MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DES. SUSTENTÁVEL-fasc. 00-orientações gerais

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DES. SUSTENTÁVEL-fasc. 00-orientações gerais

(Parte 1 de 7)

Orientações Gerais

Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável

Presidente Luciana Dummar

Coordenação da Universidade Aberta do Nordeste Sérgio Falcão

Coordenação do Curso Eliseu Marlônio Pereira de Lucena

Coordenação Editorial Eloísa Vidal

Coordenação Acadêmico-Administrativa Ana Paula Costa Salmin

Coordenação Técnica CARE Brasil Markus Brose e Juliana Russar

Editor de Design Deglaucy Jorge Teixeira

Projeto Gráfico, Ilustrações e Capas Suzana Paz

Editoração Eletrônica Mikael Baima Welton Travassos

Mapas Welton Travassos

Revisão Wilson Pereira da Silva

Catalogação na Fonte Ana Kelly Pereira

© 2010 by Edições Demócrito Rocha

UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE Av. Aguanambi, 282 - Joaquim Távora - 60.055-402 - Fortaleza - Ceará - Brasil Fones: (85) 3255-6327 / 3255-6328 / 3255-6343 / Fax: (85) 3255-6271 Site: w.fdr.com.br E-mail: uane@fdr.com.br

Este curso é parte integrante do projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável

Todos os direitos desta edição reservados à

Fundação Demócrito Rocha Universidade Aberta do Nordeste

Marlônio Pereira de Lucena[et. al.] – Fortaleza:

Mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável / Eliseu Universidade Aberta do Nordeste, 2010. 352 p.: il

Curso em 1 Fascículos ISBN 978-85-7529-438-3 1.Ecologia. 2.Desenvolvimento sustentável. I.Título.

CDU 911.8

Apresentação

O curso Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável faz parte de um projeto que procura disseminar a compreensão pública sobre o tema, considerando a atualidade e interesse que tais questões vêm causando aos 6 bilhões de habitantes do planeta Terra.

Embora estudos mostrem que muitos fatores podem contribuir para o processo de alterações significativas no clima do planeta, a exemplo de situações que aconteceram no passado como eras glaciais, quedas de meteoritos e outros eventos naturais, há fortes indícios que desde os primórdios da humanidade e de forma mais acelerada com o advento da revolução industrial, a maioria das explicações sobre mudanças climáticas está relacionada às ações humanas.

O desenvolvimento da ciência e da tecnologia a partir do século XVII possibilitou ao homem a produção de máquinas e equipamentos para exploração dos recursos naturais, caracterizando uma intervenção na natureza que vem deixando marcas profundas. A visão antropocêntrica que se desenvolveu a partir de então, provocou uma cisão entre o homem e a natureza, e o homem passou a entender a natureza com uma instância que estaria a ele subjulgada, podendo ser explorada da maneira que lhe interessasse.

Os recursos naturais passaram a ser explorados em grande escala gerando riqueza para alguns países que dominavam e exploravam outros; o capitalismo começa a emergir como sistema econômico e assim nasce o mundo moderno, embebido no prazer de descobrir e explorar novos mundos e novas coisas.

Só a partir do século X é que aparece na agenda da modernidade as questões relacionadas ao meio ambiente – poluição, contaminação, alterações nos ecossistemas, aumentos dos gases estufa, camada de ozônio – uma lista inumerável de problemas que iam se revelando, graças as pesquisas provenientes do mundo acadêmico.

Um dos primeiros gritos de alerta vem com a publicação do livro A primavera silenciosa de Raquel Carson, em 1962, em que ela mostrou como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem (chegou a ser detectada a presença de DDT até no leite humano!), com o risco de causar câncer e dano genético.

O livro não expunha apenas os perigos do DDT, mas colocava em cheque o conceito de modernidade construído tendo como referência a ideia de progresso científico e tecnológico. Juntamente com o biólogo René Dubos, Rachel Carson foi uma das pioneiras da conscientização de que os homens e os animais estão em interação constante com o meio em que vivem.

