INTRODUÇÃO AO DESENHO TÉCNICO Parte 1

INTRODUÇÃO AO DESENHO TÉCNICO Parte 1

(Parte 1 de 3)

Professores: Gilson Jandir de Souza Sérgio Pereira da Rocha

1 SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO2
1.1 A linguagem do desenho técnico2
1.2 Normalização no desenho técnico4
1.3 Materiais para uso no Desenho Técnico6
1.4 Dicas para traçado com grafite1
1.5 Exercícios1
2 CALIGRAFIA TÉCNICA12
2.1 Exercícios14
3 ESCALAS15
3.1 Exercícios18
4 CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS19
4.1 Exercícios20
5 SISTEMAS DE COORDENADAS2
5.1 Coordenadas cartesianas ou retangulares2
5.2 Coordenadas polar2
5.3 Exercícios23
6 PLANIFICAÇÕES24
6.1 Exercícios25
7 CONSTRUÇÕES DE ESBOÇOS29
7.1 Dicas para esboçar29
7.2 Técnicas para o traçado a mão livre31
7.3 Exercícios37
8 DESENHOS EM PERSPECTIVA42
8.1 Perspectiva realística ou cônica43
8.1 Perspectiva cilíndrica ou paralela4
8.2.1 Perspectiva cavaleira4
8.2.2 Perspectiva isométrica46
8.3 Sombreamento em perspectivas50
8.4 Exercícios51
9 PROJEÇÕES ORTOGONAIS57
9.1 Introdução58
9.2 Elementos da projeção58
9.3 Tipos de projeção58
9.4 Projeção de elementos geométricos59
9.5 Projeção de uma peça no primeiro diedro e rebatimento dos planos63
9.6 Símbolos dos diedros68
9.7 Leitura das vistas ortogonais68
9.8 Exercícios70
9.9 Representação de arestas ocultas71
9.12 Representação de superfícies curvas79
9.13 Exercícios70

2 1 INTRODUÇÃO

A noção de espaço, pensamento visual é de extrema importância para o desenvolvimento psíquico da pessoa, uma vez que permite a integração de inúmeras funções mentais. Esta integração ocorre através do desenho que representa graficamente o mundo que nos cerca concretizando até os pensamentos abstratos, contribuindo para a saúde mental.

Hoje mais do que nunca as competências e habilidades requeridas pela organização da produção são: criatividade; autonomia e capacidade de solucionar problemas, pois a era industrial já se foi.

A leitura e a interpretação da linguagem gráfica são desenvolvidas com a prática do desenho de uma forma parecida com a alfabetização, passando a ser uma habilidade fundamental para o estudante de curso técnico, pois possibilita o uso desta ferramenta base para desenvolver várias competências.

1.1 A Linguagem do Desenho Técnico

Desenho

O desenho é a arte de representar graficamente formas e idéias, à mão livre (esboço), com o uso de instrumentos apropriados (instrumental) ou através do computador e software específico (CAD). Pode ser:

• Desenho Livre (artístico)

• Desenho Técnico

O desenho técnico é uma forma de expressão gráfica que tem por finalidade a representação de forma, dimensão e posição de objetos de acordo com as diferentes necessidades requeridas pelas diversas áreas técnicas.

universal da área técnica
Desenho ArtísticoDesenho Técnico

Utilizando-se de um conjunto constituído de linhas, números, símbolos e indicações escritas normalizadas internacionalmente, o desenho técnico é definido como linguagem gráfica Origem do desenho

Sabemos que o homem já usava desenhos para se comunicar desde a época das cavernas.

O primeiro registro do uso de um desenho com planta e elevação está incluído no álbum de desenhos da livraria do Vaticano desenhado por Giuliano de Sangalo no ano de 1490.

Em 1795, Gaspar Monge, publicou uma obra com o título “Geometrie Descriptive” que é a base da linguagem utilizada pelo desenho técnico.

No século XIX com a revolução industrial, a Geometria Descritiva, foi universalizada e padronizada, passando a ser chamada de Desenho Técnico. Podemos dizer que o desenho nasceu com o homem e evoluiu com o homem.

Tipos de desenho técnico O desenho técnico é dividido em dois grandes grupos:

• Desenho não-projetivo – na maioria dos casos corresponde a desenhos resultantes dos cálculos algébricos e compreendem aos desenhos de gráficos, diagramas, esquemas, fluxograma, organogramas, etc.

Fluxograma de uma casa de máquinas – Sistema de Refrigeração.

