História Geral da África 2

História Geral da África 2

(Parte 5 de 6)

Egito: posição geográfica

Em grande parte paralelo às costas do mar Vermelho e do oceano Índico, aos quais tem acesso através de depressões perpendiculares ao curso do rio, o vale do Nilo, ao sul do 8.° paralelo norte até o Mediterrâneo, abre-se amplamente também para oeste, graças aos vales que começam nas regiões do Chade, Tibesti e Ennedi e terminam no próprio Nilo. Finalmente, a larga extensão do Delta, os oásis da Líbia e o istmo de Suez dão-lhe amplo acesso ao Mediterrâneo. Dessa maneira, aberto para leste e oeste, para o sul e o norte, o corredor do Nilo é uma zona de contatos privilegiados não apenas entre as regiões africanas que o margeiam, mas também com os centros mais distantes das civilizações antigas da península Arábica, do oceano Índico e do mundo mediterrâneo, tanto oriental como ocidental.

Entretanto a importância dessa posição geográfica variou ao longo do tempo.

Na África, o final do Neolítico caracterizou-se por uma fase úmida, que no hemisfério norte durou até -2300, aproximadamente. Durante esse período, que se estendeu do VII ao I milênio antes da Era Cristã, as regiões a leste e a oeste do Nilo desfrutaram de condições climáticas favoráveis à fixação humana. Consequentemente, os contatos e relações entre o leste e o oeste do continente foram tão importantes quanto os estabelecidos entre o norte e o sul.

XXXVIÁfrica antiga

Por outro lado, a partir de -2400, o ressecamento da parte da África compreendida entre os paralelos 13 e 15, ao norte, fez com que o vale do Nilo se tornasse a principal rota de comunicação entre a costa mediterrânea do continente e o que hoje se designa como África ao sul do Saara. Era através do vale do Nilo que matérias-primas, objetos manufaturados e, sem dúvida, ideias transitavam do norte para o sul e vice-versa,

É evidente que, devido às variações climáticas, a posição geográfica do médio vale do Nilo, como a do Egito, não teve, no período entre -7000 e -2400, a mesma importância, ou, mais exatamente, o mesmo impacto que veio a ter depois dessa época. Durante esse tempo, os grupos humanos e as culturas puderam deslocar-se livremente, pelo hemisfério norte, entre o leste e o oeste, assim como entre o norte e o sul. Esse foi o período primordial da formação e da individualização das culturas africanas. Foi também o período em que as relações entre leste e oeste, entre o vale do Nilo e o Oriente Médio, de um lado, e entre a África ocidental e a oriental, de outro, foram mais fáceis. De -2400 até o século VII da Era Cristã, entretanto, o vale do Nilo tornou-se a rota privilegiada entre o norte e o sul do continente. Foi através desse vale que se realizaram os vários tipos de intercâmbio entre a África negra e o Mediterrâneo.

Fontes para a história do vale do Nilo na Antiguidade

A importância e a situação privilegiada do vale do Nilo devem-se à posição que ocupa na porção nordeste do continente. O vale teria permanecido apenas um tema intelectualmente estimulante, servindo, no máximo, como uma introdução à pesquisa histórica, se não fosse também a região mais rica da África em fontes históricas antigas. Essas fontes nos permitem controlar e avaliar o papel dos fatores geográficos na história da África como um todo, a partir de -5000. Permitem-nos também alcançar um conhecimento acurado dos eventos históricos do Egito propriamente dito, bem como, mais especialmente, fazer uma ideia precisa da cultura material, intelectual e religiosa do baixo e médio vale do Nilo, até os pântanos do Bahr el-Ghazal.

As fontes de que dispomos são de natureza arqueológica – portanto, mudas, pelo menos aparentemente – e literária. As primeiras, especialmente para os períodos mais antigos, só foram exploradas e organizadas recentemente. Até o momento, elas não apenas são incompletas e irregulares como também têm sido pouco ou mal utilizadas. As fontes literárias, por outro lado, têm uma longa tradição.

