Analise de planeamento e controle de produçao

Analise de planeamento e controle de produçao

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Edgar Ives Fernando Bengui edgar_bengui@yahoo.com.br

produção em função do tipo de sistema produtivo de uma empresa

Neste artigo procura-se analisar as práticas de planejamento e controle de prestadora de serviços metalúrgicos. Sendo assim, foi realizado um estudo de caso baseando-se em dados coletados através de entrevistas, observação não participante e documentos da empresa. Observa-se que as praticas de planejamento e controle de produção (PCP) adotadas pela empresa Metalógica, não são somente visadas e responsabilizadas ao setor de planejamento e controle de produção (PCP) como também, dependem das análises do setor de Vendas, Almoxarifado, setor de Compras, setor de Controle de Qualidade e o setor de Produção. As análises feitas por estes setores influem direitamente nas estratégias de produção da empresa. Portanto, o sistema de produção da empresa em função do fluxo de produto apresenta-se com as características de produção sob encomenda com algumas práticas correspondentes aos sistemas de produção por projeto, permitindo realizar as atividades de planejamento e controle de produção (PCP) em função dos pedidos feitos pelos clientes. Além disso, analisam-se os métodos de avaliação da produtividade tendo em conta os aspectos produtivos da empresa pesquisada.

Palavras- chaves: sistema de produção, PCP, avaliação da produtividade

1. Introdução

métodos de administração da produção (ALT; MARTINS, 2000)

Conforme, Pozo (2004), até aos anos 50, as empresas estavam tranqüilas em relação aos seus produtos e serviços, sendo que, a grande satisfação do cliente não existia devido à fraca competitividade dentro e fora de seus mercados. Após, o final da segunda guerra mundial, a globalização, o rápido desenvolvimento das tecnologias e a recomposição das estruturas econômicas provocaram grandes mudanças no cenário empresarial, causando o aumento da competitividade nacional e internacional, o aumento das expectativas dos clientes e o aparecimento de novos

Segundo Martins e Laugeni (1998), estas mudanças permitiram a inicialização para modernizar os sistemas produtivos tais como, a busca de novas técnicas de produção e controle de bens e serviços, que cada vez mais relacionavam a eficiência e a eficácia produtiva, resultando em alto índice de produtividade.

Com o passar do tempo, essas empresas se revelavam cada vez mais habilidosas na produção de certos bens, passando a produzi-los conforme a solicitação e especificação do cliente (RAZZOLINI FILHO, 2008).

Portanto, estas mudanças tiveram como principal fator, a disputa pela satisfação do cliente e a valorização estratégica do papel da produção na gestão do sistema empresarial.

Sendo assim, a gestão do sistema empresarial deve ser bem direcionada aos produtos ou serviços segundo as exigências do cliente (ALT; MARTINS, 2000). Ou seja, deve permitir a otimização dos recursos utilizados pela empresa na produção, tendo em conta a preocupação do cliente em relação ao produto ou serviço prestado, envolvendo todas as áreas desta. Dentro desta gestão destacam-se as práticas de planejamento e controle da produção como pilar essencial para que os processos sejam executados conforme estabelecido, melhorando o controle dos recursos de produção dentro do sistema produtivo (MOREIRA, 2004).

Deste modo, artigo traz a análise do planejamento e controle da produção de uma metalúrgica de pequeno porte localizado no Rio Grande do Sul, tendo em conta o sistema produtivo da empresa, a partir de um estudo de caso, baseado em entrevistas, observação não participante e documentos da empresa. Sendo assim, trata-se de uma empresa com capital 100% nacional, do setor metal-mecânico, com capacidade para industrialização e prestação de serviços em conformidade nos mais exigentes padrões de mercado para corte, dobra, solda e pintura, mediante projeto do cliente para elaboração de componentes mecânicos, tais como: Gabinetes, Módulos, Racks e outros conjuntos mecânicos, conforme se observa na Figura 1.

Figura 1. Componentes mecânicos fabricados na Empresa. Fonte: Catálogo da empresa (2009)

O artigo encontra-se organizado da seguinte forma: no capitulo 2, a revisão da literatura; no capítulo 3, a metodologia utilizada na pesquisa; no capítulo 4, apresenta-se a caracterização da empresa estudada; no capítulo 5, o resultado da pesquisa; no capítulo 6, as considerações finais.

