Levantamento de doenças em grandes culturas

Levantamento de doenças em grandes culturas

(Parte 1 de 2)

X JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2010 – UFRPE: Recife, 18 a 2 de outubro.

Nielson de Lima Barros1 , Ewerton Bruno de Macêdo Régis2

, Maruzanete Pereira de Melo3

, Dyana Albuquerque

Tenório3 , Cristiano Souza Lima4

_ 1. Aluno do Curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Garanhuns. Av. Bom Pastor, s/n, Garanhuns, PE, CEP 55296-190. E-mail: nil_nlb@hotmail.com 2. Aluno do Curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Garanhuns. Av. Bom Pastor, s/n, Garanhuns, PE, CEP 55296-190. E-mail: eweru09@hotmail.com 3. Alunos de Pós-graduação em Fitopatologia, Departamento de Agronomia - Área de Fitossanidade Universidade Federal Rural de Pernambuco CEP 52171-900 Recife – PE. E-mail: dayagro@gmail.com 4. Prof. Adjunto – Agronomia/Fitopatologia, Unidade Acadêmica de Garanhuns, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Av Bom Pastor, s/n – Boa Vista CEP 55296-190 Garanhuns – PE. E-mail: cristiano@uag.ufrpe.br Apoio financeiro: UFRPE/UAG

Introdução

O desenvolvimento da agricultura está diretamente relacionado a algumas questões como a influência do solo, clima, pragas e doenças na produção agrícola, e também aos avanços tecnológicos. Inserida neste contexto, a Fitopatologia apresenta-se como ferramenta crucial para subsidiar o desenvolvimento da produção agrícola, buscando solucionar os problemas relacionados ao aparecimento de doenças que reduzem a quantidade e a qualidade dos alimentos produzidos [1].

Dentre os fatores de produção agrícola manipulados pelo homem para atingir índices satisfatórios de produtividade, a ocorrência de doenças é um dos mais limitantes, em função das dificuldades para seu diagnóstico e conseqüente aplicação de medidas de controle. Considere-se ainda a forte natureza biótica da doença, envolvendo a íntima relação entre microrganismos fitopatogênicos e seus hospedeiros vegetais em associação a fatores pouco controlados pela ação do homem. Assim, o equacionamento deste fator torna-se dependente do conhecimento e da aplicação de tecnologia comprovadamente eficiente e com alta aplicabilidade às condições dos diversos sistemas de produção agrícola [2].

O Agreste Pernambucano caracteriza-se por uma economia diversificada, com o cultivo predominante de lavouras de milho, feijão e mandioca. As condições climáticas são diversificadas, apresentando áreas mais úmidas e outras mais secas, onde predomina o clima semi-árido. Existe pouca informação na literatura sobre a ocorrência de doenças nestas culturas, o que dificulta as ações governamentais e de pesquisa para minimizar os impactos causados à agricultura do estado, notadamente à agricultura familiar.

Diante do exposto, o presente trabalho teve como objetivo relatar a ocorrência de doenças em grandes culturas na região do Agreste do estado de Pernambuco.

Material e métodos

O presente trabalho foi desenvolvido na Universidade

Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Unidade Acadêmica de Garanhuns (UAG) no período entre 2009 e 2010.

Foram analisados materiais vegetais sintomáticos coletados entre 2009 e 2010 em vários municípios do Agreste de Pernambuco. Os materiais vegetais estudados foram herborizados e arquivados, juntamente com as lâminas contendo as estruturas dos fitopatógenos estudados. A diagnose das doenças foi realizada pela observação da sintomatologia e dos sinais dos patógenos.

A identificação dos agentes causais das doenças se deu pela observação direta utilizando microscópio estereoscópico ou montagem de lâminas com água:glicerina (50:50) para observação em microscópio de luz e comparação com descrições pré-existentes na literatura.

