Apostila - Biossegurança nas Ações de Enfermagem

Apostila - Biossegurança nas Ações de Enfermagem

(Parte 1 de 3)

2. Prevenção de Infecções em Profissionais da Área da Saúde05
3. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)07
4. Precauções Padrão09
5. Processamento de artigos hospitalares12
6. Esterilização13
7. Desinfecção, Anti-sepsia e Assepsia16
8. Saúde e Segurança do trabalhador: Doenças ocupacionais16

1. Medidas Gerais de Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar...02 BIOSSEGURANÇA NAS AÇÕES DE ENFERMAGEM

A INFECÇÃO HOSPITALAR é uma síndrome infecciosa (infecção) que o indivíduo adquire após sua hospitalização ou realização de procedimento ambulatorial. Entre os exemplos de procedimentos ambulatoriais mais comuns estão: cateterismo cardíaco, exames radiológicos com utilização de contraste, retirada de pequenas lesões de pele e retirada de nódulos de mama, etc.

Para ser considerada infecção hospitalar, o paciente precisa estar internado a pelo menos 72 horas.

A manifestação da infecção hospitalar pode ocorrer após a alta, desde que esteja relacionada com algum procedimento realizado durante a internação. * FATORES PREDISPONENTES ♦ Pacientes imunodeprimidos;

♦ Lavagem incorreta das mãos, dos profissionais, acompanhantes e visitantes.

♦ Esterilização deficiente de instrumental cirúrgico.

♦ Técnicas incorretas e procedimentos invasivos.

♦ Limpeza deficiente de ambientes, materiais e roupas.

♦ Alimentos trazidos de fora do hospital.

♦ Flores e objetos trazidos de fora do hospital.

Baseando-se nesses fatores devem ser elaboradas ações preventivas, tais como: uso racional de antimicrobiano, controle de esterilização, desinfecção e limpeza, e bloqueio de transmissão pelos profissionais de saúde.

Lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e

● LAVAGEM DAS MÃOS punhos,utilizando-se sabão/detergente,seguida de enxágüe abundante em água corrente.

A lavagem das mãos é, isoladamente, a ação mais importante para a prevenção e controle das infecções hospitalares.

A lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto necessária, durante a

O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos antes e após contatos que envolvam mucosas, sangue ou fluidos corpóreos, secreções ou excreções. assistência a um único paciente, sempre que houver contato com diversos sítios corporais, e frente cada uma das atividades.

A lavagem e antissepsia cirúrgica das mãos é realizada sempre antes dos procedimentos cirúrgicos.

A decisão para a lavagem das mãos com uso de antisséptico deve considerar o tipo de contato, o grau de contaminação, as condições do paciente e o procedimento a ser realizado.

A lavagem das mãos com antisséptico é recomendada em: realização de procedimentos invasivos, prestação de cuidados a pacientes críticos, contato direto com feridas e/ou dispositivos invasivos, tais como cateteres e drenos.

dalavagem das mãos em todos os níveis da assistência hospitalar.

Devem ser empregadas medidas e recursos com o objetivo de incorporar a prática

A distribuição e a localização de unidades ou pias para lavagem das mãos, de forma a atender à necessidade nas diversas áreas hospitalares, além da presença dos produtos, é fundamental para a obrigatoriedade da prática.

● PREVENÇÃO DE INFECÇÃO DE SÍTIO CIRÚRGICO (ISC) ■ Tempo de internação abreviado.

■ Banho completo antes da cirurgia.

■ Tricotomia restrita ao local de incisão, quando necessário, imediatamente antes da cirurgia. ■ Fluxo adequado do Bloco Cirúrgico, com circulação mínima.

■ Equipe cirúrgica restrita.

■ Montagem correta das salas de cirurgia.

■ Paramentação completa (avental, gorro, luvas, máscara e propés)

■ Lavagem e antissepsia das mãos e ante braços da equipe cirurgica.

■ Secagem das mãos com toalhas estéreis.

■ Antissepsia do campo operatório.

■ Instrumental cirúrgico esterilizado.

● PREVENÇÃO DE INFECÇÃO RESPIRATÓRIA ♦ Educação do corpo clínico e vigilância das infecções.

♦ Esterilização, desinfecção e manutenção de equipamentos e artigos.

♦ Interrupção da transmissão pessoa para pessoa – precauções de barreira.

♦ Lavagem das mãos.

♦ Vacinação de pacientes de alto risco para complicações de infecções pneumocócicas.

