Fisiopatologia - doença pulmonar obstrutiva crônica

Fisiopatologia - doença pulmonar obstrutiva crônica

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Fisiopatologia Respiratória

Prof. Pablo Fabrício Flôres Dias pablo@sogab.com.br A - Fisiologia do Sistema Respiratório

Os pulmões ficam no interior da caixa torácica, formada, na parte da frente, pelo esterno e, na de trás pela coluna vertebral; nas partes laterais, é circundada pelas costelas e é fechada, inferiormente, pelo diafragma. O ato de respirar é realizado pelo aumento e pela diminuição do volume dessa caixa torácica. A cavidade formada pela caixa torácica é a cavidade peural, normalmente, preenchida, de modo total pelos pulmões. Os pulmões são recobertos por membrana lubrificada - pleura visceral - enquanto o interior da cavidade pleural também é revestido por membrana com iguais propriedades: a pleura parietal. Não existem ligações físicas entre os pulmões e a parede torácica. Em vez disso, os pulmões são mantidos como que empurrados contra essa parede por pequeno vácuo no espaço intrapleural que é o espaço extremamente reduzido entre os pulmões e a parede torácica e que possui o líquido intrapleural com uma pressão interna de -4 mmHG. Os pulmões deslizam facilmente no interior dessa cavidade pleural, de modo que a cada vez que essa cavidade estiver expandida, os pulmões também devem ficar expandidos. A expansão dos pulmões, produz discreta pressão negativa no seu interior, o que puxa o ar para dentro, causando a inspiração. Durante a expiração, a pressão intra-alveolar torna-se ligeiramente positiva, o que empurra o ar para fora. Músculos da Respiração: Na inspiração, os principais músculos são o diafragma, os intercostais externos e os diversos músculos pequenos do pescoço que tracionam para cima a parte anterior da caixa torácica. Os músculos inspiratórios produzem aumento do volume da caixa torácica por dois meios distintos. Primeiro, a contração do diafragma promove o descenso da parte inferior da caixa torácica, o que a expande no sentido vertical. Segundo, os intercostais externos e os músculos cervicais elevam a parte anterior da w.sogab.com.br

Organizador Prof. Pablo FlôresDias 2 caixa torácica, fazendo com que as costelas formem ângulo menor com a vertical, o que alonga a espessura ânteroposterior dessa caixa. Na expiração, os músculos participantes são os abdominais e, em menor grau, os intercostais internos. Os abdominais produzem a expiração por dois modos.

Primeiro, puxam a caixa torácica para baixo, o que reduz a sua espessura. Segundo, forçam o deslocamento para cima do conteúdo abdominal, o que empurra, também para cima o diafragma, diminuindo a dimensão vertical da cavidade pleural. É importante lembrar que em repouso a expiração se dá passivamente devido a tendência de retração pulmonar e tensão superficial.Os intercostais internos participam do processo de expiração por tracionarem as costelas para baixo, diminuindo a espessura do tórax. Hematose é a troca de gases respiratórios (gás oxigênio e gás carbônico). O local onde ocorre a hematose é que vai determinar o nome da respiração aeróbia. - Se essa troca de gases ocorre no tegumento a respiração é aeróbia cutânea. Ela é própria de animais terrestres de ambiente úmido. - Se a hematose ocorre nas traquéias a respiração é aeróbia traqueal, como é, por exemplo, a respiração das borboletas. - Se a hematose ocorre nas brânquias a respiração é aeróbia branquial, que predomina nos animais aquáticos. - Se a troca de gases ocorre na cloaca a respiração é aeróbia clocal, como é, por exemplo, a respiração das tartarugas. - Se a troca de gases ocorre nos pulmões a respiração é aeróbia pulmonar, que é própria de animais terrestres.

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B -Indicadores de Normalidade Funcional Respiratória • Relação V/Q

• Oximetria

• Gasometria

• Volumes Pulmonares

• PaCo2/ PCO2 • HCO3

Relação Ventilação/Perfusão • Relação Ventilação/ Perfusão

• É a relação entre o sangue perfundido ao nível da MAC ( membrana alvéolo capilar) e o O2 que é ventilado, w.sogab.com.br

Organizador Prof. Pablo FlôresDias 4 promovendo a arterilização ou oxigenação do sangue

A relação ventilação perfusão (V/Q) é a razão existente entre a quantidade de ventilação e a quantidade de sangue que chega a esse pulmão , tendo como valores normais por volta de 0,8 . Para que ocorra uma troca gasosa ideal é necessário que o volume de ar que entra no alvéolo (V) seja próximo ao volume de sangue (Q) que passa através do pulmão. Essa relação entre o ar alveolar e o débito cardíaco, é chamada relação ventilação/perfusão (índice V/Q).No pulmão normal esta relação deve estar abaixo de 1(um) já que o pulmão não é todo ventilado a cada inspiração.As alterações da relação ventilação/perfusão são notadas dependentes da complacência e permeabilidade das vias aéreas. O fluxo sangüíneo não se distribui homogeneamente e depende da pressão hidrostática capilar, diferença de pressão entre o ar alveolar e as arteríolas pulmonares, e outros fatores.A relação ventilação/perfusão está comprometida em três situações:

hipercapnia

A. Índice V/Q ALTO – neste caso a ventilação é alta e o fluxo sangüíneo é baixo, isso produz aumento de espaço morto , produzindo hipoxemia e

hipercapnia

B. Índice V/Q BAIXO – neste caso a ventilação é baixa e o fluxo sangüíneo é alto, pode ser chamado de shunt intrapulmonar, pode produzir uma hipoxemia com ou sem