XXXVIIIntrodução Geral

Na verdade, muito antes de Champollion, o misterioso Egito já despertava curiosidade. No período arcaico, no século VI antes da Era Cristã, os sucessores dos pré-helenos já haviam chamado a atenção para a diferença entre os seus costumes e crenças e os do vale do Nilo. Graças a Heródoto, essas observações chegaram até nós. Com o objetivo de compreender melhor seus novos súditos, os reis ptolomaicos, surpreendidos pela originalidade da civilização egípcia, patrocinaram a compilação de uma história do Egito faraônico, no século I antes da Era Cristã, abordando aspectos políticos, religiosos e sociais. Mâneton, egípcio de nascimento, foi encarregado de escrever essa história geral do Egito. Tinha acesso aos arquivos antigos e sabia lê-los. Se seu trabalho tivesse chegado figura 1 O Nilo, fotografado por um satélite Landsat em órbita a 920 km da Terra (do artigo de Farouk El-Baz, “Le Courrier de l’Unesco”, jul. 1977, foto Nasa, EUA). O conjunto de sessenta fotografias do Egito tiradas pelo satélite mostra nitidamente (em alto contraste) a estreita faixa fértil constituída pelo vale do Nilo, bem como o triângulo do Delta e o oásis do Fayum. O deserto ocupa dois terços da imagem, a oeste do Nilo. Na parte inferior, podem-se distinguir fileiras de dunas desenhando curvas paralelas.

XXXVIII África antiga até nós na íntegra, teria evitado muitas incertezas. Infelizmente desapareceu quando a biblioteca de Alexandria foi queimada. Os excertos preservados em várias compilações, frequentemente reunidos para fins apologéticos, fornecemnos, não obstante, um sólido esquema da história egípcia. Na verdade, as 31 dinastias “manetonianas” continuam sendo, até hoje, a base da cronologia relativa do Egito.

O fechamento dos últimos templos egípcios sob Justiniano I, no século VI da

Era Cristã, levou ao abandono das formas faraônicas de escrita – hieroglíficas, hieráticas ou demóticas. Apenas a linguagem falada sobreviveu, no copta; as fontes escritas caíram gradualmente em desuso. Foi só em 1822, quando Jean- François Champollion (1790-1832) decifrou a escrita hieroglífica, que se pôde novamente ter acesso aos documentos antigos, escritos pelos próprios egípcios.

Essas fontes literárias egípcias antigas devem ser utilizadas com reservas, pois têm uma natureza particular. Frequentemente foram elaboradas com um propósito específico: enumerar as realizações de um faraó, para mostrar que ele cumprira plenamente sua missão terrestre de manter a ordem universal desejada pelos deuses (Maât) e de resistir às forças do caos que cada vez mais ameaçavam essa ordem. Podiam também ter o propósito de garantir eterna devoção e lembrança aos faraós que fizeram por merecer a gratidão das gerações seguintes. Nessas duas categorias de documentos enquadram-se, respectivamente, os longos textos e as imagens históricas que adornam certas partes dos templos egípcios, e as veneráveis listas de ancestrais, como aquelas entalhadas nos templos em Carnac, durante a XVIII dinastia, e em Abidos, durante a XIX.

Para compilar listas reais como as mencionadas acima, os escribas dispunham de documentos redigidos por sacerdotes ou por funcionários reais, o que sugere a existência de arquivos oficiais bem organizados. Infelizmente, apenas dois desses documentos chegaram até nós, e, ainda assim, incompletos. São eles a Pedra de Palermo e o Papiro real de Turim.

A Pedra de Palermo (assim chamada porque o maior fragmento do texto é conservado no museu dessa cidade da Sicília) é uma placa de diorito gravada nas duas faces, com os nomes de todos os faraós que reinaram no Egito desde o começo da V dinastia, por volta de -2450. A partir da I dinastia, a Pedra de Palermo arrola não só os nomes dos soberanos na ordem de sucessão, mas também os principais eventos de cada reinado ano a ano; tais listas constituem verdadeiros anais. É lamentável que esse documento incomparável esteja quebrado, tendo chegado incompleto até nós.