Evitar o uso de cateterismo vesical quando desnecessário. Lavar as mãos antes e depois de manipular o sistema. Empregar técnica asséptica e equipamento estéril.

Utilizar cateter de calibre adequado. Fixar a sonda para evitar movimentação. Usar exclusivamente COLETOR FECHADO. Evitar desconexão do sistema fechado. Manter a bolsa coletora de urina em nível inferior à bexiga. Esvaziar a bolsa coletora a intervalos de oito horas, no máximo, ou quando preenchidos 2/3 da sua capacidade. Higienizar a região perineal, com água e sabão, três vezes ao dia, ou quando necessário.

● CUIDADOS RELACIONADOS AOS CATETERES PERIFÉRICOS: ■ Lavagem e antissepsia das mãos antes de colocar as luvas estéreis.

■ Preferir veias de membros superiores.

■ Usar técnica asséptica para fazer a punção.

■ Fazer antissepsia do local a ser puncionado.

■ Realizar troca de cateteres e mudar o sítio de inserção a cada 72 horas, ou intervalo menor se indicado. ● CUIDADOS RELACIONADOS AOS CATETERES CENTRAIS: ♦ Selecionar o Cateter.

♦ Usar de preferência a subclávia.

♦ Usar técnica asséptica, incluindo avental, luvas e campos estéreis e máscara.

♦ Utilizar equipamentos com local próprio para infusão de medicamentos.

♦ Manter o sistema fechado durante a infusão.

♦ Usar o cateter para nutrição parenteral apenas para este fim.

♦ Trocar os curativos quando estiverem úmidos, sujos ou fora do local.

♦ Trocar o cateter apenas se houver suspeita de infecção relacionada ao cateter.

♦ Trocar todo o sistema em caso de flebite ou bacteremia.

Avaliar bem os pacientes internados; Treinar a equipe do hospital, orientando sobre os fatores de risco que podem levar à uma infecção;

Usar antibióticos , quando necessário; Comprar material de boa qualidade para a assistência médica; Esterilizar corretamente todos os materiais; Ter uma boa limpeza em todo hospital;

Uso de equipamento de proteção individual(luvas, óculos protetor de óculos, protetor de face, avental e outros.) nos procedimentos. Uso de profilaxia antimicrobiana antes da cirurgia.

O PROFISSIONAL DA ÁREA DA SAÚDE (PAS) pode adquirir ou transmitir infecções para os pacientes, para outros profissionais no ambiente de trabalho e para comunicantes domiciliares e da comunidade.

Deste modo, os programas de controle de infecção hospitalar devem também contemplar ações de controle de infecção entre os PAS. AS AÇÕES DO SERVIÇO DE SAÚDE OCUPACIONAL, NO QUE DIZ RESPEITO AO CONTROLE DE INFECÇÃO, TÊM COMO OBJETIVOS: 1. Educar o PAS acerca dos princípios do controle de infecção, ressaltando a importância da participação individual neste controle; 2. Colaborar com a CCIH na monitorização e investigação de exposições a agentes infecciosos e surtos; 3. Dar assistência ao PAS em caso de exposições ou doenças relacionadas ao trabalho; 4. Identificar riscos e instituir medidas de prevenção; 5. Reduzir custos, através da prevenção de doenças infecciosas que resultem em faltas ao trabalho e incapacidade.

Para atingir os objetivos descritos anteriormente é necessário que o serviço de saúde ocupacional atue nas seguintes áreas: ● INTEGRAÇÃO COM OUTROS SERVIÇOS:

As ações do serviço de saúde ocupacional devem ser coordenadas com o serviço de infecção hospitalar e outros departamentos que se façam necessários. ● AVALIAÇÕES MÉDICAS: ♦ Admissional, com histórico de saúde, estado vacinal, condições que possam predispor o profissional a adquirir ou transmitir infecções no ambiente de trabalho; ♦ Exames periódicos para avaliação de problemas relacionados ao trabalho ou seguimento de exposição de risco (p. ex. triagem para tuberculose, exposição a fluidos biológicos).

A adesão a um programa de controle de infecção é facilitada pelo entendimento de suas bases. Todo pessoal precisa ser treinado acerca da política e procedimentos de controle de infecção da instituição.

A elaboração de manuais para procedimentos garante uniformidade e eficiência.

