Avicultura - Carne e Ovos pelo Sistema de Pastejo

Avicultura - Carne e Ovos pelo Sistema de Pastejo

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Aqui você encontra artigos técnicos de diversos autores e sobre diversos assuntos para o correto manejo de sua propriedade e no tratamento de seus animais.

Avicultura Alternativa: carne e ovos pelo sistema de pastejo

No Brasil, o assunto também foi alvo de comentários e o médico veterinário João Brunini, então diretor-presidente das Uzinas Chimicas Brasileiras, escreveu em 1966 o livro intitulado Manual de Avicultura, fazendo menções ao sistema de pastejo para aves. É certo que esta técnica chegou tarde demais no país, pois no período pós-guerra as nações mais desenvolvidas optaram por uma avicultura industrial, onde poedeiras seriam criadas em gaiolas e frangos de corte em galpões fechados, atualmente chamados frangueiros.

As primeiras gaiolas para poedeiras chegaram ao Brasil em 1955 e, nesta mesma década ocorreram grandes evoluções científicas nas áreas de nutrição animal e do melhoramento genético animal. Essas mudanças deram origem ao que chamamos atualmente de Avicultura Industrial, com grande produção de carne e ovos em pequenas áreas através do sistema de confinamento. Graças a esse novo sistema temos hoje instalada no país uma indústria avícola forte que, além de abastecer o mercado interno consegue exportar produtos de qualidade para outros países, trazendo enormes benefícios a nação.

Por isso a avicultura alternativa sobre pastejo é apenas uma fonte alternativa, como bem diz o nome, de produzir aves e ovos nos sítios, chácaras e quintais deste país, diminuindo custos com alimentação das aves e obtendo produtos com sabor, textura e cores diferenciados, chamados carne e ovos "caipiras".

Objetivos da produção Como principais objetivos da implantação de um sistema de produção de aves sob pastejo podemos citar:

o aproveitamento dos espaços ociosos dentro da propriedade rural ou urbana; a obtenção de produtos (carne e ovos) de boa qualidade para o consumo familiar; a comercialização do excedente da produção a preços maiores do que os preconizados para os produtos industriais; a diversificação das atividades na propriedade rural; a obtenção de esterco de ótima qualidade para ser aproveitado na propriedade; a produção e comercialização de pintinhos de raça.

Raças preconizadas

Para o sistema de galinheiros preconizamos as raças puras e melhoradas geneticamente ou ainda o cruzamento entre galos de raças puras com galinhas caipiras, visando obter aves resistentes e produtivas. As raças puras mais preconizadas são as que mais facilmente podem ser encontradas no mercado - New Hampshire, Plymouth Rock Barrada e a Rhode Island Red. Esta última deve ser recomendada para locais frios e úmidos por apresentar maior deposição de gordura na carcaça. Outras raças poderão ser utilizadas: Orpington, Gigante Negra de Jersey, Leghorn Branca ou Perdiz (dourada), Cornish (para a produção de carne), Susex (aves com bom arcabouço ósseo), Wyandotte, Brahma Light e as atualmente famosas galinhas de pescoço pelado. Sobre as mesmas posso afirmar que existe bom material genético no país (brancas, vermelhas e carijós).

A escolha por determinada raça vai depender de dois fatores fundamentais: o objetivo da criação, isto é, se o produtor deseja direcionar sua criação para a produção de ovos brancos ou castanhos, se deseja voltá-la para a produção de carne diferenciada, ou se deseja os dois produtos (ovos e carne). Outro fator fundamental no momento da escolha da raça é a disponibilidade da mesma na região e se ela irá adaptar-se bem ao clima da região.

