01- COSMETOLOGIA - história, definiç¦o, legislaç¦o e mercado

01- COSMETOLOGIA - história, definiç¦o, legislaç¦o e mercado

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COSMETOLOGIA

INTRODUÇÃO

A busca da beleza e da juventude gera exigências cada vez maiores dos pacientes no desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas e de novos procedimentos estéticos, pois, com o avanço da idade, a pele começa a sofrer alterações como aparecimento de rugas, diminuição da espessura da epiderme, ressecamento, que modificam seu aspecto caracterizado pelo envelhecimento cutâneo.

A cosmética e os bioativos: atuam nas estruturas externas do corpo humano (pele e cabelos) de forma idêntica aos processos vitais, auxiliando o metabolismo com o objetivo direcionado a prolongar a juventude e retardar o envelhecimento.

A aparência pessoal é hoje requisito de grande importância em todos os segmentos, levando a população atual a dar maior valor a sua aparência, e buscar nos cosméticos as ferramentas para essa realização.

HISTÓRICO

O uso de cosméticos remonta há pelo menos 30.000 anos. Os homens da pré-história faziam gravações em rochas e cavernas, e também pintava o corpo e se tatuavam.

Rituais tribais praticados pelos aborígines dependiam muito da decoração do corpo para proporcionar efeitos especiais, como a pintura de guerra. A religião era, também, uma razão para o uso desses produtos: Cerimônias religiosas freqüentemente empregavam resinas e ungüentos de perfumes agradáveis. A queima de incenso deu origem a palavra perfume, que no latim quer dizer "através da fumaça".

Aparentemente os Egípcios foram os primeiros usuários de cosméticos e produtos de toucador (produtos de penteadeira, produtos de toalete) em larga escala. Alguns minérios foram usados como sombras de olhos e rouge, assim como usavam extratos vegetais, como a henna. A famosa Cleópatra se banhava com leite de cabra para ter uma pele suave e macia, e incorporou o símbolo da beleza eterna. Também nesta época os faraós eram sepultados em sarcófagos que continham tudo o que era necessário para se manter belo. No sarcófago de Tutankamon (1400aC) foram encontrados cremes, incenso e potes de azeite usados na decoração e no tratamento.

Durante a dominação Grega na Europa, 400aC, os cosméticos tornaram-se mais do que uma ciência, estavam menos conectados aos religiosos do que aos cientistas, que davam conselhos sobre dieta, exercícios físicos e higiene, assim como, sobre cosméticos.

Nos manuscritos de Hipócrates, considerado o pai da medicina, já se encontrava orientações sobre higiene, banhos de água e sol, a importância do ar puro e da atividade física. Nesta época, século II aC, venerava-se uma deusa da beleza feminina, chamada Vênus de Milo.

Na era Romana, por volta de 180dC, um médico grego chamado Claudius Galeno realizou sua própria pesquisa científica na manipulação de produtos cosméticos, iniciando assim a era galênica dos produtos químico-farmacêuticos. Galeno desenvolveu um produto chamado Unguentum Refrigerans, o famoso Cold cream, baseado em cera de abelha e bórax.

Os famosos banhos romanos eram centros de discussões e reuniões sociais para os senadores e aristocratas da época, mas caíram posteriormente em atos imorais condenados pela religião.

Também nesta época surgiu a alquimia, uma ciência oculta que se utilizavam de formulações cosméticas para atos de magia e ocultismo. Também foi nesta época que Ovídio escreveu um livro voltado a beleza da mulher "Os produtos de beleza para o rosto da mulher," onde ensina a mulher a cuidar de sua beleza através de receitas caseiras.

Com a Idade Média vieram os anos de clausura para a ciência cosmética, um período em que o rigor religioso do cristianismo reprimiu o culto à higiene e a exaltação da beleza, impondo recatadas vestimentas. Esta época também chamada de "Idade das Trevas" foi muito repressiva na Europa, onde o uso de cosméticos desapareceu completamente, por isso também é chamada de "500 anos sem um banho".

As Cruzadas devolveram a este período os costumes "do culto a beleza e a ternura", que se incluíam os cosméticos e os perfumes.

Com o Renascentismo e com o descobrimento da América, no século XV, percebemos o retorno a busca do embelezamento. Todos os costumes e hábitos de vida da época são retratados pelos pintores, como por exemplo, a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, que retrata a mulher sem sobrancelhas, face ampla e alva, de tez suave e delicada.

Miguelangelo também retrata na Capela Cistina os anjos, apóstolos, Maria - mãe de Jesus - e outros personagens, de forma clara, jovial cuja beleza é exaltada em sua plenitude. Porém, a falta de higiene persiste e os perfumes são criados para mascarar o odor corporal.

Durante a Idade Moderna, séculos XVII e XVIII, notam-se a crescente evolução dos cosméticos e também a utilização de perucas cacheadas. Neste período ainda persistiam os costumes de não tomar banho regularmente, o que proporcionou o crescimento da produção de perfumes, tornando-se de grande importância para a economia francesa desde o reinado de Luiz XIV. Contudo, o grande salto dos perfumes se deu quando Giovanni Maria Farina, em 1725, estabeleceu-se em Colônia, na Alemanha. Lá ele desenvolveu a famosa "água de colônia".

