Redes livro - beta2

Redes livro - beta2

(Parte 1 de 5)

Introdução às Redes de Computadores de Hoje

Gustavo Lopes de Oliveira Santos Versão BETA2

Resumo

Esta obra foi feita por Gustavo Lopes de Oliveira Santos. Este livro/apostila/manual encontra-se em versão digital, formato PDF. Não encontra-se em formato impresso. Esta obra pode ser baixada, como está apresentada aqui, através do site:

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Resumo3
Lista de tabelas9
Lista de figuras1
Prólogo15
I. Fundamentos17
1. Conceitos de Redes de Computadores19
1.1. O mundo depende das redes19
1.2. O que é uma rede de computador?19
1.3. Endereçamento20
1.4. Protocolo2
1.5. Pra que tantos cabos?23
1.6. Conectando-se a internet24
1.7. Arquitetura de rede26
1.8. Comunicação entre camadas28
1.9. Organização deste livro29
1.10. Exercícios30
2. Funcionamento Básico de Redes TCP/IP3
2.1. Revisão3
2.2. Duplo endereçamento34
2.3. Pacotes e quadros35
2.4. A necessidade do endereço lógico36
2.5. Arquitetura cliente-servidor38
2.6. Camada aplicação39
2.7. Camada transporte40
2.8. Transporte confiável e conexão42
2.9. Conclusão4
2.10. Exercícios4
3. Fundamentos de comutação e roteamento47
3.1. Revisão47
3.2. O que é comutação?48
3.3. O que é roteamento?50
3.4. Formatos de endereçamento51
3.5. Backbone53
3.6. Conclusão54
3.7. Exercícios54
I. Redes Locais57

Tabela de conteúdos 5

4.1. Introdução59
4.2. Transmissão na camada física59
4.3. O cabo de par trançado61
4.4. Transmissão nos fios do cabo de par trançado62
4.5. Transmissão com fios trocados62
4.6. Transmissão com fios diretos63
4.7. As cores dos fios64
4.8. O conector RJ-4565
4.9. Conclusão6
4.10. Exercícios6
5. DHCP e DNS69
5.1. Introdução69
5.2. Objetivo do DHCP70
5.3. Funcionamento do servidor DHCP70
5.4. Funcionamento do cliente DHCP71
5.5. Objetivo do DNS74
5.6. Tabela DNS local74
5.7. Obtendo IP de máquina a partir do servidor75
5.8. Conclusão76
5.9. Exercícios7
6. Gateway padrão e portas do roteador79
6.1. Introdução79
6.2. Configuração das máquinas na LAN79
6.3. Gateway padrão80
6.4. Portas do roteador84
6.5. Observações sobre roteadores domésticos86
6.6. Conclusão87
6.7. Exercícios8
7. Padrões de Redes Locais93
8. Protocolo de Camada Enlace Ethernet95
I. WANs IPv497
9. Conceitos de IPv49
9.1. Introdução9
9.2. Formato de endereçamento9
9.3. Divisão de rede e máquina100
9.4. Máscara de rede101
9.5. Endereço de rede e de broadcast103
9.6. Comunicação dentro e fora da rede local106
9.7. O pacote IPv4 - Explicação introdutória107
9.8. Conclusão108
9.9. Exercícios109
10. O Sistema de Numeração Binário1
10.2. Introdução1
10.3. O bit112
10.4. Máscara de rede em binário113
10.5. Endereço de rede em binário114
10.6. Endereço de broadcast em binário115
10.7. Descobrindo intervalos de endereços117
10.8. Lembrete sobre o número real de máquinas118
10.9. Exercícios118
1. Atribuição de Endereços IPv4123
1.1. Introdução123
1.2. Atribuição de IPs na Internet123
1.3. Endereçamento com classes125
1.4. Endereços Privados127
1.5. Exaustão dos Endereços IPv4129
1.6. NAT129
1.7. PAT131
1.8. Conclusão134
1.9. Exercícios135
12. Roteamento IPv4137
12.1. Introdução137
12.2. Montando um pacote137
12.3. Como roteadores trabalham140
12.4. Introdução à Lógica de Roteamento143
12.5. Atualização das tabelas145
12.6. Anunciando aos vizinhos146
12.7. Conclusão148
12.8. Exercícios148
IV. Internet151
13. Conexão ADSL153
13.1. Introdução153
13.2. O Modem153
13.3. Multiplexação por divisão de frequência155
13.4. Computador conectado à ADSL158
13.5. LAN conectada à ADSL159
13.6. Acoplamento de equipamentos159
13.7. Camada enlace ADSL: PPPoE161
13.8. Conclusão162
13.9. Exercícios163
V. Apêndices165
Apêndice A. Repostas dos exercícios167
A.1. Capítulo 1167
A.2. Capítulo 2168
A.4. Capítulo 4171
A.5. Capítulo 5172
A.6. Capítulo 6172
A.7. Capítulo 7173
A.8. Capítulo 8173
A.9. Capítulo 9173
A.10. Capítulo 10173
Apêndice B. Redes Legadas175
B.1. As designações da topologia: física e lógica175
B.2. Anel176
B.3. Barra178
B.4. Topologia física em estrela178
B.5. Topologia física em estrela, lógica em anel179
B.6. Topologia híbrida180
Bibliografia181
Comparação entre endereço físico e endereço lógico37
Protocolos de camada transporte43
Resumo da ligação entre máquinas63
Exemplo de ligações entre máquinas63
Padrão 568A64
Padrão 568B64
Os fios menos relevantes64
Diferença entre os padrões64
Exemplo de configuração no servidor DHCP71
Estado inicial da camada rede da máquina72
Estado final da camada rede da máquina74
Exemplo de tabela DNS local75
Lógica da máquina a ao enviar pacotes80
Capacidade das redes106
Tabela de conversão112
Exemplo de máscara de rede convertida em binário113
Máscaras possíveis em um octeto114
Comparativo entre as classes127
Classes D e E127
Endereços privados127
Lógica do NAT no Gateway padrão130
Tabela PAT no Gateway padrão131
Duas conexões partindo de uma mesma máqina133
Lógica PAT/NAT do Gateway134
Tabelas de roteamento144
Tabela do roteador A depois da atualização145
Tabela do roteador C146
Tabela de A após atualização através de protocolo147
Tabela do roteador A150
Tabela do roteador B150

