NETO, José Sanches Vallejo - Geografia e Arqueologia Bíblica

NETO, José Sanches Vallejo - Geografia e Arqueologia Bíblica

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Prof. José Sanches Vallejo Neto 2007.1

2 SETEBRAE

Seminário Teológico do Betel Brasileiro e Ação Evangélica

PROFESSOR: José Sanches Vallejo NetoCARGA HORÁRIA: 30ha

DISCIPLINA: Geografia e Arqueologia Bíblica PERÍODO: 2007.1 PLANO DE CURSO

1. OBJETIVOS: Informar o aluno da realidade do ambiente bíblico, e do contexto cultural, como também leválo a compreender os momentos históricos narrados na Bíblia e os locais e povos envolvidos.

2. METODOLOGIA: Aulas expositivas, dinâmicas em grupo e leituras paralelas

3. AVALIAÇÕES: Avaloação escrita, participação do aluno nas aulas e produção de um texto temático e elaboração de mapas da geografia bíblica.

4. CONTEÚDO e CALENDÁRIO DE AULAS

Fevereiro 2 1-2 Introdução – Pg. 3

Março 01 5-6 A Natureza e o Propósito da Arqueologia Bíblica - Pg. 3

08 A Arqueologia e o Texto da Bíblia – Pg. 4

15 7-8 A arqueologia moderna e Arqueologia do Oriente Próximo - Pg. 4

2 9-10 Idades Arqueológicas, o Surgimento do Universo e carbono 14 – Pg. 6

29 1-12 Evolução e Criacionismo – Pg. 8

Abril 05 13-14 Civilizações Antigas – Mesopotâmia e Jardim do Eden – Pg. 12

12 15-16 Civilizações Antigas – Sumérios e Caldeus – Pg. 13

19 17-18 Descobertas arqueológicas relacionadas com a Bíblia – Pg. 14

26 19-20 Civilizações Antigas – Egito – Pg. 15

Maio 03 21-2 Civilizações Antigas – Palestina – Pg. 16

10 23-24 Civilizações Antigas – Jericó – Pg. 17

17 25-26 Civilizações Antigas – Fenicios e Persas – Pg. 21

24 27-28 A importância da arqueologia no estudo do Novo Testamento – Pg. 2

31 29-30 Descobertas relacionadas a Jesus – Pg. 23

Junho 14 31-32 Confirmação de eventos bíblicos – Pg. 24

5. Referências bibliográficas:

Bíblia Sagrada Aller Edith - Compêndio de Arqueologia do V.T.. Bolívar, A. Padilla Bolivar Atlas de Arqueologia, editora Lial Crabtree, A. C. Arqueologia bíblica. Casa Publicadora Batista. Crouse, Bill. 1992. "Noah's Ark: Its Final Birth," Bible and Spade 5:3, p. 6-7. Enciclopédia do Estudante n° 5, editora Globo Enciclopédia® Microsoft® Encarta 2001. Heaton, E.W. O mundo do Antigo Testamento. Keller, Werner - E a Bíblia tinha razão. Ed. Melhoramentos. São Paulo Livingston, D. The Date of Noah's Flood: Literary and Archaeological Evidence, Bible and Spade:13-17-1993 Shea, William. 1988. "Noah's Ark?" Bible and Spade 1/1: 6-14. Urger,Merril. F. Arqueologia do V.T.

http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/palestina.html#_ftn1#_ftn1 Associates for Biblical Research

3 Arqueologia e Geografia Bíblica

Introdução

Até o século XIX, o estudo da Bíblia sofreu limitações decorrentes da quase total ausência de informações históricas extrabíblicas sobre os fatos narrados na Bíblia. Os relatos das peregrinações cristãs datadas, aproximadamente, do século IV, constituem a única fonte de informação sobre sítios arqueológicos bíblicos até esse século, quando teve início a moderna exploração histórica na Palestina. Com as descobertas proporcionadas por escavações arqueológicas, foi possível compor um quadro geral mais nítido de todo o mundo antigo contemporâneo da história de Israel e do cristianismo primitivo, isto é, desde a civilização sumeriana, da qual saiu Abraão, até à época do helenismo e do Império Romano, em que se expandiu o Evangelho.

