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O presente trabalho visa a tentar demonstrar como foi o surgimento do movimento sofista e a contraposição a este por Sócrates como marco fundamental e divisor de águas do pensamento filosófico ocidental sem a pretensão de desenvolvermos o desdobramento deste embate de idéias até os dias atuais. Em princípio demonstraremos o momento histórico em que o homem passa a viver em sociedade e deixa de ser nômade para viver fixo na terra. Apresentaremos o momento do início do pensamento humano em que o homem começa a utilizar a razão como instrumento de produção de saber e de sobrevivência. Tentaremos mostrar algumas definições dos termos filosóficos, Razão e Ideologia, apresentaremos os Pré-Socráticos, os Sofistas e por fim a reação de Sócrates àqueles e concluiremos demonstrando a nossa opinião pessoal sobre o movimento sofista como contribuição indispensável para o início dos estudos da filosofia ocidental.

PALAVRAS-CHAVE: Homem nômade. Sociedade. Razão. Ideologia. Sofistas. Sócrates. Filosofia ocidental.

1 INTRODUÇÃO

O homem como ser primitivo em suas origens em transição do nomadismo para o cultivo da terra e o extrativo do que a natureza ofertava. Posteriormente o homem passou a viver em sociedade gestando com isso a curiosidade do homem que passou a utilizar a razão gerando as ideologias. O início do pensamento foi nas chamadas escolas pré-socráticas que teve como

Advogado. Pós-graduando em Filosofia Moderna do Direito – Escola Superior do Ministério

Público do Ceará – ESMP-CE. Contatos: marcio.brasileiro@adv.oabce.org.br e marciobr@fortalnet.com.br.

marco inicial Tales Mileto (624-546 a.C.). Várias foram os pré-socráticos que foram chamados também de sofistas. Apresentamos Sócrates como filósofo que se contrapõe as ideologias sofistas. Temos como principal discípulo de Sócrates o filósofo Platão que teve como discípulo o filósofo Aristóteles. Do confronto de idéias e argumentos entre Sócrates e os sofistas surgem as raízes para o desenvolvimento da filosofia ocidental que se perpetua até os dias atuais.

2 O INÍCIO DA CIVILIZAÇÃO: A CIVILIZAÇÃO NÔMADE E A CIVILIZAÇÃO CRAVADA.

O ser humano é dotado de inteligência e de razão, que é proveniente de uma certa programação genética pré-determinada, incutida em sua essência, que é indispensável para a sua sobrevivência. Dito isto, tais características destacam o homem, como um ser dotado de uma inteligência privilegiadamente superior e única, diante de todos os outros seres vivos, o que lhe propiciou, além do benefício da sobrevivência, como ser dominante, visto que a inteligência sobrepuja a força, também o benefício de que foi através de sua inteligência que conseguiu o seu desenvolvimento social, o seu desenvolvimento em comunidade, e consequentemente da humanidade. O homem como ser inteligente tem como uma de suas principais características, a curiosidade, o desejo incontido de buscar respostas para tudo o que se apresenta como mistério, como oculto, como obscuro, tentando buscar caminhos lógicos explicativos para responder a todos os questionamentos que se apresentam como supostamente inacessíveis.

Partindo desta breve e sucinta explicação sobre a essência da curiosidade humana, passaremos a situar, em um primeiro momento histórico, o homem no início da civilização.

Nos primórdios da humanidade o homem, quando começou a viver em grupo, como primeiro estágio da civilização, era nômade e vivia exclusivamente da caça e da pesca e do que a vegetação servia-lhe como alimento. Quando, em determinadas regiões, os alimentos começavam a escassear, o grupo humano que explorava aquela região mudava-se para outra e assim sucessivamente. Com o passar do tempo, o homem, que tendo como uma de suas principais características essenciais, a curiosidade e utilizando-se de outro potencial precípuo seu, que é o senso de observação, apreendendo o que ocorria na natureza, raciocinando logicamente sobre tal conhecimento, passou a interpretar e a concluir como se dava a ocorrência dos fenômenos naturais e como isso poderia ser aplicado no momento em benefício de sua sobrevivência e de sua convivência em sociedade, ou seja, o homem passou utilizar a razão. Com isso começou a formular saber e a acumular conhecimentos, para o proveito próprio e de toda a civilização.

