Engenharia de Produção artigo

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GESTÃO DA PRODUÇÃO: SINÔNIMO DE SUCESSO PARA AS EMPRESAS

Nayara Thais dos S. Rodrigues¹

nayarathais@rocketmail.com

¹Curso de Engenharia de Produção da Unijorge

RESUMO

O presente trabalho teve por objetivo descrever o que é a engenharia de produção, sua história, suas áreas de atuação, mercado de trabalho e o seu papel dentro das empresas. A proposta desse artigo foi apresentar a área de gestão da produção ou gestão de operações, que é uma das mais necessitadas pelas empresas por ter um papel fundamental, nos ramos de planejamento do negócio, na gestão de demanda, no planejamento operacional e no controle da produção. O profissional de gestão da produção deve estar capacitado para fazer com que a produção seja sustentável e viável socialmente, economicamente e ambientalmente. São apresentados dois exemplos de atuação para a gestão da produção, um disk-pizza e uma empresa maior, de manufatura. Conclui defendendo que o gestor da produção deve sempre estar apto a fazer com que a empresa de sua atuação se torne cada vez mais competitiva no mercado.

Palavras-chave: Engenharia de Produção, gestão da produção, planejamento, controle, viabilidade e competição.

INTRODUÇÃO

Juntamente com a globalização veio a exigência do cliente, que busca ao mesmo tempo qualidade e preço baixo. Surgiu então a necessidade da criação de um profissional para a área de gestão dentro das empresas, para atuar não apenas na administração em si, mas ter capacidade de fazer cálculos e projeções futuras, daí então o engenheiro de produção.

A engenharia de produção é um curso bastante procurado, principalmente pelo fato da competição entre as empresas estar cada vez maior, pois um profissional bem capacitado desse ramo dentro de uma empresa pode ser o fator determinante para a qualidade, viabilidade e conseqüentemente para o sucesso da mesma. Segundo a Associação Brasileira de Engenharia de Produção, há dez áreas que o aluno pode seguir, dentre elas, está a gestão da produção, uma das mais importantes e requisitadas pelas empresas, tendo como principais funções a demanda, planejamentos operacional, do negócio e o controle da produção.

1 ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

A engenharia de produção (EP) tem como objetivo promover a expansão do consumo através da maior eficiência dos sistemas produtivos e da redução do custo dos serviços e das mercadorias. Para isso, é preciso conhecer muito bem o mercado, o nível de desenvolvimento do país e a sua distribuição de renda. Esses aspectos fazem da EP uma das áreas profissionais mais dinâmicas e desafiadoras. O profissional dessa área, além de garantir a qualidade de vida da população, com a produção de bens que socorrem as suas necessidades, tem como alvo inventar um sistema de produção auto-sustentável, no qual as pessoas trabalhem em equipe para galgar juntos a melhoria crescente dos processos da produção e do desempenho organizacional. (GUIA DO ESTUDANTE, 2009)

Através de conhecimentos da economia, engenharia e administração, o engenheiro de produção consegue racionalizar o trabalho, aperfeiçoar técnicas de produção e organizar as atividades comerciais, logísticas e financeiras de uma empresa. Define a forma mais eficiente para que essa organização seja eficiente, considerando os mais diversos objetivos e restrições, tais como a localização, o custo, a qualidade, o impacto ambiental, entre outros. Sua atuação é vista em todo o ciclo de vida do produto ou do serviço. Ou seja, na sua invenção, na busca de matérias-primas, na fabricação, na montagem, na propaganda, na venda e na entrega ao cliente, incluindo os problemas de logística, de transporte de peças e de produtos finais. (GUIA DO ESTUDANTE, 2009 e GRADUAÇÃO USP, 2009)