Vários são os aspectos pesquisados pela arqueologia -- desde a construção de edifícios e confecção de vestuário, até a organização militar, administrativa, política, religiosa e comercial. Os meios de transporte, as armas e utensílios, a educação, o lazer, as profissões e ofícios, os meios de subsistência, a estrutura urbana, sanitária e viária, a escrita e as artes - - tudo concorre para formar esse imenso pano de fundo, contra o qual se pode assistir com maior nitidez ao desenrolar da história relatada nos livros bíblicos.

A partir de escritos preservados em tábuas de pedra e barro, em hieróglifos ou em caracteres cuneiformes, foi possível uma compreensão mais clara de como os judeus e os povos com os quais coexistiram pensavam e agiam, como se vestiam, de que se alimentavam, que deuses cultuavam, quais os seus ritos, sua filosofia, suas artes, como guerreavam ou estabeleciam tratados de paz. Restaurar todos esses elementos, no grau em que foi possível, significou restabelecer todo um conjunto de símbolos, um sistema de significação que permitiu compreender melhor as inúmeras metáforas, a rede de sentidos figurados em que se tece a linguagem da Bíblia.

Várias descobertas desse teor podem ser citadas: as escavações realizadas em Ur, cidade natal de Abraão, que permitiram a descoberta de textos alusivos a uma grande enchente, que se pode correlacionar ao relato do dilúvio; e a localização de restos de uma construção que pode ser ligada à descrição da torre de Babel. Em Nuzi, encontraram-se referências ao sacrifício de crianças - que Abraão substituiu pelo de animais - e ao roubo de ídolos, como refere o Gênesis (capítulo 31). No Egito, levantaram-se relatos sobre a invasão dos hicsos, ao tempo de José. Em Susa, na Babilônia, restaurou-se o código de Hamurabi, contemporâneo de Abraão. Numa estela construída por volta do ano 1200 a.C., há citações sobre Israel e Palestina.

A Natureza e o Propósito da Arqueologia Bíblica.

A palavra arqueologia vem de duas palavras gregas, archaios e logos, que significam literalmente “um estudo das coisas antigas”. No entanto, o termo se aplica, hoje, ao estudo de materiais escavados pertencentes a eras anteriores. A arqueologia bíblica pode ser definida como um exame de artefatos antigos outrora perdidos e hoje recuperados e que se relacionam ao estudo das Escrituras e à caracterização da vida nos tempos bíblicos.

A arqueologia é basicamente uma ciência. O conhecimento neste campo se obtém pela observação e estudo sistemati cos, e os fatos descobertos são avaliados e classificados num conjunto organizado de informações. A arqueologia é também uma ciência composta, pois busca auxílio em muitas outras ciências, tais como a química, a antropologia e a zoologia.

Naturalmente, alguns objetos de investigação arqueológica (tais como obeliscos, templos egípcios e o Partenon em

Atenas) jamais foram “perdidos”, mas talvez algum conhecimento de sua forma e/ou propósito originais, bem como o significado de inscrições neles encontradas, tenha se perdido.

Sabemos que muitas civilizações e cidades antigas desapareceram como resultado do julgamento de Deus. A Bíblia está repleta de tais indicações. Algumas explicações naturais, todavia, também devem ser brevemente observadas até porque elas foram instrumentos de Deus para o exercício do julgamento.

As cidades eram geralmente construídas em lugares de fácil defesa, onde houvesse boa quantidade de água e próximo a rotas comerciais importantes. Tais lugares eram extremamente raros no Oriente Médio antigo. Assim, se alguma catástrofe produzisse a destruição de uma cidade, a tendência era reconstruir na mesma localidade. Uma cidade podia ser amplamente destruída por um terremoto ou por uma invasão. Fome ou pestes podiam despovoar completamente uma cidade ou território. Nesta última circunstância, os habitantes poderiam concluir que os deuses haviam lançado sobre o local uma maldição, ficando assim temerosos de voltar. Os locais de cidades abandonadas reduziam-se rapidamente a ruínas. E quando os antigos habitantes voltavam, ou novos moradores chegavam à região, o hábito normal era simplesmente aplainar as ruínas e construir uma nova cidade. Formava-se, assim, pequenos morros ou taludes, chamados de tell, com muitas camadas superpostas de habitação. Às vezes, o suprimento de água se esgotava, rios mudavam de curso, vias comerciais eram redirecionadas ou os ventos da política sopravam noutra direção - o que resultava no permanente abandono de um local.

