Apostila de Histologia Básica

Apostila de Histologia Básica

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Histologia Básica DEMONSTRAÇÃO (PÁGINAS INICIAIS)

1ª edição – junho/2007

HISTOLOGIA BÁSICA w.bioaula.com.br APOSTILA DE HISTOLOGIA BÁSICA

Sobre a Bio Aulas02
Introdução à Histologia03
Métodos de Estudos Histológicos08
Introdução à Microscopia16
Tecido Epitelial de Revestimento25
Tecido Epitelial Glandular31
Tecido Conjuntivo39
Tecido Adiposo53
Tecido Cartilaginoso56
Tecido Ósseo61
Tecido Muscular68
Tecido Nervoso82

SUMÁRIO - 1 -

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Sobre a Bio Aulas

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Histologia

É definida como sendo a ciência, parte da biologia, que estuda os tecidos. O termo histologia foi usado pela primeira vez em 1819 por Mayer, que aproveitou o termo “tecido” que Bichat (anatomista francês) instituiu, muito tempo antes (por volta de 1800), para descrever macroscopicamente as diferentes texturas encontradas por ele no corpo animal. Mayer fez a conjunção do termo histos = tecido e logos = estudo. E o que é tecido?

Tecido

Há vários conceitos para tecido. É possível encontrar alguns autores que definem tecido como sendo um conjunto de células que apresentam mesma forma, mesma função e mesma origem embrionária. Mas, este conceito não possui muita sustentação histológica. Se analisarmos, por exemplo, o sangue, veremos que a forma de uma hemácia (disco bicôncavo, anucleado na maioria dos animais domésticos) é totalmente diferente de um neutrófilo (ovóide, quando no sangue, com núcleo lobulado). Quanto à função destas células: a hemácia transporta oxigênio e gás carbono, enquanto o neutrófilo é uma célula fagocitadora. Portanto, vemos que apesar de pertencerem ao mesmo tecido elas não têm a mesma forma e tão pouco a mesma função. Ainda outro exemplo nos remete a raciocinar: no tecido ósseo os osteócitos são células arredondadas cuja função é contribuir na manutenção da matriz óssea, enquanto os osteoclastos são células cuja forma varia muito, pois se movem através da emissão de “pseudópodes” e são responsáveis pela reabsorção óssea. Portanto, nem possuem a mesma forma e muito menos a mesma função. Poderíamos discorrer muito mais, mostrando inúmeros exemplos em que se constata que a grande maioria dos tecidos é constituída por células que têm funções e forma diferentes. Já quanto à afirmação de que as células de um tecido apresentam mesma origem embrionária, de fato esta afirmação é aplicável. As células que compõem um tecido normalmente apresentam mesma origem embrionária. Assim, como conceituar tecido? Tecido é um

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HISTOLOGIA BÁSICA w.bioaula.com.br conjunto de células que apresentam a mesma função geral e a mesma origem embrionária. Diríamos a mesma função geral, pois um tecido apresenta uma ou mais funções gerais. Por exemplo: os epitélios de forma geral apresentam como função principal revestir as superfícies corpóreas, assim sua função geral é revestir uma superfície. No epitélio, como, por exemplo, o da traquéia, tem-se a células ciliadas e as células caliciformes. Ambas apresentam formas e funções diferentes, mas as duas realizam a função geral de revestir.

Origem Embrionária dos Tecidos

Neste ponto devemos começar do início: quando o espermatozóide (gameta masculino) e o óvulo (gameta feminino), ambas as células apresentando a metade do número de cromossomos (portanto haplóides) de uma célula somática da espécie, encontram-se em ambiente propício – que pode ser o útero ou em meio de cultura – ocorre a fecundação. As duas células após a fecundação formam uma célula, o zigoto, que é uma célula diplóide (como o mesmo número de cromossomos de qualquer célula somática da espécie). Formado o zigoto ele passa a sofrer sucessivas mitoses, processo denominado de clivagem. Uma célula forma duas, as duas formam quatro, as quatro formam oito e assim sucessivamente. Por volta do sétimo dia (na maioria dos animais domésticos) pós-fecundação o que se vê é um amontoado de células envoltas por uma membrana translúcida. Cada célula é chamada de blastômero, sendo células totipotentes (ainda não diferenciadas e com a potencialidade de originar qualquer uma das células do corpo animal), e a membrana envoltória é chamada de zona pelúcida. Este estágio do embrião por se assemelhar muito a uma amora é chamado de mórula. Os blastômeros sintetizam um líquido, rico em ácido hialurônico, que vai se acumulando dentro do embrião e por volta do oitavo/nono dia forma-se uma pequena cavidade no interior do embrião, a blastocele. Neste momento o embrião passa a se chamar de blástula ou blastocisto. Posteriormente, a cavidade aumenta e pela expansão interna do embrião a mórula é rompida (blastocisto eclodido). Esta massa celular começa a se dobrar para dentro de si mesma e aí se forma uma cavidade central chamada de gastrocele, neste momento forma-se a gástrula. Nesta fase é possível identificar os dois primeiros

