Apostila - Biossegurança nas Ações de Enfermagem

Apostila - Biossegurança nas Ações de Enfermagem

(Parte 2 de 3)

Fatores como idade, doença de base, uso de corticosteróides, antimicrobianos ou drogas imunossupressoras e procedimentos cirúrgicos ou invasivos podem tornar os pacientes mais susceptíveis às infecções.

AS PRECAUÇÕES PADRÃO são um conjunto de medidas utilizadas para diminuir os riscos de transmissão de microorganismos nos hospitais e constituem-se basicamente em: 1. LAVAGEM DAS MÃOS:

2LUVAS:

1. Após realização de procedimentos que envolvem presença de sangue, fluidos corpóreos, secreções, excreções e itens contaminados. 2. Após a retirada das luvas. 3. Antes e após contato com paciente e entre um e outro procedimento ou em ocasiões onde existe risco de transferência de patógenos para pacientes ou ambiente. 4. Entre procedimentos no mesmo paciente quando houver risco de infecção cruzada de diferentes sítios anatômicos. * OBS: O uso de sabão comum líquido é suficiente para lavagem de rotina das mãos, exceto em situações especiais definidas pelas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar - CCIH (como nos surtos ou em infecções hiperendêmicas). ♦ Usar luvas limpas, não estéreis, quando existir possibilidade de contato com sangue, fluidos corpóreos, secreções e excreções, membranas mucosas, pele não íntegra e qualquer item contaminado. ♦ Mudar de luvas entre duas tarefas e entre procedimentos no mesmo paciente.

♦ Retirar e descartar as luvas depois do uso, entre um paciente e outro e antes de tocar itens não contaminados e superfícies ambientais. A lavagem das mãos após a retiradadas luvas é obrigatória. 3. MÁSCARA, PROTETOR DE OLHOS, PROTETOR DE FACE: - É necessário em situações nas quais possam ocorrer respingos e espirros de sangue ou secreções nos funcionários.

4. AVENTAL: ● Usar avental limpo, não estéril, para proteger roupas e superfícies corporais sempre que houver possibilidade de ocorrer contaminação por líquidos corporais e sangue. ● Escolher o avental apropriado para atividade e a quantidade de fluido ou sangue encontrado. ● A retirada do avental deve ser feita o mais breve possível com posterior lavagem das mãos.

5. EQUIPAMENTOS DE CUIDADOS AO PACIENTE: ■ Devem ser manuseados com proteção se sujos de sangue ou fluidos corpóreos, secreções e excreções e sua reutilização em outros pacientes deve ser precedida de limpeza e ou desinfecção. ■ Assegurar-se que os itens de uso único sejam descartados em local apropriado.

6. CONTROLE AMBIENTAL: Estabelecer e garantir procedimentos de rotina adequados para a limpeza e desinfecção das superfícies ambientais, camas, equipamentos de cabeceira e outras superfícies tocadas freqüentemente.

7ROUPAS:

● Manipular, transportar e processar as roupas usadas, sujas de sangue, fluidos corpóreos, secreções e excreções de forma a prevenir a exposição da pele e mucosa, e a contaminação de roupas pessoais, evitando a transferência de microorganismos para outros pacientes e para o ambiente.

* PREVENÇÃO DE ACIDENTES PÉRFURO-CORTANTES: ♦ Atenção com o uso, manipulação, limpeza e descarte de agulhas, bisturis e outros materiais pérfuro-cortantes. Não retirar agulhas usadas das seringas descartáveis, não dobrá-las e não reencapá-las. O descarte desses materiais deve ser feito em caixas apropriadas e de paredes resistentes. ♦ Usar dispositivos bucais, conjunto de ressuscitação e outros dispositivos de ventilação quando houver necessidade de ressuscitação.

A alocação do paciente é um componente importante da precaução de isolamento. Quando possível, pacientes com microorganismos altamente transmissíveis e/ou epidemiologicamente importantes devem ser colocados em quartos privativos com banheiro e pia próprios. * OBS: Quando um quarto privativo não estiver disponível, pacientes infectados devem ser alocados com companheiros de quarto infectados com o mesmo microorganismo e com possibilidade mínima de infecção.