No final deste século, os Puritanos, liderados por Oliver Cromwell, trouxeram outro período, no qual o uso de cosméticos e perfumes ficou fora de moda. Este, talvez, tenha sido o período mais negro da história dos cosméticos, principalmente quando o Parlamento Inglês em 1770 estabeleceu que: "Qualquer mulher... que se imponha, seduza e traia no matrimônio qualquer um dos súditos de Sua Majestade, por utilizar perfumes, pinturas, cosméticos, produtos de limpeza, dentes artificiais, cabelos falsos, espartilho de ferro, sapatos de saltos altos, enchimento nos quadris, irá incorrer nas penalidades previstas pela Lei contra a bruxaria e o casamento será considerado nulo e sem validade."

Já na Idade Contemporânea, século XIX, os cosméticos retomaram a popularidade. Os cosméticos e produtos de toucador eram feitos em casa, cada família tinha suas próprias e favoritas receitas. As mulheres passaram a expor um pouco o corpo e tomavam banho utilizando trajes fechados.

Foi um período rico para o surgimento de indústrias de matérias-primas para a fabricação de cosméticos e produtos de higiene nos Estados Unidos, França, Japão, Inglaterra e Alemanha. Estávamos presenciando o início do mercado de cosméticos e produtos de higiene no mundo.

No início do século XX, os cosméticos saíram das cozinhas e passaram a ser produzidos industrialmente. A liberação da mulher foi o fator fundamental para o sucesso dos cosméticos, uma vez que não se pode falar em cosméticos sem falar em mulher.

Helena Rubinstein (Cracóvia, 25 de dezembro de 1871Nova York, 1 de abril de 1965) foi uma empresária e cosmetólogapolonesa-estadunidense. Nascida na Polônia na época em que esta fazia parte do Império Austro-Húngaro, com 18 anos mudou-se para a Austrália onde começou a misturar fórmulas médicas e pomadas. A pele das mulheres australianas sofria devido aos efeitos do calor, do clima seco, impressionada por isso, Helena Rubinstein abriu seu primeiro salão de beleza, em 1902. Mais tarde, em 1908, ela abre outro em Londres, e logo em seguida um em Paris, 1912, e Nova York, 1914.

Desde 1917 Helena Rubinstein fabrica e distribui seus produtos em grande escala. Foi a fundadora da Helena Rubinstein, Incorporated e se tornou uma das mulheres mais ricas do mundo e tornou a principal força no desenvolvimento da indústria de beleza.

Elizabeth Arden: cursou e se formou em enfermagem. Anos mais tarde, em sua cozinha, começou a formular cremes para queimaduras e elaborou loções e pastas cosméticas, utilizando gorduras, leites e outras substâncias. Essas substâncias eram diferentes das dos médicos da época, e tinham finalidades hidratantes e nutritivas. Logo a sua cozinha passou a ser seu laboratório, e ela começou a dedicar seu tempo em busca do creme perfeito. Aos 30 anos de idade foi para Nova York conheceu um químico e juntos começaram a elaborar o “creme perfeito”, o seu grande sonho. No mesmo tempo ela foi trabalhar em um salão de beleza e dominou a arte da massagem facial orientada e treinada pelo maior especialista da época. A partir daí, Florence Nightingale Graham estava se tornando uma esteticista.

Em 1910, ela abriu seu primeiro salão de beleza em uma loja na Quinta Avenida e com sua visão empreendedora, mudou seu nome para Elizabeth Arden e instalou na loja uma porta vermelha luminosa, começando também a divulgar seu negócio com o a propaganda de seus cremes e de sua massagens relaxantes e rejuvenecedoras. Já como Elizabeth Arden, começou freqüentar lugares importantes da sociedade e foi assim que seu salão logo passou a ser conhecido como o melhor da cidade. A partir daí, viajou muito e expandiu os negócios por todo o mundo, montando filiais em vários lugares, construiu um verdadeiro império da beleza. Promoveu a prática da maquiagem, divulgando a pintura dos olhos no estilo “olhar total”, o uso do ruge e do pó, sendo a maquiagem expressiva a última moda em Paris.

Elizabeth Arden idealizou a beleza completa, com a pele tratada com cremes e loções específicas para adstringir, tonificar e hidratar, e em seguida a isso o uso da maquiagem. Fez do seu salão um perfeito complexo da beleza. Em 1920, mais de cem produtos levaram a marca Elizabeth Arden, chegando a dominar o mundo – em 1930 havia em sua linha mais de 600 produtos, sua marca era uma das mais conhecidas do planeta. Quando começou a Segunda Guerra Mundial, Elizabeth lançou um batom vermelho chamado Montezuma Red, o qual era para ser usado pelas mulheres das forças armadas, para dar vida aos uniformes e um toque a mais de feminilidade.