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- 5 - tecidos embrionários – ectoderma e endoderma. O ectoderma é folheto embrionário externo e o endoderma o folheto embrionário interno. Um pouco depois, a partir do endoderma forma-se o folheto médio, o mesoderma. A partir daí começa haver diferenciação celular e formação dos tecidos animais. Por exemplo: do ectoderma forma-se o tecido nervoso e alguns epitélios de revestimento; já do mesoderma origina-se a maioria dos tecidos conjuntivos e musculares; do endoderma alguns epitélios de revestimento.

Os tecidos embrionários são três (ectoderma, mesoderma e endoderma) e deles se formam todos os tecidos do corpo animal, mas a propósito quantos e quais são os tecidos encontrados no corpo animal?

Tecidos Fundamentais

Macroscopicamente Bichat, por volta de 1800, conseguiu identificar 21 diferentes tipos de tecidos. Mas com o advento do microscópio foi possível identificar muitos outros tecidos (aproximadamente 41). Mas todos estes tipos podem ser agrupados em quatro diferentes tecidos, chamados de tecidos fundamentais: os tecidos epiteliais, os tecidos conjuntivos, os tecidos musculares e o tecido nervoso.

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1. Tecido Epitelial
1.1. Tecido Epitelial de Revestimento
Quanto ao número de camadas de célulasQuanto à forma das células superficiais
1.1.1.1. Pavimentoso
1.1.1. Simples1.1.1.2. Cúbico
1.1.1.3. Cilíndrico ou prismático
1.1.2. Pseudo-estratificado1.1.2.1. Cilíndrico ciliado
1.1.3. Estratificado1.1.3.1. Pavimentoso 1.1.3.1.1. Queratinizado
1.1.3.2. Cúbico
1.1.3.3. Cilíndrico
1.1.3.4. De transição
1.2. Tecido Epitelial Glandular
Quanto à complexidade dos ductosQuanto à forma da parte secretora
1.2.1. Simples1.2.1.1. Tubular 1.2.1.1.2. Enovelada
1.2.1.2. Acinar ou Alveolar
1.2.1.3. Túbulo-acinar
1.2.2. Composta1.2.2.1. Tubular
1.2.2.2. Acinar ou Alveolar
1.2.2.3. Túbulo-acinar

Classificação Geral dos Tecidos 1.1.3.1.2. Não-queratinizado 1.2.1.1.1. Reta 1.2.1.1.3. Ramificada - 6 -

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2.1. Propriamente dito de propriedades gerais
2.1.1. Tecido Conjuntivo Frouxo
2.1.2. Tecido Conjuntivo Denso 2.1.2.1. Modelado
2.1.2.2. Não-modelado
2.2. Propriamente dito de propriedades especiais
2.2.1. Elástico
2.2.2. Mucoso
2.2.3. Reticular 2.2.3.1. Linfóide
2.2.3.2. Mielóide
2.2.4.2. Pardo ou Multilocular
2.3. De sustentação
2.3.1.1. Hialino
2.3.1. Cartilaginoso 2.3.1.2. Elástico
2.3.1.3. Fibroso
2.3.2. Ósseo 2.3.2.1. Compacto
2.3.2.2. Esponjoso
2.3.3. Cimento e Dentina
2.4. De Transporte
2.4.1 Sangue
2.4.2. Linfa
2.4. Tecido Muscular
2.4.1. Tecido muscular estriado esquelético
2.4.2. Tecido muscular estriado cardíaco
2.4.3. Tecido liso
2.5. Tecido Nervoso
2.5.1. Tecido Nervoso propriamente dito

