Comida que cuida 3 coração

Comida que cuida 3 coração

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Receitas e histórias para você fazer as pazes com o seu coração

Comidaque cuida3

Receitas e histórias para você fazer as pazes com o seu coração

Comidaque cuida3

CONSULTORIA E REVISÃO NUTRICIONAL Cláudia Stéfani Marcílio – CRN 4071 Gerente de Projetos e Nutricionista de Pesquisa da Divisão de Pesquisa Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia/SP

Marcelo Barros – CRN 911002103 Nutricionista e coordenador de Nutrição do Instituto Nacional de Cardiologia (INC)

Laila Ghtait – CRN 1032 Nutricionista especializada em nutrição em cardiologia, membro da Clínica Exata Diagnósticos em Cardiologia (SP), com especialização em Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas

Daniela Tarasoutchi – CRN 24079 Nutricionista do Projeto Café e Coração, Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP)

REVISÃO MÉDICA Dr. Carlos Vicente Serrano – CRM 50317 Cardiologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP)

COLABORAÇÃO E AGRADECIMENTOS Aos médicos Denílson Albuquerque, Otávio Rizzi Coelho, Ari Timerman, Oscar Dutra e José Carlos Quinaglia.

À ChefCarla Pernambuco, do restaurante Carlota, por nos ensinar que momentos especiais combinam com comida saudável, boa para o coração.

Agradecimentos especiais aMárcio Ferrari eErnesto Paulelli Neto, por compartilharem suas experiências de vida e cuidados com seus corações.

As informações e sugestões contidas neste livro têm apenas finalidade educacional e informativa e traduzem o melhor entendimento dos conhecimentos disponíveis sobre o tema pelos colaboradores dessa obra. Elas não substituem, em qualquer hipótese, o diagnóstico, o tratamento ou as recomendações do seu médico ou nutricionista, nem devem servir de subsídio para automedicação. Somente o médico está apto a prescrever a melhor conduta para o seu caso.

As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta.

REALIZAÇÃO Diretoria de Comunicação Sanofi-aventis Brasil

TEXTO E EDIÇÃO Cris Ramalho

PROJETO GRÁFICO E MONTAGEM Luciana Cury

ILUSTRAÇÕES Beto Faria

REVISÃO June Justa

À sua saúde 6

Tem razões que a própria razão desconhece 9

Canção do amor demais 25

Chapa quente 43

Na pressão 57

É proibido fumar 71

Doces dilemas 87

Fiu-fiu 105

Apetite é amor 125

Receitas 143

Referências 220 Índice de receitas 221

Otratamento das doenças do coração foi, sem dúvida, o que mais se beneficiou com o progresso da ciência nos últimos 50 anos. Do diagnóstico mais preciso ao tratamento mais individualizado – e cada vez menos invasivo –, a cardiologia avançou a passos largos para uma medicina mais preventiva.

Mas, se hoje já somos capazes de entender melhor o que acontece com nosso coração, temos de reconhecer que ainda fazemos muito pouco por ele. Empurrados por uma rotina alucinante, mergulhados nas preocupações da tal vida moderna e reféns de hábitos nada saudáveis, nos surpreendemos quando recebemos a notícia de que aquela respiração ofegante depois de subir poucos lances de escada pode não ser só cansaço e que a sensação de aperto no peito dos últimos tempos não é apenas estresse, é o coração nos avisando de que algo não vai bem.

Quando o susto chega na forma de um infarto, de uma angioplastia ou de uma ponte de safena, queremos consertar tudo, começar de novo, jurando cumprir, dessa vez, todas as famosas promessas de ano-novo. Só que, ao sair do hospital ou da clínica, bate a dúvida cruel do que fazer de agora em diante, sem o médico ou a nutricionista sinalizando, a todo momento, o caminho de um feliz recomeço com nosso coração.

O que eu posso comer? E beber? Nunca mais vou sair com os amigos ou ir a uma festa?