Ele deve estar sempre preocupado com a questão ambiental, buscar novas tecnologias que possam favorecer uma produção sustentável para com os recursos naturais. A questão humana não pode ficar de fora, esse engenheiro deve priorizar o desenvolvimento de técnicas e métodos o qual seja viável o trabalho humano onde não traga riscos à saúde do empregado, tipo doenças e desânimo. Logo, se a mão-de-obra for eficiente, a produção também será. Dessa maneira a empresa terá uma boa reputação e enfim, aumentarão os clientes juntamente com os lucros. Diferentemente das outras engenharias, a de produção age nos aspectos técnicos ligados ao sistema como um todo, portanto seu campo de trabalho ultrapassa os limites da indústria. Os empresários contam com essa especialização para que seu produto os serviço possa competir no mercado internacional e ao mesmo tempo, proporcionar a população bens com preços mais baixos e com alta qualidade. (RODRIGUES, 2009, GUIA DO ESTUDANTE, 2009 e GRADUAÇÃO USP, 2009)

1.1 HISTÓRICO

A EP começou há mais de um século, junto com a administração científica , teoria administrativa criada por Frederick Taylor. Este, reconhecido como precursor da Engenharia de Produção, não era acadêmico e desenvolveu sua carreira numa siderúrgica americana (para a época, é como se fosse uma empresa do nível da Microsoft dos dias de hoje). Começando como torneiro-mecânico, era ativo no processo da produção, portanto já era preocupado com os desperdícios de recursos, de tempo e dos esforços das pessoas, ele não era engenheiro, mas pensava como um.

Com um cronômetro e um método que consistida em atentar para as fases da produção, ou seja, seu início, seu final e outras atividades, Taylor tentava fazer com que o tempo de produção fosse minimizado. Essa idéia foi fundamental para acontecer uma revolução no plano empresarial, onde se mudou a lógica da organização da indústria e deu início a mais uma área do conhecimento chamada Engenharia Industrial ou Engenharia de Produção. Ao ser colocada em prática, essa idéia favoreceu a muitas empresas, um exemplo foi Henry Ford, o primeiro fabricante de automóveis que produzia em grande volume e a baixo preço, viabilizando a compra de acordo com os recursos de cada consumidor.

Alguns conceitos bases usados por Ford e por outras empresas como a Singer, foi a intercambialidade, ou seja, diferentes empresas eram contratadas para fabricar cada componente padronizado, por exemplo, uma era de parafuso, outra era de pneu, entre outras. Outro conceito foi o de linha de montagem, ou seja, a mesma parte do carro era montada em respectiva parada. Isso fora a base para a criação da indústria automobilística atual. Taylor já visava maior eficiência, não apenas aos processos e produtos, mas ao trabalho humano. Entre seus métodos estava o estudo de tempos e a padronização do trabalho, que fala como o trabalho deveria ser efetivado. (FLEURY, 2008 e GRADUAÇÃO USP, 2009)

1.2 O CURSO

Com duração média de cinco anos, nos primeiros semestres o curso é parecido com as demais engenharias, pode-se até haver intercâmbio entre uma e outra, há bastante cálculo, como física, matemática, química e informática. A partir do terceiro ou do quarto semestre (depende da universidade e da matriz curricular), já começam as matérias específicas da engenharia de produção, como organização do trabalho, gestão de investimentos, etc. Nos últimos anos, há administração e economia. Na etapa final, o aluno começa o estudo específico da habilitação escolhida e para se diplomar é necessário fazer estágio e apresentar uma monografia. (GUIA DO ESTUDANTE, 2009)

1.2.1 Áreas da Engenharia de Produção

Segundo a Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO, 2009), há dez áreas mais importantes que o graduando em EP pode seguir. Sabendo que gestão significa planejar, executar e controlar as atividades, garantindo os recursos necessários e a qualidade do resultado final (GRADUAÇÃO USP, 2009). Essas áreas são:

  • Gestão da Produção: Atua em tarefas complexas, desafiadoras e estimulantes, como o planejamento de uma nova fábrica, definição e construção de novas linhas de produção. Pretende fiscalizar a qualidade do produto em todo o seu processo de produção, além de ter uma visão sustentável (GRADUAÇÃO USP, 2009)

  • Gestão da Qualidade: Adota conceitos para melhorar a qualidade de suas atividades, gerenciamento e operação do sistema de qualidade é uma das subáreas dessa gestão. É importante o domínio de ferramentas e técnicas para uma fiscalização minuciosa da produção. (CARVALHO, 2008)