Resultados

No presente estudo foi avaliado material vegetal de 09 grandes culturas (algodão, café, caupi, feijão comum, canade-açúcar, mamona, mandioca, milho e sorgo). Foram diagnosticadas 14 fitodoenças de 36 amostras de plantas coletadas em 12 municípios, sendo estas, causadas pelos principais grupos de microrganismos fitopatogênicos (fungos, bactérias, vírus e nematóides).

Os municípios que apresentaram maior número de doenças em plantas foram: São João (17%), Venturosa (15%) e Pedra (14%) e Jupi (12%) (Figura 1A).

As culturas que apresentaram o maior número de doenças foram o caupi (31%), feijão comum (2%), canade-açúcar (9%), milho (9%) e mamona (9%). As demais apresentaram um total de 5% cada (Figura 1B).

As doenças com maior número de amostras foram a cercosporiose (2%), mancha anelar (1%) e alternariose (1%) (Figura 1C).

Os fitopatógenos mais freqüentes nas culturas amostradas foram Cercospora (9%), Alternaria (9%) e Colletotrichum (9%). Os outros fitopatógenos apresentaram 5% de freqüência cada (Figura 1D).

X JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2010 – UFRPE: Recife, 18 a 2 de outubro.

Não houve um número significativo de patógenos para as culturas amostradas, pois estes se apresentaram de forma uniforme.

Discussão

No presente estudo, como era esperado, várias doenças foram encontradas para as culturas amostradas no Agreste de Pernambuco.

O alto índice de doenças encontradas no caupi e no feijão-comum é devido ao fato de serem os principais cultivos na região, sendo fonte de renda tanto para pequenos como grandes produtores. Além disso, a região reúne condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças, como alta umidade e temperaturas amenas na estação de cultivo, aliado ao fato de que muitos produtores não possuem conhecimentos específicos e tecnologias sobre o manejo adequado da cultura, comprometendo, desta maneira, sua produção.

Doenças como a antracnose, a cercosporiose e alternariose causam grandes prejuízos principalmente em cultivos não tecnificados, chegando, em alguns casos, a perdas quase que totais na produção. Este é um dos principais motivos pelo qual a produção dessas culturas, geralmente, fica restrita a um baixo rendimento econômico aquém do verdadeiro potencial produtivo dessas culturas, se comparadas com outras regiões produtoras do país.

Em visitas à campo em alguns dos municípios amostrados, foi possível notar o grande impacto que essas doenças causam, seja pela redução da produtividade, seja pelo impacto econômico e social na vida dos produtores que praticam a agricultura familiar.

O conhecimento das doenças que ocorrem em uma região agrícola é fundamental para a adoção de medidas de manejo dessas doenças e para nortear a realização de pesquisa científica e ações governamentais para redução do impacto dessas doenças na produção agrícola da região.

Agradecimentos

Ao CNPq pelo apoio financeiro, a Cristiano S. Lima; À

FACEP pela bolsa de mestrado de Maruzanete Pereira de Melo e Dyana Albuquerque Tenório; À UFRPE pela bolsa de monitoria de Nielson de Lima Barros. Ewerton Bruno de Macêdo Régis é monitor voluntário e participa do PIC/UFRPE.

Referências

[1] AGRIOS, G.N. Plant pathology. San Diego: Elsevier Academic Press, 2005. 922 p. [2] MICHEREFF, S.J. Fundamentos de fitopatologia. Recife: Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2001. 145p.

X JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2010 – UFRPE: Recife, 18 a 2 de outubro.

Figura 1. Estatísticas sobre a ocorrência de doenças em plantas no Agreste do estado de Pernambuco.

Feijão Caupi

Feijão Comum Cana-de-açucar Milho

Mamona Algodão

Café Mandioca Sorgo

Cercosporiose Outras doenças Mancha anelar Mancha de alternaria Antracnose Mosaico Mofo branco

Mancha de phaeosphaeria Mancha de ramulária

Ferrugem

Belo Jardim

Bonito Brejão

Caetés Escada

Garanhuns

Jucati Jupi

Lajedo

(Parte 1 de 2)

Comentários