O Papiro de Turim, preservado no museu dessa cidade, não é menos importante, embora consista apenas em uma lista de governantes, com seus

XXXIXIntrodução Geral protocolos completos e o número de anos, meses e dias de seus reinados, em ordem cronológica. Fornece uma lista completa de todos os faraós, desde os primeiros tempos até aproximadamente -1200. Embora tenha sido descoberto intacto no século XIX, este documento foi manuseado com tanto descuido por ocasião do transporte que se despedaçou, tendo sido necessário anos de trabalho para a sua restauração. Mesmo assim, existem ainda hoje muitas lacunas. Uma das peculiaridades do Papiro de Turim é o fato de agrupar os faraós em séries. No final de cada série, o escriba acrescentou o número total de anos de reinado dos faraós de cada grupo. Temos aqui, sem dúvida, a fonte das dinastias de Mâneton.

Cronologia egípcia

A Pedra de Palermo, o Papiro de Turim e as listas reais dos monumentos tornam-se ainda mais importantes para a história do Egito se levarmos em conta que os egípcios não adotavam eras contíguas ou cíclicas, como as de nossos sistemas – antes ou depois de Cristo, da Hégira ou das Olimpíadas. Seu cômputo baseia-se na pessoa do próprio faraó; cada data é estabelecida tendo como referência o faraó que reinava no tempo em que o documento foi redigido. Por exemplo, uma estela poderá trazer a data: “Ano do faraó N, segundo mês de Akhet (estação), oitavo dia”, mas a contagem começa novamente a partir de 1 quando o governante seguinte sobe ao trono. Esse costume explica a importância de se conhecerem os nomes de todos os faraós que reinaram, e a duração de cada reinado, para estabelecer a cronologia. O Papiro de Turim e a Pedra de Palermo nos teriam fornecido essas informações essenciais se tivessem permanecido intactos. Infelizmente isso não aconteceu, e os outros documentos que preenchem as lacunas dessas duas fontes principais ainda não são suficientes para que tenhamos uma lista completa e exata dos faraós do Egito. Não só a ordem de sucessão continua controversa para alguns períodos em que o Papiro de Turim e a Pedra de Palermo não fornecem referências, como a própria duração exata do reinado de alguns soberanos ainda é desconhecida. Na melhor das hipóteses, temos apenas a mais antiga data conhecida de um determinado faraó, mas seu reinado pode ter durado até muito depois da construção do monumento que traz essa data.

Mesmo com essas lacunas, a soma de todas as datas fornecidas pelas fontes de que dispomos perfaz um total de mais de 4 mil anos. Essa é a cronologia longa, aceita pelos primeiros egiptólogos até 1900. Percebeu-se, então, que

XLÁfrica antiga uma tal extensão de tempo era inadequada: estudos de textos e monumentos mostraram que em certos períodos vários faraós reinaram ao mesmo tempo (havendo, portanto, dinastias paralelas) e como por vezes ocorria, um faraó podia tomar um de seus filhos como corregente. Dado que cada governante datava seus monumentos tendo como referência seu próprio reinado, havia algumas superposições; somando-se os reinados das dinastias paralelas e aqueles dos corregentes aos reinados dos soberanos oficiais, chegava-se, necessariamente, a um número total muito superior ao real.

Provavelmente teria sido impossível resolver esse problema se uma peculiaridade do antigo calendário faraônico não nos tivesse fornecido uma referência cronológica segura, por estar esse calendário relacionado a um fenômeno astronômico permanente, cujo cálculo era fácil estabelecer. Referimonos ao aparecimento da estrela Sótis – a nossa Sirius – coordenado com o nascer do Sol, na latitude de Heliópolis-Mênfis. É a isto que se chama “nascer helíaco de Sótis”, fenômeno que foi observado e anotado na Antiguidade pelos egípcios. Essas observações forneceram as datas “sotíacas”, nas quais se baseia atualmente a cronologia egípcia.