2. Tecidos Conjuntivos 2.2.4. Adiposo 2.2.4.1. Branco ou Unilocular 2.5.2. Neuróglia

HISTOLOGIA BÁSICA w.bioaula.com.br MÉTODOS DE ESTUDOS HISTOLÓGICOS

Vários são os métodos de estudos dos tecidos, variando do estudo dos tecidos in vivo até aqueles que utilizam os tecidos mortos. O método mais utilizado em Histologia é o preparado histológico permanente (lâmina histológica) estudado em microscópio óptico. A seguir descrevemos as etapas de produção de uma lâmina histológica:

1ª Etapa: Coleta da Amostra

A primeira etapa de todo o processo de preparação de uma lâmina histológica consiste em coletar a amostra, ou seja, obtê-la e isto pode ser feito de cinco diferentes maneiras:

a) Biópsia cirúrgica – obtenção da amostra de tecido ou órgão através de uma incisão cirúrgica; b) Biópsia endoscópica – usada para órgãos ocos (estômago, intestino, etc) através de endoscopia; c) Biópsia por agulha – a amostra (cilindro) é obtida pela punção do órgão (fígado, pulmão), sem precisar abrir a cavidade natural; d) Cirurgias amplas (radicais) – a amostra corresponde a peças grandes (ex. tumores) ou órgãos (ex. mama, útero); e) Necrópsia – procedimento utilizado para estudo anatômico de todos os órgãos ou tecidos, no animal morto.

As peças cirúrgicas grandes ou de autópsia devem ser clivadas previamente para reduzir sua espessura permitindo a penetração fácil do fixador. O princípio fundamental de clivagem é que o fragmento possua em torno de 4 m de espessura.

2ª Etapa: Fixação

A base de uma boa preparação histológica é a fixação que deve ser completa e adequada. Para tanto é preciso tomar algumas precauções que são obrigatórias:

HISTOLOGIA BÁSICA w.bioaula.com.br a) O material coletado deve ser imerso rapidamente no fixador; b) O volume de fixador deve ser no mínimo dez vezes (10 X) maior que o volume da peça coletada.

Os principais objetivos da fixação são: a) Inibir ou parar a autólise tecidual; b) Coagular ou endurecer o tecido e tornar difusíveis as substâncias insolúveis; c) Proteger, através do endurecimento, os tecidos moles no manuseio e procedimentos técnicos posteriores; d) Preservar os vários componentes celulares e tissulares; e) Melhorar a diferenciação óptica dos tecidos; f) Facilitar a subseqüente coloração.

A fixação pode ser física (utilizando-se o calor ou o frio) ou química.

A fixação em Histologia é quase exclusivamente química, onde substâncias (fixadores) são utilizadas com a principal função de insolubilizar as proteínas dos tecidos. Os fixadores podem agir precipitando as proteínas ou as coagulando, assim temos como principais fixadores: a) Que precipitam as proteínas: cloreto de mercúrio e ácido pícrico; b) Que coagulam as proteínas: aldeído fórmico (o mais utilizado, conhecido como fixador universal), tetróxido de ósmio e o aldeído glutárico.

Com o intuito de se conseguir o fixador ideal, os histologistas elaboraram diversas misturas fixadoras como, por exemplo, o líquido de BOUIN e o líquido de HELLY.

O formol a 10% para microscopia óptica e o aldeído glutárico em solução de 2 a 6% para microscopia eletrônica são os fixadores simples mais comumente utilizados.

O tempo de fixação varia de acordo com o tamanho da peça, constituição do tecido, poder de fixação do fixador, objetivos a pesquisar e temperatura ambiente. No entanto, de forma geral, tendo o fragmento, a

HISTOLOGIA BÁSICA w.bioaula.com.br ser fixado, uma espessura de 4 m o tempo mínimo de fixação é de doze (12) horas.

Observação: Para que se possa examinar o tecido ósseo ou tecido com áreas de calcificação, deve-se antes de processá-lo, incluí-lo e cortá-lo, proceder à descalcificação que consiste na remoção dos sais de cálcio que se encontram depositados nos tecidos orgânicos sem alteração da sua estrutura celular.