Lista de tabelas 9

Computadores em ilha. Rede fail20
E viveram felizes para sempre20
Uma rede com cinco computadores21
Todos os computadores, exceto quem envia, recebem os sinais elétricos21
Uma colisão2
Uma rede com repetidor23
Uma rede com repetidor, com o velho problema do enlace ocupado24
Um computador conectado à internet24
Dois computadores conectador à internet, mas pagando por um!25
Estou rico!25
Máquina a transmite para b27
Redes modernas baseadas na arquitetura TCP/IP27
Transmissão de um computador para outro28
Encapsulamento28
Comunicação de camadas em máquina diferentes29
Estrutura do curso30
Enlaces LAN e WAN34
Transmissão dos dados35
Pacote e quadro36
As máquinas só enxergam endereços físicos na mesma rede local37
As máquinas enxergam endereços lógicos em redes diferentes37
Uma máquina é a cliente, e a outra, o servidor38
Uma máquina que é cliente de vários serviços38
Uma máquina que é servidor de vários serviços39
Um servidor na rede local39
Comunicação entre aplicações através da arquitetura TCP/IP40
Camada transporte em ação41
Transporte confiável42
Conexão43
Uma máquina fala, todas escutam47
Comutação na época da vovó49
Um comutador na rede local49
Várias máquinas falando ao mesmo tempo50
Duas LAN’s ligadas por um roteador51
Demonstração de endereçamentos físicos e lógicos53
Desenho do backbone de um campus53
Rede local conectada à internet. Será?5
Placa de rede da máquina emissora convertendo um quadro em bits60
Transmissão em bits usando sinais elétricos61
Representação de cabo de par trançado retirado da Wikipedia61
Fios úteis usados no cabo de par trançado62
Transmissão entre dois computadores62
Transmissão entre uma máquina, um comutador e outra máquina63
Conector RJ-4565
Alicate de crimpagem65
Qual o tipo de cabeamento usado?68
Qual o tipo de cabeamento usado?68
Qual o tipo de cabeamento usado?68
Como uma aplicação modifica dados da camada rede70
LAN com servidor DHCP71
Máquina cliente a requisitando dados72
Resquisição e resposta DHCP73
Funcionamento do DNS76

