Metabolismo dos Carboidratos e Lipídios

Metabolismo dos Carboidratos e Lipídios

UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú.

Profa. Doraneide Melo

METABOLISMO DOS

CARBOIDRATOS E LIPÍDIOS

Silvana Maria Tomás

Jayara Nunes de Siqueira

SOBRAL – CE

2011

Metabolismo dos Carboidratos

A partir dos carboidratos ingeridos estes se transformam em glicose. O principal papel do metabolismo dos carboidratos é gerar energia e também armazenar, passando pelas fases da glicólise:

Glicólise: é a via central do processo de sintetização da glicose pelas enzimas e ocorre no citoplasma das células.

A glicólise pode ser dividida em etapa de investimento e etapa de pagamento, são 10 reações químicas catalisadas por 10 enzimas específicas, onde o fosfato é um dos principais ingredientes, pois é ele que vai confinar a glicose nas células.

Nas 05 primeiras reações a molécula ganha ATP e na segunda etapa, que são as 05 reações restantes sai ATP, ou seja, na primeira fase a célula usa 2 moléculas de ATP e na segunda fase ela sintetiza 4 moléculas de ATP, com saldo final = 2 moléculas de ATP para cada glicose utilizada na via.

Então, os carboidratos após a ingestão passam pelo processo enzimático de hidrólise das ligações glicosídicas, onde as moléculas em monômeros se quebram em polímeros para se adaptarem às células, se transformando em glicose, acessam as vias das pentoses e sequencialmente a glicose recebe fosfato e assim permanecem confinadas no interior das células, impedidas de acessarem a corrente sanguínea, processo este denominado: Glicólise.

O processo de Glicólise com O, é um processo aeróbico/Catabólico, seu produto final é o Piruvato que ativa o ciclo de Krebs e a cadeia respiratória para a produção de mais energia, essencial ao organismo. Na matriz mitocondrial o Piruvato está dividido com 03 átomos de carbono cada e passa por um processo de descarboxilase, perdendo 1 CO₂ formando 1 NADH e se transformando em Acetil-CoA, acessa o ciclo de Krebs com 02 carbonos e ganha mais quatro já no interior do ciclo, juntamente com outras moléculas há quebras e ganhos destas moléculas formando mais energias como: NADH, FADH₂, GTP. – Todo o esquema da soma dos carbonos é duplicado, devido ao acesso em cascata dos Piruvatos no ciclo de Krebs, gerados por uma molécula de glicose, por isso chegaremos ao número total de 12 Carbonos, até o produto final que é Oxigênio e a água que ficará armazenada nas células.

O processo de Glicólise sem O, é um processo anaeróbico/anabólico, não ativa o ciclo de Krebs e nem a cadeia respiratória, e seu produto final é o Lactato, quanto mais esforço físico mais formação de Lactato, responsável por fadiga e dor muscular, depois ele é conduzido pela corrente sanguínea, passando pelo fígado onde é transformado em glicose, processo denominado: Gliconeogênese.

O processo de reserva da glicose ocorre sempre também no fígado, músculos e cérebro (pouca quantidade), serve como uma dispensa necessária ao organismo e chama-se Glicogênio e quando há excessos de glicose dispensadas no processo estas são transformadas em proteínas ou em forma de ácidos graxos, os ácidos graxos permitem o armazenamento de tudo o que comemos e seu produto final são as gorduras indesejáveis e localizadas.

Importante dizer que no processo de Glicólise, (sexta reação enzimática) há quebra de carbonos, no processo do Acilglicerol, gerando o Piruvato com seus carbonos divididos e mais energia, o Piruvato é um composto altamente energético que segue diferentes vias metabólicas, sem o Acilglicerol não haveria também a formação dos lipídeos, proteínas e reservas energéticas.

