Glossário de Ecologia e Ciências Ambientais

Glossário de Ecologia e Ciências Ambientais

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DEECOLOGIA E CIÊNCIAS AMBIENTAIS

e d i ç ã o

Milhões d e h ect a res

ÁfricaÁsiaAustralásiaEuropaAmérica do NorteAmérica do Sul Regiões

Desertificação

Desmatamento

Superpastejo Cultivos

GLOSSÁRIO DE ECOLOGIA E CIÊNCIAS AMBIENTAIS 2

AMBIENTAIS (3ª edição revisada e ampliada)

JOÃO PESSOA 2007

Breno Machado Grisi Endereço eletrônico: brenogrisi@yahoo.com.br Blog: http://brenogrisi-ecologiaemfoco.blogspot.com

Capa: no sentido horário começando com o (i) mapa resumido dos biomas brasileiros (informação/divulgação do Ministério do Meio Ambiente); (i) pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa), pássaro da Mata Atlântica (foto de documento sobre a Mata Atlântica, sem dados da publicação); (i) captação e armazenamento do dióxido de carbono (foto de documento sobre iniciativa de estudos do IPCC – International Panel on Climate Change,); (iv) gráfico representativo da desertificação mundial; (v) carvoaria na amazônia, uma das causas do desflorestamento (foto reproduzida de Collins, M. (ed.) (1990) The last rain forests. London, Mitchell Beazley Publ., 200p.)

os “Severinos, Josés, Marias”das caatingas do Nordeste,

HOMENAGEIO “botânicos”, “zoólogos”, “ecólogos” anônimos que puseram nomes em todas as plantas e praticamente todos os animais desse bioma brasileiro e sempre souberam usufruir dos limitados recursos da

Natureza ao seu alcance, mesmo sem ter um mínimo conhecimento teórico hoje propiciado pela ecologia e ciências ambientais.

às crianças brasileiras cujos pais desprovidos de recursos, não poderão lhes dar a oportunidade de se beneficiarem com os resultados práticos da ciência e tecnologia

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“O objetivo da ciência não é o de abrir portas para a sabedoria infinita, mas o de estabelecer limites para o erro infinito” Bertolt Brecht

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Agradecimentos:

a todos que tiveram oportunidade de testar os termos inseridos nas duas primeiras edições e cujas sugestões estimularam-me na busca da melhoria do presente trabalho. Agradeço em particular, aos Mestres que testando as edições anteriores “na linha de frente” dos estudos em ecologia, ajudaram-me a entender que o objetivo final de quem tenta contribuir para o conhecimento das ciências que lidam com o meio ambiente, está sempre muito distante para ser alcançado.

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ão há nenhuma pretensão aqui de apresentar uma enciclopédia ou dicionário tecnológico com todos os termos ecológicos. Neste aspecto é interessante lembrar o que diz o “The New Fowler’s

Modern English Usage” (um clássico da língua inglesa) sobre o que seja um GLOSSÁRIO, em oposição a um Dicionário e a um Vocabulário: “um glossário é uma lista alfabética de palavras difíceis que são usadas num assunto ou texto específico; é usualmente de comprimento modesto; nele é selecionado o que se julga ser obscuro, enquanto num vocabulário, tudo é julgado como obscuro; e um dicionário é um trabalho mais ambicioso, embora tenha termos com semelhanças a de um glossário”. O objetivo maior é definir claramente alguns dos termos mais comuns de ecologia e ciências ambientais. São também focalizados termos que, embora de emprego comum em outras ciências (geologia, botânica, oceanografia etc), estão relacionados direta ou indiretamente com as características ambientais do ser vivo, ou melhor dizendo, relacionados com as “ciências ambientais”. A ecologia, que se originou como ciência no início do século X, comparada com outras disciplinas das ciências biológicas, como a botânica e a zoologia, cujos estudos iniciaram-se com os gregos (Aristóteles, 384 a 322 a.C., era um observador perspicaz da Natureza), pode ser considerada como disciplina novíssima. Suponhamos que se cada século vivido por nós do mundo ocidental correspondesse a 10 anos; a botânica e a zoologia, por exemplo, estariam hoje com mais de “230 anos de existência”, enquanto a ecologia estaria prestes a completar seu “1o aninho de vida”. Daí a possível explicação à tendência de se introduzir tantos termos, devido às novas descobertas e necessidade de definí-las ou conceituá-las. A vivência ou confirmação dos fenômenos e processos descritos como novos, fixarão os termos introduzidos, fazendo-os comuns e desejavelmente, fáceis de serem entendidos.

Os termos aqui incluídos foram selecionados a partir de conceituações feitas pelos autores de livros e artigos relacionados na bibliografia consultada e apresentada no final do glossário. Neste aspecto, não haveria como negar que a obra maior de referência aqui utilizada foi o livro dos ecólogos M.Begon, C.R.Townsend e J.L.Harper (nas edições 2a, do ano 1990 e 4a, de 2006), que constam da bibliografia. Muitos desses termos foram modificados em sua definição, para facilitar seu entendimento ou complementar sua conceituação, visando atender aqueles que estudam ecologia ou que estão interessados no conhecimento das ciências ambientais. Outra obra de consulta freqüente, constando da Bibliografia, foi a de R.E. Ricklefs (“The economy of nature”), que em sua quinta edição (2007) inclui uma nova seção de grande utilidade (“Data Analysis Update”, ou Atualização de Análise de Dados).