Lista de figuras 1

Máquina da LAN usando Gateway padrão80
Demonstração de como o Gateway padrão é relativo à rede local81
Máquina a1 falando com c282
a3 falando com b2: é possível?83
Representação abreviada das portas do roteador84
Roteador com 4 portas, com uma porta configurada para WAN85
Represetação de um roteador doméstico86
O que um roteador doméstico é, e o que não é87
Representação de LAN e WAN8
LAN conectada à internet através de um computador89
Várias LANS interconectadas entre si e à internet90
Roteador doméstico91
Exemplo de endereço IPv49
Parte de rede e parte da máquina100
Máscara de rede 255.255.255.0101
Máscara de rede 255.0.0.0102
Saída do comando ifconfig no Linux103
Enviando para uma máquina da mesma rede106
Enviando para uma máquina em uma rede diferente107
Pacote IP resumido (campos foram propositalmente ocultados)108
Duas redes conectadas por um roteador109
Registros Regionais de Internet (RIR - Regional Internet Registry) no mundo123
Atribuição hierárquica de IPs124
Classe A125
Classe B126
Classe C126
Falha ao enviar para máquina em rede privada128
Gateway padrão usando endereço público na porta WAN130
Tradução de IP privado para IP público130
Resumo da arquitetura TCP/IP131
Requisição e resposta: as aplicações usam portas para identificar-se132
Esquema NAT/PAT133
Cabeçalho do IPv4; retirado de http://en.wikipedia.org/wiki/IPv4137
Pacote trafegando pela internet138
Segmentação e identificação139
Função do campo offset139
Time To Live140
Um pacote entrando em um roteador141
Formação de filas na porta de entrada142
Tomando uma decisão142
Motivos que levam à formação de filas143
Exemplo de rede com três roteadores144
Roteadores B e C enviando atualizações para roteador A147
Rede com dois roteadores149
Sinal digital154
Sinal analógico154
Modem: um conversor155
Representação do chassi de um modem155
Divisão de frequência na linha ADSL157
Frequências usadas para dados e voz em uma linha telefônica158
Acesso à internet através de modem158
LAN conectada à internet através de um roteador159
Roteador com modem ADSL acoplado160
Roteador doméstico com modem161
Protocolos de camada enlace usados na LAN e na conexão ADSL161
Ambiente doméstico ADSL162
Resposta do exercício 8171
Resposta do exercício 9171
Resposta do exercício 10172
Topologia em anel: essa existe176
Topologia lógica em anel177
Esquema da comunicação em Anel177
Topologia em barra178
Topologia física em estrela178
Topologias lógicas em barra e estrela, respectivamente179
MAU: Media Access Unit180
Topologia híbrida anel-estrela180

Prólogo Blá blum.

Parte I Fundamentos

Capítulo 1 Conceitos de Redes de Computadores

planejamento, escalabilidadeRedes de computadores inclui, sim, cabeamento, mas este

Vamos direto ao ponto: redes são necessárias. Senão, este livro não teria sido feito e muita gente não estaria ganhando dinheiro com a profissão de redista. Além disso, milhares de pessoas agora estariam morrendo porque não poderiam acessar o Orkut ou outras coisas que consideram importantes. A verdade é que as pessoas usam, durante todo momento, redes de computadores - seja navegando na internet ou assistindo televisão - e nem se dão conta do que acontece em oculto. A importância da transmissão da informação é subestimada: redes de computadores não é o mesmo que cabeamento, como muitos pensam. Redes de computadores é um assunto vasto, que envolve um profundo conhecimento de equipamentos, configuração dos mesmos, monitoramento da rede, manutenção, assunto é apenas um tópico muito ínfimo se comparado ao conhecimento total de redes.

Este capítulo tem por objetivo explicar o que são redes de computadores. Não uma explicação enciclopédica que fará você sair por aí todo poderoso virando caminhões com o poder de um olhar, mas uma explicação básica, fundamental, leve e verde (gosto de verde), que fará você compreender a coisa. Depois você poderá virar caminhões com o poder de um olhar.

1.1. O mundo depende das redes

desenvolvedores de software (isto é, programadoreseles não gostam muito de serem

Isso mesmo. O mundo depende das redes de computadores. Não deixe-se intimidar por chamados programadores, mas vamos chamá-los assim, pois é divertido vê-los com raiva). Deixando as brincadeiras de lado, todo profissional da informação é importante, até os programadores (hehe). A informação precisa ser gerada, armazenada, processada e transportada. Se a mesma for gerada mas não for armazenada, de nada vai adiantar. O mesmo acontecerá se for armazenada, mas não puder ser lida, e assim por diante. O transporte da informação cabe ao profissional de redes de computadores, ao “redista”, como iremos chamá-lo algumas vezes neste estudo.