• Desenho projetivo – são os desenhos resultantes de projeções do objeto em um ou mais planos de projeção e correspondem às vistas ortográficas e as perspectivas.

Exemplos no projeto de: máquinas; edificações; refrigeração; climatização; tubulações; móveis; produtos industriais, etc.

PerspectivaVista cotada (com as dimensões)

4 Grau de Elaboração do Desenho Técnico

• Esboço: desenho, em geral à mão livre; uma representação rápida de uma idéia, não responde a uma norma, não tem uma escala definida, porém, deve respeitar as proporções.

• Desenho Preliminar: é passível de modificações.

• Desenho Definitivo: corresponde a solução final do projeto, ou seja, é o desenho de execução.

• Detalhe (desenho de produção): desenho de componente isolado ou de uma parte de um todo, geralmente utilizado para a sua fabricação.

associa para formar um todo, geralmente utilizado para a montagem e manutenção

• Desenho de conjunto (montagem): desenho mostrando vários componentes que se

1.2 Normalização no desenho técnico

Assim como toda linguagem tem normas, com o desenho técnico não é diferente.

A execução de desenhos técnicos é inteiramente normalizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Os procedimentos para execução de desenhos técnicos aparecem em normas gerais que abordam desde a denominação e classificação dos desenhos até as formas de representação gráfica. O desenhista deverá conhecer as normas de desenho técnico e ter acesso para consulta durante seu trabalho, para seguir as recomendações gerais na execução dos desenhos.

5 A tabela a seguir cita as normas mais importantes que regem o desenho técnico.

Norma Nome NBR 8403 Aplicação de linhas em desenho - Tipos de linha - Largura das linhas NBR 10582 Apresentação da folha para desenho técnico NBR 10126 Cotagem em desenho técnico NBR 10647 Desenho Técnico NBR 13142 Desenho Técnico - Dobramento de cópia NBR 13272 Desenho Técnico - Elaboração das listas de itens NBR 8196 Desenho Técnico - Emprego de Escalas NBR 13273 Desenho Técnico - Referência a itens NBR 14957 Desenho Técnico - Representação de recartilhado

NBR 14699 Desenho Técnico - Representação de símbolos aplicados a tolerâncias geométricas - Proporções e dimensões

NBR 14611 Desenho Técnico - Representação simplificada em estruturas metálicas NBR6493 Emprego de cores para identificação de tubulações NBR 8402 Execução de caracteres para escrita em desenho técnico NBR 10068 Folha de desenho - Leiaute e dimensões NBR 8404 Indicação do estado de superfícies em desenhos técnicos NBR 10067 Princípios gerais de representação em desenho técnico NBR 8993 Representação Convencional de partes roscadas em desenhos técnicos

NBR 12298 Representação de área de corte por meio de hachuras em desenho técnico

NBR 11534 Representação de engrenagem em desenho técnico NBR 13104 Representação de entalhado em desenho técnico NBR 11145 Representação de molas em desenho técnico NBR 6492 Representação de projetos de arquitetura NBR 12288 Representação simplificada de furos de centro em desenho técnico NBR 5444 Símbolos gráficos para instalações elétricas prediais

NBR 6409 Tolerâncias geométricas - Tolerânicas de forma, orientação, posição e batimento - Generalidades, símbolos, definições e indicações em desenho

NBR10285 Válvulas Industriais – Terminologia

Este curso, portanto, segue as normas técnicas para desenho técnico. E ao longo do mesmo vamos ter a oportunidade de conhecer melhor algumas delas.

6 1.3 Materiais para uso no Desenho Técnico

• Lapiseira – para trabalhar com desenho técnico a lapiseira é melhor, pois mantém uma espessura uniforme durante o traçado, eliminando a tarefa de preparo da ponta.

No desenho a mão livre deve diferenciar as linhas na espessura e tonalidade. O grafite tem uma escala de dureza que recebe a seguinte classificação 8H 7H 6H 4H – duros; 3H 2H H F HB B – médios; 2B 3B 4B 5B 7B – moles. Os grafites mais moles são mais escuros, indicados para os traços definitivos. A tabela seguinte sugere uma forma ideal do emprego dos grafites em um desenho feito em grafite:

Traçado (segmentos)

Tipo / Tonalidade

Grafite

Dureza / Espessura Emprego

Groço contínuo e forte HB – 0,7 Linhas definitivas e contornos

Médio contínuo médio H – 0,5

Texturas (hachuras) e caligrafia

Médio tracejado médio H – 0,5 Linhas ocultas (invisíveis) e imaginárias

Fino contínuo claro 2H – 0,3 Linhas de construção (auxiliares) e cotas

Fino, traço-ponto, claro 2H – 0,3 Linhas de centro e simetria

Para simplificar o trabalho pode-se usar a lapiseira com 0,5 m (espessura média) e dureza HB (média) e com diferentes pressões no traçado e reforço fazer as diferenciações nos traçados (tonalidades e espessuras). Aplicações das linhas convencionais nas figuras. Aplicações das linhas convencionais nas figuras.

