias naquelas que foram pouco amamentadas foi de 65% e nas crianças amamentados por mais tempo, de 42%.

Saarinen UM, Kajosarri M. Breastfeeding as a prophylactic against atopic disease: Prospective follow-up study until 17 years old. Lancet 346: 1065-1069, 1995

Bebês com história materna de alergia ou asma foram investigados quanto à dermatite atópica no primeiro ano de vida. O aleitamento materno exclusivo durante os 3 primeiros meses de vida mostrou-se como efeito protetor contra a dermatite.

Kerkhof M, Koopman LP, van Strien RT, et al. Risk factors for atopic dermatitis in infants at high risk of allergy: The PIAMA study. Clin Exp Allergy 3: 1336-1341, 2003

Realizou-se um estudo sobre os efeitos das vitaminas C e E da alimentação da mãe sobre a composição antioxidante do leite materno para verificar a proteção contra aparecimento de atopia em bebês. Mães com doença atópica fizeram registros alimentares durante 4 dias, e foram coletadas amostras de seu leite quando os filhos tinham 1 mês de vida.

Os resultados mostraram que a ingestão materna de vitamina C presente na dieta, ainda que não como suplemento, determinou a concentração dessa vitamina no leite materno. Uma maior concentração da vitamina C no leite materno esteve associada a menor risco de atopia no bebê. A vitamina E não apresentou relação consistente com a atopia. Assim, alimentação materna rica em fontes alimentares naturais de vitamina C durante o aleitamento materno pode reduzir o risco de atopia em bebês de alto risco.

Hoppu U, Rinne M, Salo-Vaeaenaenen P, Lampi A-M, Piironen V, Isolauri E. Vitamin C in breast milk may reduce the risk of atopy in the infant. Eur J of Clin Nutr 59: 123-128, 2005

Riscos de se alimentar umbebê com fórmulasRiscos de se alimentar um bebê com fórmulas

3. Desenvolvimento cognitivo reduzido

Um estudo norte-americano avaliou 220 bebês, através da Escala Bailey de Desenvolvimento Infantil aos 13 meses e das Escalas Wechler de Pré-Escola e Ensino Fundamental aos 5 anos de idade, com o objetivo de determinar o impacto do aleitamento materno exclusivo no desenvolvimento cognitivo dos nascidos pequenos para a idade gestacional. A conclusão foi que bebês pequenos para a idade gestacional amamentados exclusivamente (sem suplementos) apresentaram uma vantagem significativa no desenvolvimento cognitivo, sem comprometimento do crescimento.

Rao MR, Hediger ML, Levine RJ, Naficy AB, Vik T. Effect of breastfeeding on cognitive development of infants born small for gestational age. Arch Pediatr Adolesc 156: 651-655, 2002

A amamentação apresenta potenciais efeitos benéficos de longo prazo na vida do indivíduo, através de sua influência no desenvolvimento cognitivo e educacional na infância. É essa a conclusão de um estudo britânico, que utilizou análise de regressão para verificar se a amamentação estava associada de forma positiva e significativa aos níveis educacionais atingidos aos 26 anos, assim como à capacidade cognitiva aos 53 anos.

Richards M, Hardy R, Wadsworth ME. Long-tern effects of breast-feeding in a national cohort: educational attainment and midlife cognition function. Publ Health Nutr 5: 631-635, 2002

Crianças norte-americanas em idade escolar (439), nascidas entre 1991 e 1993, com peso ao nascer inferior a 1,5 kg, passaram por vários testes cognitivos. Os bebês com peso muito baixo ao nascer e nunca amamentados apresentaram escores mais baixos nos testes de função intelectual geral, capacidade verbal, habilidades espaciais-visuais e motoras do que a crianças que foram amamentadas.

Smith M, Durkin M, Hinton VJ, Bellinger D, Kuhn L. Influence of breastfeeding on cognitive outcomes at age 6-8 year follow-up of very low-birth weight infants. Am J Epidemiol 158:1075-1082, 2003

Crianças de mães filipinas de famílias de baixa renda foram acompanhadas do nascimento até a metade da infância, e investigadas quanto à capacidade cognitiva aos 8,5 e 1,5 anos de idade. Após controle das variáveis de confusão, as crianças amamentadas durante 12 a 18 meses atingiram escores mais altos no Phillipines Nonverbal Intelligence Test. Os efeitos foram ainda maiores nos bebês com baixo peso ao nascer (1,6 e 9,8 pontos, respectivamente). A conclusão dos autores é de que a amamentação por período longo é importante após a introdução dos alimentos complementares, sendo ainda mais importante para os bebês com baixo peso ao nascer.

Daniels M C, Adair L S. Breast-feeding influences cognitive development of Filipino children. J Nutr. 135: 2589-2595, 2005

4. Maior risco de doença respiratória aguda

Crianças brasileiras não-amamentadas apresentaram probabilidade 16,7 vezes maior de serem diagnosticadas com pneumonia, comparativamente a crianças que receberam apenas leite materno.

Cesar JA, Victora CG, Barros FC, et al. Impact of breastfeeding on admission for pneumonia during postneonatal period in Brazil: Nested casecontrolled study. BMJ 318: 1316-1320, 1999

Para determinar os fatores de risco passíveis de modificação para infecção respiratória aguda baixa em crianças pequenas, realizou-se um estudo em um hospital da Índia comparando 201 casos a 311 controles. A amamentação foi um dos fatores de risco importantes, passíveis de modificação, para infecção respiratória baixa, em crianças menores de 5 anos de idade.

Broor S, Pandey RM, Ghosh M, Maitreyi RS, Lodha R, Singhal T, Kabra SK. Risk factors for severe acute lower respiratory tract infection in underfive children. Indian Pediatr 38: 1361-1369, 2001

Uma quantidade de fontes foi utilizada para examinar a relação entre a amamentação e o risco de hospitalização para doença do trato respiratório inferior em bebês saudáveis a termo, com acesso a instalações adequadas de saúde. A análise dos dados concluiu que nos países desenvolvidos os bebês alimentados com fórmulas infantis apresentaram de doença do trato respiratório três vezes mais graves, com exigência de hospitalização mais freqüente, quando comparados a bebês amamentados exclusivamente por quatro meses ou mais.

Bachrach VRG, Schwarz E, Bachrach LR. Breastfeeding and the risk of hospitalization for respiratory disease in infancy. Arch Pediatr Adolesc Med. 157: 237-243, 2003

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