Tratado de Psicologia Revolucionaria

Tratado de Psicologia Revolucionaria

(Parte 1 de 4)

Tratado de Psicologia Revolucionária Samael Aun Weor

O Nível do Ser1
A Escada Maravilhosa5
Rebeldia Psicológica7
A Essência1
Acusar a Si Mesmo13
A Vida17
O Estado Interior19
Estados Equivocados23
Acontecimentos Pessoais27
Os Diferentes Eus29
O Querido Ego31
A Transformação Radical3
Observador e Observado37
Pensamentos Negativos39
A Individualidade43
O Livro da Vida47
Criaturas Mecânicas49
O Pão Super−Substancial53
O Bom Dono de Casa57

Índice Tratado de Psicologia Revolucionária

Os Dois Mundos59
Observação de Si Mesmo63
A Tagarelice65
O Mundo das Relações67
A Canção Psicológica71
Retorno e Recorrência7
Auto−Consciência Infantil81
O Publicano e o Fariseu85
A Vontade91
A Decaptação97
O Centro de Gravidade Permanente105
O Trabalho Esotérico Gnóstico113
A Oração no Trabalho117
Biblioteca Gnóstica123

Índice Tratado de Psicologia Revolucionária

O Nível do Ser

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Para que vivemos? Por que vivemos?...

Inquestionavelmente, o pobre "Animal Intelectual", equivocadamente chamado homem, não só não sabe, como além disso, nem sequer sabe que não sabe...

O pior de tudo é a situação tão difícil e tão estranha em que nos encontramos: ignoramos o segredo de todas as nossas tragédias e, no entanto, estamos convencidos de que sabemos tudo...

Transporte−se um "Mamífero Racional", uma dessas pessoas que na vida se presume influente, ao centro do deserto do Saara; deixe−se−o ali, longe de qualquer oásis, e observe−se de uma nave aérea tudo o que acontece...

Os fatos falarão por si mesmos; o "Humanóide Intelectual", ainda que se presuma de forte e se ache muito homem, no fundo resulta espantosamente débil...

O "Animal Racional" é cem por cento tolo; pensa o melhor de si mesmo; acredita que pode desenvolver−se maravilhosamente através do jardim de infância, manuais de etiqueta social, escolas primárias e secundária, bacharelato, universidade, do bom prestígio do papai, etc., etc., etc...

Infelizmente, por trás de tantas letras e bons modos, títulos e dinheiro, bem sabemos que qualquer dor de estômago nos entristece, e que no fundo continuamos sendo infelizes e miseráveis...

Basta ler a História Universal para saber que somos os mesmos bárbaros de outrora, e que, em vez de melhorar, nos tornamos piores...

Este século X, com todos os seus espetáculos de guerras, prostituição, sodomia em escala mundial, degeneração sexual, drogas, álcool, crueldade exorbitante, perversidade extrema, monstruosidade, etc., etc., etc., é o espelho no qual devemos nos olhar. Não existe, pois, razão suficiente para jactar−nos de haver chegado a uma etapa superior de desenvolvimento...

Pensar que o tempo significa progresso é absurdo; desgraçadamente, os "ignorantes ilustrados" continuam engarrafados no "Dogma da Evolução"...

Em todas as páginas negras da "Negra História", encontramos sempre as mesmas horrorosas crueldades, ambições, guerras, etc...

Contudo, nossos contemporâneos "Super−Civilizados" estão convencidos de que isso de guerra é algo secundário, um acidente passageiro que nada tem a ver com sua cacarejada "Civilização Moderna".

Certamente o que importa é a maneira de ser de cada pessoa; alguns sujeitos serão bêbados, outros abstêmios, aqueles honrados e estes sem−vergonha; de tudo há na vida...

A massa é a soma dos indivíduos; o que é o indivíduo é a massa, é o governo, etc...

A massa é pois a extensão do indivíduo; não é possível a transformação das massas, dos povos, se o indivíduo, se cada pessoa, não se transforma...

Ninguém pode negar que existem distintos níveis sociais; há gentes de igreja e de prostíbulo, de comércio e de campo, etc., etc., etc.

Assim, existem também diferentes Níveis de Ser. O que internamente somos, esplêndidos ou mesquinhos, generosos ou tacanhos, violentos ou tranquilos, castos ou luxuriosos, atrai as diversas circunstâncias da vida...