Os “clientes” do redista englobam todo tipo de pessoa. O usuário doméstico que quer ver notícias no computador, o adolescente que, curioso com a anatomia do corpo humano, estuda com muito esforço e afinco imagens e até mesmo vídeos esclarecedores - para os mais dedicados. As redes de televisão disponibilizam seus programas na internet, e as empresas estão adotando solução de telefonia sobre IP, um tipo de telefonia que usa a arquitetura das redes de computadores.

1.2. O que é uma rede de computador?

Se você tem dois computadores isolados num mesmo ambiente, estes funcionam, mas não conversam. Não batem papo. Talvez tivessem muitas coisas para combinar, mas como nunca se conheceram, não poderão ser amigos. Não temos uma rede ainda, pois os computadores não trocam informações.

a b

Figura 1.1. Computadores em ilha. Rede fail.

pendrive no computador a, copiar dados, plugar o pendrive noah, você entendeu. Isso

Alguém poderia dizer: eles podem sim trocar informações. Basta uma pessoa plugar um não é muito inteligente. É o mesmo que um casal de namorados estar brigado e pedir para que uma terceira pessoa dê recados um ao outro por eles. Vemos deixar a cena melhor:

a b

Figura 1.2. E viveram felizes para sempre.

Fim. Isso é uma rede de computadores, certo? Terminamos o curso. Vá para casa e ganhe muito dinheiro construindo redes. Uma vez que terminamos o curso mas não este livro, vou contar a história dos três porquinhos e o lobo mau. Era uma vez...

Não, não terminou. O computador a está ligado a b, mas isso não significa que eles podem trocar informações. Talvez eles falem linguagens diferentes (ou protocolos diferentes; é a mesma coisa). Ninguém tem certeza de que a informação passará pelo cabo. Temos aí, uma rede em sentido físico, visto que as duas máquinas estão conectadas; é o começo de uma rede de computadores. Entretanto, não é tudo. Para que esses computadores possam marcar alguma coisa no próximo fim de semana, é preciso, no mínimo:

1. Que a e b possam ser acessados. Ou seja, eles precisam ter dispositivos, internos ou externos, conectados aos seus respectivos barramentos1.1, que possibilitem a comunicação em rede; esses equipamentos chamam-se “placas de redes”. Um computador pode ter uma ou várias delas. Além disso, as placas de rede precisam ter algum nome ou endereço, para que possam ser chamadas.

2. As placas de rede precisam falar a mesma linguagem, ou protocolo.

3. As placas de rede devem conseguir acessar o cabo de cobre, de fibra ou outro objeto que seja capaz de transmitir sinais (o termo técnico deste objeto é enlace) de forma que as duas máquinas consigam conversar de forma viável, isto é, sem muitos erros.

As três regras são importantes, mas não são as únicas. Vamos estudá-las um pouco mais a fundo, para que você tenha uma ideia mais específica do que seja essa coisa toda de transmissão de informações.

1.3. Endereçamento

Para que os computadores numa mesma rede possam ser acessados, é necessário que haja uma identificação. No caso dos seres humanos, atendemos quando alguém chama nosso nome ou apelido. Não atendemos quando chamam pelo nosso RG. Ou sim. Bom, no caso dos computadores, essa identificação é algo que está contido na placa de rede. Cada placa de rede tem um endereço.

20 Conceitos de Redes de Computadores

Considere a figura abaixo: a b c d e Figura 1.3. Uma rede com cinco computadores.

No desenho, cada computador está nomeado como a, b, c etc. Assuma que esses sejam os endereços das placas de rede dos respectivos computadores. Assim, é possível haver comunicação se, e somente se, os computadores souberem com quem falar. O computador cuja placa de rede tem endereço a pode enviar dados para o computador cujo endereço da placa de rede é e. a também pode desejar falar com todos os outros. Todavia, a não pode falar com f, pois este não existe, ou está inacessível.

