Aplicação do questionário de perfil se saúde de nottingham health profile (psn) em participantes do programa de reabilitação cardiopulmonar

Aplicação do questionário de perfil se saúde de nottingham health profile (psn) em...

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APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO DE PERFIL SE SAÚDE DE NOTTINGHAM HEALTH PROFILE (PSN) EM PARTICIPANTES DO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR.

Angelise Mozerle, Darice Michelute, Ramon de Freitas, Tales de Carvalho, Alexsandro Luiz de Andrade, Lourenço Sampaio de Mara, Fernanda Monte, Renata Martins.

Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, Florianópolis, SC – Brasil.

RESUMO:

Introdução: Participantes dos programas de reabilitação cardiopulmonar e metabólica (RCPM) podem apresentar alterações em seis dimensões: energia, dor, habilidade física, reações emocionais, sono e isolamento social. A escassez de artigos abordando cardiopatas, RCPM e aplicação do PSN, justifica a necessidade de novos estudos. Sendo assim o objetivo do estudo foi verificar a qualidade de vida dos pacientes de um programa de reabilitação cardiopulmonar. Métodos: Estudo descritivo com 25 pacientes de um programa de reabilitação, com diagnóstico de problemas cardíacos, pulmonares, metabólicos ou doença arterial obstrutiva periférica, analisando, através do questionário de NOTTINGHAM (PSN), o perfil de qualidade de vida através de análise fatorial de dicotomia. Resultados: Dos 38 itens do questionário apenas as questões, 13(S) e 27(HF), apresentaram escore positivo maior que o negativo em relação às dimensões que o NHP apresenta. Conclusão: Através da aplicação do questionário ao programa de RCPM foi possível identificar o perfil de cada participante individualmente, no grupo em geral e nas seis dimensões que ele demonstra.

Palavras-chave: Qualidade de vida, idosos e exercício.

ABSTRACT:

Introduction: Participants of Cardiopulmonary and Metabolic Rehabilitation Programs (CPMR) may show abnormalities in six dimensions: energy, pain, physical ability, emotional reactions, sleep and social isolation. The scarcity of articles talking about heart disease, and CPMR and implementation of NHP, justifies the need for further studies, so the objective of the study wasto assess the quality of life of patients who participated in a cardiopulmonary rehabilitation program. Methods:Descriptive study with 25 patients in a rehabilitation program with a diagnosis of heart problem, pulmonary, metabolic or peripheral vascular disease, evaluating, through the questionnaire NOTTINGHAM (PSN), the profile of quality of life by factor analysis dichotomy.Results: Of the 38 items of the questionnaire only issues, 13 (S) and 27 (PA), higher positive scores than negative about the dimensions of the NHP shows.Conclusion: By applying the questionnaire to the CPMR program was possible to identify the profile of each participant individually in the overall group and in six dimensions and it shows.

Key-words: quality of life; elder and exercise.

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considerava saúde a ausência de doença e/ou completo bem-estar físico e mental. Hoje, esse conceito depende da percepção do indivíduo que a define, uma vez que não só está ligada a doença como também ao aspecto social. Porém, esses conceitos ainda não são consensuais, sendo considerados subjetivos e multidimensionais1,2

Em países desenvolvidos, a pessoa é considerada idosa quando atinge mais de 65 anos e em países em desenvolvimento, com mais de 60 anos, segundo a OMS. O Estatuto do Idoso cita que 9,7% da população brasileira é composta por pessoas acima dos 60 anos de idade. Estima-se que em 2020 essa população faça parte de 14,2% do total de brasileiros ³.

A grande procura da população idosa pela prevenção contra doenças fez com que meios de avaliação (tabelas, questionários, formulários) relacionados à saúde e à qualidade de vida fossem criados de modo a tornar os dados mais concretos. A utilização desses instrumentos tem sido demasiadamente crescente, de forma que vêm sendo reconhecidos como relevantes na área do conhecimento científico e da saúde4. Estes permitem avaliar a qualidade de vida, e criar meios de percepção para possíveis desbalanços saúde/doença e adoção de medidas preventivas5.

