Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

(Parte 1 de 9)

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde

Departamento de Enfermagem Enfermagem Ginecológica e Obstétrica

Profª Msc Sandra L. Felix de Freitas

Profª Dra Maria Auxiliadora Gerk Profª Dra Sandra Lucia Arantes Profª Dra Cristina Brandt Nunes Profª Mestre Marisa Rufino Ferreira Luizari

Campo Grande, 2010

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade.

É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto.”

Albert Einstein

Objetivos do capítulo:

Que o(a) aluno(a) ao final da leitura seja capaz de: •Conhecer as adaptações do organismo materno a gestação;

•Identificar as principais queixas que ocorrem na gravidez;

•Descrever o protocolo de assistência à gestante de baixo risco, segundo preconizado pelo MS;

•Identificar os diagnósticos de enfermagem mais comumentente encontrados na consulta de pré-natal;

•Sistematizar a assistência de enfermagem à gestante de baixo risco.

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL1
As Primeiras Alterações Maternas6
Adaptações do aparelho reprodutor feminino7
Útero7
Ovários e Trompas de Falópio9
Vagina e Períneo9
Mamas9
Sistema Cardiovascular9
Coração:9
Vasos sangüíneos10
Volume sanguíneo10
Pressão arterial1
Hipotensão ortostática12
Débito cardíaco12
Metabolismo do Ferro12
Sistema Respiratório13
Alterações anatômicas13
Sistema Urinário13
Alterações morfológicas13
Alterações funcionais13
Sistema Gastrointestinal14
Sistema Endócrino14
Hormônios da gravidez14
Outras alterações hormonais da gravidez16
Alterações metabólicas16
Metabolismo da água16
Aumento ponderal16
Metabolismo glicídico17
Sistema Tegumentar17
Sistema Musculo-esquelético18
Queixas Mais Frequentes na Gestação19
PRÉ-NATAL20
Assistência Pré-natal20
A Participação da(o) Enfermeira(o) na Assistência Pré-natal21
A Consulta no Pré-Natal21
Objetivos da Primeira Consulta de Enfermagem no Pré-Natal2
Primeira Consulta2
Exames Solicitados23
Encaminhamentos23
Orientações24
Prescrição de Medicamentos Padronizados no Pré Natal25
Cronograma das Consultas25
DE BAIXO RISCO27
Histórico de enfermagem27
Exame Físico28
Diagnósticos de Enfermagem28
Prescrição de Enfermagem28

Sumário SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM (SAE) A GESTANTE Evolução de Enfermagem.......................................................................................... 28

Exame físico geral29
Diagnóstico nutricional30
Verificando a pressão arterial31
Importância da verificação de edemas na gestante3
Exame físico específico (gineco-obstétrico)34
Exame clínico de mamas34
Palpação obstétrica34
Ausculta dos batimentos cardíacos fetais37
Mensuração da altura uterina38
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM40

EXAME FÍSICO DA GESTANTE.................................................................................29

enfermagem utilizando-se o eixo ação da CIPE - versão 1.0 (2007)40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS51

Diagnósticos de enfermagem segundo a NANDA (2010) e prescrições de Apêndice..........................................................................................................................53

Com a nidificação do ovo é preciso que o organismo da grávida se altere, adaptando-se para permitir sua vivência e nutrição adequadas.

Modificações locais, imediatas, permitindo seu desenvolvimento, proteção e oportuna expulsão, quando maduro. Ocorrem também modificações gerais, gradativas, que lhe proporcionem o indispensável às solicitações metabólicas, à formação dos tecidos e à constituição das reservas para a vida neonatal.

As exigências da prenhez atingem os limites da capacidade funcional de muitos órgãos maternos, podendo fazer despontar, ou agravar, quadros patológicos preexistentes.

As Primeiras Alterações Maternas O organismo materno sofre modificações para receber, nutrir, proteger, assim auxiliando no desenvolvimento e a oportuna expulsão do concepto.

• Amenorréia secundária •Náuseas e vômitos (que ocorrem mais freqüentemente pela manhã) - acometem

1/3 das grávidas, cessando no final da 12ª semana; •Polaciúria (que se deve a compressão do útero sobre a bexiga ) - tende a desaparecer por volta da 12ª semana de gravidez e retorna novamente próximo ao parto, quando ocorre a insinuação fetal; •Outros sintomas iniciais podem ocorrer como tonturas, sonolência, alterações do apetite - como as conhecidas perversões - e constipação intestinal; •O útero tem sua consistência diminuída e sua forma é alterada pela presença do feto e pelo seu conseqüente crescimento.

