10 passos para a seguranca do paciente

10 passos para a seguranca do paciente

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10 PASSOS PARA A SEGURANÇA DO PACIENTE

Ariane Ferreira Machado Avelar Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Enfermeira Técnico-Administrativa em Educação da Universidade Federal de São Paulo. Membro da Câmara Técnica do COREN-SP. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Carmen Ligia Sanches Salles Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Consultora em Controle de Infecção e Gerenciamento de Resíduos. Membro da Câmara Técnica do COREN-SP. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Elena Bohomol Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora do Centro Universitário São Camilo. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Liliane Mauer Feldman Doutoranda do Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de São Paulo. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Maria Angélica Sorgini Peterlini Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Universidade Federal de São Paulo. Coordenadora da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Maria de Jesus Castro Sousa Harada Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta aposentada da Universidade Federal de São Paulo. Coordenadora da Câmara Técnica do COREN-SP. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Maria D’innocenzo Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Universidade Federal de São Paulo. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Mavilde da Luz Gonçalves Pedreira Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Universidade Federal de São Paulo. Pesquisadora do CNPq. Assessora do COREN-SP. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

Rosemeire Keiko Hangai. Enfermeira. Gerente de Risco e Membro da CCIH do Hospital Cotoxó. Membro da REBRAENSP - Polo São Paulo.

A Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, desde a sua criação em 2004, tem elaborado programas e diretrizes que visam sensibilizar e mobilizar profissionais de saúde e a população para a busca de soluções que promovam a segurança do paciente, divulgando conhecimentos e desenvolvendo ferramentas que possibilitem a mudança da realidade no cenário mundial.

No mesmo propósito, a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP) tem como finalidade promover articulação e cooperação técnica entre instituições direta ou indiretamente ligadas à saúde e à educação de profissionais da área, além de fortalecer a assistência de enfermagem desenvolvendo diversos programas conforme as necessidades dos Estados e municípios no território nacional.

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo – COREN-SP – ciente de que a equipe de enfermagem possui um papel fundamental nos processos que envolvem a atenção ao paciente, assumiu, para o ano de 2010, o compromisso de promover uma grande campanha pela segurança do paciente, esclarecendo a categoria de enfermagem e chamando-a à responsabilidade de lançar um novo olhar sobre suas práticas cotidianas e identificar falhas no processo possíveis de gerar erros.

Assim, a cartilha 10 Passos para a Segurança do Paciente foi elaborada a partir de ampla discussão com membros do Polo São Paulo da REBRAENSP em parceria com a Câmara Técnica do COREN-SP , no sentido de contemplar os principais pontos que teriam impacto direto na prática assistencial de enfermagem, capazes de serem implementados em diversos ambientes de cuidados.

Profissionais com experiência acumulada na prática, no ensino ou na pesquisa, em muitos anos de dedicação à área da saúde, elaboraram os dez passos com base em evidências científicas atualizadas e procuraram apresentá-los de forma objetiva e prática, sendo estes: 1. Identificação do paciente; 2. Cuidado limpo e cuidado seguro – higienização das mãos; 3. Cateteres e sondas – conexões corretas; 4. Cirurgia segura; 5. Sangue e hemocomponentes – administração segura; 6. Paciente envolvido com sua própria segurança; 7. Comunicação efetiva; 8. Prevenção de queda; 9. Prevenção de úlcera por pressão e 10. Segurança na utilização de tecnologia.

Apesar dos passos descreverem processos básicos de cuidado de enfermagem para a promoção da segurança do paciente, entende-se que sua implementação nos diferentes locais de prestação de assistência possa a ser um processo complexo, frente à cultura organizacional vigente em grande parte do sistema de saúde nacional.

A cartilha foi elaborada com o intuito de informar, esclarecer e orientar sobre relevantes aspectos da segurança do paciente, demonstrando a igual importância de todos para sustentar a assistência de enfermagem em princípios e fundamentos que promovam a segurança do paciente.

Desta forma, espera-se que a cartilha 10 Passos para a Segurança do Paciente forneça elementos capazes de contribuir para a construção do conhecimento de enfermagem, desenvolvimento profissional e melhora da assistência prestada à população.

Boa leitura!