A variedade de materiais utilizados nos estabelecimentos de saúde pode ser classificada segundo riscos potenciais de transmissão de infecções para os pacientes, em três categorias: críticos, semi-críticos e não críticos. ● ARTIGOS CRÍTICOS Os artigos destinados aos procedimentos invasivos em pele e mucosas adjacentes, nos tecidos subepiteliais e no sistema vascular, bem como todos os que estejam diretamente conectados com este sistema, são classificados em artigos críticos. Estes requerem esterilização. Ex. agulhas, cateteres intravenosos, materiais de implante, etc. ● ARTIGOS SEMI-CRÍTICOS Os artigos que entram em contato com a pele não íntegra, porém, restrito às camadas da pele ou com mucosas íntegras são chamados de artigos semi-críticos e requerem desinfecção de médio ou de alto nível ou esterilização. Ex. cânula endotraqueal, equipamento respiratório, espéculo vaginal, todos os tipos de sondas: sonda naso e orogástrica, vesicais, nasoenterica etc. ● ARTIGOS NÃO CRÍTICOS Os artigos destinados ao contato com a pele íntegra e também os que não entram em contato direto com o paciente são chamados artigos não-críticos e requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível, dependendo do uso a que se destinam ou do último uso realizado. Ex. termômetro, materiais usados em banho de leito como bacias, cuba rim, estetoscópio, roupas de cama do paciente,etc. ► LIMPEZA

É o procedimento de remoção de sujidade e detritos para manter em estado de asseio os artigos, reduzindo a população microbiana. Constitui o núcleo de todas as ações referentes aos cuidados de higiene com os artigos hospitalares.

A limpeza deve preceder os procedimentos de desinfecção ou de esterilização, pois reduz a carga microbiana através remoção da sujidade e da matéria orgânica presentes nos materiais.

O excesso de matéria orgânica aumenta não só a duração do processo de esterilização, como altera os parâmetros para este processo.

Assim, é correto afirmar que a limpeza rigorosa é condição básica para qualquer processo de desinfecção ou esterilização. “É possível limpar sem esterilizar, mas não é possível garantir a esterilização sem limpar”

A ESTERILIZAÇÃO DE MATERIAIS é a total eliminação da vida microbiana destes materiais . Caracteriza-se por um processo de destruição por meio de agentes físicos ou químicos de todas as formas de vidas microscópica. Um objeto esterilizado, no sentido microbiológico, está, completamente livre de microrganismos viáveis.

1. A FLAMBAGEM:

É a colocação de material sobre o fogo até que o metal fique vermelho * VANTAGEM: fácil execução

* DESVANTAGEM: Não é seguro , pode não esterilizar alguns tipos de bactérias pelo baixo tempo de exposição. Estraga o material.

2. CALOR SECO

Penetra nas substancias de uma forma mais lenta que o calor úmido e por isso exige temperaturas mais elevadas e tempos mais longos , para que haja uma eficaz esterilização.

São utilizadas as estufas . Conforme o calor gerado recomenda-se um certo tempo: a 170 graus Celsius, são necessários 60 minutos. A 120 Graus são necessários 12 horas. * VANTAGENS: Não forma ferrugem , não danifica materiais .

* DESVANTAGENS: O material deve ser resistente a variação da temperatura. Na esteriliza líquidos.

3. CALOR ÚMIDO

É a exposição do material a vapor de água sob pressão, a 121ºC durante 15 min. É o processo mais usado e os materiais devem ser embalados de forma a permitirem o contato total do material com o vapor para permitir que a temperatura

do ar e melhor secagem

não seja inferior à desejada, permitir a penetração do vapor nos poros dos corpos porosos e impedir a formação de uma camada inferior mais fria. Podem ser usados autoclaves de parede simples ou de parede dupla, que permitem melhor extração

É muito usado para o vidro seco e materiais que não oxidem com a água (os materiais termolábeis não podem ser esterilizado por esta técnica). É utilizada ainda para esterilizar tecidos. ♦ INDICADORES QUÍMICOS: Mudam de cor consoante a temperatura.

♦ INDICADORES BIOLÓGICOS: Tubo com suspensão de esporos de bactérias resistentes que morrem quando exposto por 12 min. Ou mais a uma temperatura de 121ºC. Após um repouso de 14h, faz-se uma sementeira dos esporos , que deve dar negativa. * VANTAGENS: Fácil uso, custo acessível para grandes hospitais

* DESVANTAGENS: Não serve para esterilizar pós e líquidos.