No princípio, os egípcios, como a maioria dos povos da Antiguidade, parecem ter utilizado o calendário lunar, principalmente para estabelecer as datas das festas religiosas. Mas, ao lado desse calendário astronômico, usavam um outro. Sendo os egípcios um povo camponês, seu dia-a-dia era fortemente marcado pelo ritmo da vida agrícola: semeadura, maturação, colheita, preparação de novas sementes. Ora, no Egito, o ritmo agrícola do vale é condicionado pelo Nilo, e suas mudanças é que fixam as datas das várias operações. Assim, não há nada de surpreendente no fato de que, paralelamente ao calendário religioso lunar, os antigos habitantes do vale utilizassem também um calendário natural baseado na repetição periódica do evento mais importante para a sua subsistência: as cheias do Nilo.

Nesse calendário, a primeira estação do ano, Akhet em egípcio, marcava o começo da enchente. As águas do rio subiam pouco a pouco e cobriam a terra ressecada pelo verão tórrido. Os campos permaneciam encharcados durante quatro meses aproximadamente. Na estação seguinte, a terra, que pouco a pouco emergia da inundação, ficava pronta para a semeadura. Era a estação Peret – literalmente, “sair” –, termo que, sem dúvida, faz alusão à terra que “sai” da água e, ao mesmo tempo, à “saída”, ao despontar da vegetação. Terminada a semeadura, o camponês aguardava a germinação e a maturação dos grãos. Na terceira e última estação, os egípcios colhiam e estocavam a colheita. Depois

XLIIntrodução Geral figura 2 A Pedra de Palermo. (Fonte: A. H. Gardiner, “The Egypt of the Pharaohs”, Oxford University Press, 1961.)

XLIIÁfrica antiga figura 3 O Papiro de Turim. (Fonte: A. H. Gardiner, “The Royal Canon of Turin”, Oxford, 1954. Foto Griffith Institute, Ashmolean Museum, Oxford.) disso, tinham apenas que esperar a nova enchente e preparar os campos para a sua chegada. Essa era a estação Shemu.

É possível – e mesmo muito provável – que, por longos anos, os egípcios tenham-se contentado com esse calendário. O ano, então, começava quando as águas subiam. A estação Akhet, assim iniciada, durava até a retração das águas, que marcava o início da estação Peret. Esta, por sua vez, terminava quando os grãos amadurecidos estavam prontos para a colheita, marcando o começo da estação Shemu, que terminava somente com o início da nova cheia. Era pouco significativo para o camponês que uma estação fosse mais longa do que a outra; o que importava era a organização do trabalho, que variava de acordo com as três estações.

Em que momento e por que razões os egípcios passaram a ligar a enchente do Nilo ao aparecimento simultâneo do Sol e da estrela Sótis no horizonte? Isso certamente será difícil de determinar. Não há dúvida de que o estabelecimento dessa relação foi resultado de observações repetidas e, ao mesmo tempo, de profundas crenças religiosas. A estrela Sótis (Sirius, em egípcio Sepedet, “a

XLIIIIntrodução Geral

Pontuda”) veio, mais tarde, a ser identificada com Ísis, a cujas lágrimas se atribuíam as enchentes do Nilo. Talvez tenhamos aqui o reflexo de uma crença religiosa muito antiga, associando o aparecimento da estrela divinizada com a subida das águas. Quaisquer que sejam as razões, ao vincular o começo da cheia, e, consequentemente, o primeiro dia do novo ano, a um fenômeno astronômico, os egípcios forneceram-nos os meios para estabelecer pontos de referência concretos para a sua longa história.

Na latitude de Mênfis, o suave início da enchente ocorria em meados de julho. Poucos anos de observação parecem ter sido suficientes para mostrar aos egípcios que o início da enchente tinha uma recorrência média de 365 dias. A partir daí, eles dividiram seu ano de três estações empíricas em um ano de doze meses de trinta dias cada um. Atribuíram, assim, quatro meses para cada estação. Acrescentando cinco dias suplementares (em egípcio, os cinco heryu renepet, os cinco a mais – acrescentados – ao ano), que os gregos chamavam de epagômenos, os escribas obtiveram um ano de 365 dias, que era, de longe, o mais adequado de todos os adotados na Antiguidade.

