Inflamação

Inflamação

INSTITUTO FLORENCE DE ENSINO SUPERIOR – IFES

CURSO: FARMÁCIA BIOQUÍMICA

DISCIPLINA: PATOLOGIA GERAL

PROF.ª: ELIANA LINHARES

ALUNA: THAMARA GUIMARÃES E SILVA

INFLAMAÇÃO

Este trabalho visa à obtenção de nota para

a disciplina Patologia Geral, referente ao

2º bimestre do 3º período do curso de

Farmácia do Instituto Florence.

SÃO LUÍS – MA

2010

Introdução

Ultimamente, com o avanço da tecnologia e de estudos mais aprofundados sobre a área da saúde, pôde-se verificar um aumento no número das descobertas científicas bem como a verdadeira causa e importância da inflamação.

Durante muito tempo a inflamação era considerada uma doença, no entanto, foi provado que esta não passa de uma resposta benéfica à algum corpo estranho ou agressor encontrado no organismo.

Este trabalho tem como objetivo descrever o processo de inflamação no organismo, bem como destacar sua importância, sua conseqüência e classificação.

Inflamação

Entende-se por inflamação uma reação local dos tecidos à agressão. Ela irá ocorrer como uma resposta inespecífica caracterizada por uma série de alterações, as quais tendem a limitar os efeitos da agressão. Ou seja, é um conjunto de sinais e sintomas que agem no organismo com o objetivo de inibir ou diminuir os efeitos de agressões causadas por diversos fatores.

Esse termo “inflamação” foi usado primeiramente para comparar o calor da área inflamada com a combustão dos corpos. Durante muito tempo a inflamação foi considerada uma doença, porém Hunter propôs que ela seria o contrário, ao invés de doença ela seria uma resposta benéfica. Ela é conveniente ao organismo e útil pelos componentes líquidos e celulares do exsudato; porém, pode-se tratar de algo prejudicial caso não seja tratada corretamente.

As causas de uma inflamação são variadas como: microorganismos, agentes mecânicos (traumas), radiação, agentes químicos, etc.

Celsus propôs que a inflamação apresenta quatro sinais cardinais: Rubor, Calor, Tumor e Dor. O Rubor e o Calor são resultados de um aumento da circulação na área inflamada. Esse aumento deve-se à hiperemia ativa, onde há um maior afluxo de sangue arterial. Os sinais cardinais se referem a inflamações da superfície corpórea ou das articulações. O Tumor é conseqüência do aumento local do líquido intersticial; ou seja, deve-se ao exsudato infiltrado nos tecidos. Já a Dor depende do acúmulo de substâncias biológicas no local inflamado que atuam sobre as terminações nervosas; além de sua lesão causada por toxinas bacterianas, acidificação do tecido e mediadores. O Edema é decorrente do acúmulo de líquido em alguma parte do corpo. Ele pode se instalar rapidamente ou levar horas e até dias para evoluir. O problema é que este edema pode ser exagerado, deixando a região mais sensível, dolorosa e com menor mobilidade.

Em uma inflamação pode-se evidenciar três fases:

  • Fase Alterativa: são alterações causadas diretamente pela agressão; ou seja, são as lesões iniciais provocadas pela ação do agente inflamatório.

  • Fase Exsudativa: corresponde a alterações vasculares que propiciam a saída dos vasos de seus constituintes líquidos e de suas células.

  • Fase Produtiva: caracteriza-se pela proliferação local de vasos e células. É uma tentativa do organismo de reparar as alterações causadas pela agressão e pela fase exsudativa. Nessa fase há a presença de linfócitos, plasmócitos, mastócitos, monócitos e histiócitos.

Num processo inflamatório observa-se uma vasoconstrição arterial, seguida por dilatação ativa das arteríolas, capilares e veias do local. Ocorre a hiperemia, cuja é caracterizada pelo rubor e calor. Logo após, há o aumento da permeabilidade dos capilares e vênulas. As trocas de líquidos se fazem pela:

  1. Diferença de pressão hidrostática;

  2. Diferença de pressão osmótica entre o plasma e os tecidos;

Em alguns casos de inflamação, os agentes agressores são capazes de lesar os vasos, permitindo o acúmulo de grandes quantidades de fluido, macromoléculas e células nos interstícios. Os neutrófilos podem liberar substâncias capazes de lesar o endotélio.

Após lesionado o endotélio, haverá proliferação de células endoteliais para substituição do que foi lesionado. Durante a reparação haverá angiogênese e extravasamento de líquido e células para o interstício. Os estímulos inflamatórios poderão colaborar para o aumento de língua intersticial.

O aumento imediato e prolongado da permeabilidade ocorre quando a agressão é mais intensa. Esse aumento pode ocorrer até dias após a agressão e envolve capilares e vênulas.