  • Gestão Econômica: Envolve aspectos financeiros, configura-se muito importante nos vários custos os quais uma empresa recorre para disponibilizar bens e serviços aos seus clientes. O gerenciamento adequado dos custos e dos lucros é de suma importância para o crescimento da empresa. (BORNIA, 2008)

  • Ergonomia e Segurança do Trabalho: Tem como proposta, a preservação da integridade física e psicológica do trabalhador. Adota uma série de normas de segurança para cada campo de atuação, essas normas vão desde avisos de perigo, como também uniformes especiais até a maneira que o trabalhador se coloca na frente do computador. Isso traz organização e segurança para o ambiente de trabalho. (MÁSCULO, 2008)

  • Gestão do Produto: Enfatiza bastante a natureza da atividade de projeto dos produtos, permitindo ao estudante explorar com detalhes a realidade dessa atividade, assim como a tipologia de projetos. (NAVEIRO, 2008)

  • Pesquisa Operacional: É a aplicação de métodos científicos a problemas complexos para auxiliar no processo de tomada de decisões, tais como projetar, planejar e operar sistemas em situações que requerem alocações eficientes de recursos escassos. Ou seja, é uma abordagem científica para a tomada de decisões. (MORABITO, 2008)

  • Gestão Estratégica e Organizacional: Visa identificar e compreender a relação entre a estratégia de uma organização e a forma pela qual esta influencia e é influenciada pela estrutura organizacional. Assim, a escolha da estrutura organizacional seria o resultado direto das opções estratégicas. (BATALHA e RACHID, 2008)

  • Gestão do Conhecimento Organizacional: Segundo Fleury, tem tarefa de identificar, desenvolver, disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa, por meio de processos internos, ou por meio de processos externos às empresas.

  • Gestão Ambiental: Os alunos aprendem a gerenciar a empresa, meio ou organização de modo a não causar impacto negativo sobre o ambiente sob sua influência, é uma forma de proporcionar a sobrevivência e a diferenciação das organizações no mercado. (SELIG, CAMPOS e LERIPIO, 2008)

  • Educação em Engenharia de Produção: Estende-se desde o levantamento das necessidades do cliente, o projeto do processo e do produto, da logística e da gestão da produção, aos cuidados quanto aos impactos ambientais, sociais e econômico-financeiros. Isso todo engenheiro de produção deve saber e praticar. (QUELHAS, FILHO e MEIRIÑO, 2008).

1.3 MERCADO DE TRABALHO

Empresas e indústrias de vários setores têm requisitado engenheiros de produção, isso por causa do mercado globalizado e do crescimento da demanda interna, como afirma Mário Kafhan, diretor do portal de empregos vaga.com. br. Indústrias de cigarros, bebidas e, principalmente, a automobilística e a eletrônica, buscam esse profissional onde possa atuar no setor de logística, que vai desde o suprimento de compras até a distribuição de produtos. Pode-se ver cada vez mais forte a presença do EP na agroindústria e nos segmentos varejistas, também em regiões interioranas.

Em serviços, a que mais contrata e melhor remunera é o ramo financeiro. Nele, o EP analisa investimentos de clientes bancários e atua na gestão de carteiras. O mercado acionário e o de transporte também estão em evidência para os engenheiros de produção, com destaque para empresas que administram rodovias. Por causa a descentralização industrial, o EP tem chance de trabalho em qualquer região do país, porém as melhores oportunidades estão no Sudeste do Brasil, com 50% das vagas para o estado de São Paulo e para o Sul. No Nordeste, o pólo têxtil do Ceará contrata mais. O salário inicial médio é R$ 3.720,00 (três mil setecentos e vinte reais). (GUIA DO ESTUDANTE, 2009)

2 GESTÃO DA PRODUÇÃO

Neste trabalho podem-se observar algumas informações importantes a respeito da engenharia de produção, dentre elas, estão as dez áreas que um estudante poderá seguir. A Gestão da Produção (pode ser chamada também de Gestão de Operações) é uma delas, que por sinal é abrangente em seu conteúdo e de suma importância para qualquer engenheiro de produção. O objetivo desse artigo a partir daqui é descrever o que é a Gestão da Produção, sua história, suas subáreas, seus efeitos dentro e fora de uma empresa, entre outros aspectos relevantes desta ciência.