7 Adaptações do aparelho reprodutor feminino

Útero Ocorre hipertrofia e dilatação, aumento do tamanho e número de vasos sanguíneos e linfáticos.

Alterações de tamanho, forma e posição – piriforme inicialmente, depois o corpo e fundo assumem uma configuração globular no fim do terceiro mês de gestação.

Por volta da 12ª semana, o útero torna-se demasiado grande para ficar contido na cavidade pélvica.

Circulação uteroplacentária - O aporte da maioria das substâncias essenciais ao crescimento e metabolismo fetais e placentários, bem como a remoção da maioria dos metabólicos, depende de uma perfusão adequada do espaço interviloso placentário.

Alterações da contratilidade - Do primeiro trimestre em diante, o útero sofre comtrações irregulares, geralmente indolores – Braxton Hicks - esporádicas e imprevisíveis, geralmente arrítmicas

Sinais relacionados as alterações uterinas: Sinal de Hegar, Sinal de Holzapfel,

Sinal de Goodel, Sinal de Piskacek ou Braum-Fernwald, Sinal de Mac Donald e Sinal de Nobile-Budin.

Logo após a concepção, forma-se um tampão de muco muito espesso (rolha de

Schroeder) que leva à obstrução do canal cervical. No início do trabalho de parto, este tampão mucoso é expulso.

Surgem frequentemente as eversões do colo uterino- ectrópio ou ectopia. Por estímulo hormonal, várias modificações no trato genital inferior feminino ocorrem na gestação, tais como: hipertrofia das paredes vaginais, aumento do fluxo sangüíneo e da temperatura, bem como uma maior exposição do epitélio colunar do colo por causa da hiperplasia glandular, com formação da ectopia característica da gestação (TEDESCO; BRITTO; RODRIGUES, 2006; GIRALDO et al., 2006 apud FREITAS, 2008).

O ectrópio ou ectopia caracteriza-se pela eversão do epitélio colunar sobre a ectocérvice, apresentando-se como uma extensa área avermelhada na ectocérvix ao redor do orifício cervical externo. Acontece quando o colo do útero sofre um aumento brusco no tamanho sob a influência hormonal (estrógeno) e o epitélio glandular fica exposto ao ambiente vaginal em casos de alterações inflamatórias e metaplásicas, mas que aparece também, com muita freqüência, no período gestacional (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003 apud FREITAS, 2008, p43).

A redução de consistência do muco cervical e aumento do conteúdo vaginal devem-se à estimulação cervical pelo estrogênio e progesterona.

Ovários e Trompas de Falópio A ovulação cessa durante a gravidez e o recrutamento e maturação de novos folículos são suspensos.

Vagina e Períneo •Sinal de Jacquemier ou de Chadwiick, Sinal de Osiander, Sinal de Kluge e Sinal de Puzos.

As secreções cervicais e vaginais estão consideravelmente aumentadas na gravidez e consistem num muco espesso, de coloração branca, com pH ácido resultante do aumento da produção de ácido láctico a partir do glicogênio do epitélio vaginal por ação do Lactobacillus acidophilus.

Mamas •Congestão mamária (com 5 semanas)

•Hiperpigmentação da aréola primária (por volta da 8ª semana)

•Sinal de Hunter – aparecimento da aréola secundária (20ª semana)

•Rede de Haller – aumento da circulação venosa da mama (16ª semana)

•Colostro (16ª semana)

•Tubérculos de Montgomery – glândulas sebáceas hipertróficas

Sistema Cardiovascular

Coração:

– eleva-se e roda anteriormente para a esquerda (devido o aumento uterino que faz com que o diafragma se desloque para cima);

−hipertrofia leve, secundária ao aumento do volume sanguíneo circulante e ao débito cardíaco aumentado – volta ao normal após o parto;

−a freqüência cardíaca aumenta de 10 a 15 bpm entre a 14ª a 20ª semana, persistindo elevada até o termo. Podem ocorrer palpitações.

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