A utilização de questionários abordando a qualidade de vida e estimulando a prevenção da ocorrência de doenças, permitiu uma longevidade efetiva, o que explica a taxas elevadas de idosos em países desenvolvidos6. Quando procurados em revistas e em meio eletrônicos, uma vasta categoria de questionários nos é oferecida, porém poucos aparecem com adaptação para a língua portuguesa e tratam diretamente de qualidade de vida. Dentre os disponíveis, no Brasil, relacionados ao assunto, especificamente encontram-se o SF – 36 e o Nottingham Health Profile (NHP). O primeiro é classificado como qualidade de vida relacionado à saúde e facilmente encontra-se material sobre o mesmo. Por outro lado, em relação ao NHP, há uma escassez de bibliografias relacionando-o diretamente a sua aplicação6.

O questionário Nottingham Health Profile (NHP) ou Perfil de Saúde de Nothingham (PSN), como o próprio nome diz, é um questionário que avalia o perfil de saúde dos pacientes. Foi criado por Hunt et. al. em 1981, afim de avaliar a qualidade de vida de idosos e portadores de doenças crônicas. É originado da língua inglesa. A versão final adaptada do instrumento foi elaborada por um comitê de juízes especialistas, a partir das traduções e retro-traduções obtidas4. Considerado instrumento genérico, possibilita avaliação simultânea de várias áreas e pode ser usado em qualquer população, permitindo comparações entre pacientes com diferentes patologias. A grande desvantagem é o fato de que podem não demonstrar alterações em aspectos específicos4.

Além de avaliar o nível funcional, também se pode perceber brevemente o estado psicológico e social do paciente. O PSN é uma série de itens para o qual se deve responder sim ou não e são agrupados para formar seis dimensões (energia, dor, mobilidade física, reações emocionais, sono e isolamento social)7. De fácil aplicação, o paciente responde sem intercorrência e até mesmo sem auxilio, podendo ser aplicado em outros ambientes além do clínico7. Paixão, et. al. 2005 consideram o PSN um questionário completo, porém Oliveira, 2009 cita em seu artigo que o mesmo apresenta problemas quanto a sua validade clínica, pois divide o paciente em dois níveis de habilidade, tendo maior utilidade em pacientes mais debilitados, devendo ser associado com uma avaliação funcional e uma entrevista semi-estruturada para assim tornar os dados úteis para avaliação de pacientes8.

Ainda existem casos em que o PSN é utilizado totalmente ou é modificado, como no estudo de Pitangui, 2008 realizado com mulheres grávidas que sofriam de lombalgia, onde a qualidade de vida foi avaliada através de 11 itens julgados pertinentes e adaptado para gestantes. Também fizeram a utilização de outros questionários para mensuração de dor e força muscular, podendo assim obter um perfil psicossocial e corporal das participantes9.

No presente artigo, o PSN foi utilizado de forma completa, sem alterações, retirado de SALMELA, et. al. (2004) e aplicado em um Programa de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica (RCPM). Pela escassez de artigos abordando cardiopatas em RCPM e aplicação do PSN, justifica-se este estudo nesta população. Os programas de Reabilitação Cardiovascular Pulmonar e Metabólica (RCPM) destinam-se a prevenir, tratar e reabilitar pacientes com doenças como hipertensão arterial, doença arterial coronariana, doença arterial obstrutiva periférica, doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes10. Com o auxílio do exercício físico, ao combater o sedentarismo, contribui para a manutenção da capacidade física do idoso, melhorando tanto sua saúde quanto sua capacidade funcional11.

A equipe básica da RCPM é composta por um médico, um professor de educação física e/ou fisioterapeuta e um profissional da área da enfermagem, funcionando de três a cinco vezes por semana, sendo que cada paciente participa apenas uma hora diária, podendo interagir com demais atividades propostas por um centro de saúde, como o Programa de Saúde da Família12.

A RCPM ocorre nas dependências da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Grande parte dos pacientes possui mais do que 60 (sessenta) anos e são acometidos por alguma doença crônica, procurando o programa a fim de prevenir futuras complicações.