2.1 HISTÓRICO

É típico do ser humano transformar as coisas, isso porque desde os tempos pré-históricos a civilização humana converte matérias-primas em produtos acabados. Este fenômeno é resultado da efetivação de uma série de elementos, entre eles o mínimo de coordenação e controle das atividades, ou seja, saber gerenciar essas operações também faz parte da natureza humana mesmo que seja de forma pequena. E foi através da especialização das atividades e do caráter colaborativo que se desenvolveu a civilização.

Pode-se dizer que mesmo antes do surgimento do surgimento dos termos “gestão” e “engenharia de produção”, o homem já procurava os recursos para fazer seus produtos ou prestar serviços da forma mais racional possível (RENTES, 2008).

De acordo com o dicionário Aurélio (2006), gestão é o ato ou efeito de gerir; gerência. Traduzindo isso para se aplicar na EP, segundo Houaiss, gestão é o conjunto de normas e funções, cujo objetivo é disciplinar os elementos de produção e submeter a produtividade a um controle de qualidade, para a obtenção de um resultado eficaz, bem como uma satisfação financeira. De forma simplificada, para o grupo gestão é uma atitude tomada pelo EP onde o objetivo é ordenar e submeter os sistemas de produção a uma série de restrições, tipo normas e alvos, em que se possa conseguir uma produção final com a qualidade desejada, e através disso, lucrar.

Segundo o livro Introdução à Engenharia de Produção (2008), um dos registros mais antigos de produção gerenciada ou gestão da produção data de cerca de 5.000 a.C. Monges sumérios já contabilizavam os seus estoques, empréstimos e impostos resultantes de suas transações comerciais. Entretanto, esta ciência se expandiu de forma mais eficiente a partir da Revolução industrial, em meados do século XIX. Deve-se considerar que antes desse evento, indícios de gerenciamento por parte dos egípcios, gregos, romanos e chineses já existiram ao longo dos últimos milênios, como mostra a Figura 1. Com isso o processo deixou de ser artesanal para ser industrial.

  • Processo Industrial: Conjunto de decisões e ações planejadas para transformar matérias-primas em produtos com valor de mercado.

Anos

Conceitos

2000

MRP e Produção Enxuta

Linha de montagem e teorias da administração. Início do

"sistema americao de produção" (máquinas, ferramentas e

partes intercambiáveis)

Revolução Industrial (especialização do trabalho)

Gregos praticando especialização do trabalho com padroni-

0

zação de movimentos.

Idéias de salário mínimo e responsabilidade gerencial no

Código de Hamurabi

2000a.C

Chineses com um sistema de governo plenamente desen-

volvido.

Egípcios usando conceitos básicos de planejamento, orga-

4000 a.C

nização e controle do trabalho.

Monges sumérios fazendo contabilidade básica de esto-

5000 a.C

FIGURA 1 exemplo da evolução da gestão da produção ao longo dos

milênios. (Fonte: Introdução à Engenharia de Produção, 2008)

ques, empréstimos e taxas.

Na EP planejar o trabalho é diferente de executar o trabalho, Frederick Taylor (1856-1915) já defendia isso e de acordo com ele, aos gerentes caberia identificar as tarefas necessárias à produção, definir a dinâmica de cada operação e o ritmo de produção, projetar o trabalho, distribuir as tarefas entre os empregados, além de verificar se o trabalho estava se saindo da forma como fora planejado. Por outro lado, os trabalhadores deveriam executar as operações de acordo com os planos dos gerentes e fazê-lo sem questionamentos.