Um luxurioso atrairá sempre cenas, dramas e até tragédias de lascívia, nas quais se envolverá...

Um bêbado atrairá outros bêbados, e se verá sempre em bares e cantinas, isso é óbvio.

O que atrairá o usurário? O egoísta? Quantos problemas? Prisões? Desgraças?

Entretanto, as pessoas amarguradas, cansadas de sofrer, têm ganas de mudar, passar a página de sua história...

Pobres pessoas! Querem mudar e não sabem como: não conhecem o procedimento; encontram−se em um beco sem saída...

O Nível do Ser

O que lhes aconteceu ontem lhes acontece hoje e lhes acontecerá amanhã; repetem sempre os mesmos erros e não aprendem as lições da vida, nem a pauladas.

Todas as coisas se repetem em sua própria vida; dizem as mesmas coisas, fazem as mesmas coisas, lamentam as mesmas coisas...

Esta repetição aborrecedora de dramas, comédias e tragédias continuará enquanto carreguemos em nosso interior os elementos indesejáveis da Ira, Cobiça, Luxúria, Inveja, Orgulho, Preguiça, Gula, etc., etc., etc...

Qual é nosso nível moral? Ou, melhor diríamos: qual é nosso Nível de Ser?

Enquanto o Nível de Ser não mudar radicalmente, continuará a repetição de todas as nossas misérias, cenas, desgraças e infortúnios...

Todas as coisas, todas as circunstâncias que acontecem fora de nós, no cenário deste mundo, são exclusivamente o reflexo do que interiormente levamos.

Com justa razão podemos afirmar solenemente que o "exterior é o reflexo do interior".

Quando alguém muda interiormente e tal mudança é radical, o exterior, as circunstâncias, a vida, transformam−se também.

Estive observando recentemente (1974) um grupo de pessoas que invadiu um terreno alheio. Aqui no México, tais pessoas recebem o curioso qualificativo de "paraquedistas".

São vizinhos da colônia campestre de Churubusco, estão muito perto de minha casa, motivo pelo qual pude estudá−los de perto...

Ser pobre jamais será um delito, mas o grave não está nisso, mas em seu Nível de Ser...

Diariamente lutam entre si, embebedam−se, insultam−se mutuamente, convertem−se em assassinos de seus próprios companheiros de infortúnio; vivem certamente em imundos casebres, dentro dos quais em vez do amor reina o ódio...

O Nível do Ser

Muitas vezes pensei que, se qualquer indivíduo desses eliminasse de seu interior o ódio, a ira, a luxúria, a embriaguês, a maledicência, a crueldade, o egoísmo, a calúnia, a inveja, o amor próprio, o orgulho, etc., etc., etc., agradaria a outras pessoas e se associaria, por uma simples Lei de Afinidades Psicológicas, com pessoas mais refinadas, mais espiritualizadas; essas novas relações seriam definitivas para uma mudança econômica e social...

Seria esse o sistema que permitiria a tal indivíduo abandonar o "chiqueiro", a "cloaca" imunda...

Assim, pois, se realmente queremos uma mudança radical, o que devemos compreender primeiro é que cada um de nós (seja branco ou negro, amarelo ou vermelho, ignorante ou culto, etc.) está em tal ou qual "Nível do Ser".

Qual é o nosso Nível de Ser? Haveis refletido alguma vez sobre isso? Não seria possível passar a outro nível, se ignoramos o estado em que nos encontramos.

O Nível do Ser

A Escada Maravilhosa

Temos que aspirar a uma mudança verdadeira, sair desta rotina aborrecedora, desta vida meramente mecanicista, cansativa...

O que devemos compreender primeiro, com inteira claridade, é que cada um de nós, seja burguês ou proletário, acomodado ou da classe média, rico ou miserável, encontra−se realmente em tal ou qual Nível do Ser...

O Nível de Ser do bêbado é diferente daquele do abstêmio, o da prostituta muito diferente do da donzela. Isto que estamos dizendo é irrefutável, irrebatível...

Ao chegar a esta parte de nosso capítulo, podemos imaginar uma escada, que se estende de baixo para cima, verticalmente, com muitíssimos degraus...

Inquestionavelmente, em alguns destes degraus nos encontramos; degraus abaixo haverá pessoas piores que nós; degraus acima encontraremos pessoas melhores que nós...

podemos encontrar todos os Níveis de SerCada pessoa é diferente e isto

Nesta Vertical extraordinária, nesta escada maravilhosa, é claro que ninguém pode negar...