Tal comportamento empírico do homem fez com que os grupos humanos deixassem de ser nômades para que, escolhendo locais determinados, viessem a estabelecer as suas moradias, tais locais foram escolhidos por eles como úteis e próprios para o estabelecimento de suas residências, o que facilitou o desenvolvimento dos homens em sociedade, devido ao fato de terem apreendido o conhecimento e passaram a cultivar a terra, arando-a e plantando os alimentos que servissem para o seu sustento e sobrevivência. A civilização passou a ser cravada. É por causa desse fato que denomina-se de Civilização Cravada, a civilização que fixou-se na terra para sobreviver do seu cultivo, dos recursos naturais e do extrativismo que a natureza lhe proporcionava. Portanto a denominação de Civilização Cravada é decorrente do fato de o homem ter fincado suas raízes na terra, ter ele encravado as suas garras em um solo único, estabelecendo com isso sua residência, sua moradia.

Os pensadores antigos começaram a utilizar a razão formulando e acumulando um conjunto de saber, que foi organizado sistematicamente, vindo a dar origem às diversas formar de ideologias, sendo estas a gênese do pensamento racional. Neste trabalho abordaremos somente o pensamento clássico grego, como nascedouro da filosofia ocidental e que ainda hoje serve de base para esta filosofia nos dias atuais. Destacaremos aqui os présocráticos, passando pelos sofistas até a contraposição de Sócrates àqueles, cujo conhecimento chegou até os dias atuais através de Platão e o arremate feito por Aristóteles.

Para ilustrar o que foi dito apresentamos, por Osmar Ponchirolli (2008, p. 9), a história sobre Tales de Mileto (624-546 a.C.) onde se conta que este em uma noite estrelada:

caminhava atento, observando os astros, quando, de repente, antes que pudesse perceber, caiu num fosso. Uma mulher que presenciara o tombo do primeiro filósofo, impiedosamente, teria dito: ‘como sabes o que se passa nos céus se não tens a capacidade de ver o que está debaixo de teus pés?’ Humilhado por essa situação constrangedora, nos dias que se seguiram, Tales, com o conhecimento adquirido por suas observações astronômicas, alugara todos os bosques de oliveiras disponíveis, antes que a boa safra de azeitonas prevista por ele ocorresse. Quando a colheita veio, os consumidores de azeite tiveram de aceitar o preço exigido pelo dono: Tales de Mileto. Tales ficou rico e pôde provar a sua crítica mordaz de que o conhecimento, por mais distante do cotidiano que pareça ser, pode ter algum efeito prático material.

Neste momento faz-se necessário destacar a definição e significado dos termos filosóficos, razão e ideologia, o que são e quem são os présocráticos e os sofistas. Qual foi a contraposição de Sócrates aos sofistas e o significado de filosofia, através de Platão e o que disse Aristóteles sobre a filosofia sofista.

Não nos aprofundaremos no significado da expressão razão, limitando-nos apenas em apresentar a definição contida por Nicola Abbagnano

RAZÃO:1o. Referencial de orientação do homem em todos os

(2007, p. 969), destacada abaixo: campos em que seja possível a indagação ou investigação. Nesse sentido, dizemos que a Razão é uma “faculdade” própria do homem, que o distingue dos animais.

2o” Abbagnano, Nicola. Dicionário de Filosofia, pág 969, São

Paulo, 5a Edição, 2007, Editora Martins Fontes.

Como complemento da definição acima, apresentamos o que foi destacado por Marilena Chauí (2008), 2008, o que para ela seja a origem da palavra razão, onde na cultura da chamada sociedade ocidental, a palavra razão originase de duas fontes: a palavra latina ratio e a palavra grega lógos. Essas duas palavras são substantivos derivados de dois verbos que têm um sentido muito parecido em latim e em grego. Logos vem do verbo legein, que quer dizer contar, reunir, juntar, calcular. Ratio vem do verbo reor, que quer dizer contar, reunir, medir, juntar, separar, calcular.