Sendo assim, na visão de Taylor, quem planeja não executa, e quem executa, faz apenas o trabalho “braçal”, não sendo responsável por qualquer planejamento. Entretanto esse pensamento foi um grande erro, mesmo assim acabou se propagando e moldando toda a forma de pensar e organizar o trabalho na indústria ocidental ao longo do século XX. Dentro desse conceito se tornou realidade toda a fase da produção em massa, que teve como principal precursor Henry Ford. Ele levou a indústria em geral, em decorrência de experiências na indústria automobilística, a um patamar de produtividade jamais imaginado. Separar o trabalho intelectual do braçal deu certo para a indústria primitiva pelo fato de não haver variação muito grande de mercadorias, assim a padronização inicial das atividades foi possível ao longo do tempo. (RENTES, 2008)

Nessa época a indústria tinha as seguintes características: Longo ciclo de vida do produto, pouca diversidade de mercadorias, era focada no preço e não preocupava com a qualidade e alto volume com meta na economia de escala. Contudo aos poucos isso foi mudando, a indústria começou a competir entre si e não mais com a produção artesanal, isso fez com que o mercado tivesse acesso a mais opções de bens industrializados, o que consequentemente levou a uma nova situação de competição, que dias até os dias atuais. As principais características de competição atuais são: Mercadorias com ciclo de vida mais curto e alta taxa de renovação de mix de produção, alta variedade de bens, consumidores mais exigentes em termos de qualidade e atendimento ao público e aumento da oferta de objetos importados e preços muito competitivos. (RENTES, 2008)

Essas mudanças na gestão dos sistemas industriais ocorreram efetivamente nos países desenvolvidos a partir do início da década de 1960. Avanços na tecnologia de processamento de informações possibilitaram o desenvolvimento de sistemas de gerenciamento das operações industriais (softwares), No início tinha foco no gerenciamento de fluxo de materiais, mas posteriormente, gerenciava também os recursos humanos, instalações, máquinas, etc. É o início da utilização de sistemas chamados MRP (Materials Requirements Planning) e MRP II (Manufacturing Resources Planning), que fortaleceram a sistematização das informações para a tarefa de planejamento e controle da produção. Os muitos problemas com a produção em massa foram reproduzidos a partir da utilização dos MRPs, devido as dificuldades iniciais de se ter atualizações no mesmo ritmo que se exigia para a tomada de decisão. Isso porque os mesmos, baseados na lógica concebiam a empresa como uma organização com as operações totalmente controladas pelo computador. Porém, as dificuldades foram solucionadas o que tornou explícito a importância de tais sistemas e na atualidade é raro encontrar alguma organização sem um eficiente software de gestão de operações. (CLETO, 2002)

Os japoneses desenvolveram uma visão mais abrangente da gestão da produção, percebendo que os funcionários mais operacionais devem sempre fazer planejamento durante a execução do trabalho e também os planejadores e gestores devem ter a prática como experiência. Dessa forma foi possível deixar o detalhamento operacional da produção para os empregados de chão –de - fábrica, cabendo aos gestores e planejadores planejar em um nível mais alto, indicando o que e quanto deve ser produzido em termos de produto final. O trabalho tornou-se mais democrático e participativo.

A produção enxuta é o nome dessa nova forma de pensar. Ela veio para mudar o paradigma de um planejamento totalmente centralizado onde uma de suas principais características é a existência de trabalhadores multifuncionais e com a autonomia para a tomada de decisões. Ela busca eliminar desperdícios, dando maior velocidade às atividades da empresa, flexibilidade nas questões de tomada de decisões. A idéia é tornar o trabalhador polivalente dentro do processo de produção, não ficando apenas ligado a uma máquina, mas ter autonomia para tomada de decisões. Esse tipo de produção é desejável nos sistemas modernos, pois envolve mudança na cultura e no comportamento das pessoas. Ela quebra o princípio de Taylor da divisão entre o trabalho intelectual e o trabalho braçal. (RENTES, 2008).

    1. GESTÃO DA PRODUÇÃO

Corresponde ao conjunto das ações de planejamento, gerenciamento e controle das atividades operacionais necessárias à obtenção de produtos e serviços oferecidos ao mercado consumidor.

