Resumo de Anatomia - Gray

Resumo de Anatomia - Gray

(Parte 1 de 5)

ANATOMIA

Gray, Gardner, O’ Rahilly

(RESUMO)

I – Sistema Circulatório

1 – Coração

2 – Circulação Sistêmica

3 – Circulação Fetal

II – Sistema Linfático

1 – Vasos Linfáticos

2 – Baço

III – Sistema Digestório

1 – Boca

2 – Orofaringe, Laringofaringe e Esôfago

3 – Peritôneo

4 – Estômago

5 – Intestino Delgado

6 – Intestino Grosso

7 – Fígado

8 – Pâncreas

IV – Sistema Respiratório

1 – Nariz, Laringe e Traquéia

2 – Pleura e Pulmão

V – Sistema Urinário e Reprodutor

1 – Rim

2 – Órgãos Genitais Masculinos

3 – Órgãos Genitais Femininos

VI – Anatomia Apendicular

1 – O Membro Inferior

2 – O Membro Superior

VII – Anatomia Axial

1 – Coluna Vertebral e Dorso

2 – Cabeça e Pescoço

3 – Tórax

4 – Abdome

I – Sistema Circulatório

1 - Coração

O coração é um órgão formado basicamente por três tipos de tecidos. O mais externo é o epicardio, seguido pelo miocárdio e, mais internamente, pelo endocárdio. Possui quatro cavidades em seu interior, que são os átrios direito e esquerdo e os ventrículos direito e esquerdo. O átrio direito recebe as veias cavas superior e inferior contendo o sangue venoso que retorna da circulação sistêmica. Do átrio direito, o sangue passa para o ventrículo direito, de onde sai pelas artérias pulmonares direita e esquerda, resultantes do tronco pulmonar, indo ao pulmão onde irá ocorrer a hematose ou troca de gases.

Após a hematose, o sangue rico em oxigênio retorna ao átrio esquerdo do coração pelas veias pulmonares direitas superior e inferior e esquerdas superior e inferior. A circulação em que o sangue vai aos pulmões e retorna ao coração é conhecida como pequena circulação. Do átrio esquerdo, o sangue arterial desce ao ventrículo esquerdo por onde é impulsionado ao organismo através da artéria aorta, iniciando assim a grande circulação ou circulação sistêmica.

O coração possui um ápice e uma base. O ápice está dirigido inferiormente, para frente e para a esquerda. A base está dirigida para cima e medialmente. Possui três faces: face esternocostal, constituída pelo átrio direito e ventrículo direito; face diafragmática, constituída pelos ventrículos direito e esquerdo e face pulmonar ou esquerda, formada pelo átrio esquerdo.

Em relação à sua posição anatômica, o coração encontra-se no mediastino médio. Anteriormente, é limitado pelo esterno e pelas costelas, posteriormente pelo esôfago, raiz do pulmão esquerdo e região posterior do tórax, lateralmente pelos pulmões direito e esquerdo, superiormente pelo mediastino superior e inferiormente pelo diafragma.

O coração é revestido por uma membrana, o pericárdio, que se divide em pericárdio fibroso e pericárdio seroso. O pericárdio fibroso é a parte mais externa. O pericárdio seroso, que se encontra internamente, possui dois folhetos: parietal e visceral. O folheto parietal está aderido à face interna do pericárdio fibroso, enquanto que o folheto visceral está intimamente aderido ao coração, confundindo-se com a primeira camada tecidual deste, o epicárdio. Através do pericárdio, o coração está preso inferiormente ao diafragma. O pericárdio possui dois recessos denominados seio transverso e seio oblíquo. O seio transverso situa-se atrás da aorta e do tronco pulmonar. O seio oblíquo encontra-se na parte posterior do átrio esquerdo, entre as veias pulmonares.

Com relação à parte interna, o coração possui um sistema de valvas e válvulas que impedem o refluxo de sangue em determinadas situações. São quatro as valvas cardíacas: valva atrioventricular direita ou tricúspide, formada por três válvulas semilunares ou cúspides sendo uma septal, uma anterior e uma posterior, valva atrioventricular esquerda ou bicúspide, também conhecida como valva mitral, formada por duas válvulas semilunares ou cúspides sendo uma anterior e uma posterior, valva pulmonar, encontrando-se na região do óstio do tronco pulmonar e formada por três cúspides ou válvulas semilunares: uma posterior, uma direita e uma esquerda e por último a valva aórtica, encontrando-se na região do óstio da artéria aorta e formada também por três cúspides, uma direita, uma esquerda e uma anterior.

A parede dos átrios do coração possui uma certa irregularidade de relevo em sua porção interna. Isso se deve, em parte, à presença dos músculos pectíneos, encontrados principalmente nas aurículas e na crista terminal. O átrio direito possui, em sua parede septal, uma estrutura denominada fossa oval, resquício do forame oval encontrado no coração durante o período de desenvolvimento intra-uterino. Também encontra-se nos átrios e ventrículos inúmeros forames de pequeno calibre: os forames mínimos por onde passam as veias mínimas. Na porção ventricular do coração, as cúspides das valvas atrioventriculares são presas aos músculos papilares pelas cordas tendíneas, de modo a proteger mecanicamente a valva durante o refluxo do sangue, uma vez que a pressão intraventricular é consideravelmente elevada durante a contração ou sístole do coração.