E continua, para concluir a definição de razão, afirmando que: “Por isso, logos, ratio ou razão significam pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de modo compreensível para outros.”

Para apresentarmos o conceito de ideologia, nos socorremos do saber do professor Oscar d’Alva e Souza Filho (2008, p. 19), onde diz que:

o conceito de ideologia é apreendido, historicamente e nos meios acadêmicos, através de muitos modos ou formas de acepção. Dentro de uma visão quantitativa, considera-se ideologia o conjunto genérico das idéias científicas, filosóficas, políticas, jurídicas, éticas e estéticas que circulam em uma determinada sociedade. Entretanto, a partir de um posicionamento que podemos chamar de qualitativo, pode-se considerar o direcionamento, ou a intencionalidade com que essas ou aquelas idéias são divulgadas e até mesmos manipuladas por grupos sociais ou setores políticos-dirigentes dessas mesma sociedade.

Do mesmo autor, Souza Filho (2006, p. 19), em outra obra literária, extraímos outro conceito de ideologia onde apresenta que:

o conceito de ideologia compreende o conjunto de idéias éticas, religiosas, políticas, jurídicas, artísticas e científicas, com auxílio das quais, um poder político determinado procura promover, sistematicamente ou não, a sua justificação.

Para finalizarmos, sem esgotar, o tema, apresentamos o conceito por Abbagnano (2007, p. 615-616):

IDEOLOGIA (in. Ideology; fr. Idéologie; al. Ideologie; it. Ideologia). Esse termo foi criado por Destut de Tracy (Idéologie, 1801) para designar “a análise das sensações e das idéias”, segundo o modelo de Condillac. A I. constituiu a corrente filosófica que marca a transição do empirismo iluminista para o empirismo tradicionalista e que floresceu na primeira metade do século XIX (v. Espiritualismo). Como alguns ideólogos franceses foram hostis a Napoleão, este empregou o termo em sentido depreciativo, pretendendo com isso identificá-los com “sectários” ou “dogmáticos”, pessoas isentas de senso político e, em geral, sem contado com a realidade (PICAVET, Les idéologues, Paris, 1891). Aí começa a história do significado moderno desse termo, não mais empregado para indicar uma espécie de análise filosófica, mas uma doutrina mais ou menos destituída de validade objetiva, porém mantida pelos interesses claros ou ocultos daqueles que a utilizam.

Ainda segundo a definição de Nicola Abbagnano, este destaca como o termo Ideologia foi utilizado por Marx no século XIX, até o momento em que isso gerou o que foi chamado de materialismo histórico.

Nesse sentido, em meados do século XIX, a noção de I. passou a ser fundamental no marxismo, sendo um dos seus maiores instrumentos na luta contra a chamada cultura “burguesa”. Marx de fato (cf. Sagrada Família, 1845; Miséria da filosofia, 1847) afirmaram que as crenças religiosas, filosóficas, políticas e morais dependiam das relações de produção e de trabalho, na forma como estas se constituem em cada fase da história econômica. Essa era a tese que posteriormente foi denominada materialismo histórico (v.). Hoje, por I. entende-se o contrário dessas crenças, porquanto só têm a validade de expressar certa fase das relações econômicas e, portanto, de servir à defesa dos interesses que prevalecem em cada fase da relação. Foi exatamente com esse sentido que a I. foi estudada pela primeira vez em Trattato di sociologia generale (1916) de Vilfredo Pareto, apesar de, nessa obra, não ser usado o termo I. (que fora empregado em Sistemi socialisti, 1902, p. 525-6). (ABBAGNANO,

Continuando com a definição dada por Abbagnano (2007) sobre o termo Ideologia, onde o dicionarista destaca Vilfredo Pareto ao que concerne o entendimento deste sobre Ideologia, relacionando este como teoria não científica, cujo trecho abaixo destacamos para demonstrar que:

Em Pareto, a noção I. corresponde à noção de teoria não científica, entendendo-se por esta última qualquer teoria que não seja lógico- esperimental. Segundo Pareto, uma teoria pode ser considerada: 1o .

em seu aspecto objetivo, em confronto com a experiência; 2o . em seu aspecto subjetivo, em sua força de persuasão; 3o . em sua utilidade social, para quem a produz ou a acata (Trattato, § 14). As teorias científicas ou lógicos-experimentais são avaliáveis objetivamente, mas não nos outros modos, porque seu objetivo não é o de persuadir (ibid., § 76). Portanto, só as teorias não cientificas são avaliáveis com base nos outros dois aspectos.