4. QUIMICO: ●●●● GÁS ÓXIDO DE ETILENO:

O gás óxido de etileno é um produto altamente tóxico usado para esterilizar materiais . * VANTAGENS : Não danifica o material

* DESVANTAGENS: Danos ao meio ambiente quando manipulado erroneamente , alto custo , tóxico para o manipulador,requer aeração de 48 horas. Demorado.

utilizados para a desinfecção de instrumentos médicosIrritante das mucosas e
tóxico , necessita de cuidados especiais

Fornecido na forma de líquido a 25 ou 50% ,são pouco voláteis a frio e * VANTAGENS: Facilidade de uso

* DESVANTAGENS: Esterilização é tempo dependenteAlérgeno , tóxico e irritante,

Mycobactérias podem ser resistentes

5. ESTERILIZAÇÃO POR PLASMA DE PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO

O plasma é o quarto estado da matéria.É definido como uma nuvem de elétrons, partículas neutras, produzidas a partir da interação do peróxido de hidrogênio e um campo magnético.A esterilização com gás plasma combina peróxido de hidrogênio p/ gerar uma onda eletromagnética.

O plasma de peróxido não oxida o material, não degrada o corte, pontas,sulcos de instrumentais cirúrgicos. Seu produto final não é tóxico, não polui o meio ambiente e nem apresenta toxicidade para o profissional e nem para o paciente.

♦ AGENTE ESTERILIZANTE: Ampolas contendo: 1,8ml de H2O2 (água oxigenada) na forma líquida numa concentração de 58%.Que durante a fase da injeção passará da forma líquida para gasosa. ● STERRAD

Esterilização a baixa temperatura 45ºC, é uma alternativa de esterilização para materias termosensíveis. * VANTAGENS: rapidez, ciclo de 50’, ausência de resíduos tóxicos,fácil instalação, segurança. * DESVANTAGENS: alto custo dos insumos, câmara pequena, 100 litros.

1. VÁCUO: Nesta fase através da bomba de vácuo, é removido o ar de dentro da câmara de esterilização. 2. INJEÇÃO: Neste momento as agulhas perfuram as ampolas, fazendo com que passem de liquido p/ gás. 3. DIFUSÃO: O peróxido na forma gasosa se espalha por todo o material,é importante que todos os materiais estejam totalmente expostos para que o peróxido entre em contato com toda a superfície. 4. PLASMA: esterilização propriamente dita. 5. VENTILAÇÃO: Dura 1 minuto, o ar é filtrado p/ dentro da câmara do equipamento, igualando a pressão interna com a externa, possibilitando a abertura da porta. E os materiais estão prontos!

♦ CONTROLE DE QUALIDADE ■ INDICADOR PARAMÉTRICO: Relatório emitido ao término de cada ciclo onde são apresentados parâmetros de controle de esterilização.

■ INDICADOR BIOLÓGICO: - BACILLUS STEAROTHERMOPHILUS (forma esporuladas mais resistente aos esterilizantes físicos químicos.) ■ INDICADOR QUÍMICO:

Marcador de concentração ótima do peróxido no interior da câmara. ■ FITA INDICADORA:

Utilizada no interior das embalagens com manta de polipropileno. ■ FITA TESTE: Utilizada no fechamento das embalagens.

presentes num material inanimado através do uso de agentes químicos

Processo que consiste na destruição, remoção ou redução dos microrganismos

A desinfecção não implica na eliminação de todos os microrganismos viáveis, porém elimina a potencialidade infecciosa do objeto, superfície ou local tratado. O agente empregado na desinfecção é denominado de DESINFETANTE.

Consiste no mesmo termo usado à desinfecção, só que está relacionada com substancias aplicadas ao organismo humano, é a redução do número de microrganismos viáveis na pele pelo uso de uma substancia denominada de antiséptico .

Conjunto de meios usados para impedir a penetração de microrganismo, em local que não os tenha.

repetitivos e até definitivos

AS DOENÇAS OCUPACIONAIS são decorrentes da exposição do trabalhador aos riscos da atividade que desenvolve. Podem causar afastamentos temporários,

A maior incidência destas doenças ocorre na faixa dos 30 aos 40 anos, prejudicando a produtividade do trabalhador e podendo interromper sua carreira e desestabilizar a sua vida. As doenças ocupacionais são causadas ou agravadas por determinadas atividades.