Clinicamente, o fechamento das valvas atrioventriculares causa a primeira "bulha cardíaca". A segunda "bulha cardíaca" é causada pelo fechamento das valvas pulmonar e aórtica. Os movimentos de contração e relaxamento do músculo cardíaco são controlados pelos nódulos sinoatrial ou nódulo de Keith Flack, nódulo atrioventricular ou de Aschoof Tawara e feixe atrioventricular ou de His.

Na parede lateral do átrio direito, existe um sulco que tem uma de suas extremidades próxima ao óstio da veia cava superior. É o sulco terminal, a partir do qual, internamente, se encontra a crista terminal onde estão os músculos pectíneos. O sulco terminal é tido como ponto de referência para a localização do nódulo sinoatrial ou sinusal. O nódulo sinoatrial, localizado na porção do sulco terminal que passa próximo ao óstio da veia cava superior, possui forma oval e apresenta cor pálida.

É a partir do nódulo sinoatrial que se iniciam os impulsos nervosos que irão iniciar a contração cardíaca. O impulso segue, então, para o nódulo atrioventricular, encontrado na região abaixo do endocárdio do átrio direito no septo interatrial. O nódulo atrioventricular está ligado ao sinoatrial por fibras nervosas, as quais ao chegarem ao nódulo atrioventricular irão ainda terminar a contração de alguns músculos presentes na região da base do coração, a qual é formada pelos átrios direito e esquerdo e, em seguida, o impulso segue pelo feixe atrioventricular indo em direção aos ventrículos. O feixe, que se divide em ramos direito e esquerdo, termina nas fibras de Purkinje e assim completa o sistema de contração cardíaca partindo dos átrios e chegando aos ventrículos.

As cavidades internas do coração são divididas por septos. São eles o septo interatrial, que divide os átrios direito e esquerdo, o septo atrioventricular, que divide os átrios superiormente dos ventrículos inferiormente e o septo interventricular, que divide os ventrículos direito e esquerdo.

A irrigação sanguínea do coração é feita através das artérias coronárias direita e esquerda, ramos do seio ventral e esquerdo da aorta, respectivamente. Iniciando-se no seio aórtico ventral, a artéria coronária direita passa pelo sulco coronário e se anastomosa com a artéria coronária esquerda que passa na parte posterior do coração indo no sentido lateral esquerdo. Os principais ramos da artéria coronária direita são a artéria marginal direita, que segue a margem do ventrículo direito em direção ao ápice do coração, e a artéria interventricular posterior, que passa pelo sulco interventricular posterior. Os principais ramos da artéria coronária esquerda são a artéria circunflexa e a artéria interventricular anterior, que passa pelo sulco interventricular anterior.

O sistema coronário de irrigação supre as estruturas externas do coração, encontrando-se abaixo do epicárdio e acima do miocárdio. A drenagem do coração é realizada pelas veias mínimas, que liberam o sangue diretamente nas câmaras cardíacas e pelo seio coronário, situado entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, que libera o sangue diretamente no átrio direito.

A inervação do coração é relativamente complexa e não totalmente conhecida. Sabe-se que o coração é inervado por fibras do sistema nervoso autônomo. O simpático está relacionado com a taquicardía, enquanto o parassimpático está relacionado com a bradicardía. O principal nervo que inerva o coração é o nervo vago, décimo par craniano, pertencente ao sistema nervoso autônomo parassimpático. O pericárdio é inervado pelo nervo frênico e irrigado pelos ramos pericardíacofrênicos da artéria torácica interna.

Com relação aos átrios, vale lembrar que, clinicamente, são chamados de aurículas. Todavia, as aurículas são projeções do átrio em forma de apêndice que se situam anteriormente ao tronco pulmonar e à aorta ascendente.

A ausculta cardíaca evidencia as bulhas e pode ser realizada com um estetoscópio. Para facilitar e auxiliar o procedimento nos diferentes tipos de ausculta foram definidos alguns pontos de reparo cardíaco no tórax:

1 - terceiro espaço intercostal direito a dois centímetros da linha média;

2 - segundo espaço intercostal esquerdo a três centímetros da linha média;

3 - sexto espaço intercostal direito a dois centímetros da linha média;

4 - quinto espaço intercostal esquerdo a cinco centímetros da linha média.

As estenoses são patologias que caracterizam-se, geralmente, pelo estreitamento de algum vaso. Também pode-se definir uma estenose como a dificuldade de abertura de uma valva cardíaca. A importância clínica, por exemplo, de uma estenose da válva atrioventricular esquerda está no fato de que isso poderá resultar num aumento da quantidade de sangue no pulmão. Outra patologia frequente no coração é a insuficiência mitral, que causa o regurgitamento de parte do sangue que passa por esta valva e, consequentemente, prejudica a distribuição do sangue arterial.