C. Índice V/Q nula - não há nem ventilação e nem perfusão sanguínea.

No indivíduo normal, segundo West, existem várias áreas com diferentes índices V/Q, no ápice o V/Q é alto, pois a ventilação é melhor que a perfusão. Na base o índice V/Q é baixo pois aí a perfusão é melhor que a ventilação. No médio a ventilação alveolar é menor que a pressão das arteríolas, mas em compensação a pressão do capilar venoso é menor que a do ar alveolar com isso ocorre equilíbrio na relação.As áreas dependentes (região que fica para baixo) são melhores ventiladas com volume corrente baixo e melhor perfundidas , há melhora na perfusão porque a área que esta dependente tem um aumento na pressão hidrostática , que aumenta o fluxo sanguíneo , e a ventilação é melhor porque a área dependente é mais complacente que a região não dependente , e a respiração com baixo volume corrente tende a se deslocar para regiões mais complacentes.Existe um shunt fisiológico que é de 5% , devido aos vasos brônquicos e veias de tebésios.

Sinais & Sintomas Respiratórios

• Taquipneia/ Dispnéia / Ortopneia • Tiragens / Sinal de Hoover

• Cianose

• Contração da Musculatura

Respiratória Acessória

• Baqueteamento Digital/Hipocratismo Digital w.sogab.com.br

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Cianose

• Congestão de sangue pouco oxigenado (venoso) devido hipoxemia e etc.

• 1 Fisiopatologia

• 2 Tipos o 2.1 Central o 2.2 Periférica o 2.3 Mista o 2.4 Hemoglobina anormal

Cianose é um sinal ou um sintoma marcado pela coloração azul-arroxeada da pele, leitos ungueais ou das mucosas. Ocorre devido ao aumento da hemoglobina reduzida (desoxihemoglobina) acima de 5g/dL ou de pigmentos hemoglobínicos anormais. Fisiopatologia A hemoglobina (Hb) saturada de oxigênio chama-se oxi-hemoglobina e tem cor vermelho-vivo, ao passar pelos capilares parte do

O2 é liberado aos tecidos e a Hb é reduzida formandose uma quantidade de desoxi-Hb (ou hemoglobina reduzida) de cor azulada que, em condições normais, não pode ser percebida como alteração da coloração da pele. Como cianose só é percebida quando há >5g de desoxi-Hg/dL, em indivíduos anêmicos graves a cianose pode estar ausente pela falta de hemoglobina para ser reduzida. Por outro lado, na policitemia vera (aumento de hemácias) a cianose pode estar presente mesmo com saturações de O2 maiores que em indivíduos normais, situação que ocorre na doença pulmonar crônica. Cianose Central: O sangue já chega desoxigenado (>5g/dL) aos capilares por falta de oxigenação do sangue nos pulmões. Exemplos: diminuição da pressão parcial de O2 inspirado, doenças que prejudiquem a ventilação ou a oxigenação pulmonar, ou doenças cardíacas que cursem com desvio de sangue do lado direito para esquerdo sem passagem pelo pulmão (shunt direito-esquerdo); depressão do centro respiratório (responsável pelo controle da respiração). Sinal clínico: língua, mucosas orais e pele azuladas.Periférica:Ocorre pela demasiada desoxigenação pelos tecidos periféricos, sendo generalizada ou local. Sinal clínico: pele azulada, mas a língua e mucosas orais não.

-Generalizada: na hipotensão grave há baixa perfusão, aumentando a extração de O2, com conseqüente aumento de desoxi-Hb; -Localizada:

-por trombose venosa e insuficiência cardíaca direita há estase sanguínea (causando lentificação do fluxo sanguíneo) com maior extração de O2; -por obstrução arterial e exposição a baixas temperaturas há, como na hipotensão, diminuição da perfusão.

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Mista:Associação dos mecanismos da cianose central com a periférica. Exemplos: hipotensão com embolia pulmonar ou pneumonia grave; insuficiência cardíaca esquerda grave, que cursa com hipontensão e congestão pulmonar (causando déficit nas trocas gasosas no pulmão). Hemoglobina anormal:Exemplo a meta- Hb de cor marrom —incapaz de transportar oxigênio—, sendo formada pela auto-oxidação da Hb, que transforma o ferro da Hb em ferro férrico.

Hipóxia

morta, de acordo com Robins

Causa comum de lesão e morte celulares. Afeta o ciclo aeróbio. Causas mais comus:Isquemia ou Hemorragia. De acordo com a severidade (tempo e extensão) pode ocorrer: 1Adaptação 2Lesão 3 Morte Celular A célula nervosa em três minutos de hipóxia apresentará lesões irreversíveis em cinco estará

Isquemia

Interrupção do fluxo sangíneo muitas vezes levando a hipóxia tecidual letal. Oclusão vascular por aterosclerose. Oclusão vascular por coagulação intravascular ( trombose) . Oclusão Vascular por Embolia.

Hipoxemia

Diminuição sistêmica do nível de Oxigênio, falência cardiorrespiratória, anemia, envenenamento por monóxido de carbono. Ocorre em debilidade pulmonar e cardíaca Ex: DPOC: Doença pulmonar Obstrutiva Crônica.

SHUNT • em inglês desvio. Usa-se tal expressão quando em uma parte do parênquima pulmonar apresenta um défcit na ventilação

• O sangue venoso “desvia” isto é perfunde uma área do pulmão sem receber O2 ou seja sem se tornar arterializado. Continua venoso w.sogab.com.br

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ÍNDICE DO QUADRO/ SHUNT : VENTILAÇÃO x PERFUSÃO • 1 CONSOLIDAÇÃO PNEUMÔNICA

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