Micoses Sistmicas - resumo

Micoses Sistmicas - resumo

Universidade Federal de Goiás - Campus Avançado de JataíCurso de Biomedicina - Microbiologia BásicaProf. Dr. Alexandre Braoios

Alunas: Andrielle A. Oliveira, Ângara N. R. de Lima e Sara P. Oliveira.

Micoses Sistêmicas, Micoses Oportunísticas e Outras Micoses.

Micoses Sistêmicas

As micoses sistêmicas (MS) apresentam diversas características em comum, entre elas: Distribuição geográfica limitada, com principal ocorrência nas Américas (exceto a criptococose); os agentes etiológicos estão presentes no solo ou em dejetos animais; a principal porta de entrada são as vias aéreas superiores.

As MS não são transmitidas homem a homem, nem de animal a homem. Os agentes etiológicos apresentam-se como dimórficos (exceto C. neoformans), isto é, em meio de cultura, entre 24-28°C, e na natureza apresentam colônias micelianas com hifas e conídeos. Já nos tecidos e em meios de cultivos especiais a 35-37 °C aparece a fase leveduriforme ou parasitária.

A patogenicidade destes fungos não é essencial para sua sobrevivência e disseminação; sendo mais de 90% das infecções assintomáticas ou de rápida evolução. A Resposta Celular a esses agentes consiste, em geral, em um processo granulomatoso.

PARACOCCIDIOIDOMICOSE: Possui como agente etiológico o Paracoccidioides brasiliensis. Um indivíduo pode adquirir a doença através da inalação de estruturas do fungo ou reativação de algum foco existente. O pulmão é o órgão mais freqüentemente atingido, seguido pela mucosa oral. Histologicamente as lesões na pele são abscessos ou lesões granulomatosas com necrose central. A paracoccidioidomicose do tipo juvenil é uma das manifestações mais graves.

O período de inbubação tem sido de 10 a 20 anos. O fungo vive no solo, em lugares úmidos e ricos em proteínas. Não é conhecida a presença de vetores. Afeta principalmente indivíduos adultos, do sexo masculino e dedicados a atividades agrícolas.

O diagnóstico é baseado no exame microscópico direto da amostra com pus, escarro etc., onde podem ser visualizados: células leveduriformes, fungos esféricos ou ovais com dupla membrana e paredes espessas e refringentes, com três ou mais brotamentos. Já nos tecidos, a estrutura em roda de leme é considerada patognomônica para P. brasiliensis. Em cultura há verificação de formas micelianas e leveduriformes dependendo da temperatura. Este é um fungo de crescimento lento (25-28° C, em ágar Sabouraud glicose - após 2 a 3 semanas: colônias brancas e lisas), produzindo micélio aéreo curto. Microscopicamente observam-se hifas septadas, com poucos conídios. A fase leveduriforme é obtida a 35 °C.

Além do exame microscópico do material coletado da lesão, também há testes sorológicos aos quais se pode recorrer na ausência desse material, com a reação de fixação do complemento e a precipitação em gel de ágar.

O tratamento é feito de acordo com a forma clínica e estado imunológico do paciente, com: sulfamidas com ou sem trimetoprima; anfotericina B; miconazol e itraconazol.

COCCIDIOIDOMICOSE: O agente etiológico dessa doença é o Coccidioides immitis, um fungo saprófita do solo, que sobrevive em áreas desérticas e semidesérticas. A infecção se dá pela inalação de artroconídios, os quais são facilmente transportados pelo ar e altamente resistentes às condições ambientais. Esses antroconídeos são viáveis por muitos anos e altamente infecciosos.

Em cortes de pulmão ou escarro são encontradas esférulas de parede espessa e birrefringente com numerosos endósporos. A ruptura das esférulas libra os endósporos, que desenvolvem novas esférulas, continuando o ciclo parasitário. Das pessoas infectadas, 40% desenvolvem uma pneumonia aguda com pleurisia, e em não mais de 5%, a doença evolui para quadro pulmonar crônico cavitário, semelhante à tuberculose. A infecção é freqüentemente assintomática.

A coccidiodomicose é endêmica em áreas desérticas da América do Norte, América Central e América do Sul, com casos esporádicos no Brasil. A maior incidência é em trabalhadores rurais, horticultores e vaqueiros.