2. Fundamentação teórica

Sistema de Produção

A utilização do termo sistema de produção teve maior notoriedade no inicio do século X, onde se estabeleceu as primeiras especializações da produção e do trabalho, seja, através da racionalização das máquinas, no aumento do volume de produção, bem como, na redução da força do trabalho (FRANCIO, 2008). Está evolução permitiu alterar toda estrutura funcional das empresas para uma estrutura operacional multilateral e aberta, aonde a responsabilidade pelas ações vai até ao ponto em que o efeito dessa ação se fizer sentir (TUBINO, 2006).

Logo, “define-se como sistema de produção, o conjunto de atividades e operações inter-relacionadas envolvidas na produção de bens ou serviços” (MOREIRA, 2004, p.08). De acordo com Dunda e Severiano filho (1999); Torres (2001), o sistema de produção é constituído pelos seguintes elementos:

- Função: Objetivo pela qual a organização foi criada. Ou seja, onde se ilustra precisamente as funções de cada departamento de apoio à produção; - Insumos: matéria-prima, mão-de-obra, capital, informações; estes elementos concentram a base principal para fabricação do produto; - Seqüência: envolvem as operações necessárias para execução da produção, representando a forma como os recursos devem ser combinados; - Meio Ambiente: são os meios pela qual o sistema é submetido, sejam eles, internos (áreas de Marketing, Finanças, Recursos Humanos e vendas) ou externos (fatores econômicos, políticas governamentais, regulações, concorrentes e tecnologia); - Produto: é o elemento resultante do processo produtivo, sejam, bens ou serviços;

empresa

Uma vez combinados perfeitamente todos os elementos descritos anteriormente resulta na eficiência produtiva e, conseqüentemente, no aumento da lucratividade da

A Figura 2 representa um sistema de produção e os principais elementos deste, como descritos nas abordagens anteriores.

Figura 2. Representação esquemática de um sistema de produção Fonte: Adaptado (MARTINS; LAUGENI, 1998)

Porém, existem vários tipos de sistemas de produção e suas características dependem do tipo da empresa e dos seus objetivos. Sendo assim, se estabelece, a seguir, a classificação dos sistemas de produção, considerando o fluxo do produto e as técnicas de planejamento e controle de produção.

Uma das principais classificações dos sistemas de produção é em função do fluxo do produto e a sua flexibilidade nas técnicas de planejamento e controle da produção, pois caracteriza da melhor forma a gestão de produção, conforme, Slack, Chambers e Johnston (2002); Moreira (2004); Tubino (2006). Sendo assim, tem-se:

- Sistemas de produção contínua ou de fluxo em linha (produção em massa e produção contínua propriamente dita): caracterizadas pela seqüência linear de fluxo e trabalham com produtos padronizados; - Sistemas de produção intermitente (produção por lote e produção por encomenda): caracterizadas pela produção variada de produtos em volumes relativamente pequenos. - Sistema de produção por projetos: caracterizados por produto único existindo uma seqüência predeterminada de atividades que é seguida, com pouca ou nenhuma repetição

Considerando a abordagem anterior, o quadro 1 apresenta as principais diferenças dos sistemas de produção em função do fluxo do produto.

Tipo de sistema produtivo Volume Repetição Flexibilidade Fluxo Variedade

Produção contínua Alto Alta Baixa Contínuo Baixa

Produção intermitente Médio Média Alta Intermitente Alta

Produção por projeto Baixo Nenhuma Alta Unitário Alta

Quadro 1. Principais diferenças dos sistemas de produção em função do fluxo do produto Fonte: Adaptado de Slack, Chambers, Johnston (2002)

Segundo Tubino (2006), as diferentes formas de classificar os sistemas de produção ajudam a entender o nível de complexidade necessário para execução do planejamento e controle de produção.

Sistemas de Produção e o planejamento e controle da produção

Em um sistema produtivo, ao serem definidas as metas e as estratégias, exige a formulação de planos para os recursos humanos e físicos que permitem direcionar e acompanhar as ações. Estas atividades são desenvolvidas através do planejamento e controle da produção (TUBINO, 2006).

O planejamento e controle da produção (PCP), nas visões de Monks; Moreira; Slack et al.; Corrêa et al.; Erdmann, (apud DUTRA; ERDMANN, 2007), é a área dentro da empresa que comanda e coordena o processo produtivo, a fim de, cumprir o planejamento e a programação dos processos de maneira eficaz, satisfazendo os requisitos de tempo, qualidade e quantidades do sistema produtivo.