. A escassez de artigos abordando cardiopatas, RCPM e aplicação do PSN, justifica a necessidade de novos estudos, sendo assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida de pacientes acima de 60 (sessenta) anos participantes de um programa de RCPM.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo, realizado no Núcleo de Cardiologia e Medicina do Exercício no programa RCPM que acontece nas dependências da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), em Florianópolis-SC. A pesquisa foi desenvolvida após análise e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado de Santa Catarina (protocolo número: 109/2010) conforme a resolução número CNS 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, para pesquisa com seres humanos, que leva em consideração a declaração de HELSINQUE de 1975.

Foram incluídos na pesquisa pacientes acima de 60 (sessenta) anos, matriculados no 1º semestre de 2009 (janeiro) no Núcleo de Cardiologia e Medicina do Exercício e que fossem assíduos no programa. Foram considerados como critérios de exclusão indivíduos que deixassem questões do questionário a ser respondido, sem respostas.

Os indivíduos foram avaliados quanto à qualidade de vida através do questionário Perfil de Saúde de Notthingham (PSN) (SALMELA, et. al., 2004) o qual contém 38 questões, com respostas dicotômicas (sim ou não), tendo como objetivo identificar o perfil de cada indivíduo através do nível de energia (NE), dor (D), habilidades físicas (HF), reações emocionais (RE), sono (S) e isolamento social (IS) (TABELA I).

Os indivíduos receberam o questionário auto-aplicável (sem auxílio de entrevistador), sendo esse entregue por funcionários e bolsistas do Programa. Após esclarecimento dos objetivos e do método da pesquisa, o participante assinava o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), que afirmava não ser o mesmo obrigado a responder a todas as questões.

Tabela I – Perfil de Saúde de Notthingham de SALMELA, et. al. 2004

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Realizou-se o estudo com avaliação do questionário de 28 indivíduos. No entanto, 3 pacientes deixaram questões sem respostas, sendo excluídos da pesquisa, totalizando uma amostra 25 pessoas. Dessas, 20 (vinte) pertenciam ao sexo masculino e 5 ao feminino, com média de idade de 67,60 anos.

A análise estatística de cada questão está apresentada na tabela II.

TABELA II

VA

%

Questão 1

Sim

5

20,0

Não

20

80,0

Questão 2

Sim

11

44,0

Não

14

56,0

Questão 3

Sim

11

44,0

Não

14

56,0

Questão 4

Sim

3

12,0

Não

22

88,0

Questão 5

Sim

7

28,0

Não

18

72,0

Questão 6

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 7

Sim

10

40,0

Não

15

60,0

Questão 8

Sim

12

48,0

Não

13

52,0

Questão 9

Sim

5

20,0

Não

20

80,0

Questão 10

Sim

2

8,0

Não

23

92,0

Questão 11

Sim

12

48,0

Não

13

52,0

Questão 12

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 13

Sim

14

56,0

Não

11

44,0

Questão 14

Sim

0

0

Não

25

100

Questão 15

Sim

4

16,0

Não

21

84,0

Questão 16

Sim

3

12,0

Não

22

88,0

Questão 17

Sim

11

44,0

Não

14

56,0

Questão 18

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 19

Sim

8

32,0

Não

17

68,0

Questão 20

Sim

13

52,0

Não

12

48,0

Questão 21

Sim

3

12,0

Não

22

88,0

Questão 22

Sim

7

28,0

Não

18

72,0

Questão 23

Sim

5

20,0

Não

20

80,0

Questão 24

Sim

6

24,0

Não

19

76,0

Questão 25

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 26

Sim

11

44,0

Não

14

56,0

Questão 27

Sim

13

52,0

Não

12

48,0

Questão 28

Sim

4

16,0

Não

21

84,0

Questão 29

Sim

8

32,0

Não

17

68,0

Questão 30

Sim

3

12,0

Não

22

88,0

Questão 31

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 32

Sim

0

0

Não

25

100

Questão 33

Sim

8

32,0

Não

17

68,0

Questão 34

Sim

2

8,0

Não

23

92,0

Questão 35

Sim

2

8,0

Não

23

92,0

Questão 36

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 37

Sim

4

16,0

Não

21

84,0

Questão 38

Sim

7

28,0

Não

18

72,0

Legenda: VA= valor absoluto; %= percentual.

