OS10970 aspectosdisfagia

OS10970 aspectosdisfagia

(Parte 1 de 3)

Aspectos da Disfagia

Letícia de Menezes Fraga

Fonoaudióloga graduada pela UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí.

Pós-graduada em Fonoaudiologia Hospitalar pelo CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica). Especialista no Método Neuroevolutivo Bobath no tratamento de crianças e bebês com distúrbios neuromotores. Fonoaudióloga das Casas André Luiz.

Solange Vóvio Calvitti

Fonoaudióloga graduada pela Faculdade de Ciências da Saúde São Camilo.

Especialista em Motricidade oral com enfoque em Disfagia orofaríngea pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia.

Aperfeiçoamento em Motricidade oral com enfoque em fala pelo CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica).

Especialista no Método Neuroevolutivo Bobath no tratamento dos distúrbios neuromotores em crianças e bebês. Fonoaudióloga das Casas André Luiz.

Maria Cláudia Lima

Nutricionista graduada pela Universidade Metodista de São Paulo.

Pós-graduanda em Nutrição Clínica pelo GANEP - Grupo de Apoio à Nutrição Enteral e Parenteral. Nutricionista Clínica das Casas André Luiz.

Monique Corsini Leitão

Nutricionista graduada pelo Centro Universitário São Camilo.

Especialista em Nutrição Clínica pelo GANEP - Grupo de Apoio à Nutrição Enteral e Parenteral.

Coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética das Casas André Luiz. Coordenadora Técnica da EMTN das Casas André Luiz.

2Educação Continuada – Nutrição na Maturidade

A disfagia é um sintoma de uma doença de base que pode acometer qualquer parte do trato digestório, desde a boca até o estômago(1). Os distúrbios que podem afetar as fases oral e/ou faríngea da deglutição são chamados de disfagias orofaríngeas.

A disfagia pode ser um sintoma de: a) doenças neurológicas, por lesões encefálicas que afetam a atividade muscular; b) doenças degenerativas, por perda progressiva da função muscular; c) câncer de cabeça e pescoço, por alterações mecânicas estruturais que afetam o transporte do alimento e d) senilidade (idoso), em virtude da fraqueza muscular e de fatores inerentes ao próprio envelhecimento(2).

A disfagia está diretamente associada à interrupção do prazer da alimentação e além de impedir a manutenção das condições nutricionais e de hidratação do indivíduo que, frequentemente, já as tem comprometidas, pode ainda agravá-las(3).

Aproximadamente 45% dos pacientes que apresentam câncer de cabeça e pescoço, desenvolvem disfagia orofaríngea. Em pacientes com doenças degenerativas, os valores oscilam entre 52 e 82% e nos idosos a disfagia orofaríngea atinge mais de 60%(4). Em casos de sequelas pós - AVC (acidente vascular cerebral), a prevalência de disfagia orofaríngea é de 30 a 50%(5, 4).

Fases da Deglutição

Fase antecipatória É uma fase voluntária e depende da vontade do indivíduo de se alimentar. Inicia-se com a escolha do alimento e o prazer alimentar(6).

Fase oral Também é uma fase voluntária. Inicia-se com a introdução do alimento na cavidade oral. Nela estão inseridos os processos de preparação do alimento, mastigação, o modo como o alimento é posicionado sobre a língua, a maneira como ele é conduzido para a faringe. Esta fase se inicia com o estágio de captação do bolo, seguida dos demais estágios responsáveis por encaminhar e preparar o bolo para ser enviado para a faringe(7,3).

Fase faríngea

É uma fase involuntária e refl exa. Inicia-se quando a deglutição é desencadeada com a presença do bolo alimentar na câmara faríngea. Durante essa fase ocorre a apnéia, controlada pelo tronco cerebral para auxiliar no processo de proteção das vias aéreas, evitando a aspiração laríngea do alimento(7, 3, 8).

Fase esofágica

Consiste no direcionamento do bolo alimentar do esôfago ao estômago, através da atividade motora esofágica. O esôfago recebe e conduz o alimento até o estômago, através da ação da gravidade e de uma contração denominada peristalse(7, 3).

Etiologia da Disfagia

Desordens neurológicas ou neurogênicas, ou seja, lesões que afetam o sistema nervoso central ou periférico, comprometendo a coordenação neural da deglutição (ex., sequela pós - AVC, traumatismo crânio-encefálico - TCE, paralisia cerebral, mal de Parkinson, mal de Alzheimer etc.).

Desordens mecânicas, ou qualquer alteração das estruturas envolvidas durante o processo de deglutição, como no caso do câncer de cabeça e pescoço, mal formações congênitas e ferimentos.

Desordens de origem psicogênica, por alterações emocionais, que levam a prejuízo no desempenho da deglutição.

Desordens por envelhecimento. Observa-se que no processo de envelhecimento ocorrem mudanças fi siológicas que interferem no processo de deglutição como por exemplo fl acidez muscular, xerostomia e uso de medicações.

Grau de gravidade da disfagia a) Muito Grave: restrição total por via oral (VO); b) Grave: dependente de nutrição enteral ou VO parcial; c) Moderada: restrições de duas ou mais consistências; a dieta é modifi cada e a hidratação restrita (dieta semi-sólida adaptada, pastosa e hidratação espessada); d) Leve/Moderada: restrição de uma ou duas consistências alimentares; a dieta pode ser

3Aspectos da Disfagia semi-sólida amassada ou umidifi cada e hidra- tação adaptada (espessada ou líquidos con- trolados).

e) Leve: restrição de alguma consistência alimen- tar ou necessitar de dieta modifi cada ou adap- tada (dieta semi-sólida e líquidos normais).

f) Funcional: dieta normal (consistência sólida e hidratação normal). O paciente necessita de um período maior para refeição.

g) Normal: dieta normal e exclusiva por VO. Não são necessárias estratégias ou compensações para deglutição.

Sintomas que podem acompanhar a disfagia

Existem alguns sintomas característicos que geralmente acompanham a disfagia:

1. Tosse ou engasgo com alimento ou saliva; 2. Pneumonias de repetição; 3. Refl uxo gastro-esofágico; 4. Febre sem causa aparente; 5. Sensação de bolo na garganta; 6. Recusa alimentar; 7. Sonolência durante as refeições;

8. Sinais clínicos característicos de aspiração, ou seja, ausência de tosse, voz com qualidade vocal molhada (gargarejo), dispnéia ou aumento de secreção em vias aéreas superiores.

Sinais esperados para um indivíduo disfágico

1. Dificuldade para realizar preensão oral do alimento;

2. Difi culdade durante a mastigação;

3. Redução do controle oral do alimento na ca- vidade oral;

4. Escape do alimento para a faringe; 5. Regurgitação nasal ou oral;

6. Lentifi cação para a manipulação e preparo do alimento para deglutir;

7. Engasgos freqüentes para qualquer consistência alimentar;

8. Insegurança e ansiedade no momento de refeição;

(Parte 1 de 3)

Comentários