Aprendendo Língua Brasileira de Sinais

Aprendendo Língua Brasileira de Sinais

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Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina

Unidade São José – Coordenadoria de Cultura Geral Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos

Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República

Fernando Haddad Ministro da Educação

Eliezer Pacheco

Secretário da Educação Profissional e Tecnológica SETEC-MEC

Consuelo Aparecida Sielski Santos Diretora Geral

Regina Rogério Vice-Diretora Geral

Nilva Schroeder Diretora de Ensino

Rosangela Mauzer Casarotto Diretora de Administração e Planejamento

Marcelo Carlos da Silva Diretor de Relações Externas

Maria Clara Schneider Diretora de Pós-Graduação e Pesquisa

Wilson Zapellini Diretor de Gestão do Conhecimento

Jorge Pereira Diretor da Unidade São José

Maria Lúcia de Souza Cidade Coordenadora de Cultura Geral

Vilmar Silva Coordenador do NEPES

Kelly Machado Pinho da Rosa e Simone Gonçalves Lima da Silva Arte Final

Sérgio Barbosa Júnior Ilustrações Originais

Mara Lúcia Masutti Revisão gramatical

3 SANTA CATARINA, 2007

Fábio Irineu da Silva

Flaviane Reis

Paulo Roberto Gauto

Simone Gonçalves de Lima da Silva Uéslei Paterno

O “curso de Libras” desenvolvido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos – NEPES do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFET/SC pretende ser um meio difusor da Língua e da cultura do povo surdo. Almejamos oferecer um suporte intelectual para quem desejar conhecer e se aprofundar no idioma dos surdos brasileiros, ou seja, na Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

O NEPES vem realizando estudos e pesquisas em Educação de Surdos desde 1994, experiência que envolve tanto aspectos políticos, culturais e pedagógicos como as metodologias de ensino nos diversos níveis de escolarização. Hoje, o NEPES mantém um curso de Pós-graduação lato sensu em Educação de Surdos, um curso de Ensino de Jovens e Adultos surdos – EJA Bilíngüe, tendo formado em setembro de 2006 uma turma de Ensino Médio Bilíngüe. Além dos diversos cursos profissionalizantes e básico de Libras para alunos, funcionários, docentes e famílias de surdos. Para saber mais sobre o trabalho do NEPES visite w.sj.cefetsc.edu.br/~nepes.

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua que tem ganhado espaço na sociedade por conta dos movimentos surdos em prol de seus direitos, é uma luta de muitos anos que caracteriza o povo surdo como um povo com cultura e língua própria que sofre a opressão da sociedade majoritária impondo um padrão de cidadão sem levar em conta as especificidades de cada um destes cidadãos. Sendo assim, através de anos de luta o povo surdo conquistou o direito1 de usar uma língua que possibilitasse não só a comunicação, mas também sua efetiva participação na sociedade.

No entanto, para que esta participação seja efetiva é preciso difundir a língua, a cultura e a concepção de mundo dos surdos. E para isso o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos – NEPES elaborou este material

Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Decreto n.º 5.626/2005 regulamenta a lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a língua brasileira de sinais - libras, e o art. 18 da lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

com conteúdos fundamentais para aprendizagem deste segundo idioma. O material se constitui em etapas de aprendizagem, informações interessantes com o tema “Você sabia...?”, atividades, dinâmicas e curiosidades além de dados históricos que marcaram o início da língua de sinais no Brasil e no mundo.

Esperamos despertar em você o desejo de conhecer, a vontade de aprender e a capacidade compreender um novo idioma, a Língua Brasileira de Sinais.