Considero ser o presente trabalho, apenas mais uma obra simples de referência, direcionada para principiantes, devendo ser complementada com consultas a outras mais específicas, para os mais avançados e que figuram na “Bibliografia Utilizada para o Glossário”. Hoje em dia, são muitos os sites disponíveis na Internet e que podem ser de grande utilidade para enriquecer conhecimento e elucidar dúvidas; devendo o leitor no entanto, ser cuidadoso com relação às fontes de consulta. Este glossário, mesmo em sua terceira edição, considero ser uma experiência incipiente, devendo por isso ser melhorado e ampliado futuramente. Neste sentido, solicitam-se aos consulentes em geral, críticas e sugestões.

Aos consulentes

Quando determinado termo tiver sinônimos ou corresponder a termos similares, com mesmo significado ecológico, estes figuram com um sinal de igualdade. Exemplo:

• HABITAT HABITAT = ECOTOPO = BIOTOPO A definição é dada no termo mais comum: HABITAT.

ACIDOFÍLICO e ACIDOFILIA são termos derivados ou relacionados ao termo ou verbete de entrada ACIDÓFILO.

Alguns termos estão definidos em outros, no qual foram necessariamente inseridos. Exemplo:

(Ver CADEIA ALIMENTAR) No verbete CADEIA ALIMENTAR o termo carnívoro é definido.

Alguns outros termos são usualmente utilizados como denominações compostas, mas o nome principal vem em primeiro lugar e o complemento vem logo após vírgula:

Embora raros, aparecem verbetes (termos de entrada) em inglês, ou outra língua, por serem às vezes mais conhecidos sob a denominação original; ou o termo em português ainda não está bem definido ou não se consagrou seu uso. Estes são os casos, por exemplo, de:

• “FITNESS” O termo (sem equivalente preciso em português) é definido em “fitness”.

• “GUILD” O termo (sem equivalente preciso em português) é definido em “guild”.

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“a-” e “an-”

Prefixo de origem grega indicando “ausência; falta; sem”. Ex.: acromático (sem coloração; despigmentado); anaeróbio (que vive na ausência de oxigênio). Alguns termos de entrada virão a seguir.

Prefixos latinos. “Ab-” significa “do lado oposto ou afastado do eixo”; referindo-se, por exemplo em botânica, à face inferior da folha (abaxial). “Ad-” quer dizer “que se encontra do lado do eixo ou próximo a ele”; referindo-se no caso botânico à face superior da folha (adaxial), lembrando a palavra aderir.

Nas represas com grandes massas de água, geralmente ocupando áreas extensas, a alta pressão hidrostática pode gerar acomodações das camadas do subsolo, gerando abalos sísmicos. A parte da geofísica que estuda os terremotos e a propagação das ondas (elásticas) sísmicas é a Sismologia. (Ver ESCALA DE RICHTER)

ABIOSSÉSTON (Ver SÉSTON)

Sem vida. Diz-se do meio ou do elemento (substância, composto...) desprovido de vida. Fatores abióticos ou componentes abióticos de um ecossistema: são os fatores ambientais físicos desse ecossistema (clima, por exemplo) ou químicos (inorgânicos como a água, o oxigênio e orgânicos, como os ácidos húmicos etc). (Ver BIÓTICO)

ABISSAL (Ver ZONA ABISSAL; e APÊNDICE IV – ZONAS DE PROFUNDIDADE MARINHA)

ABISSOBENTÔNICO (ou ABISSOBÊNTICO ou ABISSALBENTÔNICO ou

(Ver ZONA ABISSOBENTÔNICA; e APÊNDICE IV – ZONAS DE PROFUNDIDADE MARINHA)

ABISSOPELÁGICO (ou ABISSALPELÁGICO)

(Ver ZONA ABISSOPELÁGICA; e APÊNDICE IV – ZONAS DE PROFUNDIDADE MARINHA)

recifes de corais (parus, barracudas, badejos, garoupas, meros, enguias, arraias); e lá vivem também

Denominação dada geralmente, a rochedo que aflora acima d’água, no mar, formando por vezes, ilhas, como o do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia (a 70 km da costa), entre Caravelas (sul da Bahia) e São Mateus (norte do Espírito Santo). O parque assenta-se sobre cinco formações rochosas, constituindo-se nas ilhas de Santa Bárbara, Siriba, Redonda, Sueste e Guarita, dispostas em arco, denunciando, sua provável origem de borda de cratera vulcânica. De julho a novembro as baleias jubarte ali procriam. Inúmeros são os peixes que habitam nos seus exuberantes golfinhos e aves marinhas (ver fotos que seguem do site ibama.gov.br: no sentido horário começando com a vista aérea dos abrolhos, anêmona, ave marinha e peixe-pedra).

(Ver RECIFES)

O sulfonato de alquilbenzeno (sigla em inglês, “ABS”) é uma substância surfactante (tensoativa) usada como detergente. Cinqüenta por cento dos detergentes (líquido ou em pó) comercializados nos E.U.A. e europa ocidental contêm o “ABS”; sendo este muito procurado por ter eficiente propriedade de limpeza e produção de espuma. Não é imediatamente biodegradável e é altamente tóxico aos organismos aquáticos.

processo de queda de partes de plantas (folhas, flores, frutos) por ação de substância estimuladora

Processo natural em que duas partes de um organismo se separam. Aplica-se este termo ao (abscisina). O ácido abscísico (ABA, sigla em inglês) é também um potente inibidor de crescimento, auxiliando a induzir e prolongar a dormência de gemas vegetativas. Além disso, o ABA é inibidor de germinação de semente e exerce papel importante no fechamento de estômatos.

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