Não estamos falando de caras feias ou bonitas, nem tampouco se trata de questão de idades. Há pessoas jovens e velhas, anciãos que já estão para morrer e meninos recém−nascidos...

A questão do tempo e dos anos, isso de nascer, crescer, desenvolver−se, casar−se, reproduzir−se, envelhecer e morrer, é exclusivo da Horizontal...

Na "Escada Maravilhosa", na Vertical, o conceito de tempo não cabe. Nos degraus de tal escala só podemos encontrar "Níveis de Ser"...

A esperança mecânica das pessoas não serve para nada. Acreditam que com o tempo as coisas serão melhores; assim pensavam nossos avós e bisavós; os fatos vieram demonstrar precisamente o contrário...

O "Nível de Ser" é o que conta, e isto é Vertical; encontramo−nos em um degrau, mas podemos subir a outro degrau...

A "Escada Maravilhosa" de que estamos falando, e que se refere aos distintos "Níveis de Ser", certamente nada tem a ver com o tempo linear...

Um "Nível de Ser" mais alto está imediatamente acima de nós de instante em instante...

Não está em nenhum remoto futuro horizontal, mas aqui e agora, dentro de nós mesmos, na Vertical...

É evidente, e qualquer um pode compreender, que as duas linhas, Horizontal e Vertical, se encontram a cada momento em nosso interior psicológico e formam Cruz...

A personalidade manifesta−se e desenvolve−se na linha Horizontal da Vida. Nasce e morre dentro de seu tempo linear, é perecedora. Não existe um amanhã para a personalidade do morto; não é o Ser...

Os Níveis do Ser, o Ser mesmo, não são do tempo, nada têm a ver com a linha Horizontal; encontra−se dentro de nós mesmos, agora, na Vertical...

Seria evidentemente absurdo buscar o nosso próprio Ser fora de nós mesmos...

Podemos afirmar como corolário o seguinte: títulos, graus, ascensões, etc., no mundo físico exterior, de modo algum poderiam originar exaltação autêntica, revalorização do Ser, passagem a um degrau superior nos "Níveis do Ser".

A Escada Maravilhosa

Rebeldia Psicológica

Queremos recordar a nossos leitores que existe um ponto matemático dentro de nós mesmos.

Inquestionavelmente, tal ponto jamais se encontra no passado, nem tampouco no futuro. Quem quiser descobrir esse ponto misterioso, deve buscá−lo aqui e agora, dentro de si mesmo, exatamente neste instante, nem um segundo depois, nem um segundo antes.

Os dois paus, o Vertical e o Horizontal da Santa Cruz, encontram−se neste ponto.

Encontramo−nos pois, de instante em instante, diante de dois Caminhos: o Horizontal e o Vertical...

É evidente que o Horizontal é muito comum: por ele andam "Vicente e toda gente", "o Sr. Raimundo e todo o mundo".

O Caminho Vertical é diferente: é o caminho dos rebeldes inteligentes, dos Revolucionários...

Quando alguém se recorda de si mesmo, quando trabalha sobre si mesmo, quando não se identifica com todos os problemas e sofrimentos da vida, está de fato trilhando a Senda Vertical...

Certamente, jamais será tarefa fácil eliminar as emoções negativas, perder toda identificação com nosso próprio "trem" da vida, problemas de todo tipo, negócios, dívidas, pagamento de letras, hipotecas, telefone, água, luz, etc., etc., etc.

Os desempregados, aqueles que por qualquer motivo perderam o emprego, o trabalho, evidentemente sofrem por falta de dinheiro, e esquecer seu caso, não se preocupar nem se identificar com seu próprio problema, resulta de fato espantosamente difícil.

Aqueles que sofrem, aqueles que choram, aqueles que foram vítimas de alguma traição na vida, de uma ingratidão, de uma calúnia ou de alguma fraude, realmente se esquecem de si mesmos, de seu real Ser Íntimo; identificam−se completamente com sua tragédia moral...

O trabalho sobre si mesmo é a característica fundamental do Caminho Vertical. Ninguém poderia trilhar a Senda da Grande Rebeldia se jamais trabalhasse sobre si mesmo.

O trabalho a que estamos nos referindo é de tipo psicológico; ocupa−se de certa transformação do momento presente em que nos encontramos.

