Aula - Conceitos Basicos da Saude Publica

Aula - Conceitos Basicos da Saude Publica

Expectativas dos estudantes

  • Expectativas dos estudantes

  • Propósito do Bloco e Objectivos de aprendizagem

  • Conteúdo do Bloco

  • Técnicas de Bloco

  • Apresentação dos facilitadores e tutores

  • Housekeeping

  • Avaliação do Bloco (semanal e final)

  • Grupos de trabalho

  • Materiais de consulta

Saúde e Doença

  • Saúde e Doença

  • Medicina e Saúde Pública

  • Introdução à epidemiologia

    • Conceito de epidemiologia
    • Epidemiologia vs abordagem clínica
    • Usos de epidemiologia
    • Perspectivas da epidemiologia
    • Terminologia básica em Epidemiologia: caso esporádico, endemia, surto epidémico, epidemia e pandemia.

Depois de estudar e responder às questões nos exercícios, cada participante deverá ser capaz de:

  • Depois de estudar e responder às questões nos exercícios, cada participante deverá ser capaz de:

  • Descrever as perspectives que definem saúde e doença;

  • Distinguir medicina da saúde pública;

  • Identificar as duas tarefas do trabalhador de saúde: tarefas clínicas e tarefas de saúde da comunidade

A saúde é a vida no silêncio dos órgãos. (Leriche, 1931)

  • A saúde é a vida no silêncio dos órgãos. (Leriche, 1931)

  • Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença. (OMS, 1948)

  • Saúde é o resultado do equilíbrio dinâmico entre o indivíduo e o seu meio ambiente. (Dubos, 1965)

“Saúde é um estado de relativo equilíbrio da forma e da função do organismo, resultante de seu sucesso em ajustar-se às forças que tendem a perturbá-lo.

  • “Saúde é um estado de relativo equilíbrio da forma e da função do organismo, resultante de seu sucesso em ajustar-se às forças que tendem a perturbá-lo.

  • Não se trata de uma aceitação passiva, por parte do organismo, da acção das forças que agem sobre ele, mas de uma resposta activa de suas forças operando no sentido de reajustamento”. Perkins, 1938 (in:Leser e cols. 1985)

SAÚDE é a perfeita e contínua adaptação do organismo ao seu ambiente (Forattini, 1980)

  • SAÚDE é a perfeita e contínua adaptação do organismo ao seu ambiente (Forattini, 1980)

É um dos esforços organizados pela sociedade para proteger, promover e restaurar a saúde da população.

  • É um dos esforços organizados pela sociedade para proteger, promover e restaurar a saúde da população.

  • É a combinação de ciências, capacidades e necessária para a manutenção e melhoria da saúde da população através da acção social e colectiva

  • Os programas, serviços e instituições envolvidos têm como foco a prevenção da doença e as necessidades em saúde da população como um todo (Last, 1988)

“a arte e a ciência de prevenir a doença, prolongar a vida e promover a saúde e a eficiência, física e mental, mediante o esforço organizado da comunidade” (Winslow, 1920).

  • “a arte e a ciência de prevenir a doença, prolongar a vida e promover a saúde e a eficiência, física e mental, mediante o esforço organizado da comunidade” (Winslow, 1920).

  • Saúde Pública promove e preserva a saúde da população.

Quando é causa frequente de morbilidade e mortalidade.

  • Quando é causa frequente de morbilidade e mortalidade.

  • Quando existem métodos eficientes para sua prevenção e controlo, mas esses métodos não são adequadamente empregados pela sociedade.

  • Quando ao ser objecto de campanha destinada ao controlo, ocorrer sua persistência com pouca ou nenhuma alteração.

Definir epidemiologia;

  • Definir epidemiologia;

  • Distinguir a abordagem epidemiológica da abordagem clínica

  • Listar as características chave e usos da epidemiologia descritiva e analítica;

  • Listar as três componentes da tríade epidemiologica;

  • Sumarizar a evolução histórica da epidemiologia;

Descrever as contribuições principais que os epidemiologistas deram para o desenvolvimento da epidemiologia como disciplina.