I. A importância da arqueologia no estudo do Velho Testamento

A arqueologia auxilia-nos a compreender a Bíblia. Ela revela como era a vida nos tempos bíblicos, o que passagens obscuras da Bíblia realmente significam, e como as narrativas históricas e os contextos bíblicos devem ser entendidos. A Arqueoloia também ajuda a confirmar a exatidão de textos bíblicos e o conteúdo das Escrituras. Ela tem mostrado a falsidade de algumas teorias de interpretação da Bíblia. Tem auxiliado a estabelecer a exatidão dos originais gregos e hebraicos e a demonstrar que o texto bíblico foi transmitido com um alto grau de exatidão. Tem confirmado também a exatidão de muitas passagens das Escrituras, como, por exemplo, afirmações sobre numerosos reis e toda a narrativa dos patriarcas.

Não se deve ser dogmático. Relatos recuperados na Babilônia e na Suméria descrevendo a criação e o dilúvio de modo notavelmente semelhante ao relato bíblico deixaram perplexos os eruditos bíblicos. Porém, em declarações sobre as confirmações da arqueologia, ela também cria vários problemas para o estudante da Bíblia. Até o presente não houve um caso sequer em que a arqueologia tenha demonstrado definitiva e conclusivamente que a Bíblia estivesse errada!

1. A Arqueologia e o Texto da Bíblia

Embora a maioria das pessoas pense em grandes monumentos e peças de museu e em grandes feitos de reis antigos quando se faz menção da arqueologia bíblica, cresce o conhecimento de que inscrições e manuscritos também têm uma importante contribuição ao estudo da Bíblia. Embora no passado a maior parte do trabalho arqueológico estivesse voltada para a história bíblica, hoje ela se volta crescentemente para o texto da Bíblia.

com exceção do de Ester

Até recentemente, o manuscrito hebraico do AT de tamanho considerável mais antigo era datado aproximadamente do ano 900 da era cristã, e o AT completo era cerca de um século mais recente. Então, no outono de 1948, os mundos religioso e acadêmico foram sacudidos com o anúncio de que um antigo manuscrito de Isaías fora encontrado numa caverna próxima à extremidade noroeste do mar Morto. Desde então um total de 1 cavernas da região têm cedido ao mundo os seus tesouros de rolos e fragmentos. Dezenas de milhares de fragmentos escritos originalmente sobre couro ou papiro e atribuídos aos membros de uma congregação judaica desconhecida, são mais de 600 e se encontram em diferentes estados de conservação. Incluem manuais de disciplina, livros de hinos, comentários bíblicos, textos apocalípticos, duas das cópias mais antigas conhecidas do Livro de Isaías, quase intactas, e fragmentos de todos os livros do Antigo Testamento,

Como se poderia esperar, fragmentos dos livros mais freqüentemente citados no NT também são mais comuns em

Qumran (o local das descobertas). Esses livros são Deuteronômio, Isaías e Salmos. Os rolos de livros bíblicos que ficaram melhor preservados e têm maior extensão são dois de Isaías, um de Salmos e um de Levítico.

Entre estes fragmentos encontra-se uma extraordinária paráfrase do Livro do Gênesis. Ainda se descobriram textos, em seus idiomas originais, de vários livros dos apócrifos, deuterocanônicos e pseudoepígrafos. Estes textos, nenhum dos quais incluído no cânon hebraico da Bíblia, são: Tobias, Eclesiástico, Jubileus, partes de Enoc e o Testamento de Levi, conhecido, até então, somente em suas antigas versões grega, síria, latina e etíope.

Ao que parece, os manuscritos foram parte da biblioteca da comunidade, cuja sede se encontrava no que hoje se conhece como Kirbet Qumran, próximo ao local das descobertas. As provas paleográficas indicam que a maioria dos documentos foi escrita em distintas datas. Parece que de 200 a.C. até 68 d.C. As provas arqueológicas têm ressaltado a data mais tardia, já que as escavações demonstram que o local foi saqueado em 68 d.C. É possível que um exército, sob as ordens do general romano Vespasiano, tenha saqueado a comunidade quando marchava para sufocar a rebelião judaica que estourou em 6 d.C. O mais provável é que os documentos foram escondidos entre 6 e 68 d.C.

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