E faz, ainda, uma distinção entre Ciência e Ideologia dizendo que:

Ciência e I. pertencem, assim, a dois campos separados, que nada têm em comum: a primeira ao campo da observação e do raciocínio; a segunda ao campo do sentimento e da fé (ibid., § 43). Com justeza foi frisada a importância dessa distinção, que, por um lado, torna impossível considerar verdadeira uma teoria persuasiva (ou útil) ou considerar persuasiva (ou útil) uma teoria verdadeira e, por outro, permite “compreender antes de condenar e fazer a distinção entre o estudioso dos fatos sociais e o propagandista ou apóstolo” (Bobbio, “Vilfredo Pareto e la critica delle I.”, Riv. De Fil. 1957, p. 347). (ABBAGNANO, 2007, p. 615-616)

Portanto, Ideologia é considerada como uma crença que em geral é utilizada para tentar persuadir a todos sobre um determinado conjunto de argumentos supostamente racionais e que segundo Nicola Abbagnano (2007) sobre o termo Ideologia, diz o dicionarista que o termo é toda crença usada para o controle dos comportamentos coletivos, entendendo-se crença (v.), em seu significado mais amplo, como noção compromissiva da conduta, que pode ter ou não validade objetiva. Entendido nesse sentido, o conceito de I. é puramente formal, uma vez que pode ser vista como I. tanto uma crença fundada em elementos objetivos quanto uma crença totalmente infundada, tanto uma crença realizável quando uma crença irrealizável. O que transforma uma crença em I. não é sua validade ou falta de validade, mas unicamente sua capacidade de controlar os comportamentos em determinada situação. [N.A.]

A história da humanidade registra que o surgimento do saber filosófico ocidental se deu na Grécia antiga, onde surgiram pensadores que semearam o saber filosófico científico com reflexos inquestionáveis de conhecimentos que são estudados até os dias atuais. O início da estratificação social deu-se pela atitude de alguns homens, que se destacavam dos demais em inteligência e astúcia, onde manipulavam o saber sobre os fenômenos naturais em proveito próprio, fazendo com que os outros homens trabalhassem a seu favor e lhes servissem sob a alegação de que recebiam orientações divinas e podiam manipular os fenômenos da natureza. A filosofia clássica nasceu na Grécia Antiga com desenvolvimento próprio. No princípio a filosofia grega não atentou para os problemas da justiça e da ética, se atendo apenas aos fenômenos fiscos naturais.

A Escola Jônica foi a mais antiga (VI a.C.). Teve entre os seus participantes os pensadores Tales, Anaximandro, Anaxímene, Heráclito, Empédocles, entre outros. Na tentativa de explicar os fenômenos da natureza esta escola formulou a teoria dos quatro elementos: água, ar, fogo e terra. A obra de Battista Mondin (2003, p.193), destaca a Escola Jônica como:

Fundador: TALES DE MILETO (624-562 a.C.). Doutrinas principais: A pesquisa desta escola, que foi a mais antiga escola grega de filosofia e que surgiu em Mileto aproximadamente no VI século a.C. está

ar, fogoMaiores expoentes: Tales de Mileto, que coloca a água

destinada a dar expressão filosófica ao problema da existência de uma causa suprema de tudo. O princípio aparece, portanto, caracterizado geralmente por um elemento natural ou material: água, como o princípio do qual procedem todas as coisas, por condensação ou rarefação. Anaximandro de Mileto, matemático e astrônomo, que vai além de Tales e coloca como princípio primeiro algo de indeterminado (apeiron). Seu eterno movimento determina na matéria, por separação, os opostos. Anaxímenes de Mileto, discípulo de Anaximandro, que coloca o princípio primeiro no ar, eterno e em contínuo movimento.