  • Produtos: Compreende o planejamento e a gerência da manufatura de bens de consumo (carros, aviões, móveis, alimentos, televisões, etc.) e bens de capital (máquinas, ferramentas etc.). (RENTES, 2008)

  • Serviços: Tem como principal característica a impossibilidade de formar estoques de produtos acabados (ninguém consegue estocar serviços), com o cliente consumindo à medida que o sistema vai produzindo. Contudo, para se efetivar é necessário um sistema de planejamento excelente, isso envolve a capacidade de atender a demanda conforme ela vai ocorrendo, uma situação em que há menos falhas e compreender a gerência e o planejamento das atividades necessárias para a obtenção de qualquer tipo de serviços (bancos, escolas, empresas de consultoria, fornecimento de energia, telefonia, etc.). (RENTES, 2008)

Atualmente praticamente toda a indústria de manufatura inclui serviços ao cliente, que é denominado como garantia. Isso se aplica para toda a empresa de bens de consumo, indústria de bens de capital e até em indústrias de consumo mais imediatos, como a alimentícia. Todos os consumidores esperam contar com um serviço de apoio ao cliente. A tendência é que a indústria de manufatura se aproxime do modelo da de serviços, procurando produzir o produto à medida que o cliente faça o pedido. Deve-se, portanto enfatizar que tanto a indústria de bens de serviço como a indústria de manufatura demandam gestão da produção. (RENTES, 2008)

2.2.1 Áreas da Gestão da Produção

A gestão da produção pode ser compreendida pelas seguintes funções: gestão da demanda, planejamento do negócio, planejamento operacional (envolvendo o planejamento das necessidades de materiais e de capacidade dos recursos) e controle da produção. Vamos tomar como exemplo um disk-pizza, é um modelo interessante, pois ele tem funções claras de manufatura e de serviços ao mesmo tempo.

A gestão de demanda é uma função de interface entre a produção e o mercado. Ela é exercida muitas vezes pelo setor de vendas, pois está relacionada estreitamente com a área comercial da empresa. Entre as atividades clássicas estão as previsões de demanda a longo, médio e curto prazos e a administração dos pedidos. As previsões de demanda podem ser baseadas no histórico de vendas ou em percepções que o setor de vendas tem do mercado consumidor. Seu objetivo é muito importante, porque através das informações de demanda e dos pedidos efetivamente que a empresa vai saber como a produção deve ser implantada.

A função da demanda é participante da definição de política de preços e de promoção de produtos, para tornar a demanda da empresa mais estável, barata e fácil de ser produzida. Para montar um disk-pizza, é necessário conhecer bem o mercado e saber se existe uma quantidade suficiente de clientes, estimar a quantidade de pizzas a serem vendidas por mês e gerenciar os pedidos das pizzas que serão feitos quando o negócio estiver funcionando. (RENTES, 2008)

O planejamento do negócio é responsável pelos recursos de manufatura e de necessidades de materiais que a empresa necessitará a longo prazo. A quantidade de espaço físico, máquinas, equipamentos mão-de-obra, etc. necessária para executar a produção planejada, que são definidos a partir de uma demanda prevista e da especificação dos produtos desenvolvidos. Essa função também atua na área de volume de matéria- prima, define peças e componentes que serão fabricados e os que serão comprados por terceiros. Enfim, nessa fase são desenvolvidos ou definidos, junto com a área de compras da empresa, os fornecedores de materiais que atenderão à produção prevista e os fornecedores de serviços para as operações terceirizadas. No disk-pizza não é diferente, primeiramente tem que saber fazer pizza, desenvolver um cardápio, ter a receita e os ingredientes e pizzaiolos, os quais dominarão o processo de fabricação. Deve-se montar uma estrutura de produção e de entrega de pizzas, determinar a quantidade de recursos de fabricação como também a quantidade de pessoas na produção ao longo do dia. A disposição física dessa estrutura de produção também é muito importante, sem contar com o atendimento telefônico, onde se possa fazer pedidos, cadastrar clientes e seus endereços e contratar pessoas determinadas para fazer isso (telefonistas, garçons, motoboys, entre outros). Então o planejamento do negócio pode ser definido como: (RENTES, 2008)

  • Processo de planejamento do sistema de disk-pizza.

  • Definição da demanda ( quantidades a serem produzidas).

  • Identificação do processo de fabricação.

  • Definição dos recursos de fabricação necessários.

  • Definição do leiaute de produção (disposição física dos equipamentos).

  • Definição do sistema de entrega.

  • Definição do sistema de atendimento ao cliente.