PASSO 1 IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE

A identificação do paciente é prática indispensável para garantir a segurança do paciente em qualquer ambiente de cuidado à saúde, incluindo, por exemplo, unidades de pronto atendimento, coleta de exames laboratoriais, atendimento domiciliar e em ambulatórios. Erros de identificação podem acarretar sérias consequências para a segurança do paciente. Falhas na identificação do paciente podem resultar em erros de medicação, erros durante a transfusão de hemocomponentes, em testes diagnósticos, procedimentos realizados em pacientes errados e/ou em locais errados, entrega de bebês às famílias erradas, entre outros. Para assegurar que o paciente seja corretamente identificado, todos os profissionais devem participar ativamente do processo de identificação, da admissão, da transferência ou recebimento de pacientes de outra unidade ou instituição, antes do início dos cuidados, de qualquer tratamento ou procedimento, da administração de medicamentos e soluções. A identificação deve ser feita por meio de pulseira de identificação, prontuário, etiquetas, solicitações de exames, com a participação ativa do paciente e familiares, durante a confirmação da sua identidade.

Medidas sugeridas

1. Enfatize a responsabilidade dos profissionais de saúde na identificação correta de pacientes antes da realização de exames, procedimentos cirúrgicos, administração de medicamentos / hemocomponentes e realização de cuidados.

2. Incentive o uso de pelo menos dois identificadores (ex.: nome e data de nascimento) para confirmar a identidade de um paciente na admissão, transferência para outro hospital e antes da prestação de cuidados. Em pediatria, é também indicada a utilização do nome da mãe da criança.

3. Padronize a identificação do paciente na instituição de saúde, como os dados a serem preenchidos, o membro de posicionamento da pulseira ou de colocação da etiqueta de identificação, uso de cores para identificação de riscos, placas do leito.

4. Desenvolva protocolos para identificação de pacientes com identidade desconhecida, comatosos, confusos ou sob efeito de ação medicamentosa.

5. Desenvolva formas para distinguir pacientes com o mesmo nome.

6. Encoraje o paciente e a família a participar de todas as fases do processo de identificação e esclareça sua importância.

7. Realize a identificação dos frascos de amostra de exames na presença do paciente, com identificações que permaneçam nos frascos durante todas as fases de análise (pré-analítica, analítica e pós-analítica).

8. Confirme a identificação do paciente na pulseira, na prescrição médica e no rótulo do medicamento/hemocomponente, antes de sua administração.

9. Verifique rotineiramente a integridade das informações nos locais e identificação do paciente (ex.: pulseiras, placas do leito).

10. Desenvolva estratégias de capacitação para identificar o paciente e a checagem da identificação, de forma contínua, para todos os profissionais de saúde.

Pontos de atenção

1. Nunca utilize idade, sexo, diagnóstico, número do leito ou do quarto para identificar o paciente.

2. Verifique continuamente a integridade da pele do membro no qual a pulseira está posicionada.

3. No caso de não aceitação de qualquer tipo de identificação aparente (ex.: pulseira ou etiqueta), por parte do paciente ou dos familiares, utilize outras formas para confirmar os dados antes da prestação dos cuidados, como uso de etiquetas com a identificação do paciente posicionadas no lado interno das roupas.

Referências

- Askeland RW, McGrane SP, Reifert DR, Kemp JD. Enhancing transfusion safety with an innovative bar-code-based tracking system. Healthc Q. 2009;12 Spec No Patient:85-9. - World Health Organization. Patient safety solutions. 2007. [citado 2010 Mar 21]. Disponível em: http://www.who.int/patientsafety/solutions/patientsafety/PS-Solution2.pdf.

PASSO 2 CUIDADO LIMPO E CUIDADO SEGURO Higienização das mãos

Higienizar as mãos é remover a sujidade, suor, oleosidade, pelos e células descamativas da microbiota da pele, com a finalidade de prevenir e reduzir as infecções relacionadas a assistência à saúde.

Quando proceder à higienização das mãos: 1. Antes e após o contato com o paciente. 2. Antes e após a realização de procedimentos assépticos. 3. Após contato com material biológico. 4. Após contato com o mobiliário e equipamentos próximos ao paciente.

Medidas sugeridas I. Higienização das mãos com água e sabão

1. Molhe as mãos com água. 2. Aplique sabão. 3. Esfregue as palmas das mãos.

4. Esfregue a palma da mão sobre o dorso da mão oposta com os dedos entrelaçados.

5. Esfregue as palmas das mãos com os dedos entrelaçados. 6. Esfregue o dorso dos dedos virados para a palma da mão oposta.

7. Envolva o polegar esquerdo com a palma e os dedos da mão direita, realize movimentos circulares e vice-versa.

8. Esfregue as polpas digitais e unhas contra a palma da mão oposta, com movimentos circulares.

9. Friccione os punhos com movimentos circulares. 10. Enxágue com água.

1. Seque as mãos com papel-toalha descartável e use o papel para fechar a torneira.

I. Higienização das mãos com fórmula à base de álcool

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