Foi da Escola Jônica os primeiros registros do pensamento da filosofia da Grécia Antiga que datam de 585 a.C. Como já dito, nesta escola destaca-se o pensador Tales. Tal pensador viveu em Mileto, na costa da Ásia Menor. A sua filosofia é fundada no fato de se usar a razão para explicar os fenômenos naturais observáveis.

Também na obra de Mondin (2003, p.193), logo posterior à época da escola Jônica destaca-se a escola Eleática, tendo como seus representantes Xenofonte, Parmênides, Zenão de Eléa, e Melisso de Samos. Tal escola prendeu-se mais à metafísica em uma tentativa de explicar que existe um ser uno, imutável e eterno. Nesta obra citada a Escola de Eléia tem como destaque:

Fundador: PARMÊNIDES. Doutrinas principais: Segundo Parmênides, a única realidade é o ser; nenhuma outra realidade é possível, nem o vir-a-ser, como afirmava Heráclito. De fato, uma coisa é ou não é. Se é, não pode vir-a-ser porque já é. Se não é, não pode vir-a-ser, por que do nada não se pode extrair senão o nada. De tal modo era ressaltada a correlação entre o ser e o pensamento. Maiores expoentes: Parmênides de Eléia, colônia grega da Lucânia, escreveu o poema “Da Natureza”. Zenão de Eléia, (século V a.C.), escreveu o poema “Sobre a Natureza”. A doutrina do “é” parmenídico transforma-se na de uma realidade que não pode ser múltipla e apresenta-se como o “uno” absoluto.

Em seguida veio Pitágoras (582 a 500 a.C.), que nasceu em Samos, sul da Itália, cuja família era tradicional e aristocrática. Pitágoras fazia parte do grupo de governantes de sua cidade e por esta condição teve a oportunidade de viajar por vários lugares acumulando conhecimento que era a sua paixão. Quando completou a idade de 18 anos conheceu Tales de Mileto e o ouviu por dez anos. Os ensinamentos da escola de Mileto começaram a ser questionados por Pitágoras, tornando-o insatisfeito, onde este começou a contrapor as idéias de Tales, atrapalhando a este. Tal oposição culminou com a expulsão de Pitágoras, que dirigiu-se para o Egito onde estabeleceu-se em

Heliópolis, depois de ser recusado em Mênfis e Diáspolis, Pitágoras acumulou vastos conhecimentos e posteriormente fundou a sua influente escola em Crotona, no sul da Itália, uma poderosa e seleta sociedade de adeptos da doutrina que professava. A base da filosofia de Pitágoras eram os números, que o pensador dizia que os números eram a chave para se compreender a natureza da realidade. Como ocorreram divergências políticas, Pitágoras mudou-se para Metaponto, onde passou o resto de sua vida até o seu falecimento.

O significado da palavra sofista tem origem das palavras gregas sophos, Sophia, que significa “sábio” e “sabedoria”. Portanto tais pensadores se denominavam de sábios. Na obra de Guthrie (2007, p.31), ele responde a tal pergunta informando que:

As palavras gregas sophos, Sophia, que se costumam traduzir por “sábio” e “sabedoria”, foram usadas comumente desde os tempos mais antigos, e significando como significam uma qualidade intelectual ou espiritual, adquiriram naturalmente alguns matizes delicados e sentido, que aqui só se podem ilustrar de maneira incipiente.

Tiago Adão Lara (1989, p. 82), apresenta a definição de quem era o sofista dizendo que “era o mestre ambulante que ia, de cidade em cidade, fazendo-se pagar a troco do ensino que ministrava. Procedimento novo, que escandalizava.”

Ainda do mesmo autor temos a descrição do que fazia um sofista:

ensinava o arete, ou seja, a virtude. Entenda-se, porém, virtude,sobretudo, no sentido de habilidade, assim como chamamos virtuoso o pianista hábil. Habilidade necessária para se impor em um regime democrático, que integrava na vida e no governo da cidade, comerciantes e artesãos, enriquecidos, à antiga aristocracia rural. Habilidade da palavra e da argumentação, pois é com elas que os jovens ricos – é a eles que continua a destinar-se a educação – vão poder defender seus interesses nas assembléias.

Os sofistas surgiram no Século V a.C. quando do triunfo da

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