Observe que a rede mostrada no desenho é composta de cinco computadores conectados a um único meio físico (enlace). Assuma que este enlace são cabos com fios de cobre. O enlace no qual estão conectados é próprio para transportar tais sinais elétricos. Os sinais elétricos são codificados de forma que, quando recebidos pelo computador destinatário, este decodifica o sinal para interpretá-lo. Se acontecer alguma coisa no enlace que altere o sinal elétrico, significa que quando a máquina destinatária receber o sinal, vai interpretálo de forma errada. Por isso, não devem acontecer interferências.

máquinas remetendes) colocam sinais elétricos no enlace, bomtodo o enlace será eletrifi-

Agora, pense um momento sobre um fato interessante: se as máquinas que falam (as cado. Se a deseja falar com e, não vai acontecer a mágica de só o caminho de a para e ser eletrificado: todo o enlace será. E a lógica diz que todos os outros computadores receberão os sinais elétricos. Observe a figura abaixo para perceber o que estou falando.

a b c d e Figura 1.4. Todos os computadores, exceto quem envia, recebem os sinais elétricos.

Desagradável, não? Eis aí outro motivo para a existência do endereçamento: somente a máquina destinatária correta saberá que os sinais elétricos são para ela. “Como assim?”, você pergunta.

1.3 Endereçamento 21

O computador a fala. Ele quer enviar uma informação para e. Assim, na sua fala, está contido o endereço do destinatário. a, então, eletrifica a rede, e todas as outras máquinas exceto ela própria recebem o sinal. Quando cada computador (ou melhor, cada placa de rede) recebe o sinal, interpreta-o, e verifica se ele é o destinatário dos sinais elétricos. Se for, aceita; caso contrário, nega. Simples. As placas de rede são programadas para obedecerem a essa regra1.2: “recebam apenas os sinais elétricos que são destinados a vocês”.

Em suma: um envia, todos recebem e interpretam os sinais elétricos, mas só o destinatário trabalha os sinais. É lógico que pode haver mais de um destinatário, uma vez que a pode desejar falar com todos, por exemplo.

Não vamos gastar 4.0 páginas explicando o que são protocolos, uma vez que você já sabe que é o mesmo que linguagem. Entretanto, poderíamos gastar 4.0 páginas apresentando centenas, talvez milhares de protocolos existentes para comunicação em redes de computadores, sendo que você nunca na vida usaria todos eles, e essa discussão seria inútil.

Definição 1.1. Protocolo. Protocolo é uma linguagem e também um conjunto de boas maneiras que define como os computadores devem falar, e também, ouvir.

Educação é primordial em redes de computadores, como ficará claro neste exemplo: suponha que, em nossa rede de cinco computadores, dois deles queiram falar ao mesmo tempo. Claro, os computadores não são tão grosseiros assim, e querem falar com colegas diferentes: a quer falar com e e c quer falar com d. Observe o que acontece:

a b c d e

Cabum! Uma colisão. Uma explosão de se ouvir no outro quarteirãoprédio em chamas,

Figura 1.5. Uma colisão. computadores em curto circuito e bombeiros desesperadamente tentando salvar o pobre cachorrinho na janela.

Está bem, não chega a tanto, mas não é uma coisa muito agradável ver toda a rede sem conexão cada vez que isso acontece. Mesmo que o estrago seja mínimo (o estrago real é apenas as máquinas não conseguirem se comunicar por alguns milissegundos), não queremos que isso fique acontecendo constantemente!

Esse problema é causado simplesmente porque todo o enlace é eletrificado quando alguma máquina fala. Assim, se duas máquinas falam ao mesmo tempo o enlace é duplamente eletrificado, e os sinais elétricos, é claro, são totalmente alterados e se tornam ilegíveis para a máquina destinatária. Agora, imagine uma rede com 200 computadores! Quantas colisões, ein?

1.2. Sim, toda regra tem exceção.

2 Conceitos de Redes de Computadores

Entra no enredo o protocolo, destemido e desbravador herói de óculos escuros que vem dar fim aos problemas da comunicação. Vimos que além de ser uma linguagem (duas máquinas podem conversar se usam o mesmo protocolo), também é um conjunto de regras que definam a boa educação na rede. Um protocolo poderia definir, por exemplo, as seguintes regras para comunicação:

1. A máquina que quer falar deve primeiro escutar o enlace, para ver se alguém já está falando por meio dele.

2. Se o enlace estiver ocupado, então espera mais um pouco e escuta novamente mais tarde.

3. Se o enlace estiver desocupado, então começa a falar nele.

4. Se for percebido que houve uma colisão, então a máquina termina de falar, espera um pouco e escuta a rede. Ou seja, volta ao ponto 1.