Em 1979 James Lovelock lança o livro Gaia: um novo olhar sobre a vida na Terra e nele apresenta as bases da hipótese gaia. Segundo o autor

O espectro completo de vida na Terra, de baleias a vírus e de olmos a algas podem ser vistas como partes constitutivas de uma entidade vivente

a aquelas das suas partes constivas[Gaia pode ser definida como]

única capaz de manter a composição da atmosfera da Terra adequada a suas necesidades gerais e dotada de faculdades e poderes maiores que um ente complexo que inclui a biosfera terrestre, atmosfera, oceanos, e solo; e a totalidade estabelecendo um mecanismo auto-regulador de sistemas cibernéticos com a finalidade de procurar um ambiente físico e químico ótimo para a vida no planeta.

Os fundamentos que levaram Lovelock a estas conclusões foram as pesquisas desenvolvidas por ele juntamente com a bióloga americana Lynn Margulis analisando a atmosfera Terra e comparando com a de outros planetas. Eles chegaram a constatação de que a vida da Terra cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem.

Vista com descrédito pela comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia foi bem aceita pelos grupos ecológicos, e alguns pesquisadores. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas.

Depois de 300 anos os sinais de alerta de que as intervenções humanas estão provocando alterações no planeta e se disseminam por todas as instâncias sociais, chega a ocupar a pauta política dos governantes.

Um dos problemas que domina as preocupações ambientais desde os anos 1970 é o buraco na camada de ozônio, um fenômeno que ocorre somente durante uma determinada época do ano, entre agosto e início de novembro no hemisfério sul. Não se trata propriamente de um buraco na camada do gás ozônio, mas de uma diminuição da espessura da camada , que pode ser atribuida aos arranjos moleculares do comportamento dos gases, em decorrência da emissão na superficie da Terra dos clorofluorcarbonos, mais conhecidos como CFC e que se faziam presentes até recentemente em sprays, congeladores de geladeiras e outros equipamentos de uso doméstico.

A Organização Meteorológica Mundial (WMO), no relatório de 2006, prevê que as metas de redução na emissão de clorofluorcarbonos (CFC), firmado pelos países no Protocolo de Montreal (1989), resultará na diminuição gradual do buraco de ozônio, com uma recuperação total por volta de 2065.

O início do século XXI é marcado por um novo problema ambiental de dimensões planetárias – o aquecimento global – que pode trazer consequências graves a todos os que habitam o planeta, pois a concentração de calor na superfície terrestre pode influenciar fortemente o regime de chuvas e secas em várias partes do mundo. A mobilização em torno do tema tem envolvido organismos governamentais, instituições independentes, organizações não governamentais, entidades multilaterais, e instituições ambientalistas. Efeitos climáticos extemporâneos e de grande impacto têm se manifestado nos mais diversos lugares do planeta e causado grandes desastres naturais, afetando contingentes humanos significativos. Segundo muitos estudos realizados, tais alterações estão relacionadas de uma forma ou de outra com o aquecimento global.

Procurando contribuir para aprofundar as discussões e esclarecer a população sobre tão relevante desafio, o curso aborda as questões relacionadas a mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, visando ampliar o entendimento público sobre o tema, considerando os compromissos assumidos pelo País no contexto internacional, especialmente aqueles firmados quando da realização da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, conhecida como COP15, realizada no mês de dezembro de 2009 em Copenhague, na Dinamarca.

Objetivos

Geral

Disseminar a compreensão pública sobre o tema mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, considerando na atualidade o interesse que tais questões vêm causando a todos os cidadãos e os compromissos assumidos pelo Brasil na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Específicos

• Contribuir para o entendimento público acerca das mudanças climáticas que estão acontecendo no planeta Terra.

• Discutir os efeitos causados pela ação humana nos recursos naturais do planeta e nos ecossistemas.

• Subsidiar a população com conhecimentos que possibilite a reflexão e a ação de forma coletiva e consistente, no sentido do desenvolvimento sustentável para assegurar as condições de vida no planeta.

• Estimular boas práticas individuais ou coletivas que contribuam para minimizar as mudanças climáticas e favoreçam o desenvolvimento sustentável.

Público-alvo

• 30.0 vagas gratuitas na Universidade Aberta do Nordeste (UANE) podendo se inscrever todo e qualquer cidadão, residente em qualquer região do país ou exterior, independente do grau de escolaridade, nacionalidade, idade, sexo ou etnia.

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