Os autores

Etapa I - Introdução ao aprendizado da Língua Brasileira de Sinais – Libras8
ESTUDO DA LÍNGUA 1 - O que você precisa saber antes começar?9
O que é Libras?9
Quem são os Surdos e quem são os Ouvintes?12
Culturas e Identidades em questão13
Sistema de transcrição em Libras15
Principal Característica das Línguas de Sinais16
Veja no DVD – “Início de Conversa”17
ESTUDO DA LÍNGUA 2 – Apresentação Pessoal: Oi, seu sinal?……18
Atividade 1 - Alfabeto Manual – Quem é Quem?……………………………21
Veja no DVD – “MEU SINAL”……………………………………………………2
Pronomes Pessoais e Possessivos23
Sinais em foco: Formas de cumprimento / Identificação24
Verbos em Libras 1: LEMBRAR / ESQUECER…………………………………25
Veja no DVD – “BATE-PAPO EM LIBRAS - 1”25
Curiosidades – Primeira Publicação do Alfabeto Manual………………………26
ESTUDO DA LÍNGUA 3 – Expressões Faciais na Libras27
Atividade 2 – Qual a expressão?…………………………………………30
Atividade 3 no DVD – Reconhecendo as Expressões Faciais31
Sinalizando: Quem? / De Quem É? / Quem É?31
Veja no DVD – “Quem? / De Quem É? / Quem É?”…………31
Sinais em foco: Pessoas, objetos e animais32
Você sabia...? – “Escrita de Sinais – Sign Writing”………………………………3
ESTUDO DA LÍNGUA 4 – Que dia é hoje?35
Advérbios de Tempo e Freqüência / Calendário35
Atividade 4 – Responda rápido39
Veja no DVD – “Dia de Prova”…………………………………39
Curiosidades – A primeira Escola para Surdos no Brasil40
ESTUDO DA LÍNGUA 5 – Números em Libras41
Atividade 5 – Responda rápido……………………………………………………42
Veja no DVD – “Tipos de Numeração em Libras”42
Verbos em Libras 3: COMPRAR / VENDER / PAGAR / TROCAR4
Veja no DVD – “BATE-PAPO EM LIBRAS – 2”4
Você sabia...? – “Soletração Rítmica” + Atividade 6 no DVD……………45
REVISÃO DA ETAPA I46
Etapa I – Produção e Compreensão de Sinais…………………………………47
ESTUDO DA LÍNGUA 6 – Na hora certa!48
Atividade 7 no DVD – Horas em contexto49
Conversando em Libras – Diálogo50
Curiosidades –“As Associações de Surdos no Brasil”51
ESTUDO DA LÍNGUA 7 – Espaço de Sinalização……………………52
Igual ou Diferente?52
Atividade 8 – Comparando Igual ou Diferente…………………………………53
VEJA NO DVD – Vocabulário Cores e Vestuário + Atividade 9 – Certo ou Errado?53
Curiosidades – “O Intérprete de Libras”……………………………………54
ESTUDO DA LÍNGUA 8 – Classificadores de formas56
Atividade 10 – Sinalizando classificadores58
Você sabia...? – “Língua de Sinais não é Mímica!!”………………………………59
REVISÃO DA ETAPA I60
Etapa I – Vocabulário Básico de Libras…………………………………………61
ESTUDO DA LÍNGUA 9 – Exercitando Sinais62
Conversando no Banco……………………………………………………63
Conversando no Consultório Médico64
Conversando na Empresa65
Pedindo Informação6
Curiosidades – “As Línguas de Sinais do Mundo”67
Finalizando – “ATÉ O PRÓXIMO CURSO”68

Objetivo

Apresentar algumas das características fundamentais da Língua

Brasileira de Sinais para iniciação ao seu aprendizado e ao contato com pessoas Surdas.

ESTUDO DA LÍNGUA 1 O que você precisa saber antes de começar?

O QUE É LIBRAS? Língua Brasileira de Sinais

A Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – FENEIS define a Língua Brasileira de Sinais – Libras como a língua materna2 dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com esta comunidade. Como língua, está composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática, semântica, pragmática, sintaxe e outros elementos preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerado instrumento lingüístico de poder e força. Possui todos elementos classificatórios identificáveis numa língua e demanda prática para seu aprendizado, como qualquer outra língua. (...) É uma língua viva e autônoma, reconhecida pela lingüística.