É um exemplo de protocolo. Começarei a falar de protocolos específicos mais tarde neste curso. Por enquanto, este exemplo deixa claro que um protocolo é uma linguagem e um conjunto de regras para comunicação em redes de computadores. Não existe um, e sim muitos protocolos, cada um com suas próprias regras, gostos gastronômicos e modos de se vestir.

1.5. Pra que tantos cabos?

substituição dos mesmosuma caca. Então inventaram o repetidor, ou hub1.3: um equi-

Conforme as redes foram crescendo, achou-se difícil fazer manutenção na mesma, devido a quantidade de cabos espalhados por aí. Pessoas tropeçando, muito dinheiro gasto na pamento que funciona como um cabo na qual outros cabos são conectados.

a b c d e repetidor

Figura 1.6. Uma rede com repetidor.

A invenção do repetidor foi uma introdução às redes locais modernas. Hoje temos equipamentos de rede muito mais sofisticados, como veremos ao longo deste estudo. O repetidor resolveu o problema dos milhares de metros de cabos, mas apenas isso foi resolvido; o velho problema da colisão continua: quando uma máquina fala, todo o meio (o repetidor e os outros cabos) ficam ocupados; ainda é necessário um protocolo para regular a comunicação em redes que usam repetidor.

1.3. Ou, ainda, concentrador. Mas concentrador é uma palavra muito genéricaum comutador não seria, também,

um concentrador?

1.5 Pra que tantos cabos? 23 a b c d e repetidor

Figura 1.7. Uma rede com repetidor, com o velho problema do enlace ocupado.

Você deve estar se perguntando: “será que há uma maneira de uma máquina que fala ocupar apenas os enlaces específicos com quem quer falar?”. Ou seja, será que existe a possibilidade de que, se a quer falar com e, somente o enlace que liga a ao equipamento central, e o enlace que liga o equipamento central a e, fiquem ocupados? A resposta é: sim. Hoje as redes são assim; já não usam um único cabo ou um repetidor para fazer a comunicação. Isso é coisa do passado, é brega, coroa. Ainda existem masoquistas que gostam da velha maneira, mas hoje em dia, as redes locais usam comutadores. Estudaremos sobre comutadores em breve; segure sua curiosidade por um momento. Ainda nos resta falar um pouco sobre a internet, a grande rede.

1.6. Conectando-se a internet

A internet é uma rede, mas diferente das redes que vimos neste capítulo. Até agora, vimos redes mais simples, em que todos os computadores têm em comum o mesmo enlace, seja este enlace um cabo único, ou um repetidor. Este tipo de rede chama-se rede local, ou LAN (de Local Area Network), e uma parte de nosso estudo concentra-se nelas. A internet, contudo, é um tipo de rede mais complexa, tanto pela abrangência geográfica (ela não ocupa apenas uma sala, um escritório ou uma empresa; ocupa o mundo todo), quando pela diversidade de tecnologias e protocolos. Enquanto uma rede local possui um único protocolo que dita o funcionamento das máquinas, a internet conecta diversas redes de protocolos diferentes, e a própria internet possui estruturas diversas. A internet é uma rede de longa distância, uma WAN (Wide Area Network), a maior das WAN’s. Até agora, tudo que sabemos sobre internet neste curso é que seu computador liga-se a ela por meio de um cabo, que sai da sua casa em direção à próxima central telefônica ou outro tipo de provedor de acesso. A arquitetura da internet é uma nuvem nebulosa, um desconhecido.

Internet enlace de acesso

Figura 1.8. Um computador conectado à internet.

24 Conceitos de Redes de Computadores

humque tal uma coisa assim:

Dissemos que a internet interliga várias redes. Sim, isso mesmo, “redes”, e não, “máquinas”. Com o conhecimento que você tem até agora, pode começar a ter ideias mirabolantes...

Internet enlace de acesso b a computador de acesso

Figura 1.9. Dois computadores conectador à internet, mas pagando por um!

Na figura, temos um computador (o computador a) conectado diretamente à internet, e um segundo computador conectado ao computador a. Isso é possível, e você não precisa pagar duas conexões para as operadoras de telefonia. Basta o computador a ter duas placas de rede. A internet é como temperatura, e os computadores ligados a ela são como ótimos condutores: a nuvem da figura está quente, e o computador a está frio enquanto estiver desconectado da nuvem. Assim que estiver conectado, passa a ficar “quente”, ou seja, com internet. E o computador b também ficará “quente” ao ser conectado ao computador a. É contagioso!

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