Acabaram-se os almoços de domingo? Namorar nunca mais? Essas e outras questões inspiraram a sanofi-aventisa editar o livro Comida que Cuida 3 – Receitas e histórias para você fazer as pazes com o seu coração.

Terceiro livro da coleção Comida que Cuida*, a proposta agora é ir além da alimentação. Com tantos fatores a influenciar a saúde do coração, optamos por um formato almanaque, com o texto sempre bem-humorado da Cris Ramalho, desta vez fazendo dupla com as ilustrações irreverentes do Beto Faria. A designer Luciana Cury harmoniza prosa e imagem com o cuidado e a sensibilidade de sempre. Tudo para contar histórias e “causos” sobre donos de corações sofredores, abusados ou displicentes, famosos e anônimos. E de repassar, ponto por ponto, o que maltrata e o que faz bem ao coração. Do estresse ao cigarro, passando pelo perigo das gorduras e do sal e, claro, muitas receitas e dicas de alimentação – selecionadas por quatro nutricionistas especializados em cardiologia. A ChefCarla Pernambuco se junta novamente ao time, para mostrar que é possível criar um cardápio variado, gostoso e sem rotina, para cuidar, com muito prazer, do seu coração.

O livro Comida que Cuida 3se mantém fiel ao espírito da coleção, traduzindo o compromisso da sanofi-aventisde ir além da abordagem terapêutica, de ouvir o paciente, de enxergá-lo na sua integralidade, de apresentar alternativas para que ele resgate o prazer de viver na sua plenitude, mesmo diante das dificuldades de uma doença.

Compartilhe este livro com a sua família, indique aos seus amigos – e faça, desde já, as pazes com o seu coração!

* Comida que Cuida – Dicas de alimentação durante o tratamento do câncer e Comida que Cuida 2 – O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetes

“...tem razões que a própria razão desconhece...” (Blaise Pascal, filósofo)

•É um órgão muscular oco localizado no centro do tórax; • Pesa 275 gramas;

•O da mulher é mais leve, pesa cinco a dez gramas menos que o do homem;

•Bate, em média, 70 vezes por minuto;

•Sua função é receber sangue das veias e lançá-lo nas artérias;

•Durante o batimento cardíaco, as câmaras cardíacas dilatam ao se encherem de sangue – isso se chama diástole – e, em seguida, elas contraem, quando o coração bombeia o sangue – é a fase chamada de sístole;

•O coração exerce, continuamente, sua função de bomba da seguinte maneira: coleta sangue com baixa concentração de oxigênio proveniente do corpo e lança esse sangue para os pulmões, onde ele capta oxigênio e elimina o dióxido de carbono. Em seguida, o coração recebe de volta dos pulmões o sangue rico em oxigênio e o bombeia para os tecidos do corpo.

O principal sintoma do infarto do miocárdio é a dor no peito, próximo ao centro do peito, de forte intensidade. A dor é do tipo em aperto ou opressão, mas pode também ser em queimação ou pontadas. A dor pode irradiar-se para diversos locais: os mais comuns incluem a parte interna do braço esquerdo, a região do pescoço e mandíbula e, às vezes, para as costas ou região do estômago. Junto com a dor, também podem aparecer sintomas como sudorese, pele fria e pálida, vômitos ou náuseas, palpitações ou falta de ar súbita. Normalmente a dor é contínua e pode piorar com algum esforço físico ou fator emocional de estresse ou ansiedade. A duração da dor é variável e normalmente não melhora com o uso de analgésicos comuns.

Depois de um infarto, é hora de se cuidar mais, mudar hábitos de vida e, assim, evitar que outros ocorram.

Até 30% de novos ataques podem ser evitados com a adoção de um estilo de vida saudável

As artérias coronárias se localizam no músculo cardíaco – também chamado de miocárdio – e têm como função p romover a irrigação e distribuição de sangue arterial para todo o mús culo cardíaco.

Quando placas de gordura se formam e obstruem as artérias, a interrupção do flux o nas artérias pode levar a quadros de angina e infarto do miocár dio.