O diagnóstico presuntivo depende de dados epidemiológicos, sintomas clínicos e geralmente se faz com avaliação da resposta à coccidioidina, da detecção de anticorpos, e da inoculação da forma micelial em camundongos. Em meios enriquecidos a 37°C há encontro de esférulas e hifas; em cultivos a 24-28°C surgem colônias brancas algodonosas a castanho-amareladas, ricas em artroconídios. Esférulas são encontradas em cortes teciduais.

A droga de escolha para o tratamento é a anfotericina B; miconazol, cetoconazol, itraconazol e outros derivados imidazólicos apresentam resultados limitados.

BLASTOMICOSE: Também conhecida como blastomicose norte-americana (por ser endêmica em certas regiões dos Estados Unidos), esta micose tem como agente etiológico o Blastomyces dermatitidis, fungo dimórfico, que nos tecidos apresenta-se como leveduriforme unibrotante e nos cultivos, à temperatura ambiente, aparece a forma miceliana. Trata-se principalmente de uma afecção pulmonar, mas pode também se estender a outras zonas.

A inalação de propágulos ou esporos é a forma de infecção. Uma vez dentro do organismo hospedeiro, o fungo pode se disseminar pela via hematogênica, e estabelecer-se em outros locais, com predileção pelos ossos e pele. Esta micose possui sintomatologia compatível com tuberculose, gripe, entre outras afecções respiratórias. Gera lesão tecidual após a inflamação granulomatosa, com microabcessos, onde se podem encontrar células leveduriformes típicas. Ocorre mais freqüentemente em adultos que praticam atividade rural.

O diagnóstico é feito pela observação direta dos fungos em material clínico, onde é possível visualizar estruturas típicas: células leveduriformes, parede espessa, brotamentos que se ligam à célula mãe por base larga. Em cultivo, a temperatura ambiente, esses fungos são filamentosos, brancos, e não característicos. Já, aos 36°C, ocorre reversão para formas leveduriformes, com elementos arredondados unibrotantes. As avaliações sorológicas até o presente não tem valor diagnóstico.

O tratamento se faz através de anfotericina B endovenosa ou itraconazol oral.

HISTOPLASMOSE: Possui como agente etiológico o Histoplasma capsulatum var. capsulatum, o qual é um fungo dimórfico, apresentando via parasitária como levedura e a vida livre como bolor. A contaminação ocorre a partir da inalação do fungo atingindo primariamente o pulmão. Na maioria dos casos é benigna, mas em casos raros pode levar até a seqüelas, podendo causar calcificações nodulares no pulmão. Possui como principal característica ser um parasita quase que exclusivamente do citoplasma das células do sistema reticulo endotelial.

O Histoplasma capsulatum possui distribuição cosmopolita, ocorre em solos com vegetais em decomposição e principalmente em solos ricos em dejetos de aves e morcegos.

O diagnóstico do Histoplasma capsulatum é de difícil visualização no exame microscópico direto do material clínico. O isolamento em cultura também pode ser feito, mas com um prejuízo devido ao tempo por ser demorado. Podem ser realizados testes imunológicos como o de fixação de complemento; Imunodifusão em gel e contra imunoeletroforese.O tratamento é feito com antifúngicos como Anfotericina e algumas drogas alternativascomo Cetoconazol e Itraconazol.

CRITOCOCOSE: A critococose é uma infecção subaguda ou crônica causada por Cryptococcus neoformans. Posui ter variantes: Cryptococcus neoformans var. neoformans, Cryptococcus neoformans var. gatii e Cryptococcus neoformans var. grubbi; que podem diferir em: aspetos bioquímicos, ecológicos, antigênicos e genéticos. Possui vida parasitária nos tecidos, o microorganismo aparece como célula leveduriforme, capsulada e em algumas vezes com brotamento. É uma micose oportunista, mas já existi relados de casos clínicos em indivíduos não imunocomprometidos.

Possui distribuição universal, seu isolamento comum é no solo, principalmente contendo fezes de pombos, ocos de árvores e nas folhas de eucalipto. Mas seu isolamento já foi relatado em leite e em sucos de frutas. É encontrado no ambiente capsulado e de pequeno diâmetro o q facilita sua entrada nos alvéolos pulmonares. Possui 5 sorotipos: A, B, C, D e AD, e dois sorogrupos: A/D e B/C.