No entanto, não era perfeito. De fato, a Terra completa a sua translação em torno do Sol não em 365 dias, mas em 365 dias e um quarto. A cada quatro anos, o ano oficial egípcio se atrasava um dia em relação ao ano astronômico, e somente a cada 1460 anos – o período sotíaco – os três fenômenos (nascer do Sol, nascer de Sótis e início da cheia) ocorriam simultaneamente no primeiro dia do ano oficial.

Essa defasagem gradual entre os dois anos teve duas consequências importantes: primeiro, permitiu que os modernos astrônomos determinassem quando os egípcios adotaram o seu calendário, tendo essa data que coincidir, necessariamente, com o início de um período sotíaco. A coincidência dos fenômenos – início da enchente e nascer helíaco de Sótis – ocorreu três vezes nos cinco milênios anteriores à Era Cristã em -1325/-1322, em -2785/-2782 e em -4245/-4242. Por muito tempo, acreditou-se que os egípcios tinham adotado seu calendário entre -4245 e -4242. Atualmente, admite-se que isso só ocorreu no início do período sotíaco seguinte, isto é, entre -2785 e -2782.

A segunda consequência da adoção, pelos egípcios, do calendário solar fixo foi um distanciamento gradual entre as estações naturais, determinadas pelo próprio ritmo do Nilo, e as estações oficiais, adotadas pelo governo, que se baseavam em um ano de 365 dias. Essa defasagem de um dia a cada quatro anos – no início, quase imperceptível – aumentava pouco a pouco para uma semana, um mês, dois meses, até que o Shemu do calendário oficial caísse no meio da estação natural Peret. Um tal descompasso não poderia deixar de chamar a atenção dos escribas

XLIVÁfrica antiga egípcios: há textos que apontam oficialmente a diferença entre o verdadeiro nascer helíaco de Sótis e o começo do ano oficial. Essas observações permitemnos estabelecer com uma aproximação de quatro anos as seguintes datas:

• o reinado de Sesóstris I deve incluir os anos -1882/-1879; • o ano de Amenófis I cai entre os anos -1550 e -1547;

• o reinado de Tutmés I inclui os anos -1474/-1471.

Combinando essas datas com as datas relativas fornecidas pelas fontes de que dispomos – o Papiro de Turim, a Pedra de Palermo e os monumentos datados. das várias épocas –, pudemos estabelecer uma cronologia básica, a mais exata de todas as do Oriente antigo. Ela estabelece o início da história do Egito em -3000. As grandes divisões de Mâneton podem ser datadas como segue:

• I à VI dinastia (Antigo Império): aproximadamente -2750/-20; • VII à X dinastia (Primeiro Período Intermediário): -20/-2150;

• XI à XII dinastia (Médio Império): -2150/-1780;

• XIII à XVII dinastia (Segundo Período Intermediário): -1780/-1580;

• XVIII à X dinastia (Novo Império): -1580/-1080;

• XXI à XI dinastia (Terceiro Período Intermediário): -1080/-730;

• XIV à X dinastia (Baixa Época): -730/-330.

A conquista de Alexandre da Macedônia, em -332, marca o final da história do Egito faraônico e o início do período helenístico (cf. capítulo 6).

O meio ambiente nilótico

Talvez seja interessante citar aqui uma frase escrita por Heródoto (I, 35) no final de sua descrição do Egito: “Não só o clima do Egito é peculiar a esse país, e o comportamento do Nilo diferente daquele de outros rios em qualquer outro lugar, mas também os próprios egípcios em seus usos e costumes parecem ter invertido as práticas comuns da humanidade” (a partir da tradução de A. de Sélincourt). Ao escrever essa frase, Heródoto naturalmente se referia apenas aos países que margeiam o Mediterrâneo. No entanto é verdade que, de todos os países da África, o Egito é o que possui o meio ambiente mais característico, devido ao regime do Nilo. Sem o rio, o Egito não existiria. Isso foi dito e redito mil vezes desde Heródoto: trata-se de uma verdade básica.

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