2 – Circulação Sistêmica

A aorta é uma artéria de grande calibre que sai do coração e leva o sangue arterial, rico em oxigênio, a todas as partes do corpo. Possui três partes principais: a aorta ascendente, o arco aórtico e a aorta descendente. A última, divide-se em aorta descendente torácica e aorta descendente abdominal. Saindo da base do coração, a aorta ascende um pequeno trecho e curva-se para a esquerda, passando à frente da traquéia e voltando-se posteriormente atrás desta no início de sua parte descendente.

A porção descendente torácica da aorta acompanha a parte anterior dos corpos das vértebras até a décima segunda vértebra torácica, estando ligeiramente voltada para a esquerda, atingindo a linha mediana ao passar pelo hiato aórtico do diafragma, dando início assim à sua parte abdominal. A aorta torácica possui ramos que se classificam em parietais e viscerais. Os ramos parietais são: artérias frênicas superiores, intercostais posteriores e subcostais. Os ramos viscerais são: artérias pericárdicas, mediastinais, brônquicas e esofágicas.

A aorta abdominal possui quatro 6ramos principais. São eles: artérias frênicas inferiores, tronco celíaco, artéria mesentérica superior e artéria mesentérica inferior. As artérias frênicas inferiores irrigam a face inferior do diafragma. O tronco celíaco origina a artéria gástrica esquerda, a artéria hepática e a artéria esplênica ou lienal, para o baço. A artéria mesentérica superior origina as artérias ileocólica, cólica direita e cólica média. A artéria mesentérica inferior continua com o nome de artéria retal superior.

A artéria renal sai do tronco celíaco abaixo da artéria mesentérica superior. Também são ramos da aorta abdominal as artérias gonadais ou testiculares e ováricas. A artéria gástrica esquerda, do tronco celíaco, anastomosa-se com a artéria gástrica direita para irrigar a curvatura menor do estômago. A artéria hepática comum divide-se em artéria hepática própria e artéria gástrica direita.

Inferiormente, a aorta abdominal se bifurca ao nível da quarta vértebra lombar para dar origem às artérias ilíacas comuns direita e esquerda. As artérias ilíacas comuns, de cada lado, originam as artérias ilíacas externa e interna, sendo a última também conhecida como hipogástrica. A artéria ilíaca externa, ao passar abaixo do ligamento inguinal, que vai da espinha ilíaca ântero-superior ao tubérculo púbico, transforma-se em artéria femoral. A artéria epigástrica inferior é ramo da ilíaca externa. A artéria ilíaca interna ou hipogástrica vasculariza órgãos da pelve, períneo, parte interna da coxa e região glútea. Os principais ramos da artéria hipogástrica são: artéria obturatória, artérias glúteas, artéria uterina, pudenda interna, vesical inferior, retal média e sacral lateral. A artéria obturatória atravessa o forame obturado.

A veia cava inferior é formada pela união das veias ilíacas comuns direita e esquerda, à direita da aorta. Ela realiza a drenagem do sangue da região infra-diafragmática e possui afluentes parietais e viscerais. Os afluentes parietais são as veias lombares e frênicas inferiores. Os afluentes viscerais são as veias gonadais, renais, supra-renais e hepáticas.

O sistema porta constitui uma forma de drenagem alternativa para o sangue de grande parte da região abdominal e inferior. A veia porta é formada pela união das veias mesentérica superior e esplênica e, ocasionalmente, pela veia mesentérica inferior. Ao penetrar no fígado, a veia porta se capilariza e, em seguida, abandona o órgão através das veias hepáticas direita e esquerda. As veias hepáticas desembocam na veia cava inferior.

A artéria femoral é a principal via de irrigação sanguínea para o membro inferior. Em sua porção proximal, dá origem à artéria epigástrica superficial, circunflexa superficial do ílio, pudenda externa superficial e pudenda externa profunda. Mais distalmente, dá origem à artéria femoral profunda ou profunda da coxa e à artéria descendente do joelho. A artéria femoral também pode dar origem às artérias circunflexa medial e circunflexa lateral. Na fossa poplítea a artéria femoral continua-se na artéria poplítea. A artéria poplítea tem como principais ramos que vão para a perna as artérias tibiais anterior e posterior. A artéria tibial anterior vai à região dorsal do pé originando a artéria dorsal do pé e a artéria tibial posterior origina a artéria fibular.

O arco da aorta dá origem a três ramos principais: da direita para a esquerda, esses ramos são o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda. O tronco braquiocefálico origina a artéria carótida comum direita e a artéria subclávia direita. As artérias carótidas comuns direita e esquerda ascendem até o nível da quarta vértebra cervical ou da borda superior da lâmina da cartilagem tireóide, quando então se bifurcam em artéria carótida externa, medialmente, e artéria carótida interna, lateralmente.

O seio carotídeo é uma dilatação encontrada no ponto de divisão das artérias carótidas e possui barorreceptores que são influenciados por alterações na pressão sanguínea.

O glomus carotídeo também localiza-se no ponto de divisão das artérias carótidas e é influenciado por anoxemia, fazendo aumentar a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos e os movimentos respiratórios.

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