• Borracha - A borracha deve ser do tipo macia, com capa protetora.

• Régua graduada – Deve ser do tipo transparente. Usaremos apenas para as construções geométricas.

• Escalímetro – Tem um formato triangular, o que permite a graduação de seis escalas diferentes. É muito útil para a

escalas: 1:20, 1:25, 1:50, 1:75, 1:100 e 1:125

leitura de medidas em desenhos impressos em Não usaremos no desenho a mão livre.

• Esquadros: São duas peças de formato triangular um com ângulos de 45º e outro 30º / 60º. Você já deve ter deduzido que o terceiro ângulo dos dois é logicamente 90º, o que dá o nome as peças de esquadros.

Um esquadro sempre é usado juntamente com uma régua e / ou outro.

Esquadro de 45°Esquadro de 30° / 60°

Traçado de linhas paralelas

Horizontal 0°

• Compasso: Instrumento usado para o traçado de circunferências ou arcos, assim como o transporte de medidas. Usaremos em construções geométricas.

8 Veja as recomendações quanto ao uso do compasso:

• Curva francesa: É um instrumento vazado com diversas curvas, de raio variável, que servem, para concordar pontos, que formam curvas. É muito usado no desenho de planificações. Veja o exemplo abaixo. Uma régua flexível (outro instrumento) pode substituir uma curva francesa.

• Transferidor: Instrumento usado para medir ou marcar ângulos.

• Gabaritos: São chapas em plástico ou acrílico, com elementos diversos vazados, que possibilitam a reprodução destes nos desenhos.

• Régua paralela : Como o nome sugere, serve para traçar segmentos paralelos. É muito usada juntamente com o par de esquadros. A régua paralela substitui a trégua “T”.

• Prancheta : O mais importante é que possibilite uma correta postura ergonômica para o desenhista, assim como a iluminação adequada em intensidade e direção.

Lista de materiais mínima que usaremos nas nossas atividades: • Lapiseira com grafite HB 0,5 milímetro;

• Borracha para desenho;

• Compasso para grafite;

• Régua graduada de trinta centímetros, em acrílico ou plástico transparente;

• Par de esquadros, tamanho médio, em acrílico ou plástico transparente;

1 1.4 Dicas para traçado com grafite

• Ao desenhar com a lapiseira ou o lápis, é importante que o instrumento seja gradualmente rotacionado. Isto mantém uma espessura uniforme nos traçados.

• O traçado deve ser feito sempre no sentido de puxar a lapiseira ou o lápis e não empurrar. Desta forma você terá um maior controle no traçado.

• No desenho com instrumentos, mantenha a lapiseira inclinada, ligeiramente para o lado do instrumento, régua ou esquadro. Desta forma evita-se que o grafite suje o instrumento de apoio e provoque borrões.

Errado
ErradoCerto

1.5 Exercícios:

a) Com o par de esquadros, em uma folha em branco, trace linhas paralelas horizontais, verticais e inclinadas. Veja o exemplo abaixo e use como modelo:

b) Trace, na mesma folha, segmentos de reta concorrentes, formando entre segmentos ângulos de 15º até completar uma volta completa (360º). Veja o exemplo abaixo e use como modelo:

2 CALIGRAFIA TÉCNICA - NBR 8402

Um esboço além de mostrar a forma geométrica de algo sempre vai ser acompanhado de informações escritas através de letras e algarismos. Com o objetivo de criar uniformidade e legibilidade para evitar prejuízos na clareza do esboço ou desenho e evitar a possibilidade de interpretações erradas, a norma NBR 8402 fixou as características da escrita em desenho técnico. A norma citada acima entra em detalhes desde o formato dos caracteres até a espessura das linhas. Sabemos que os desenhos finais são feitos no computador, mas para os esboços recomendaremos que o aluno siga os exemplos mostrados a seguir, que se preocupa com o mais importante, ou seja, legibilidade, tamanho e forma correta dos caracteres. Veja o exemplo abaixo.

ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ – Maiúsculas normais ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ – Maiúsculas em itálico abcdefghijklmnopqrstuvwxyz – Minúsculas normais abcdefghijklmnopqrstuvwxyz – Minúsculas em itálico 0123456789 – Numerais normais 0123456789 – Numerais itálico

13 Devemos tomar como referência os seguintes tamanhos de letras, mostrados na tabela abaixo:

Características Dimensões (m)

Distância entre as linhas de base

Observações:

• A escrita pode ser vertical como ou inclinada em um ângulo de 75o (itálico) .

• Deve-se observar as proporção e inclinação.

• Recomenda-se os sentidos, mostrados na figura ao lado, para traçar com firmeza as letras, sendo que para os canhotos o sentido pode ser o inverso.

• Ao fazer desenho com o auxilio do computador, AutoCAD por exemplo o estilo de letra que satisfaz a norma é o estilo ISO.

Podemos traçar linhas auxiliares para fazer a caligrafia técnica, após escolher uma altura padrão conforme a tabela anterior. Veja na figura seguinte uma forma prática e simplificada de fazer estas linhas:

Formato Padrão A4 com Margem e Legenda - NBR 10582

Todo desenho técnico deve ser feito ou impresso em uma folha de papel padrão com margens e legenda. Existem vários tamanhos de folhas. Usaremos um tamanho padrão A4, com margem e legenda de acordo com as figuras seguintes.

Exercício: a) Escreva em caligrafia técnica, sobre as linhas auxiliares, os caracteres abaixo.

abcdefghijklmnopqrstuvwxyz

b) Transcreva em caligrafia técnica o texto abaixo: Grau de Elaboração do Desenho Técnico

• Esboço: desenho, em geral à mão livre; uma representação rápida de uma idéia, não responde a uma norma, não tem uma escala definida, porém, deve respeitar as proporções.

• Desenho Preliminar: é passível de modificações.

• Desenho Definitivo: corresponde a solução final do projeto, ou seja, é o desenho de execução.

• Detalhe (desenho de produção): desenho de componente isolado ou de uma parte de um todo, geralmente utilizado para a sua fabricação.

todo, geralmente utilizado para a montagem e manutenção

• Desenho de conjunto (montagem): desenho mostrando vários componentes que se associa para formar um

3 ESCALAS – NBR 8196

O desenho técnico projetivo terá sempre uma relação entre distância gráfica (D) e distância natural (N) (o que está sendo representado: peça, equipamento, instalações, etc.). Esta relação que vamos chamar de escala do desenho é normalizada norma NBR 8196. Quando fazemos um desenho diretamente no papel temos que fazê-lo em uma escala definida, porém quando fazemos no computador a definição da escala será feita no preparo para a impressão. Imagine um terreno que mede 12 x 30 metros (distância natural - N), que foi desenhado em uma folha de papel A4. Optou-se em desdenhar um retângulo um retângulo de 12 x 30 centímetros

(distância gráfica - D), para fazer a representação. Neste caso cada metro no terreno vale no papel na realidade 1 cm e todos os detalhes do desenho seguem está relação de 1para 100 ou 1:100. Foi então usada uma escala de redução. Em outros casos poderia ser o contrário, ampliação ou escala natural. São os tipos de escalas possíveis, mostrados abaixo.

Distância gráfica D : N Distância natural

Escala natural – D = N

Escala de ampliação – D > 1 Escala de redução – 1 < N

Fator de Escala É a razão entre distância gráfica e distância natura: D / N

As escalas recomendadas pela norma são apresentadas na tabela abaixo:

Observações:

• No esboço cotado, as medidas do objeto não são reproduzidas com exatidão, portanto fora de escala, apenas respeitando as proporções do objeto.

• As dimensões angulares do objeto permanecem inalteradas. Nas representações em escala, as formas dos objetos reais são mantidas.

• Todo desenho no papel deve indicar a escala utilizada na legenda. Caso existam numa mesma folha desenhos em escalas diferentes, então, devemos na legenda no campo escala escrever a palavra indicada, e na base direita de cada desenho indicar a escala. Veja um exemplo de cada tipo de escala:

Escala natural 1:1

Escala natural

Escala natural é aquela em que o tamanho do desenho técnico é igual ao tamanho real da peça.

Punção com dimensões em milímetros - ESC.: 1:1

Escala de redução É aquela em que a representação gráfica é menor que o tamanho real.

Planta baixa de um banheiro em centímetros - ESC.:1:50

Escala de ampliação

Escala de ampliação é aquela em que o tamanho do desenho técnico é maior que o tamanho real da peça. Veja o desenho técnico de uma agulha de injeção em escala de ampliação. ESC.:2:1

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