  • Descrever as contribuições principais que os epidemiologistas deram para o desenvolvimento da epidemiologia como disciplina.

  • Listar e descrever as aplicações primárias de epidemiologia na prática de saúde pública;

  • Caracterizar o método epidemiológico como método científico;

  • Definir o que é: caso esporádico, endemia, surto epidémico, epidemia e pandemia.

Epi _ Sobre, relativo a

  • Epi _ Sobre, relativo a

  • Demos – população, gente

  • Logos – Ciência, tratado... o estudo de

“Epidemiologia é o estudo da distribuição e dos determinantes de estados ou eventos relacionados à saúde em populações específicas e suas aplicações no controlo de problemas de saúde” (Last,1988).

  • “Epidemiologia é o estudo da distribuição e dos determinantes de estados ou eventos relacionados à saúde em populações específicas e suas aplicações no controlo de problemas de saúde” (Last,1988).

Distribuição

  • Distribuição

    • Os epidemiologistas estudam a distribuição de frequências e padrões de eventos de saúde dentro de grupos em uma população.
      • Frequência = número de eventos, taxa ou risco da doença na população
      • Padrão = ocorrência de eventos de saúde em relação ao tempo, lugar e características das pessoas
  • Para isto, usam epidemiologia descritiva que caracteriza eventos de saúde (o quê) em termos de tempo (quando), lugar (onde) e pessoa (quem).

Determinantes – Epidemiologistas também buscam causas ou factores que estejam associados com risco aumentado ou probabilidade de doença.

  • Determinantes – Epidemiologistas também buscam causas ou factores que estejam associados com risco aumentado ou probabilidade de doença.

  • Este tipo de epidemiologia que tenta responder "como" e "por quê" é chamada epidemiologia analítica.

Estados relacionados à saúde

  • Estados relacionados à saúde

    • Doenças infecciosas como enfoque primordial;
    • Hoje é aplicada ao amplo espectro de eventos relacionados à saúde que inclui doença crónica, problemas ambientais, problemas comportamentais e injúrias (causas externas), além de doenças infecciosas.

Populações – Uma das características distintivas mais importantes de epidemiologia é que trata de grupos de pessoas em lugar de pacientes individuais.

  • Populações – Uma das características distintivas mais importantes de epidemiologia é que trata de grupos de pessoas em lugar de pacientes individuais.

Controlo

  • Controlo

    • Dados epidemiológicos orientam decisões de saúde pública e contribuem para o desenvolvimento e avaliação de intervenções para o controlo e prevenção de problemas de saúde.
    • É a função primária do campo da epidemiologia.

EPIDEMIOLOGIA DESCRITIVA

  • EPIDEMIOLOGIA DESCRITIVA

  • Exame da distribuição duma doença em certa população e observação dos acontecimentos básicos de sua distribuição em termos de TEMPO, LUGAR E PESSOAS.

  • TIPOS TÍPICOS DE ESTUDO:

    • Estudo transversal, estudo descritivo.

Historicamente, as epidemias eram vistas como um castigo dos deuses;

  • Historicamente, as epidemias eram vistas como um castigo dos deuses;

  • Principais causas de morte antes de 1800:

    • Sarampo
    • Varíola
    • Peste

Hipócrates (460-377 AC)

  • Hipócrates (460-377 AC)

  • Reconheceu a associação entre doença com o local (geografia), condições de água, clima, hábitos alimentares e de vida.

  • Tentou explicar a ocorrência de doença a partir dum ponto de vista racional ao invés do supernatural.

  • No seu trabalho “ar, água, lugares” Hipócrates admitiu a participação dos factores do ambiente e do hospedeiro como causadores de doença.

  • Usa os termos “epidemia” e “endemia”.

Galeno (129-199 DC)

  • Galeno (129-199 DC)

  • Factores de estilo de vida e a personalidade podem influenciar saúde e doença.

  • Teoria de Miasma (Miasma = poluição atmosférica)

    • O ar mau pode causar doença.
  • Thomas Sydenham (1624-1689)

  • A observação deve ser preferida sobre a teoria no estudo da história natural da doença.