O material deve ser direcionado em linguagem e conteúdo para o nível educacional de cada categoria de profissional. Grande parte dos esforços deve estar dirigida para a conscientização sobre o uso do equipamento de proteção individual (EPI). ● PROGRAMAS DE VACINAÇÃO:

Garantir que o PAS esteja protegido contra as doenças preveníveis por vacinas é parte essencial do programa de saúde ocupacional. Os programas de vacinação devem incluir tanto os recém-contratados quanto os funcionários antigos.

Os programas de vacinação obrigatória são mais efetivos que os voluntários. ● MANEJO DE DOENÇAS E EXPOSIÇÕES RELACIONADAS AO TRABALHO:

Fornecer profilaxia pós exposição apropriada nos casos aplicáveis (p. ex.: exposição ocupacional ao HIV), além de providenciar o diagnóstico e o tratamento adequados das doenças relacionadas ao trabalho.

Estabelecer medidas para evitar a ocorrência da transmissão de infecção para outros profissionais, através do afastamento do profissional doente (p. ex.: pacientes com tuberculose bacilífera ou varicela). ● ACONSELHAMENTO EM SAÚDE:

Fornecer informação individualizada com relação a risco e prevenção de doenças adquiridas no ambiente hospitalar; riscos e benefícios de esquemas de profilaxia pós-exposição e conseqüências de doenças e exposições para o profissional, seus familiares e membros da comunidade. ● MANUTENÇÃO DE REGISTRO, CONTROLE DE DADOS E SIGILO:

A manutenção de registros de avaliações médicas, exames, imunizações e profilaxias é obrigatória e permite a monitorização do estado de saúde do PAS.

Devem ser mantidos registros individuais, em condições que garantam a confidencialidade das informações, que não podem ser abertas ou divulgadas, exceto se requerido por lei.

É a infecção ocasionada pela transmissão de um microrganismo de um paciente para outro, geralmente pelo pessoal, ambiente ou um instrumento contaminado.

É um processo infeccioso decorrente da ação de microrganismos já existentes, naquela região ou tecido, de um paciente. Medidas terapêuticas que reduzem a resistência do indivíduo facilitam a multiplicação de bactéria em seu interior, por isso é muito importante, a anti-sepsia pré-cirúrgica.

É aquela causada por microrganismos estranhos a paciente. Para impedir essa infecção, que pode ser gravíssima, os instrumentos e demais elementos que são colocados na boca do paciente, devem estar estéreis. È importante, que barreiras sejam colocadas para impedir que instrumentos estéreis sejam contaminados, pois não basta um determinado instrumento ter sido esterilizado, é importante que em seu manuseio até o uso ele não se contamine. A infecção exógena significa um rompimento da cadeia asséptica, o que é muito grave, pois, dependendo da natureza dos microrganismos envolvidos, a infecção exógena pode ser fatal, como é o caso da AIDS, Hepatite B e C.

PROCEDIMENTO CRÍTICO: É todo procedimento em que existe a presença de sangue, pus ou matéria contaminada pela perda de continuidade. PROCEDIMENTO SEMI-CRÍTICO: Todo procedimento em que existe a presença de secreção orgânica (saliva) sem perda de continuidade do tecido. PROCEDIMENTO NÃO-CRÍTICO: Todo procedimento onde não há presença de sangue, pus ou outra secreção orgânica (saliva). Em Odontologia não existe este tipo de procedimento.

EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL é todo dispositivo de uso individual, destinado a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador.

A seguir, uma relação de alguns dos equipamentos de proteção individual, mais usados em estabelecimentos de saúde, como por exemplo:

1. PROTEÇÃO À CABEÇA : ● Protetores faciais destinados à proteção dos olhos e da face contra lesões ocasionadas por partículas, respingos, vapores de produtos químicos e radiações luminosas intensas; ● Óculos de segurança para trabalhos que possam causar ferimentos nos olhos, provenientes de impacto de partículas;

I – EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIs)

● Óculos de segurança, contra respingos, para trabalhos que possam causar irritação nos olhos e outras lesões decorrentes da ação de líquidos agressivos; ● Óculos de segurança para trabalhos que possam causar irritação nos olhos, provenientes de poeiras e ● Óculos de segurança para trabalhos que possam causar irritação nos olhos e outras lesões decorrentes da ação de radiações perigosas.