A contaminação se dá por inalação do fungo, o primeiro órgão atingido é o pulmão, tendo tropismo pelo SNC, podendo levar a meningite criptocócica. A criptococose e a candidíase são umas das principais infecções q acometem paciente com AIDS. Como principais fatores de virulência podemos citar a cápsula e as enzimas como proteinases, fosfolipases, uréases e fenol-oxidase. O diagnostico é feito pelo exame microscópico dos matérias clínicos como escarro, pus e liquor, utilizando-se a técnica de contraste pela tinta da china o Nankim. Pode também ser feito cultura onde as leveduras tem forma esférica, reproduzindo-se por brotamento, geralmente unipolar. Testes imunológicos também podem ser feitos como aglutinação em látex para antígeno criptocócico.

O êxito do tratamento está na dependência do diagnóstico precoce e do estado geral do individuo. Anfotericina B tem sido empregada isoladamente ou em associação com 5-fluorcotisina. O fluconazol tem sido atualmente empregado também.

MICOSES OPORTUNISTAS E OUTRAS MICOSES

Micoses oportunistas são infecções cosmopolita causada por fungos de baixa virulência mas ao encontrar condições favoráveis como distúrbios do sistema imunológico desenvolvem poder patogênico invadindo os tecidos. Podem ser classificados em fatores intrínsecos próprios do hospedeiro e fatores extrínsecos.

Os critérios que determinam se é micose oportunista são: observação do fungo ao exame microscópico direto ou biópsia, cultura seriada, e não identificação de outro agente patogênico. Dentre as micoses oportunistas temos: Aspergillus spp, Candida spp, Mucor spp, Rhizopus spp e Cryptococcus neoformans.

CANDIDíASE: Também denominada candidose, é infecção causada por fungos do gênero Candida spp. sendo o agente Candida albicans. Pode ser isolados na boca, tubo digestivo, intestino, orofaringe, vagina e pele de indivíduos sadios. O fungo tem poder invasor em pessoas com doenças crônicas, debilitados por tratamento prolongado com antibióticos e drogas imunossupressoras. Podem ser conhecidos alguns tipos de candidiase como: na mucosa oral, estomatite/sapinho, na mucosa vaginal, balanite em homens, candidíase cutâneo-mucosa crônica – rara, candidíase cutânea generalizada - crônica e ainda candidíase sistêmica – grave.

A Candida é muito ampla no ambiente, faz parte da microbiota normal e podem participar de algumas patologias. Ocorre no solo contaminado por dejetos humanos e animais.

O diagnóstico é feito através do exame direto do espécime clínico. A forma invasiva, a biópsia ou raspado pode ser realizado encontrando-se hifas com células leveduriformes. As diferentes espécies de Candida podem ser isoladas em Àgar Saboraud glicose. A classificação das espécies se baseia em provas fisiológicas de assimilação de fontes de carbono e de nitrogênio e de fermentação de açucares. Métodos automatizados também são utilizados para diagnostico, mas devem ser usados de maneira cautelosa, com interpretação adequada. Pode-se salientar como fatores de virulências: dimorfismo, switching, adesinas e produção de enzimas: proteinases e fosfolipases. O tratamento é ralizado com Nistatina, Anfotericina B, Pimaricina e Imidazólicos. Violeta de genciana e acido bórico tem sido empregados, dependendo da escolha, da forma clinica da micose e do estado do paciente.

ZIGOMICOSES: São micoses produzidas por zigomicetos e compreende as mucormicoses e as entomoftoromicoses.

MUCORMICOSES: Etiologia e Patogênese - São geralmente graves e têm como os principais agentes: Mucor ramosissimus, M. pusillus, Absidia corymbifera, Rhizopus oryzae, Rhizomucor sp., Cunninghamella bertholettiae. A infecção pode localizar-se nos seios paranasais, cérebro, pulmões, aparelho digestivo e em outros órgãos. A característica fundamental é a invasão dos vasos sanguíneos pelas hifas do fundo responsável pela infecção. Tipos de mucormicose: Mucormicose Rinocerebral, Mucormicose Pulmonar e Mucormicose Intestinal.

Epidemiologia - Os agentes das mucormicoses são fungos ubíquos, termotolerantes, vivem em material orgânico e, são encontrados em pães úmidos, no solo e vegetais. A infecção pode ser adquirida por via áerea, digestiva ou mucocutânea. Ocorre, praticamente, só em indivíduos imunocomprometidos e não há transmissão de homem a homem.

Diagnóstico - É dado pela demonstração do fungo nas secreções, nos tecidos e pela cultura do material clínico. Nos tecidos infectados corados pela hematoxilina ou colorações específicas são visualizadas hifas não septadas, largas, com ramificações em ângulo reto, invadindo as paredes dos vasos e colonizando a sua luz. A indentificação dos diferentes gêneros tem por base as suas características morfológicas em cultivo.