Não faz muito tempo, sofrer do coração tinha lá o seu charme. No sentido figurado, é claro. Casais se apaixonavam embalados em letras de canções doídas, cenas de amor em cafés esfumaçados, a garrafa de uísque como testemunha... Era a fossa, com sua angústia à meia-luz e o seu peito apertado. No sentido literal, o da saúde, corações sofriam um bocado também, mas quase sempre era por desconhecimento de causa. Bastava olhar ao redor para sucumbir aos perigos cardíacos: as propagandas, o cinema, as revistas, todos ensinavam a fumar e beber para uma vida mais glamourosa. Mulheres estavam liberadas para pesar acima dos 60 quilos, raros homens pensavam em academia, e sedutores famosos como Vinícius de Moraes se orgulhavam de suas barrigas boêmias. E comida light, francamente, era coisa de bandeja de hospital.

Foi ali pelos dourados anos 50/60, que o compositor e cronista Antônio Maria, sucesso absoluto com sua ultradramática canção Ninguém me Ama(olhe os versos: “Ninguém me ama, ninguém me quer/ ninguém me chama de meu amor”), se definia como um cardisplicente(isto é, um homem que não ligava para o próprio coração). Ah, o coração de Antônio Maria sofria. Ele se apaixonava pelas mulheres quase impossíveis, brigava na mesma intensidade, e, entre um croquetinho e um sanduíche de pernil nas boates de toda noite, trabalhava em rádio, jornais, TV, num ritmo de maratona. Escrevia e comia como se o mundo fosse acabar dali a duas horas – e, se era para acabar, que fosse diante de uma feijoada.

“Quando um coração que está cansado de sofrer/ encontra um coração também cansado de sofrer” (Caminhos cruzados, com João Gilberto)

do que mudasse de estilo. Em vãoAntônio Maria estava

Contamos essa só para abrir um sorriso nostálgico, mas a história de Antônio Maria – e de tantos outros abusados da mesmalinha (você vai conhecer alguns ao longo deste livro) – não acabou bem. Ele teve dois infartos. Depois do primeiro, médicos viviam lhe puxando a orelha, imploranocupado demais em ser intenso. Morreu aos 43 anos, gordo, na porta de um bar, como num samba-canção.

Bom, o tempo passou. Antes que você se assuste, vamos assoprar a fumaça do passado e observar, com clareza, o que fazem os corações intensos deste século 21. Cigarro e pôquer já não estão com essa graça toda, é verdade. Agora os rapazes lotam as academias, as moças têm mania de magreza, a vida saudável é apregoada nas bancas de revistas e programas de TV, diete lightsão palavras de todos os cardápios, as músicas trazem muitas outras bossas. Mudaram as modas, mas a mania do exagero continua a mesma. Hoje o trabalho é demais, o trânsito é demais, as contas são demais, a violência é demais, o medo é demais, tem comida industrializada demais. E o coração, ah, esse, está cada vez mais apertado.

Você, que talvez tenha sido um cardisplicente, sabe que não é fácil. Um dia foi obrigado a parar porque um

•O oposto também é verdadeiro. As pessoas deprimidas e irritadas sãomais sujeitas a doenças de modo geral,incluindo as cardiovasculares.

• Aprender a sorrir para o que existe emcada momento é o melhor jeito de mudarsua vida e evitar novas complicações. Até a ciência se curva às reais vantagens de ser um otimista: em estudo do InstitutoDelfland de Saúde Mental, na Holanda,cientistas avaliaram 545 homens durante15 anos e concluíram que os mais felizestiveram menos riscos de problemas cardiovasculares.

infarto, ou uma angina, ou um cateterismo – algo que ameaçou seriamente o seu coração, fez soar um apito do destino, alertando que era hora de mudar. Depois desse forte impacto na vida que é o infarto do miocárdio, você tem de começar uma nova história. Agora é cantarolar “quando um coração está cansado de sofrer”, como o João Gilberto, e partir para escolhas mais saudáveis.