2. PROTEÇÃO PARA OS MEMBROS SUPERIORES: ♦ Luvas e/ou mangas de proteção e/ou cremes protetores devem ser usados em trabalhos em que haja perigo de lesão provocada por: ♦ Materiais ou objetos escoriantes, abrasivos, cortantes ou perfurantes;

♦ Produtos químicos corrosivos, cáusticos, tóxicos, alergênicos, oleosos, graxos, solventes orgânicos e derivados de petróleo; ♦ Materiais ou objetos aquecidos;

♦ Choque elétrico;

♦ Radiações perigosas;

♦ Frio;

♦ Agentes biológicos.

3. PROTEÇÃO PARA OS MEMBROS INFERIORES: ■ Calçados impermeáveis para trabalhos realizados em lugares úmidos, lamacentos ou encharcados; ■ Calçados impermeáveis e resistentes a agentes químicos agressivos;

■ Calçados de proteção contra agentes biológicos agressivos e

■ Calçados de proteção contra riscos de origem elétrica.

4. PROTEÇÃO DO TRONCO: ● Aventais, capas e outras vestimentas especiais de proteção para trabalhos em haja perigo de lesões provocadas por: ● Riscos de origem radioativa;

● Riscos de origem biológica e

● Riscos de origem química.

5. PROTEÇÃO DA PELE: ♦ CREMES PROTETORES – só poderão ser postos à venda ou utilizados como EPI, mediante o Certificado de Aprovação (CA) do Ministério do Trabalho e Emprego.

6. PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA:

Para exposição a agentes ambientais em concentrações prejudiciais à saúde do trabalhador, de acordo com os limites estabelecidos na NR15: ■ Respiradores contra poeiras, para trabalhos que impliquem produção de poeiras;

■ Respiradores e máscaras de filtro químico para exposição a agentes químicos prejudiciais à saúde; ■ Aparelhos de isolamento (autônomo ou de adução de ar), para locais de trabalho onde o teor de oxigênio seja inferior a 18% em volume.

* CONSIDERAÇÕES INICIAIS A partir da epidemia de HIV/AIDS, do aparecimento de cepas de bactérias multirresistentes (como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina, bacilos Gram negativos não fermentadores, Enterococcus sp. resistente à vancomicina), do ressurgimento da tuberculose na população mundial e do risco aumentado para a aquisição de microrganismos de transmissão sangüínea (hepatite viral B e C, por exemplo) entre os profissionais de saúde, as normas de biossegurança e isolamento ganharam atenção especial.

Para entender os mecanismos de disseminação de um microorganismo dentro de um hospital, é necessário que se conheça pelo menos três elementos: a fonte, o mecanismo de transmissão e o hospedeiro susceptível. ● FONTE: As fontes ou reservatórios de microorganismos, geralmente, são os profissionais de saúde, pacientes, ocasionalmente visitantes, ou materiais e equipamentos infectados ou colonizados por microorganismos patogênicos. ● TRANSMISSÃO: A transmissão de microorganismos em hospitais pode se dar por diferentes vias. OS PRINCIPAIS MECANISMOS DE TRANSMISSÃO SÃO: ■ TRANSMISSÃO AÉREA POR GOTÍCULAS: Ocorre pela disseminação por gotículas maiores do que 5um. Podem ser geradas durante tosse, espirro, conversação ou realização de diversos procedimentos (broncoscopia, inalação, etc.). Por serem partículas pesadas e não permanecerem suspensas no ar, não são necessários sistemas especiais de circulação e purificação do ar. As precauções devem ser tomadas por aqueles que se aproximam a menos de 1 metro da fonte. ■ TRANSMISSÃO AÉREA POR AEROSSOL: Quando ocorre pela disseminação de partículas, cujo tamanho é de 5um ou menos. Tais partículas permanecem suspensas no ar por longos períodos e podem ser dispersas a longas distâncias. Medidas especiais para se impedir a recirculação do ar contaminado e para se alcançar a sua descontaminação são desejáveis. Consistem em exemplos os agentes de varicela, sarampo e tuberculose. ■ TRANSMISSÃO POR CONTATO: É o modo mais comum de transmissão de infecções hospitalares. Envolve o contato direto (pessoa-pessoa) ou indireto (objetos contaminados, superfícies ambientais, itens de uso do paciente, roupas, etc.) promovendo a transferência física de microorganismos epidemiologicamente importantes para um hospedeiro susceptível. ● HOSPEDEIRO: Pacientes expostos a um mesmo agente patogênico podem desenvolver doença clínica ou simplesmente estabelecer uma relação comensal com o microorganismo,tornando-se pacientes colonizados.

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