O planejamento operacional é um planejamento de curto prazo feito com base na demanda prevista mais imediata ou nos pedidos que foram feitos pelos clientes. É responsável por definir exatamente como a demanda vai ser atendida pela produção, por definir quando e quanto de matéria-prima e componentes devem ser comprados para atender à produção, pela definição de manutenção ou não de estoques de produtos acabados ou de matérias-primas como também pela definição do sistema de controle e reposição de estoque. No exemplo do disk-pizza, o planejamento operacional pode ser visto nos estoques de massas e de molhos, que servem para agilizar a fabricação da pizza, em que se possa obter uma entrega rápida ao cliente. Mas esses estoques devem ser produzidos em horários que não sejam de pico como os fins de semana, e é necessário saber certinho a quantidade que deverá ser guardada de acordo com a demanda de pedidos. Considerando esses dias e horários de pico, vai ser recomendável fazer uma escala de trabalho para os atendentes, pizzaiolos e motoboys, de forma a garantir a qualidade do atendimento. A freqüência de compras de materiais e seus fornecedores devem ser acompanhados com atenção, de maneira que não falte ingredientes no momento da produção. Então planejamento operacional pode ser definido como: (RENTES, 2008)

  • Definição da política de planejamento da produção.

  • Planejamento dos recursos de produção

  • Planejamento da entrega do produto.

  • Planejamento da compra de matérias-primas para a produção.

O controle da produção é responsável por garantir que o sistema atenda adequadamente os clientes, permitindo a correção de falhas e desvios nos padrões estabelecidos. Compreende as funções de acompanhamento do processo produtivo e de entrega dos produtos. Dessa forma, o controle da produção monitora e avalia a produção, dando base para o planejamento operacional. Essas informações permitem a atualização de dados que levam a um novo ciclo de planejamento.

Para o disk-pizza, o controle da produção entra a partir do momento em que ocorre a produção e a entrega, que devem ser acompanhadas para garantir o recebimento do produto pelo cliente que o esperava e com isso, resolver os problemas observáveis no sistema. Dentre esses problemas podemos citar o tempo de entrega das pizzas, a rota dos motoboys (se são as mais longas ou não), a temperatura das pizzas, a demora na fabricação das pizzas (envolve prioridade de pedidos), entre outros. A resolução desses tipos de problemas vem com o estabelecimento de um tipo de indicador de desempenho, onde os processos possam ser gerenciados e corrigidos. Outra função do controle da produção é o acompanhamento da utilização dos insumos, que é essencial para a reposição dos mesmos dia após dia. É importante ressaltar também a questão dos funcionários, escala de trabalho, recursos humanos, ergonomia, cumprimento de horários. Esse acompanhamento da mão-de-obra é uma função importante do controle da produção. Logo, o controle da produção pode ser definido como: (RENTES, 2008)

  • Acompanhamento da produção.

  • Medição de desempenho das operações do sistema.

  • Acompanhamento da utilização das matérias-primas e componentes.

  • Acompanhamento da utilização dos recursos de produção.

Esse foi um exemplo simples de gestão da produção, pois certamente a pessoa não precisa ser engenheiro de produção para projetar e gerenciar um disk-pizza. Contudo, se fosse um sistema mais complexo, uma franquia com várias lojas pelo país, onde há fabricação centralizada dos molhos, massas e preparação de ingredientes. Além desse, existem outros sistemas mais complexos, como montadoras de automóveis, que lida com diversos produtos, envolve enormes cadeias produtivas de fornecedores de peças e componentes, com redes de distribuição também complexas, com assistências técnicas, etc. A função desafiadora de cada engenheiro de produção é entender e conceber a gestão de operações para sistemas de produção de qualquer nível de complexidade. (RENTES, 2008)