Acontece que nessas coisas do coração a gente se engana. E, na saúde, é como no amor: balançamos, frágeis, entre verdades e fantasias, com aquela pulga atrás da orelha se é por aí mesmo. Dá para confiar num filé malpassado? Aquele chopinho sedutor vai acabar com você? O que comer? O que não comer? Um dia você se aflige, pensando que vai passar o resto da vida comendo franguinho e salada sem sal. No outro, anunciam na mídia que foi tudo um engano e que ovo é ótimo. A sensação é a de que já se disseram mais bobagens sobre o que faz bem ou mal para o coração do que sobre qualquer outro assunto.

Por isso reunimos neste livro dicas, entrevistas, depoimentos e receitas de especialistas em coração. Médicos, nutricionistas e pacientes revelam o que é mito e o que é real na alimentação e nos hábitos de vida para você se cuidar com amor. Sim, talvez você se sinta frágil nesse momento, mas, quando descobrir que tudo pode ficar mais saboroso, divertido, derramado de vida com os cuidados certos, com a alimentação balanceada, o seu coração vai bater feliz. Também trazemos o Canto da Carla em cada capítulo: é um cantinho dedicado à ChefCarla Pernambuco, do restaurante Carlota (de São Paulo e

“Covarde, sei que me podem chamar/ Porque eu trago no peito esta dor/ Atire a primeira pedra, iaiá/ Aquele que não sofreu por amor”

(Atire a primeira pedra, com os Demônios da Garoa)

cuidar, com muito sabor

do Rio de Janeiro), com receitas gostosas, para você se

dura e pouco açúcarumas ideais para o controle da
você se cuidar sem abrir mão do prazer

A partir da página 143, você encontra sugestões de entradas, lanches, pratos salgados e sobremesas para o dia-a-dia. São receitas pensadas para você, com pouco sal, pouca gorhipertensão; outras para o colesterol, tudo na medida para

Abuse do seu coração, mas do jeito certo: em vez de se estressar tanto no trabalho, vá fazer algo de que goste. No lugar de comidas gordurosas, horas na frente da TV, cigarro na mão, experimente um passeio diário no parque, respirar apressado na paquera no cinema, ou sair de braços dados com quem você ama. O amor começa num olhar novo para quem vive com você. No trabalho voluntário, no sorriso de uma criança ao ouvir uma história que você conta, o amor começa. No cachorro bebê que lhe agradece, incondicionalmente, e preenche suas horas, o amor começa. No telefonema para alguém que já lhe despertou a vontade de fazer grandes planos. No primeiro beijo. A qualquer momento, em qualquer esquina, por qualquer razão, você pode abusar, com poesia e saúde, do seu coração.

Então, ao aprender a se cuidar direitinho, você vai redescobrir as delícias de viver intensamente. E, com a consciência do que lhe faz bem, vai poder atualizar uma das frases mais lindas do nosso cardisplicente Antônio Maria: “O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos, amar com a vida inteira”.

AMOR, MEUGRANDEAMOR Os médicos recomendam: depois do infarto você vai poder namorar, sim. Sexo é saudável – desde que você não tenha tido complicações maiores e que o seu médico ateste que está tudo bem.

PODER DE SÍNTESE A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a ingestão máxima de dois gramas de gordura trans por dia. E a porção de batatinha frita que você gosta de atacar enquanto vê o filme na TV tem, por baixo, oito gramas. Troque o petisco por minicenoura, tomate, ervadoce, peito de peru, um queijinho light, branco, com manjericão e uma pitada de azeite, ou uma tigelinha de grãos torrados de soja...

O CORPOAGRADECE Márcio Ferrari, 48 anos, jornalista, viu seu mundo cair aos 39: fumava dois maços de cigarro por dia, não estava nem aí para a alimentação. O corpo, cansado, pouco se mexia. Teve um infarto. Deu uma feliz cambalhota no destino e aprendeu a se desapegar dos maus hábitos e de umas situações que lhe tiraram o sono um bocado de vezes. Ele conta aqui:

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