O PCP representa o eixo operacional de uma organização visto que, é nesta atividade que se constrói a estratégia de produção (DUTRA; ERDMANN, 2007). Porém, a maneira como será processada, ou seja, o detalhamento desta atividade irá variar de acordo com a natureza e características do sistema produtivo da organização (CAMFIELD; WITTMANN, 2002).

Segundo os autores Arnold (1999); Erdmann (apud DUTRA; ERDMANN, 2007); Erdmann (2000); Corrêa e Gianesi (2009), o PCP pode ser dividido nas seguintes etapas principais:

- Planejamento estratégico: corresponde a primeira etapa do PCP, ou seja, representa os principais objetivos e metas que a empresa espera alcançar, como também mostra uma visão e o detalhamento amplo do tipo de negócio. Estabelece fatores que direcionam a produção, através das estratégias de produção, tal como se observa na figura 3.

Figura 3. Relação dos fatores competitivos com as estratégias de produção. Fonte: Adaptado de Slack, Chambers, Johnston (2002)

- Planejamento da produção: É o nível mais agregado de planejamento, onde envolve a definição das quantidades a produzir em longo prazo. Tem inicio no projeto do produto, passa pelo projeto do processo, até chegar à definição das quantidades a produzir. Ou seja, inclui procedimentos que preparam e organizam as informações permitindo a programação e o controle da produção, segundo as visões de Martins e Laugeni (1998); Erdmann (2000); Slack, Chambers e Johnston (2002); Corrêa e Gianesi (2009).

- Programação da produção: estabelece quando e quanto de cada produto poderá ser produzido, definindo os prazos numa visão real, ou seja, estabelece antecipadamente as atividades da produção em médio e curto prazo, organizando informações para subsidiar correções de eventuais desvios dentro da programação (ARNOLD, 1999). A programação da produção envolve definição de materiais, cálculo das necessidades, definição dos prazos, definição da capacidade, a liberação de ordens e o seqüenciamento das ordens de produção

- Controle de produção: representa a fase onde são avaliadas as questões de conformidades e não conformidades dos produtos. Encontram-se também nesta fase, as funções de movimento de materiais, descarga dos materiais, inspeção de recebimento e transporte para o almoxarifado ou para linha de produção, controle dos materiais, requisição de materiais em estoques, movimentação dos produtos acabados da linha de produção, dentre outras. Além disso, faz a coleta de informações em relação ao que foi produzido e as quantidades de recursos utilizados e depois estabelece um comparativo entre as atividades realizadas com as programadas, para que se avalia o desempenho do sistema produtivo.

As análises elaboradas a partir de livros, teses e periódicos, permitiram observar que, o planejamento e controle de produção é uma atividade fundamental para um sistema produtivo. Além disso, notou-se que o sucesso nesta área, depende muitas das vezes de como as empresas elaboram suas etapas. Portanto, os resultados alcançados com o planejamento e controle de produção são muitos: altos índices de produtividade e qualidade, menor índices de falhas e erros, baixo custo de produção, melhor fluxo de informações, rapidez e maior lucratividade (LOPES; MICHEL, 2008).

Avaliação da produtividade

para produzir (MARTINS; LAUGENI, 1998)

Nos séculos anteriores, o conceito de produtividade limitava-se apenas na relação entre o resultado alcançado e as horas trabalhadas. No começo do século X, o termo passou a significar a relação entre o produzido e os recursos empregados

Atualmente, as empresas dispõem de diversos métodos de avaliação da produtividade, tais como: ergonomia, estatística, a relação entre o tempo e os procedimentos, a disposição do layout, dentre outros, porém, a maior aplicação está voltada para empresas produtoras de bens (SEVERIANO FILHO, 1995).

Sendo assim, “define-se como produtividade a relação entre o valor do produto ou serviço produzido e o custo dos insumos para produzi-lo” (MARTINS; LAUGENI, 1998). A análise voltada à produtividade não serve apenas para otimizar, como também, permitir a implantação, controle e o acompanhamento no tempo das atividades realizadas pela empresa. Assim, a produtividade passa a ser medida em função da eficiência, eficácia e desempenho da empresa (SEVERIANO FILHO, 1995).

Portanto, para escolha de um modelo, a empresa deve ter em conta os seguintes critérios: a economicidade, a validade, a utilidade, a comparabilidade e a complementaridade. Entretanto, as escolhas das medidas, ou seja, a definição do modelo de avaliação deve obedecer aos critérios descritos anteriormente.

O quadro 2 Apresenta de forma simplificada os modelos e técnicas de avaliação da produtividade.

Recursos (dados)

Processo de mensuração da produtividade Produto

(informações)

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