    1. GESTÃO DE OPERAÇÕES E O SETOR DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DE PRODUÇÃO NAS EMPRESAS

Será apresentado aqui um padrão mais usual de uma empresa real, o de atuação em empresas de manufatura. Nessas empresas, grande parte das responsabilidades da gestão de operações é atribuída ao setor de planejamento e controle de produção ou PCP que tem como meta planejar e controlar a utilização dos recursos de produção, setor que é típico do engenheiro de produção. Ele atua sobre as instalações físicas, mão-de-obra (direta e indireta), matérias (matérias-primas e componentes comprados de fornecedores, produtos e componentes em estágio intermediários de produção, produtos acabados que estão esperando a expedição para o cliente), Equipamentos (máquinas, equipamentos de apoio, ferramentas e estruturas físicas necessárias para acomodar a produção), Informações (técnicas que são processos de fabricação, projetos, normas, e as informações de planejamento propriamente ditas que envolvem o programa de produção, ordens de fabricação, entre outros).

O PCP é responsável pela execução de uma série de atividades que podem variar de empresa para empresa, algumas delas são:

  • Planejar a capacidade e analisar a disponibilidade para atender as necessidades do mercado.

  • Garantir que a utilização das máquinas e equipamentos de produção seja apropriada.

  • Comunicar aos clientes e fornecedores sobre as necessidades específicas e administrar relacionamentos a longo prazo.

  • Fornecer informações para outras áreas da empresa a respeito das atividades de manufatura e serviço.

A estrutura do PCP pode variar de empresa para empresa, sendo subordinada normalmente a área de manufatura e é composta por funcionários especializados. Se não atuar corretamente, o PCP pode se tornar um grande problema, levando a um mau atendimento ao cliente, excesso de estoques, falta de mão-de-obra, matérias-primas, componentes e de produto acabado, atrasos nas entregas e alto nível de “apagão de incêndios” no chão-de-fábrica.

Por outro lado, uma empresa que investe em uma estrutura eficiente e correta de PCP pode obter uma série de benefícios, tais como: Redução de estoques de matérias-primas, redução de custos, aumento de flexibilidade de entrega do produto. (RENTES, 2008)

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A engenharia de produção nas empresas é um fator crucial entre o sucesso e o fracasso das operações dessa empresa. Dentre outras funções, ela administra a produção do bem desde a busca das matérias-primas até a entrega do produto pronto ao cliente, ela tem função também de viabilizar a produção tanto economicamente, como também socialmente e ambientalmente, procurando ter uma produção sustentável. Dentre as suas áreas, a gestão de operações ou gestão da produção, é uma das áreas de maior interesse e oportunidade para a carreira dos engenheiros de produção, sendo aplicada diretamente nas empresas de serviços ou de manufaturas.

A gestão da produção compreende funções essenciais para o sucesso de qualquer instituição, projetar os processos produtivos e os sistemas de gestão é típico dessa área e é uma grande responsabilidade, uma vez que esses sistemas estão entre os principais elementos de diferenciação entre as empresas. A função do engenheiro de produção está em cada dia desenvolver, programar, manter em funcionamento e melhorar sempre os sistemas de gestão, tornado a empresa cada vez mais competitiva no mercado de atuação.

  1. REFERÊNCIAS

BATALHA, Mário Otávio (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

BORNIA, Antonio Cezar (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

CAMPOS, Lucila Maria de Souza (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

CARVALHO, Marly Monteiro de (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

CLETO, Marcelo Gechele (2002). A Gestão da Produção nos Últinos 45 Anos. Revista FAE BUSINESS.

FILHO, Cid Alledi (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

FLEURY, Afonso (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

GRADUAÇÃO USP,

http://www.prod.eesc.usp.br

Acesso: 26 de fevereiro de 2009

GUIA DO ESTUDANTE, http://www.guiadoestudante.abril.uol.br/profissoes/profissoes_272232.shtml

Acesso: 31 de abril de 2009

LERIPIO, Alexandre de Avila (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

MÁSCULO, Francisco Soares (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

MEIRIÑO, Marcelo J. (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

MORABITO, Reinaldo (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

NAVEIRO, Ricardo M. (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

QUELHAS, Osvaldo Luiz Gonçalves (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

RACHID, Alessandra (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

RENTES, Antonio Freitas (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

RODRIGUES, Nayara Thais dos Santos. Estudante de engenharia de Produção.

SELIG, Paulo Maurício (2008). Introdução à Engenharia de Produção, Ed. Abepro.

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