A prevenção pode evitar que tanto os trabalhadores como os empresários se prejudiquem com as conseqüências das doenças ocupacionais. A recuperação pode ser demorada e cara. * AS POSSÍVEIS CAUSAS DO PROBLEMA

♦ AGENTES FÍSICOS (ruído, temperatura, vibrações e radiações) ♦ AGENTES QUÍMICOS (utilizados nas indústrias, podem causar danos à saúde).

♦ AGENTES BIOLÓGICOS (microorganismos como bactérias, vírus e fungos).

* COMO DIAGNOSTICAR O PROBLEMA Exame físico, ocupacional e complementares, conforme critérios médicos.

1. DOENÇAS DAS VIAS AÉREAS:

Alguns exemplos são as pneumoconioses causadas pela poeira da sílica (silicose) e do asbesto (asbestose), além da asma ocupacional. Substâncias agressivas inaladas no ambiente de trabalho se depositam nos pulmões, provocando falta de ar, tosse, chiadeira no peito, espirros e lacrimejamento.

2. PERDA AUDITIVA RELACIONADA AOTRABALHO (PAIR)

Diminuição gradual da audição decorrente da exposição contínua a níveis elevados de ruídos. Além da perda auditiva, outra alterações importantes podem prejudicar a qualidade de vida do trabalhador.

3. INTOXICAÇÕES EXÓGENAS

● AGROTÓXICOS: Os pesticidas (defensivos agrícolas) provocam grandes danos à saúde e ao meio ambiente.

● CHUMBO (SATURNISMO): A exposição contínua ao chumbo, presente em fundições e refinarias, provoca, a longo prazo, um tipo de intoxicação que varia de intensidade de acordo com as condições do ambiente (umidade e ventilação), tempo de exposição e fatores individuais (idade e condições físicas).

● MERCÚRIO (HIDRARGIRISMO): O contato com a substância se dá por meio da inalação, absorção cutânea ou via oral da substância; ocorre com trabalhadores que lidam com extração do mineral ou fabricação de tintas.

● SOLVENTES ORGÂNICOS (BENZENISMO): Por serem tóxicos e agressivos, podem contaminar trabalhadores de refinarias de petróleo e indústrias de transformação.

4. LER E DORT - LESÃO PPR ESFORÇO REPETITIVO / DISTÚRBIO OSTEOMUSCULAR RELACIONADO AO TRABALHO

Conjunto de doenças que atingem principalmente os músculos, tendões e nervos. O problema é decorrente do trabalho com movimentos repetitivos, esforço excessivo, má postura e estresse, entre outros.

5. DERMATOSES OCUPACIONAIS

Também conhecidas como dermatites de contato, são alterações da pele e das mucosas causadas, mantidas ou agravadas, direta ou indiretamente, por determinadas atividades profissionais.

São provocadas por agentes químicos e podem ocasionar irritação ou até mesmo alergia.

6. STRESSE

O estresse e o excesso de trabalho podem variar desde mudanças no humor, ansiedade, irritabilidade e descontrole emocional até doenças psíquicas.

Geralmente, o estresse é causado por sobrecarga de tarefas e ausência de pausas para descanso e exercícios físicos. Ativar os músculos com exercícios diários, mesmo os de relaxamento, é um bom começo para se livrar do estresse.

Durante os exercícios, inspire o ar pelo nariz e solte pela boca, sentindo o oxigênio descer e o gás carbônico subir.

Ciência que estuda as relações entre o homem, seu trabalho, equipamentos e meio ambiente, a Ergonomia previne o surgimento de doenças ocupacionais durante o processo de produção de atividades. O objetivo é a adaptação do posto de trabalho, instrumentos, máquinas, horários e meio ambiente às exigências da função.

Ela facilita o desenvolvimento e o rendimento das atividades de trabalho. Todos devem aprender a identificar os sinais do próprio corpo para perceber o início de qualquer desconforto, procurando, assim, adaptar as técnicas da ergonomia ao seu local de trabalho.

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