O futuro avicultor deverá adquirir as aves bem novinhas, isto é, quando ainda pintinhas para acompanhar todo o seu desenvolvimento e para garantir-lhes uma nutrição balanceada desde os primeiros dias de vida. Ao adquirir os pintos não se preocupe muito com a beleza externa das aves; preocupe-se sim com os parâmetros produtivos do plantel da qual vieram os pintos - se produzem bem, se os ovos são grandes, se nas aves existem muitos casos de ovos deformados ou gemas com manchas de sangue, se a viabilidade das aves é boa, enfim, procure pesquisar o histórico produtivo do plantel. Observe também o aspecto sanitário das aves e as condições higiênicas do local onde irá adquirir os pintinhos. Questione junto ao produtor de pintinhos se as vacinações são feitas regularmente, quais as vacinas são administradas às aves e se já existiram surtos de doenças mais comuns na avicultura. Resumindo, ao adquirir as aves o avicultor deverá preocupar-se mais com o histórico produtivo e sanitário do plantel do que com aspectos de beleza e padrão das mesmas.

Sistemas de produção Irão variar de acordo com a atividade que se pretende exercer. A produção de aves pelo sistema "caipira" para que seja

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08/06/2010http://w.portalruralsoft.com/manejo/manejoExibe.asp?id=87 viável deverá ser direcionada para a alimentação alternativa e utilização de pastos. Confinar aves caipiras ou de raça que têm um pico de postura entre 50 e 60% e alimentá-las exclusivamente com ração concentrada (ração comercial) é prejuízo certo, mesmo comercializando os ovos a um preço mais acima do preconizado para ovos produzidos industrialmente. Como cerca de 75% dos custos de produção de aves e ovos estão relacionados à alimentação, a procura por alimentos alternativos e sistemas de pastejos é a saída encontrada neste tipo de atividade avícola. Entre os alimentos alternativos mais utilizados na alimentação das "caipiras" podemos citar as minhocas, os tenébrios (insetos da ordem Coleoptera que atacam grãos armazenados e que, na forma de larva e pupa servem para alimentar aves, répteis e anfíbios), grãos de Guando (Cajanus cajan) ou de Leucaena (Leucaena leucocephala), alfafa (Medicago sativa) verde ou fenada, feno de anilheira (Indigofera hirsuta), rami verde ou fenado (Boehmeria nivea) e o confrei (Symphtum peregrinum).

Todo o material proveniente de hortas poderá ser utilizado na alimentação das aves de quintal. Para maior facilidade de ingestão aconselho a picar as verduras antes de fornecê-las às aves.

Tendo em mente que o sistema de produção de galinhas caipiras deverá estar sustentado por uma alimentação nutritiva e de baixo custo, vamos agora sugerir dois tipos de sistemas: o de pastejo direto e o de fornecimento de vegetais às aves picados (verdes) ou fenados (incorporados à ração). O pastejo direto caracteriza-se como sendo o ato das aves consumirem gramíneas (capins) ou leguminosas à vontade, e ainda de ciscarem o terreno à procura de insetos, minhocas e larvas, que possam completar sua alimentação. É certo que a necessidade de fibras pelas aves é baixa quando comparada com as necessidades de outros animais. Logo, o consumo de vegetais é pequeno e, uma alimentação balanceada suplementar é indiscutivelmente necessária para manter boa saúde e bons índices produtivos. A alimentação vegetal pode suprir cerca de 25 a 30% das exigências nutricionais das aves, sendo o restante suplementado com a ingestão de minhocas ou tenébrios e ração bem balanceada. A ingestão de capins, leguminosas e outras fontes vegetais fornece vitaminas e minerais às aves, conferindo-lhes resistência às doenças e modificando a qualidade de seus produtos (carne com pele avermelhada e ovos com gema rica em vitamina A).

O fornecimento de vegetais às aves também pode ser feito por via indireta, isto é, os vegetais são cultivados, colhidos e picados e fornecidos às aves duas vezes ao dia. O inconveniente deste processo seria a mão-de-obra necessária para esta tarefa, mas para quem dispõe de área para pastos, esta é a solução.

