Ações de enfermagem para o controle do câncer

Ações de enfermagem para o controle do câncer

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Figura 3 - Gastos federais em assistência oncológica Fonte: INCA (2006, p. 53)

Nos últimos cinco anos, ocorreu um aumento expressivo no número de pacientes oncológicos atendidos pelas Unidades de Alta Complexidade do SUS (figura 4), o que pode estar refletindo em uma melhora na capacidade do sistema em aumentar o acesso aos recursos de tratamento

7 Ações de Enfermagem para o Controle do Câncer – Capítulo 1

A situação do câncer no Brasil › especializado, ainda que pesem os gargalos existentes em algumas especialidades, as dificuldades de regulação e articulação entre as unidades da rede e a inexistência de resultados positivos na saúde da população.

Figura 4 - Internações por neoplasias malignas no SUS (2000-2005) Fonte: INCA (2006, p. 53)

Perfil da incidência

Do total de casos novos em 2006 (figura 5), 234.570 foram para o sexo masculino e 237.480 para o sexo feminino. O câncer de pele não-melanoma (116 mil casos novos) é o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de mama feminina (49 mil), próstata (47 mil), pulmão (27 mil), cólon e reto (25 mil), estômago (23 mil) e colo do útero (19 mil). Os tumores mais incidentes no sexo masculino, excluindo-se o câncer de pele não-melanoma, são os de próstata, pulmão, estômago e cólon e reto. No sexo feminino, destacam-se os tumores de mama, colo do útero, cólon e reto e pulmão.

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Figura 5 - Casos novos de câncer em 2006, para homens e mulheres, no Brasil Fonte: INCA (2006, p. 54)

A distribuição dos casos novos de câncer segundo a localização primária é bem heterogênea entre estados e capitais do país, o que fica evidenciado ao se observar a representação espacial das diferentes taxas brutas de incidência de cada Unidade da Federação (observe as figuras 6 e 7). As regiões Sul e Sudeste apresentam as maiores taxas, enquanto as regiões Norte e Nordeste mostram taxas mais baixas. As taxas da Região Centro-Oeste apresentam padrão intermediário.

Figura 6 - Casos novos estimados – sexo masculino Fonte: INCA (2006, p. 5)

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Figura 7 - Casos novos estimados – sexo feminino Fonte: INCA (2006, p. 5)

Perfil da incidência nas cidades com registro de câncer de base populacional (RCBP) ativo

Entre as cidades brasileiras com Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP) em funcionamento, há informações disponíveis de 19 delas, o que significa que são monitorados 19% da população do país. Nessas cidades, observa-se, em relação aos principais tumores – mama em mulheres e próstata em homens (figuras 1 e 13) – grandes variações nas taxas ajustadas, com valores mais elevados para as cidades localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Essas diferenças regionais se repetem para cânceres de pulmão (figura 10) e intestino, tanto em homens quanto em mulheres. Os tumores de pulmão apresentam maior incidência no sexo masculino, enquanto os de intestino mostram pouca diferença na comparação entre os sexos. Os dados indicam ainda que o câncer de estômago (figura 8) atinge mais o sexo masculino – com ocorrência de taxas altas em várias cidades na maioria das regiões. Já os tumores do colo do útero têm taxas mais elevadas nas cidades das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste (figura 12).

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Figura 8 – Distribuição das taxas de incidência de câncer de estômago, ajustadas por idade, em homens e mulheres, segundo o RCBP e período de referência dos dados

Fonte: INCA (2006, p. 56)

As variações regionais na incidência do câncer decorrem de perfis heterogêneos de exposição a fatores de risco, que se associam ao aparecimento de diferentes tipos de câncer. As informações sobre incidência também são afetadas por diferenças na capacidade diagnóstica dos serviços de saúde, o que pode levar a uma subestimação da incidência real em algumas regiões.

Figura 9 – Distribuição das taxas de incidência de câncer de cólon e reto, ajustadas por idade, em homens e mulheres, segundo o RCBP e período de referência dos dados

Fonte: INCA (2006, p. 56)

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Figura 10 – Distribuição das taxas de incidência de câncer de traquéia, brônquio e pulmão, ajustadas por idade, em homens e mulheres, segundo o RCBP e período de referência dos dados

Fonte: INCA (2006, p. 57)

Figura 1 – Distribuição das taxas de incidência de câncer mama, ajustadas por idade, em mulheres, segundo o RCBP e período de referência dos dados

Fonte: INCA (2006, p. 58)

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Figura 12 – Distribuição das taxas de incidência de câncer do colo do útero, ajustadas por idade, em mulheres, segundo o RCBP e período de referência dos dados

Fonte: INCA (2006, p. 59)

Figura 13 – Distribuição das taxas de incidência de câncer de próstata, ajustadas por idade, em homens, segundo o RCBP e período de referência dos dados

Fonte: INCA (2006, p. 59)

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Câncer pediátrico

Enquanto os tumores nos adultos estão, em geral, relacionados à exposição aos vários fatores de risco já citados, as causas dos tumores pediátricos ainda são pouco conhecidas – embora em alguns tipos específicos já se tenha embasamento científico de que sejam determinados geneticamente. Do ponto de vista clínico, os tumores infantis apresentam menores períodos de latência, em geral crescem rapidamente e são mais invasivos. Por outro lado, respondem melhor ao tratamento e são considerados de bom prognóstico.

O câncer pediátrico representa de 0,5% a 3% de todos os tumores na maioria das populações.

Internacionalmente, os tumores pediátricos mais comuns são as leucemias, os linfomas e os tumores do Sistema Nervoso Central. No Brasil, a partir dos dados obtidos do RCBP, observou-se que os tumores pediátricos variaram de 1,0% (Palmas, 2000-2001) a 4,6% (Campo Grande, 2000), e que os mais freqüentes também foram leucemias, linfomas e tumores do Sistema Nervoso Central.

A leucemia é o câncer de maior ocorrência em crianças (figura 14). Na maioria dos países, crianças abaixo de 5 anos são as mais freqüentemente acometidas por esse tipo de neoplasia. No Brasil, a variação percentual desse tumor foi de 45% (Manaus, 1999) a 15% (Belo Horizonte, 2000).

Quadro 1 – Freqüência relativa de leucemias, linfomas, tumores de SNC e outros tumores, para todos os RCBP

Fonte: INCA (2006, p. 60)

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As taxas de incidência para esse tumor, com base nos dados dos RCBP brasileiros, variaram de 8,1 por 100 mil em Cuiabá (2000-2002) a 2,2 por 100 mil em Palmas (2000-2001), no sexo masculino. No feminino, observou-se maior taxa em Curitiba (1998), de 6,8 por 100 mil, e menor em Goiânia (1996- 2000), de 0,5 por 100 mil, conforme quadro 1.

Figura 14 – Distribuição das taxas de incidência de câncer de leucemias infantis, ajustadas por idade, em meninos e meninas, segundo o RCBP e período de referência dos dados

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