Produção de campo de sementes: algodão

Produção de campo de sementes: algodão

Curso: Agronomia Disciplina: Produção e Tecnologia de Sementes Professor: Derblai Casaroli

Evandro Vergutz

Helton Massao Isewaki

Walter Welles Soares 5 Agro B

PATOS DE MINAS 2011

Evandro Vergutz

Helton Massao Isewaki Walter Welles Soares

Trabalho apresentado como requisito parcial de avaliação na disciplina Produção e Tecnologia de Sementes do curso de Agronomia do Centro Universitário de Patos de Minas, sob orientação do(a) professor(a) Derblai Casaroli.

PATOS DE MINAS 2011

1. INTRODUÇÃO……………………………………………………………………2
2.1 ENTIDADE CERTIFICADORA2
2.2 ENTIDADE PRODUTORA3
2.3 ENTIDADE COOPERANTE3
3. SITEMAS DE PRODUÇÃO DE SEMENTE3
4. CUIDADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE SEMENTES4
5. ESTABELECIMENTO DE CAMPO PARA PRODUÇÃO DE SEMENTES5
6. PROCESSAMENTO E ARMAZENAMENTO5
7. CONCLUSÃO6

SUMÁRIO 2. ENTIDADES ENVOLVIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO…………………...2 8. REFERÊNCIAS............................................................................................................6

1. INTRODUÇÃO

O algodoeiro é um importante componente do sistema de produção, permitindo a rotação de culturas com soja e milho, sendo uma das fibras vegetais cultivadas mais antigas do mundo (EMBRAPA AGROPECUÁRIA OESTE).

As sementes são produzidas por produtores e empresas especializadas. A semente é um pacote cujo conteúdo são todos os genes que caracterizam a espécie e a cultivar. Se uma cultivar é eleita pela pesquisa e pelo consenso dos produtores, é porque seu comportamento é o melhor possível para as condições de clima, solo e de tecnologia agrícola da região, e as características de seus produtos são as mais aceitas. Consequentemente, o patrimônio genético desta cultivar, tem que ser protegido.

Ao desenvolver uma nova cultivar de algodão, o melhorista coloca todo o seu trabalho à disposição do consumidor final da semente, o cotonicultor. Seja para um rendimento maior, para resistência a determinadas doenças ou pragas ou outras características que tragam benefícios (EMBRAPA ALGODÃO).

Para garantir aos agricultores em qualidade e em quantidade suficiente de sementes, há um grupo formado por produtores, responsáveis por multiplicarem a trabalho realizado pelo melhorista. Os produtores de semente tem se organizado cada vez mais, no que se diz respeito a controle de qualidade e sistemas de avaliação, com o intuito de melhorar a qualidade do produto final.

A produção de sementes de algodão no Brasil vem se ampliando a cada ano visando, sobretudo, atender a expansão da área cultivada na região Centro-Oeste (GUERRA).

Este trabalho tem como objetivo conhecer os processos produtivos de um campo de sementes de algodão, assim como tomar conhecimentos da legislação e logística em torno desse processo.

2. ENTIDADES ENVOLVIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO

2.1 ENTIDADE CERTIFICADORA

Desempenha diferentes papéis no processo de produção de sementes certificadas.

É responsável pelo programa de melhoramento genético, dos quais as novas cultivares são registradas, protegidas e recomendas aos produtores. A entidade certificadora também exerce papel fiscalizador de todas as etapas do processo produtivo, podendo aprovar ou rejeitar o trabalho de produção da semente.

Guerra, em seu trabalho de inspeção fitossanitária em campos de produção de sementes de algodão destaca a importância de inspeções regulares de caráter fiscalizatório nos campos de produção de sementes, ressaltando a melhoria dos padrões fitossanitários dos materiais disponibilizados aos produtores comerciais e conclui que as fiscalizações servem para conscientizar os produtores de sementes quanto à necessidade de atendimento às exigências de mercado.