Os ossos ou outros materiais calcificados devem ser cortados em pequenos pedaços (cerca de 4 m) com serra adequada, antes da fixação. Depois de completada a fixação, coloca-se o material na solução descalcificadora. Geralmente são empregados como agentes descalcificadores os seguintes ácidos: nítrico, fórmico, tricloacético, clorídrico, pícrico, EDTA, sulfossalicílico. Não existe uma solução descalcificadora ideal. A única diferença entre as várias soluções é que umas agem mais rapidamente do que as outras. O ácido usado deve ser completamente removido do tecido depois de terminada a descalcificação. Isto é feito pela lavagem abundante e cuidadosa em água corrente ou álcool, conforme o descalcificador empregado. Esta lavagem deve ser no mínimo por quatro horas.

3ª etapa: Processamento

Após a preservação do tecido, a etapa seguinte consiste em preparálo para o exame microscópico. Com a finalidade de permitir que a luz o atravesse, cortes muito delgados de tecido têm que ser feitos. Infelizmente, embora o processo de fixação endureça o tecido, o material não se torna suficientemente firme ou coeso para permitir cortes delgados perfeitos. Para que esse grau de firmeza seja atingido, o tecido deve ser completamente impregnado com algum meio de sustentação que manterá juntas as células e as estruturas intercelulares. Os materiais de sustentação usados são denominados materiais de inclusão.

Certos materiais de inclusão, tais como “Carbowax” e a gelatina são solúveis em água e os tecidos não precisam ser desidratados antes do uso. Os materiais mais comumente usados são substâncias semelhantes à

HISTOLOGIA BÁSICA w.bioaula.com.br parafina que não são miscíveis com água. Quando estas substâncias forem utilizadas os tecidos terão que ser desidratados antes da inclusão.

4ª Etapa: Desidratação

Antes que um material de inclusão, tal como a parafina, possa penetrar no tecido seu conteúdo em água deve ser removido. A desidratação é levada a efeito imergindo o bloco de tecido em concentrações crescentes de álcool etílico. O álcool é o agente mais comumente utilizado neste processo, sendo empregado numa série crescente (70% - 80% - 90% - 100%) para se evitar a retração pronunciada do tecido ocasionando lesões estruturais da célula de caráter irreversível. O álcool tem a vantagem de endurecer mais o tecido. O volume de álcool deverá ser 10 a 20 vezes maior que o volume da peça.

Várias são as substâncias utilizadas como agentes de desidratação: álcoois etílico, butílico, metílico e isopropílico, a acetona, o éter, o clorofórmio e o óxido propileno. O álcool etílico é o mais utilizado em técnica de rotina.

5ª Etapa: Diafanização (Clarificação)

A impregnação do tecido com meio de inclusão é impossível nesse estágio porque as substâncias semelhantes à parafina usadas para a inclusão não se misturam com o álcool. O tecido deve, portanto, ser imerso em um produto químico e que o álcool e a parafina sejam solúveis. Assim a diafanização consiste na infiltração do tecido por um solvente da parafina que seja ao mesmo tempo desalcolizante. A parafina não se mistura com água e nem com álcool. Ambos devem ser completamente removidos para que a parafina possa penetrar eficientemente no tecido. O xilol é comumente utilizado. Tal produto químico é muitas vezes chamado de agente clarificador porque torna o tecido semi-translúcido, quase transparente. Entre os reagentes mais utilizados na fase de diafanização podemos citar ainda: toluol, clorofórmio, óleo de cedro, benzol e salicilato de metila.

A quantidade de xilol (substância mais empregada) utilizada deve ser 10 a 20 vezes o volume da peça. A duração da clarificação varia com as dimensões, a constituição do material e a temperatura.

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6ª etapa: Inclusão (Impregnação)

A finalidade da impregnação é eliminar completamente o xilol contido no material e a total penetração da parafina nos vazios deixados pela água e gordura, antes existentes no tecido. Este processo serve também para preparar o material para os cortes, removendo o clarificante e endurecendo-o suficientemente e dando-lhe a consistência adequada para que possa ser cortado.

O tecido é passado em duas trocas de parafina para assegurar a substituição de todo o agente clarificador pela parafina. Emprega-se a parafina a uma temperatura de 56 a 60º C (parafina fundida). O bloco de tecido permanecerá imerso na parafina fundida (em estufa) durante o tempo necessário para a completa impregnação. Posteriormente serão retirados da estufa e deixados à temperatura ambiente até que a parafina endureça, após isto o bloco de parafina com o tecido será retirado da fôrma e conduzido ao corte. Pode-se citar ainda como agentes de impregnação: celoidina, goma arábica, parafina plástica, polietileno glicol e parafina esterificada.

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