Segundo Sánchez (1990:17) a comunicação humana “é essencialmente diferente e superior a toda outra forma de comunicação conhecida. Todos os seres humanos nascem com os mecanismos da linguagem específicos da espécie, e todos os desenvolvem normalmente, independentes de qualquer fator racial, social ou cultural”. Uma demonstração desta afirmação se evidencia nas línguas oral-auditiva (usadas pelos ouvintes) e nas línguas viso-espacial (usadas pelos surdos). As duas modalidades de línguas são sistemas abstratos com regras gramaticais. Entretanto, da mesma forma que as línguas orais-auditivas não são iguais, variando de lugar para lugar, de comunidade para comunidade a língua

2 Língua materna se refere aos surdos que nascem em famílias de surdos, onde a língua comum é a Libras. Já para surdos que nascem em famílias ouvintes onde não há comunicação em Libras entendemos como Língua natural.

de sinais também varia. Dito de outra forma: existe a língua de sinais americana, inglesa, francesa e varias outras línguas de sinais em vários países, bem como a brasileira.

A estrutura da Língua Brasileira de Sinais é constituída de parâmetros primários e secundários que se combinam de forma seqüencial ou simultânea. Segundo Brito (1995, p. 36 – 41) os parâmetros primários são:

a) Configurações das mãos, em que as mãos tomam as diversas formas na realização de sinais. De acordo com a autora, são 46 configurações de mãos na Língua Brasileira de Sinais; b) Ponto de articulação, que é o “espaço em frente ao corpo ou uma região do próprio corpo, onde os sinais são articulados. Esses sinais articulados no espaço são de dois tipos, os que articulam no espaço neutro diante do corpo e os que se aproximam de uma determinada região do corpo, como a cabeça, a cintura e os ombros”; (BRITO, 1995).

c) Movimento, que é um “parâmetro complexo que pode envolver uma vasta rede de formas e direções, desde os movimentos internos da mão, os movimentos do pulso, os movimentos direcionais no espaço até conjuntos de movimentos no mesmo sinal. O movimento que as mãos descrevem no espaço ou sobre o corpo pode ser em linhas retas, curvas, sinuosas ou circulares em várias direções e posições”. (BRITO, 1995)

Quanto aos parâmetros secundários tem-se:

a) Disposição das mãos, em que as “articulações dos sinais podem ser feitas apenas pela mão dominante ou pelas duas mãos. Neste último caso, as duas mãos podem se movimentar para formar o sinal, ou então, apenas a mão dominante se movimenta e a outra funciona como um ponto de articulação”; (BRITO, 1995) b) Orientação da palma das mãos, “é a direção da palma da mão durante o sinal: voltada para cima, para baixo, para o corpo, para frente, para a esquerda ou para a direita. Pode haver mudança na orientação durante a execução do movimento”; (BRITO, 1995) c) Região de contato, “refere-se à parte da mão que entra em contato com o corpo. Esse contato pode-se dar de maneiras diferentes: através de um toque, de um risco, de um deslizamento etc.” (BRITO, 1995) d) Expressões faciais “muitos sinais, além dos parâmetros mencionados acima, têm como elemento diferenciador também a expressão facial e/ou corporal, traduzindo sentimentos e dando mais sentido ao enunciado e em muitos casos determina o significado do sinal” (SILVA, p. 5, 2002). Ou seja, podem expressar as diferenças entre sentenças afirmativas, interrogativas, exclamativas e negativas.

Quem são os Surdos e Quem são os Ouvintes?

Antes de começarmos nossa caminhada para o aprendizado da Língua

Brasileira de Sinais é importantíssimo que você compreenda que esta língua não é a língua de um país mas, é a língua de um povo que se auto-denomina de Povo Surdo3. Os surdos deste povo são pessoas que se reconhecem pela ótica cultural e não medicalizada, possuem uma organização política de vida em função de suas habilidades, neste caso a principal é a habilidade visual, o que gera hábitos também visuais e uma língua também visual.

No entanto, a palavra – surdo – possui vários sentidos. O mais usado é aquele ligado à idéia de doença, de falta, de incapacidade, de deficiência. Nem todos os surdos se identificam como surdos, há aqueles que ouvem pouco e/ou usam a oralidade indentificando-se como deficiêntes auditivos, outros com o mesmo histórico preferem indentificar-se como surdo, logo não se tem uma definição exata do termo.

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