2.1 ENTIDADE PRODUTORA

Pode ser do setor público ou privado, sendo responsável pelo nível de qualidade constante do certificado. O produtor de sementes deve estar inscrito no RENASEM, dispor de área para tal fim, possuir infra-estrutura, recursos humanos e equipamentos e instalações adequados à produção de sementes. Além de encaminhar o mapa de produção e comercialização de sementes e manter à disposição do órgão de fiscalização projeto técnico de produção, laudos de vistoria, controle de beneficiamento, atestado de origem genética e boletim de análise das sementes produzidas.

2.3 ENTIDADE COOPERANTE

É indivíduo em cuja área agrícola serão produzidas as sementes. Quando a entidade produtora não dispõe de área suficiente para produzir toda a semente a que se propõe, faz contratos específicos com outros produtores para esse fim.

3. SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SEMENTES

O sistema de produção de sementes de sementes de algodão do Brasil prevê dois modelos de produção de sementes: o sistema de produção de semente fiscalizada e o sistema de produção de semente certificada.

O sistema de produção fiscalizada é menos rigoroso, com um controle e organização inicial, procurando selecionar e educar os produtores a fim de oferecer ao cotonicultor, uma semente de origem conhecida de produção controlada, a um custo mais acessível.

O sistema de produção de sementes certificadas divide-se em classes: i) Semente genética: é produzida sob responsabilidade do melhorista e mantida sob suas características de pureza genética. A partir desta é produzida a semente básica; i) Semente básica: produzida sob a responsabilidade do obtentor ou de uma instituição por ele autorizada. Em geral é a partir desta classe que se produz a certificada, dependendo da quantidade produzida; i) Semente fiscalizada: resulta da multiplicação da semente básica, certificada ou da própria fiscalizada, mantendo sua pureza varietal e identidade genética e produzida sob controle da entidade certificadora; iv) Semente certificada: resulta da multiplicação da semente básica, da registrada ou da própria certificada da categoria. É produzida pela entidade pela entidade produtora de acordo com as normas estabelecidas pela entidade certificadora. É a classe de semente que será disponibilizada aos produtores.

4. CUIDADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE SEMENTES

A EMBRAPA ALGODÃO cita alguns cuidados que o produtor de sementes deve ter conhecimento quanto ao manejo, isolamento de área e genético da cultura. i) taxa de cruzamento natural: também conhecida como alogamia. Considerada bastante baixa no cerrado devido a baixa população de abelhas silvestres e do uso constante de inseticidas, além de grandes extensões de lavouras cultivadas. Esta taxa varia de 0 a 15% no estado do Mato grosso; i) misturas mecânicas: podem ocorrer durante as operações de plantio, colheita, armazenamento, beneficiamento, ensacamento e deslintamento. Evitar plantios sucessivos de algodão numa mesma área, limpar máquinas entre beneficiamento de uma cultivar e outra, limpeza das colhedeiras e algodoeiras são algumas medidas preventivas que contribuem para a diminuição de misturas; i) degeneração genética natural: esse fenômeno ocorre de maneira natural, principalmente quando a cultivar é derivada de hibridação interespecífica. Evitar o plantio sucessivo de algodão e uma mesma área e isolar os campos de produção de sementes ajudam a minimizar esse problema; iv) o isolamento do campo de sementes de algodão deve levar em consideração as seguintes distâncias de acordo com a variedade: para campos de produção de sementes básica e certificada o isolamento da área deve ser de 50 metros quando houver barreira vegetal e de

800 metros quando não houver barreira vegetal. Já para o isolamento de campos de produção de sementes fiscalizada a distância ideal do isolamento é de 30 metros quando houver barreira vegetal e de 500 metros quando essa barreira vegetal não existir.