Hieronymus Francastorius (1478-1553)

  • Hieronymus Francastorius (1478-1553)

  • Teoria dos Germes na infecção. A doença pode ser transmitida de uma pessoa a outra por partículas muito pequenas e difíceis de ver;

  • Semmelweis (1818-1865)

  • Demonstrou que a febre puerperal poderia reduzir-se quando os médicos lavassem suas mãos antes de atender um parto.

Edward Jenner preveniu a infecção de varíola inoculando pessoas sãs com material da varicela (descoberta de vacinas!!).

  • Edward Jenner preveniu a infecção de varíola inoculando pessoas sãs com material da varicela (descoberta de vacinas!!).

  • Louis Pasteur mostrou que a

  • imunização prevenia a raiva.

John Graunt (1662)

  • John Graunt (1662)

  • 1º a quantificar padrões de nascimento, morte e ocorrência de doenças, notando disparidades entre homens-mulheres, alta mortalidade infantil, diferenças urbano-rurais, e variações climáticas/épocas.

William Farr (meados de 1800s)

  • William Farr (meados de 1800s)

  • Sistematicamente colheu e analisou as estatísticas de mortalidade Britânicas;

  • Considerado o pai das estatísticas vitais modernas e vigilância, Farr desenvolveu muitos dos princípios básicos usados hoje na estatística vital e classificacao de doencas.

J. Lindd (1753)

  • J. Lindd (1753)

  • estudou experimentalmente a etiologia e tratamento do escorbuto,

    • Concluiu que a ingestão de citrinos tratava escorbuto, e poderia prevenir sua ocorrência.
  • Deu lugar a que a Marinha Britânica incluisse limão ou sumo de limão na dieta das suas forcas. Devido a isto as forcas britânicas marinhas eram designadas de “Limões”.

P.L.Panum (1846) estudou o sarampo nas Ilhas Faroes.

  • P.L.Panum (1846) estudou o sarampo nas Ilhas Faroes.

    • Concluiu que o sarampo transmite-se por contacto directo entre o infectado e a pessoa susceptível.
    • Sugeriu que o ataque de sarampo conferia imunidade por toda a vida.

John Snow (1813–1858)

  • John Snow (1813–1858)

  • Cirurgião & anestesiologista

  • Conduziu investigacões epidemiológicas “quase” perfeitas

  • Pai da “Epidemiologia do Campo”

  • 20 anos antes da invenção do microscópio, Conduziu estudos de surtos de cólera para descobrir a causa e mecanismos de sua prevenção.

Determinação de proveniência dos casos (casa e trabalho) – MAPEAMENTO dos casos de cólera por meio de mapas de pontos para mostrar a distribuição de casos.

  • Determinação de proveniência dos casos (casa e trabalho) – MAPEAMENTO dos casos de cólera por meio de mapas de pontos para mostrar a distribuição de casos.

Porque Snow acreditava que água era a fonte de infecção para cólera

  • Porque Snow acreditava que água era a fonte de infecção para cólera

    • Marcou as bombas de água no mapa e verificou a relação entre a distribuição dos casos nas casas e a localizacao das bombas;
    • Notou mais casos à volta da Bomba “A” – a bomba Broad Street que nas Bombas B ou C
    • Concluiu que a bomba Broad Street era a mais provável fonte de infecção

Para confirmar que a bomba Broad Street era a fonte da epidemia, Snow colheu informação de onde pessoas que tiveram cólera obtiveram água.

  • Para confirmar que a bomba Broad Street era a fonte da epidemia, Snow colheu informação de onde pessoas que tiveram cólera obtiveram água.

    • O consumo de água da bomba Broad Street era o factor mais comum entre doentes com cólera
  • A remoção da referida bomba, permitiu assim o controlo do surto

W. Budd (1753)

  • W. Budd (1753)

  • Descobriu que a febre tifóide era uma doença infecciosa, notando a ocorrência de 3-4 casos na mesma casa.

  • J. Goldberger

  • Demonstrou que a pelagra não era uma doença infecciosa, mas que estava relacionada à dieta (deficiência de ácido nicotínico, uma vitamina do complexo B).