Pastos para aves Antes de iniciar-mos uma empreitada deste tamanho devemos pensar na parte econômica do projeto e devemos ter em mente que todo o trabalho com formação e manejo de pastos deverá compensar. Para isso devemos ter como alvo principal um mercado consumidor exigente, geralmente encontrado nas grandes cidades, que paga mais caro por um produto diferenciado. Não podemos pensar em criar galinhas numa imensidão de terras boas e produtivas. Por isso, a correta implantação dos pastos, um correto manejo dos mesmos sob a forma de rodízio e taxas de lotação (número de aves por área de acordo com a capacidade da forrageira de resistir ao pastejo e de continuar produzindo) coerentes são os princípios fundamentais de sucesso nesta atividade tão pouco difundida. As pesquisas nesta área da zootecnia são escassas e os valores relacionados com o número de aves por área são conflitantes. João Brunini, em seu livro "Manual de Avicultura" de 1966 citou que num alqueire paulista caberiam 1.500 aves sob pasto de gramíneas consorciadas com trevos, isto é, 16 metros quadrados/ave. Já o autor americano Morley A. Jull, citou em seu livro "Successful Poultry Management" que, para pastos constituídos por boa gramínea perene não mais que 750 aves poderiam ser introduzidas em 1 hectare, isto é, cerca de 13 metros quadrados/ave. Em trabalho feito na Escola Superior de Agricultura de Lavras, os pesquisadores do Departamento de Zootecnica chegaram à conclusão de que, o valor de cinco metros quadrados por ave seria conveniente quando houvesse rodízio de pasto e, de dez metros quadrados por ave quando não houver rodízio. O trabalho feito em Lavras foi conduzido com o capim Quicuiu da Amazônia (Brachiaria humidicola) e com aves das raças New Hampshire, Plymouth Rock Barrada e Rhode Island Red. Como os dados de pesquisas sobre o assunto são raros e controvertidos, talvez em função do tipo de forrageira utilizada e do clima, recomendo aos futuros avicultores que sigam observações rigorosas do comportamento do seu pasto, aumentando ou diminuindo o número de aves de acordo com a capacidade da forrageira, em função do solo e do clima regional.

Características desejáveis a uma forrageira que irá compor pastos para aves

Para o sucesso garantido das pastagens avícolas vários fatores estão em jogo; desde a escolha do terreno, que não deve ser demasiadamente acidentado, até o preparo do solo para o plantio das mudas. Um fator que não deve ser esquecido é a escolha da(s) forrageira(s) que irá(ão) compor os pastos. Uma boa forrageira para esta caso específico deve ter as seguintes qualidades:

Ser perene; rizomatosa e/ou estolonífera; agressiva, dominando o terreno em pouco tempo; de fácil propagação; resistente ao pastejo e à seca; de pequeno porte; que proporcione grande quantidade de massa verde/hectare e que seja nutritiva; de ciclo longo; que se adapte bem ao clima regional; que responda bem a uma irrigação.

As gramíneas (capins) mais utilizadas para a formação de pastos avícolas são o quicuiu da Amazônia (Brachiaria humidicola), a grama forquilha ou Batatais (Paspalum notatum) e a grama barbante ou paulista (Cynodon dactylon).

Brachiaria humidicola. Conhecida vulgarmente como capim agulha, espetudinha, pontudinha ou Quicuiu da Amazônia é uma gramínea perene, ereta e rizomatosa de cor verde clara. Trata-se de uma gramínea pouco exigente em fertilidade do solo, que vegeta bem em locais secos ou úmidos e que possui notável resistência à geada. Sua propagação pode ser feita por sementes ou por mudas e sua composição bromatológica é dada abaixo:

Quadro 1 - Composição bromatológica de Brachiaria humidicola

Elementos % na matéria seca

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Matéria Seca 10,0 Proteína Bruta 2,3 Fibra Bruta 38,8 Extrato Etéreo2,1 Mat. Mineral 7,1 Extr. não Nitrogenados 49,7

FONTE: I.Z. Nova Odessa (SP), citado por Pupo, N.I.H. (1985)

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