5. ESTABELECIMENTO DE CAMPO PARA PRODUÇÃO DE SEMENTES

O estabelecimento de um campo de produção de sementes requer uma série de medidas, cujo objetivo principal é evitar que as sementes sofram contaminação genética ou varietal durante qualquer uma das fases do processo produtivo. A EMBRAPA ALGODÃO cita medidas primordiais a serem tomadas visando a produção de sementes: i) definição da cultivar: as sementes deve ter pureza genética, origem e classe conhecida, ser livre de doenças e com alta germinação e vigor; i) registro do produtor ou contrato firmado com obtentor da cultivar; i) escolha da área: histórico do campo e da região, regime de chuvas, espécies ou cultivares produzidos anteriormente, plantas daninhas, pragas e doenças existentes, condições de fertilidade são alguns fatores a serem considerados na escolha da área; iv) Isolamento dos campos de produção: contribui para evitar a contaminação genética e varietal; v) purificação ou “roguing”: consiste na retirada de plantas indesejáveis que possam polinizar, produzir sementes que causem contaminação mecânica na colheita, plantas daninhas de difícil controle químico e plantas doentes.

6. PROCESSAMENTO E ARMAZENAMENTO

O processamento de sementes de algodão envolve etapas diferenciadas como o descaroçamento e deslintamento, além do armazenamento temporário no campo, que podem causar danos mecânicos e efeitos imediatos e latentes na sua qualidade (SILVA et al, 2006). De uma maneira geral, o roteiro seguido das sementes do campo até a usina consiste na colheita, armazenamento temporário por um mês no campo, transporte, armazenamento temporário por três meses na usina em forma de tulhas, transporte e beneficiamento em descaroçadores de serra ou de rolo, além é claro do processo de deslintamento das sementes que são armazenadas até a próxima semeadura.

Durante o armazenamento temporário, o línter presente nas sementes de algodão pode ser um importante veículo de disseminação de patógenos, que pode comprometer o sucesso da cultura. O línter também favorece a presença de fungos saprófitas que podem dificultar a detecção de microorganismos importantes (LIMA et al., 1982 apud SILVA et al., 2006). Dessa forma o deslintamento melhora a qualidade fisiológica das sementes por reduzir os microorganismos que se encontram na superfície das sementes.

Silva et al. (2006), em um trabalho que observaram o desempenho das sementes de algodão após o processamento e armazenamento submeteram as sementes ao deslintamento químico utilizando ácido sulfúrico concentrado na dose de 0,15L por quilo de semente por três minutos e depois lavadas com água corrente e neutralizadas com solução de carbonato de sódio, na proporção de 1kg de carbonato de sódio para cada 10L de água.

Após o deslintamento e a classificação, as sementes são embaladas em sacaria de papel e armazenadas, aguardando a próxima semeadura. O Serviço de Produção de Sementes Básicas da Embrapa Algodão, em Campina Grande-PB, recomenda o armazenamento das sementes de algodão por no máximo oito meses, nas condições ambientais e com teor de umidade abaixo dos 10%.

No trabalho realizado por SILVA et al. o armazenamento temporário das sementes de algodão em fardo no campo, por até 85 dias, não causa perda imediata da qualidade das sementes e completam que a porcentagem de germinação mantém-se dentro do padrão para o comércio por até seis meses após a colheita.

7. CONCLUSÃO

Para se produzir se sementes de algodão, é um processo simples, mas que exige de todas as pessoas e entidades envolvidas nessa cadeia produtiva uma atenção refinada, pois muitos produtores dependem dessas sementes para realizar seus campos produtivos.

8. REFERÊNCIAS

EMBRAPA AGROPECUÁRIA OESTE. Algodão: tecnologia de produção. Embrapa Algodão. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2001.

EMBRAPA ALGODÃO. Cultura do algodão herbáceo na agricultura familiar. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Algodao/AlgodaoAgriculturaFa miliar/sementes.htm>. Acesso em 26 fev 2011.

EMBRAPA ALGODÃO. Cultura do algodão no Cerrado. Disponível em <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Algodao/AlgodaoCerrado/semen tes.htm> Acesso em: 26 fev. 2011.

GUERRA, Wanderelei Dias. Resultados da inspeção fitossanitária em campos de produção de sementes de algodão (Gossypium hirsutum L.) com vistas a ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides) no estado de Mato Grosso, Brasil. V Congresso Brasileiro de Algodão.

SILVA, Josias Conceição da et al. Desempenho de sementes de algodão após processamento e armazenamento. Revista Brasileira de Sementes. v.28, n.1, p.79-85, 2006.

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