Doenças do Tomateiro no Estado de Roraima

Doenças do Tomateiro no Estado de Roraima

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Doenças do Tomateiro no Estado de Roraima

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Centro de Pesquisa Agroflorestal de Roraima Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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Doenças do Tomateiro no Estado de Roraima

Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira Kátia de Lima Nechet José Alberto Martell Mattioni

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HALFELD-VIEIRA, B. de A.; NECHET, K.de L. MATTIONI, J. A M. Doenças do Tomateiro no Estado de Roraima. Boa Vista: Embrapa Roraima, 2006. 31 p. (Embrapa Roraima. Documentos, 3).

•Tomate; 2. Doença; 3. Brasil. 4. Roraima. I. Título. I. Série.

Autores

Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira Doutor, Fitopatologia, Embrapa Roraima, BR 174, km 8, Distrito Industrial, CP 133, 69301-970, Boa Vista-R halfeld@cpafrr.embrapa.br

Kátia de Lima Nechet Doutora, Fitopatologia, Embrapa Roraima, BR 174, km 8, Distrito Industrial, CP 133, 69301-970, Boa Vista-R katia@cpafrr.embrapa.br

José Alberto Martell Mattioni Engenheiro Agrônomo, Embrapa Roraima, BR 174, km 8, Distrito Industrial, CP 133, 69301-970, Boa Vista-R mattioni@cpafrr.embrapa.br

Introdução7
Mancha Alvo8
Mancha fuliginosa de cercospora9
Septoriose1
Tombamento por Pythium13
Murcha-de-esclerócio14
Mancha bacteriana17
Talo-oco18
Murcha bacteriana19
Nematóide-das-galhas2
Podridão-apical ou fundo preto24
Rachaduras26

SUMÁRIO Queima por adubo.................................................................................................... 26

Doenças do Tomateiro no Estado de Roraima

Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira Kátia de Lima Nechet José Alberto Martell Mattioni

Introdução

O tomate (Lycopersicon esculentum) é uma das hortaliças mais cultivadas no Brasil, ingrediente de vários pratos típicos e importante componente de uma dieta saudável devido ao seu alto teor de licopeno, vitaminas A, C e sais minerais. Por demandar considerável mão de obra, a tomaticultura contribui como atividade geradora de empregos, auxiliando inclusive na fixação do homem no campo.

O Brasil é o oitavo maior produtor, com aproximadamente 63 mil hectares e produção de 3,5 milhões de toneladas de tomate. Da produção total, 70% são destinadas para consumo in natura.

O Estado de Roraima apresentou nos últimos anos, um aumento da área cultivada e conseqüentemente da produção desta olerícola, permitindo que deixasse a condição de importador do produto.

O mercado de tomate sofreu grandes transformações nos últimos anos. Hoje apresenta um cenário mais complexo, com diferentes formas de produção, em sistema convencional ou orgânico, produção em campo aberto ou em estufa e, principalmente, com o consumidor cada vez mais exigente.

No Brasil, existe uma grande diversidade de doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus que afetam o tomateiro, comprometendo a produção, acarretando em aumento dos custos e riscos associados ao uso intensivo de fungicidas, podendo inclusive inviabilizar o investimento. A cultura exige mão-de-obra qualificada, tecnologia e dedicação dos produtores.

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Não é raro, devido às semelhanças, o diagnóstico das doenças estar errado, ocasionando o uso inadequado de agrotóxicos e o insucesso do controle.

Este trabalho mostra as principais doenças do tomate diagnosticadas em Roraima, com ilustrações que auxiliam os produtores, técnicos, estudantes e interessados em seu cultivo, prevenção e controle destas doenças, fazendo que o agronegócio do tomate em Roraima seja econômica, ambiental e socialmente viável.

Doenças causadas por fungos

Mancha-alvo

A mancha-alvo é causada pelo fungo Corynespora cassiicola (Figura 1). Apresenta-se mais severa em temperaturas acima de 28 oC e quando a umidade relativa do ar é alta (acima de 90%), sendo considerada um problema na região norte. Em Roraima, tem sido observada, porém em baixa freqüência. Além do tomateiro, vem sendo constatado em diversas culturas, como o feijão-caupi, soja e mamão, sendo facilmente disseminado pelo vento. Também pode ser transmitido por sementes. Os sintomas são observados principalmente nos folíolos, mas podem ser verificados no caule e pecíolo. Normalmente a doença se inicia com manchas circulares, circundadas por um halo amarelo. Em maior tamanho apresentam anéis concêntricos. Com o progresso da doença, as manchas se juntam, evoluindo para uma queima foliar intensa (Figura 2). É freqüentemente confundida com a pinta-preta, ainda não observada no estado, e a mancha-bacteriana. Não há fungicidas registrados para o controle da doença.

Fig. 1. Conídio e conidióforo de Corynespora cassiicola, observados ao microscópio ótico.

Foto: Bernardo

A. Halfeld Vieira

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Fig. 2. Sintomas da mancha-alvo em folíolo de tomateiro.

Controle:

evitar plantio em áreas sujeitas a alta umidade; utilizar sementes de boa qualidade; obter mudas sadias, quando compradas de viveirista; evitar adensamento da cultura, permitindo uma boa aeração das folhas; não iniciar o cultivo próximo a lavouras velhas; destruir os restos culturais, logo após o fim da época de colheita; fazer rotação de culturas.

Mancha fuliginosa de cercospora

É uma doença de ocorrência incomum para a cultura do tomateiro no Brasil, tendo-se pouca informação a respeito. Foi constatada em Roraima, em setembro de 2005. É causada pelo fungo Pseudocercospora fuligena (Figura 3) cujos sintomas podem ser facilmente confundidos com a mancha-de-cladospório, não observada em Roraima. A doença foi observada somente em cultivo protegido. Apesar de ter sido constatada somente em tomateiro, há informações de que o fungo pode ter como hospedeiros outras solanáceas, como pimentão e berinjela. Os sintomas são observados somente nos folíolos e sua disseminação ocorre principalmente pelo vento e respingos de chuva. O meio mais fácil de diagnosticar a doença é pela observação de um crescimento fuliginoso, de coloração cinza-escuro, na face inferior da folha (Figura 4), correspondendo a uma mancha amarelada irregular, na face superior (Figura 5). Com o avanço da doença as manchas se

Foto: Bernardo

A. Halfeld Vieira

10 Doenças do Tomateiro no Estado de Roraima tornam amarronzadas e evoluem para queima das folhas. As condições mais favoráveis para o desenvolvimento da doença são alta umidade e temperaturas acima de 27 oC. Por ser pouco conhecida no Brasil, não há fungicida registrado para o seu controle.

Fig. 3. Conidióforos (A) e conídios (B) de Pseudocercospora fuligena, observados ao microscópio ótico.

Fig. 4. Crescimento fuliginoso de Pseudocercospora fuligena na face inferior do folíolo.

Fotos Bernardo

A. Halfeld

V i e i r a

Fotos Bernardo

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