Necessitamos aprender a viver de instante a instante...

Por exemplo, uma pessoa que se encontra desesperada por algum problema sentimental, econômico ou político, obviamente esqueceu−se de si mesma.

Se tal pessoa se detém por um instante, se observa a situação e trata de recordar−se de si mesma e depois se esforça por compreender o sentido de sua atitude...

Se reflete um pouco, se pensa no fato de que tudo passa, de que a vida é ilusória, fugaz, de que a morte reduz a cinzas todas as vaidades do mundo...

Se compreende que seu problema no fundo não é mais que "fogo de palha", um fogo fátuo que logo se apagará, verá imediatamente, com surpresa, que tudo se transformou.

Transformar reações mecânicas é possível mediante a confrontação lógica e a Auto−Reflexão Íntima do Ser.

É evidente que as pessoas reagem mecanicamente diante das diversas circunstâncias da vida...

Pobres pessoas! Costumam sempre converter−se em vítimas. Sorriem quando alguém as adula, sofrem quando alguém as humilha. Insultam se são insultadas, ferem quando são feridas, nunca são livres; seus semelhantes têm o poder de levá−las da alegria à tristeza, da esperança ao desespero.

Cada pessoa dessas que vão pelo Caminho Horizontal se parece com um instrumento musical, onde cada um de seus semelhantes toca o que bem deseja...

Rebeldia Psicológica

Quem aprende a transformar as relações mecânicas de fato vai pelo "Caminho Vertical".

Isto representa uma mudança fundamental no "Nível do Ser", resultado extraordinário da "Rebeldia Psicológica".

Rebeldia Psicológica

Rebeldia Psicológica 10

A Essência

O que torna belo e adorável todo menino recém−nascido é sua Essência; esta constitui em si mesma sua verdadeira realidade...

O crescimento normal da Essência em toda criatura é certamente muito residual, incipiente...

O corpo humano cresce e se desenvolve de acordo com as leis biológicas da espécie. Entretanto, tais possibilidades resultam por si mesmas muito limitadas para a Essência. Inquestionavelmente, a Essência só pode crescer por si mesma, sem ajuda, em um grau muito pequeno.

Falando francamente, diremos que o crescimento espontâneo e natural da Essência só é possível durante os primeiros três ou quatro anos de idade, isto é, na primeira etapa da vida.

Em geral se pensa que o crescimento e o desenvolvimento da Essência se realizam de forma contínua, de acordo com a mecânica da "evolução"; mas sempre de forma contínua, de acordo com a mecânica da "evolução"; mas o Gnosticismo Universal ensina claramente que isto não ocorre assim.

A fim de que a Essência cresça mais, algo muito especial deve acontecer, há que se realizar algo novo...

Quero referir−me, de forma enfática, ao trabalho sobre si mesmo. O desenvolvimento da Essência só é possível à base de trabalhos conscientes e sofrimentos voluntários.

É necessário compreender que estes trabalhos não se referem a questões de profissão, bancos, carpintarias, serralheria, conserto de linhas férreas ou assuntos de escritório.

Este trabalho é para toda pessoa que haja desenvolvido a personalidade; trata−se de algo psicológico.

Todos nós sabemos que temos dentro de nós mesmos isso que se chama Ego, Eu, Mim Mesmo, Si Mesmo...

Desgraçadamente, a Essência se encontra engarrafada dentro do Ego, e isto é lamentável.

Dissolver o Eu Psicológico, desintegrar seus elementos indesejáveis, é urgente, inadiável, impostergável. Este é o sentido do trabalho sobre si mesmo.

Nunca poderemos libertar a Essência sem desintegrar previamente o Eu Psicológico.

Na Essência estão a Religião, o Buda, a Sabedoria, as partículas de dor de nosso Pai que está nos Céus e todos os dados de que necessitamos para a Auto−Realização Íntima do Ser.

Ninguém poderia aniquilar o Eu Psicológico sem eliminar previamente os elementos inumanos que trazemos dentro de nós.

Necessitamos reduzir a cinzas a crueldade monstruosa destes tempos, a inveja, que desgraçadamente veio a converter−se na mola secreta de nossas ações, a cobiça insuportável que tornou a vida tão amarga, a asquerosa maledicência, a calúnia que tantas tragédias origina, a embriaguês, a imunda luxúria que age tão mal, etc., etc., etc...

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