A cosmetóloga morreu aos 88 anos, deixando uma herança de fórmulas de cremes e loções e maquiagem de qualidade. Sendo uma mulher modelo de determinação, confiança, poder e luta, fez seu sonho se tornar realidade, tornando-se um ícone feminino. Tanto assim que seu nome virou sinônimo de luxo e glamour.

Elizabeth Arden e Helena Rubinstein foram desafiadas por Charles Revson, para desenvolverem um moderno creme rejuvenescedor.

Revlon: Empresa norte-americana fundada em 1932, pelos irmãos Charles e Joseph Revson, juntamente com o químico Charles Lachman. Ao procurar um nome para a marca, os três utilizaram o sobrenome Revson, mas com uma pequena mudança: a letra L, de Lachman, foi colocada no lugar da letra S. O primeiro produto de sucesso da Revlon foi um verniz de unha, chamado posteriormente de esmalte.

Em apenas seis anos depois de sua criação a empresa já alcançava lucros milionários.

Max Factor: Em 1909 um senhor de nome Max Factor, maquiador de origem polonesa, que começou sua carreira maquiando os integrantes do Royal Ballet na Rússia, inaugurou uma pequena loja no centro teatral na cidade de Los Angeles.

No ano de 1914 criou a primeira maquiagem especificamente para personagens de filmes, uma espécie de graxa cosmética em forma de creme com 12 tipos de graduações de cores. Começou com maquiagem para teatro, na costa oeste dos Estados Unidos, mas logo percebeu o potencial do mercado doméstico de consumo.

Avon

David McConnell (1886) vendia livros (incluindo Bíblias) de porta-em-porta e adotou a estratégia de presentear com pequenas amostras de perfume cada venda. Ele rapidamente percebeu que seus clientes estavam mais interessados nos perfumes do que nos livros. No início a empresa se chamava Perfumaria Califórnia e passou a ter o nome definitivo numa homenagem à terra onde nasceu William Shakespeare cuja cidade tem o nome Startford-on-avon, assim surgiu a gigante empresa Avon.

Curiosidades:

  • O grande diferencial da Avon sempre foi a venda de porta em porta, principalmente aquela feita por mulheres.

  • Apesar de a idéia ter sido de McConnell, foi uma mulher chamada Florence Albee que formou o primeiro grupo de revendedoras dos produtos da empresa.

  • Atualmente a Avon atua em 140 países. São mais de 3 milhões de revendedoras espalhadas pelo mundo, 700 mil só no Brasil.

No Brasil

Na segunda metade do século, uma nova empresa surgia na Rua Oscar Freire em São Paulo, onde dois jovens talentosos desenvolviam produtos de beleza e ensinavam a forma correta de utilização, nascia ali a Natura Cosméticos.

Em Curitiba-PR, o farmacêutico Miguel Krigsner, transformou sua pequena farmácia de manipulação aberta em 1977 (que manipulava fórmulas galênicas e perfumes), na maior rede de franquias de perfumaria e cosméticos do mundo. E que em pouco tempo despontou para a indústria cosmética, transformando-se em O Boticário.

A CRONOLOGIA DOS COSMÉTICOS

Higiene e banheira nos últimos 300 anos:

1700: A limpeza da pele é realizada esfregando-se o corpo com uma toalhinha de fibra de linho, ocasionalmente embebida com perfume.

1950:

Timidamente aparece o leite de limpeza, sendo às vezes substituído por óleos. Gradualmente as mulheres renunciam ao sabonete comum e começa o conceito de “limpeza facial”.

1955: Exclusivamente para fins terapêuticos é lançada a primeira banheira hidromassagem.

1960:

Surge os primeiros produtos específicos para a banheira (banho de espuma).

2003: Hoje existe no mercado inúmeras opções de banheiras, bem como, cosméticos específicos para o banho em geral.

Cremes milagrosos e tecnologia:

1540:

Catarina de Médici apresenta para os franceses todo o segredo das artes cosméticas, preparadas com formulações especiais trazidas da Itália.

1957:

Com suporte científico é desenvolvido o primeiro creme "biológico", Skin Life, de Helena Rubinstein.

1975:

O primeiro creme hidratante para agir profundamente na pele é o Visible Difference, de Elizabeth Arden.

1980:

Através da moderna biotecnologia os cremes clássicos são substituídos pelos soros, que agem em simbiose com a pele. Algumas gotas proporcionam vida nova ao rosto.

1990:

Em laboratórios científicos, a pele é reproduzida "in vitro", e suas características estudadas.

Os tratamentos modernos são mais inteligentes, agindo em sintonia com os mecanismos que governam as células.

Cheirinho bom... Perfumes

1800:

Desejando emanar um perfume agradável, as damas da sociedade fazem costuras sobre as roupas com sachês recheados com flores secas como, lavanda e pétalas de rosas.

1921:

É criado o Chanel nº 5, o primeiro perfume que usa essências sintéticas, obtidas quimicamente.

2001:

Nos EUA está em voga a injeção anti-sudorese. A prática é feita nas axilas e tem eficácia de 6 meses.

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