Tratamento - Deve ser precoce. Anfotericina B têm sido empregada por via endovenosa.

ENTOMOFTOROMICOSE: Etiologia e Patogênese - São micoses crônicas. Causadas por fungos da ordem Entomophthorales, sendo os agentes etiológicos – Conidiobolus coronatus e Basidiobolus ranarum. Não há comprometimento vascular intenso como nas mucormicoses.

Epidemiologia - Infecções por Basidiobolus ranarum são mais frequentes em crianças e as manifestções por Conidiobolus coronatus são mais comuns em adultos.

Diagnóstico - É feito pela identificação do fungo em material de biópsia e pela cultura em meio ágar Sabouraud glicose.

Tratamento - Uso de anfotericina B e o prognóstico é bom.

ASPERGILOSES: Etiologia e Patogênese - É causada por diferentes espécies do gênero Aspergillus. Aspergillus fumigatus, A. flavus, A. niger, A. terreus, A. nidulans e A. restrictus são as mais frequentes. Os aspergilos têm ampla distribuição geográfica, encontrando-se no solo, no ar, em plantas, em matéria orgânica em geral. A infecção pode localizar-se nos pulmões, ouvido, SNC, olhos e outros órgãos. É diagnosticada em indivíduos imunodeprimidos. Aspergilose Pulmonar é uma das manifestações clínicas mais importantes. Quando o fungo está na superfícies do brônquio o paciente apresenta apenas uma bronquite. Pode ser observado, outras vezes, processos pneumônicos parenquimatosos.

Epidemiologia - O aspergilo é um fungo ubíquo. A aspergilose alérgica ou de hipersensibilidade é comum em granjeiros, horticultores e jardineiros. Casos de infecção hospitalar por aspergilos têm sido relatados.

Diagnóstico - Feito pela demonstração do fungo nas secreções, tecidos, pelo cultivo e/ou pelas provas sorológicas. Características morfológicas dos aspergilos no material clínico são hifas septadas, ramificadas dicotomicamente, irradiando de um ponto. A cultura serve para confirmação diagnóstica e diferenciação das espécies.

Tratamento - Depende da forma clínica. No aspergiloma cavitário pulmonar são feitas medidas cirúrgicas e o uso de anfotericina B.

MICOSES OCULARES: Etiologia e Patogênese - A infecção localiza-se nos canais lacrimais, conjuntiva ocular, camada córnea e intra-ocularmente. A disseminação é por via hematogênica. Os agentes etiológicos são: Aspergillus spp., Cephalosporium spp., Fusarium spp., Curvularia spp., Penicillium spp. e C. albicans. São microorganismos cosmopolitas. Habitam em solo e fragmentos de vegetais.

Diagnóstico - É feito um exame do material colhido por raspado das lesões. E o fungo é observado em material clínico e em meio de cultura. Quanto aos achados microscópicos têm-se formas em gemulação e pseudo-hifas podem caracterizar Candida spp., a visualização de hifas longas não-septadas, um zigomiceto, hifas septadas claras de diâmetro uniforme indicam fungos hialinos como Aspergillus spp. e Fusarium spp..

Tratamento - A droga de escolha é a pimaricina. E os tratamentos alternativos são a anfotericina B, imidazóis e nistatina. Diagnóstico precoce e a terapia específica são essenciais para o sucesso do tratamento.

OTOMICOSES: Etiologia e Patogênese - É uma infecção subaguda ou crônica. Os fatores predisponentes são a umidade e o calor. Agentes etiológicos – Aspergillus niger (90%), A. fumigatus, A. parasiticus, A. flavus, Penicillium spp. e Candida spp.

Diagnóstico - Laboratorial consiste no exame direto do material clínico, clarificado por KOH a 10-20%. São visualizados fragmentos micelianos e conidióforos com vesícula indicam a presença de fungos do gênero Aspergillus. A identificação deve ser feita em cultivo, em meio ágar Sabouraud glicose, incubado entre 25°C e 37 °C.

Tratamento - Consiste na limpeza do conduto auditivo e posterior aplicação de solução de timerosal. Antifúgicos como imidazóis e, mais recentemente, tolciclato têm-se mostrado eficazes.

REFERÊNCIAS:

Trabulsi & Alterthum. Microbiologia. 5ª edição. 2008

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