A.B. Hill

  • A.B. Hill

  • Desenvolveu os estudos clínicos aleatórios para avaliar a eficácia de novos tratamentos das doencas

  • R. Doll trabalhou com Hill para unir o tabagismo com o cancro pulmonar.

  • Framingham (1948) estudou uma coorte clássica da doença cardiovascular.

A. Oschner tabagismo com cancro pulmonar

  • A. Oschner tabagismo com cancro pulmonar

  • Sir Gregg assocciou a rubeóla com cataratas. Observou que mulheres grávidas que tiveram rubéola tinham bebés com cataratas.

Historicamente, a epidemiologia como ciência, cresceu do registo cuidadoso sistemático de observações de fenómenos naturais.

  • Historicamente, a epidemiologia como ciência, cresceu do registo cuidadoso sistemático de observações de fenómenos naturais.

  • Com o passar de tempo, com a ajuda dos avanços tecnológicos, a epidemiologia foi capaz de estudar e controlar as doenças, de maneira mais oportuna; mas a tecnologia não pode substituir uma observação cuidadosa.

     Epidemiologia descritiva

  •      Epidemiologia descritiva

  • Faz parte do processo de diagnóstico epidemiológico a organização dos dados, de maneira a evidenciar as freqüências do evento, em diversos subgrupos da população, de modo a compara-los.

    Abordagem unicausal

  •     Abordagem unicausal

  •     Abordagem multicausal

     CONCEITO DE RISCO

  •      CONCEITO DE RISCO

  • As chances de que algo aconteça podem ser expressas como um RISCO ou como uma probabilidade (ODDS):

    • RISCO = a chance de que algo aconteça
    • a chance de que tudo aconteça
    • ODDS = a chance de que algo aconteça
    • a chance de que tal não aconteça
  •    

Características clínicas

  • Características clínicas

  • Evidências laboratoriais

Factor de Prognóstico

  • Factor de Prognóstico

  • Generalização dos Resultados

  • Observações epidemiológicas que auxiliaram a identificação de doenças

  • Actualização permanente da Classificação Internacional de Doenças

Sensibilidade

  • Sensibilidade

  • Especificidade

  • Valor preditivo: positivo e negativo

    As informações referentes à magnitude e à distribuição dos problemas de saúde, dos fatores de risco e das características da população;

  •     As informações referentes à magnitude e à distribuição dos problemas de saúde, dos fatores de risco e das características da população;

  • Os resultados de estudos epidemiológicos, que forneçam informações sobre fatores de risco e agravos à saúde, e o impacto das diversas formas de intervenção;

  • As informações sobre os recursos financeiros, humanos e materiais

DETERMINAÇÃO DE RELAÇÃO CAUSA-EFEITO

  • DETERMINAÇÃO DE RELAÇÃO CAUSA-EFEITO

  • NÍVEIS DE AVALIAÇÃO:

  • EFETIVIDADE

  • EFICÁCIA

  • EFICIÊNCIA

métodos de investigação – indagação científica

  • métodos de investigação – indagação científica

  • fontes de dados – validade interna

  • modo de seleção – viés de seleção

  • variáveis que confundem a interpretação dos resultados – viés de aferição

Almeida Filho N; Rouquayrol MZ. Introdução à epidemiologia. 3ª ed., Rio de Janeiro: Medsi, 2002

  • Almeida Filho N; Rouquayrol MZ. Introdução à epidemiologia. 3ª ed., Rio de Janeiro: Medsi, 2002

  • Barreto ML. A epidemiologia, sua história e crises: notas para pensar o futuro. In: Costa DC (org). Epidemiologia: teoria e objeto. São Paulo: Hucitec-Abrasco, 1990, p. 19-38

  • Beaglehole R; Bonita R; Kjellström T. Epidemiologia básica. São Paulo: OMS/Santos, 1996

  • Last JM. A dictionary of epidemiology. New York/Oxford/Toronto: Oxford University Press, 1995

  • Lionis C. La epidemiología y la atención primaria: un nexo de continuidad. Aten Primaria 30 (9):573-575,2002

  • Rothman KJ, Greenland S. The emergence of modern epidemiology. In: Modern epidemiology. Philadelphia: Lippincott-Raven, 1998.

  • The End

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