A seguir, os dados serão demonstrados e discutidos de acordo com os seis domínios presentes no questionário:

Nível de energia:

Questões 1, 12 e 26 referem-se ao tema:

Questão 1

Sim

5

20,0

Não

20

80,0

Questão 12

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 26

Sim

11

44,0

Não

14

56,0

Com o processo de envelhecimento, o indivíduo sofre alterações em todos os sistemas corporais, acontecendo assim um maior gasto energético para realizar seus afazeres. A convivência com outras pessoas, a participação em eventos sociais, uma boa alimentação, orientações sobre saúde e prática de atividades físicas, são essenciais nessa fase da vida para prevenir maiores complicações e evitar fadigas13.

Dor:

Questões 2, 4, 8, 19, 24, 28, 36 e 38 referem-se ao tema:

Questão 2

Sim

11

44,0

Não

14

56,0

Questão 4

Sim

3

12,0

Não

22

88,0

Questão 8

Sim

12

48,0

Não

13

52,0

Questão 19

Sim

8

32,0

Não

17

68,0

Questão 24

Sim

6

24,0

Não

19

76,0

Questão 28

Sim

4

16,0

Não

21

84,0

Questão 36

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 38

Sim

7

28,0

Não

18

72,0

Segundo a Sociedade Brasileira de estudo da dor (SBED) citando a IASP (International Association for the Study of Pain), define-se como dor: “Experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada à lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo aprende a utilizar esse termo através das suas experiências anteriores”14. A dor pode ser classificada como sintoma ou manifestação de alguma doença e comumente é classificada em três grupos básicos: Dores crônicas, Dores agudas e recorrentes. Basicamente encontramos quatro tipos de formulários avaliativos para dor: Escala Visual Analógica (EVA) varia de 1 a 10, Escala Numérica, Escala Qualitativa e Escala de Faces, porém a forma avaliativa mais utilizada é o Questionário para dor MCGill, pois além de avaliar a dor de forma quantitativa também é capaz de avaliar outras caracteristicas, como intensidade15. Muitos idosos resistem a dor, acreditando que esta faz parte do envelhecimento, ou não procuram auxílio com medo de gastos, procedimentos ambulatoriais que possam vir a ser realizados e até para não causar incomodo a familia, porém a dor, quando tratada, pode vir a evitar complicações mais severas, em grande parte dos casos servindo como um alerta aos idosos16.

Reações emocionais:

Questões 3, 6, 7, 16, 20, 23, 31, 32 e 37 referem-se ao tema:

Questão 3

Sim

11

44,0

Não

14

56,0

Questão 6

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 7

Sim

10

40,0

Não

15

60,0

Questão 16

Sim

3

12,0

Não

22

88,0

Questão 20

Sim

13

52,0

Não

12

48,0

Questão 23

Sim

5

20,0

Não

20

80,0

Questão 31

Sim

9

36,0

Não

16

64,0

Questão 32

Sim

0

0

Não

25

100

Questão 37

Sim

4

16,0

Não

21

84,0

Referem-se ao estado psicológico e biológico e esses interferem diretamente em nossas ações, ajudando ou prejudicando17. Quando as reações emocionais vêm a prejudicar, normalmente evoluem para um quadro depressivo, que vem se tornando comum entre idosos e poucas vezes é notado por familiares, até que venha a encontrar-se em estado elevado. Esse fato normalmente se deve a percepção do idoso quanto as suas dificuldades de agir e realizar sozinho suas atividades18. MORATO, 2009 cita em seu artigo que o melhor remédio para problemas de origem emocional é a interação, o convívio com outros idosos e a realização de atividades em grupos, criando assim uma integração social que venha a lhe proporcionar prazer e bom humor19.

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