O exsudato é um líquido rico em macromoléculas e células que se acumula nos interstícios da área inflamada. Esse exsudato é conseqüente do aumento da permeabilidade vascular e é importante na contenção e limitação da agressão. O aumento da dilatação capilar e venosa e a hemoconcentração proporcionará uma mudança no padrão da circulação. Com isso, ocorrerá a aderência dos leucócitos ao revestimento endotelial. Esses leucócitos por diapedese atravessam a parede vascular e migram para o interstício, dirigindo-se para o local da agressão.

Logo após, ocorre uma migração de macrófagos, eosinófilos e células ativadas como os linfócitos. Há também uma migração de hemácias, porém, em pequena quantidade. O controle da intensidade da resposta inflamatória é realizado à custa de substâncias chamadas de mediadores.

Quando uma célula sofre agressão, as organelas podem ser isoladas num vacúolo limitado por membranas, logo após são digeridas e eliminadas. As partes perdidas são reconstituídas e a célula volta à sua estrutura normal.

Porém, quando a lesão causa a perda de muitas células, o reparo é mais complexo e pode assumir duas possibilidades:

  • Regeneração: ocorre quando as células parenquimatosas morrem, mas o estroma permanece íntegro, e o reparo se faz a partir de células do mesmo tipo dos que se perderam.

  • Cicatrização: caracteriza-se pela destruição do estroma, sendo que o reparo ocorre devido à custa do tecido conjuntivo.

Dando ênfase no processo de cicatrização, pode-se notar que quando há o reparo a custa do tecido conjuntivo, o fibroso o tecido preexistente fica substituído por cicatriz fibrosa.

A cicatrização divide-se em quatro fases:

  • Limpeza: ocorre após o ferimento quando os mediadores químicos são liberados pelos tecidos lesados. Um exsudato fibrinoso é formado na superfície, originando uma crosta que irá conter a hemorragia e proteger o ferimento de contaminações externas. As células inflamatórias digerem e removem os detritos celulares, bactérias, etc.

  • Retração: resulta da ação dos miofribroblastos. Reduz entre 50% a 70% o tamanho do ferimento. Inicia-se dois a três dias após a indução do ferimento.

  • Tecido de Granulação: representa o novo tecido que cresce para preencher o defeito. Ocorre proliferação de fibroblastos e de capilares. Há a ocorrência do processo de angiogênese. Esse tecido de granulação dará lugar a uma cicatriz fibrose, dura e esbranquiçada.

  • Reepitelização: é o acontecimento final do processo de reparo. Geralmente, quando o tecido conjuntivo acaba de preencher o defeito , resta apenas uma pequena porção da superfície do ferimento ainda descoberta. Por isso, rapidamente as células epiteliais crescem e restabelecem a continuidade de revestimento.

Alguns fatores gerais e locais podem interferir na cicatrização como:

  1. Estado nutricional do indivíduo;

  2. Estresses.

  3. Idade;

  4. Diabetes;

  5. Mobilização;

Após uma análise do processo de inflamação, torna-se importante sua classificação morfológica. Dependendo de sua duração, as inflamações são divididas em agudas e crônicas. No caso das inflamações agudas, os sinais cardinais são evidentes, a duração curta, início rápido e caráter exsudativo.

As inflamações agudas são classificadas de acordo com as características do exsudato em:

  1. Serosas

  2. Hemorrágicas

  3. Purulentas

  4. Fibrinosas

Já se tratando de inflamações crônicas ocorrerá a persistência do agente agressor que não é eliminado pelos mecanismos da inflamação aguda. As inflamações crônicas se classificam em:

  • Específicas;

  • Inespecíficas;

Essa classificação se deve à variação do agente e a resposta do hospedeiro. As inflamações crônicas podem ainda ser classificadas em imunológicas, dependendo do papel desempenhado pela imunidade na sua patogenia.

Conclusão

Sendo a inflamação uma resposta benéfica contra algum agente estranho, evidencia-se a importância em conhecer seus mecanismos, causas, e conseqüências que possibilitem o combate e a possivelmente cura do agente portador de tal patógeno.

No decorrer do trabalho foi descrito de maneira sucinta todo o processo e as diferentes etapas que ocasionam uma resposta inflamatória.

É importante destacar que caso não haja um cuidado ou tratamento adequado da inflamação, esta pode se tornar prejudicial à saúde levando até a ocorrência de uma infecção, ocasionando uma complicação maior para esse indivíduo. Então vale ressaltar: “Até que ponto estes eventos inflamatórios devem ser combatidos já que participam de um processo de recuperação de estruturas musculares e articulares?”

Referências

FARIAS, José Lopes. Patologia Geral: Fundamentos das Doenças com aplicações clínicas. Págs: 88 a 104 - 4 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan,2003.

MONTENEGRO, Mario R. & FRANCO, Marcello. Patologia: Processos Gerais. Págs: 109 a 151 – 4 ed. – São Paulo: Editora ATHENEU,2008.

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