Metabolismo dos Lipídeos

O metabolismo lipídico ou metabolismo dos lipídios ocorre no fígado, estes lipídios são provenientes de duas fontes: dos alimentos ingeridos e da reserva orgânica que é o tecido adiposo.

Diariamente, ingerimos cerca de 25g-105g de lipídios. Estes lipídios estão geralmente sob forma de triglicerídeos (TG). O armazenamento de ácidos graxos na forma de TG é o mais eficiente e quantitativamente mais importante do que o de carboidratos na forma de glicogênio. Quando hormônios sinalizam a necessidade de energia metabólica, promove-se a liberação destes TG com o objetivo de convertê-los em ácidos graxos livres, os quais serão oxidados para produzir energia. No entanto, outras formas de lipídios fazem parte da dieta diária, como os fosfolipídios, o colesterol e as vitaminas lipossolúveis.

No duodeno, a primeira parte do intestino delgado, sob a ação da bile que é constituída por sais biliares, produzida no fígado e transportada pelo canal colédoco até o duodeno, os lipídios da dieta são emulsionados, formando partículas de 500-1000 micra de diâmetro, contendo principalmente TG. Estas partículas ativam as lipases pancreáticas, enzimas responsáveis pela digestão de lipídios. As enzimas encontram-se no suco pancreático, atuando apenas em pH alcalino (8 a 8,5) que é garantido pelo bicarbonato de sódio (NaHCO3) que também se encontra no suco pancreático. As lipases quebram os lipídios em ácidos graxos livres e monoglicerídeos, catalisando a hidrólise dos triglicerídeos com a formação de dois monoglicéridos e dois ácidos graxos. Os ácidos graxos são os principais mecanismos de produção de energia.

No interior do enterócito jejunal, os ácidos graxos livres e os monoglicerídicos são ofertados ao REL, sendo novamente convertidos em TG. O colesterol é convertido em ésteres de colesterol.

Os TG + fosfolípides + colesterol e seus esteres + ácido graxos livres + vitaminas lipossolúveis reagem no REL com proteínas, formando partículas estáveis denominadas quilomícrons. A partir do próprio REL, forma-se um vacúolo que engloba os quilomícrons. Estes vacúolos então se abrem para o espaço intercelular e os seus conteúdos são captados pela linfa, penetrando pelos ductos lactíferos e vasos linfáticos, chegando ao ducto torácico e despejando-os na corrente circulatória venosa (os quilomícrons não entram no sangue portal porque são demasiadamente grandes para penetrar nos capilares intestinais).

Uma vez na circulação, os quilomícrons passam através dos sinusóides hepáticos, que possuem descontínua, caem no espaço de Disse e são ofertados à vilosidades dos hepatócitos.

Dos quilomícrons, o hepatócito remove os triglicérides, hidrolisando-os em ácidos graxos livres e glicerol (alguns autores acreditam que a hidrólise ocorre pela ação de lipases lipoprotéicas existentes nas células endoteliais dos capilares). Os ácidos graxos livres são usados para o metabolismo energético ou são esterificados no RER, onde são conjugados com (proteínas (proteínas receptoras de lípides ou apoproteínas), formando lipoproteínas que são exportadas pelo hepatócito e utilizadas por outros órgão. Na formação das lipoproteínas estáveis para exportação, são fundamentais os fosfolípides sintetizados no hepatócito pela esterificação de grupos hidroxila do glicerol para ácido fosfórico e ácidos graxos; eles dão estabilidade à molécula lipoprotéica, além de serem importantes na formação das membranas celulares. Os TG no RER podem ainda servir como fonte energética, ao serem convertidos em colesterol e esteres que, incorporando fosfolípides, são oxidados em corpos cetônicos.

Os quilomícrons são também ofertados aos adipócitos depois de serem convertidos em ácidos graxos livres e glicerol pela ação de lipases lipoprotéicas existentes nas células endoteliais dos capilares, abundantes no tecido adiposo. O glicerol é ofertado ao fígado onde é reutilizado.

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