Psicologia Emergencias completo

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Psicologia das Emergências – Módulo 1

SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 1

Bem–vindo ao curso Psicologia das Emergências

Conteudista: Dr. Ney Roberto Váttimo Bruck

Psicologia das Emergências – Módulo 1

SENASP/MJ - Última atualização em 18/09/2009 Página 2

Apresentação

O assunto psicologia das emergências adquiriu novos significados considerando, principalmente, os acontecimentos sociais recentes. O trauma psicológico é uma experiência que atinge a capacidade de suportar um revés, traz a perda de sentido, desorganização corporal e paralisação da consciência temporal, pode deixar marcas que influenciam a criatividade e a motivação para a vida.

Lidar com situações de emergência exige, sobretudo, uma ótima capacidade de lidar com mudanças, pois, nas situações-limite, o desafio é a superação da impotência e o desamparo que, quase sempre, podem “colar” nas vítimas e também nas pessoas envolvidas.

Como profissional, é de sua competência apresentar alternativas nas situações com responsabilidade. Neste curso, responsabilidade é entendida como uma resposta habilidosa diante de situações de crise encontradas nos desastres.

O curso Psicologia das Emergências está elaborado para dar conta desses desafios, e se justifica pela falta de material e de capacitação sobre o assunto. As poucas publicações nacionais sobre o tema estão mais focadas nas repercussões especificas em relação à saúde física e aos aspectos sanitários. Justifica-se, também, considerando a necessidade de haver mais motivação para tratar o tema, no sentido de adaptar as bases teóricas a circunstâncias da realidade social cotidiana, para prevenir e tratar os profissionais de Segurança Pública que vivenciaram situações de risco e desastres.

É importante ressaltar que em cada módulo, além de questões relacionadas ao conteúdo, você encontrará exercícios de autodesenvolvimento.

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Ao final do curso, você deverá ser capaz de:

Analisar as contribuições da psicologia e ciências afins, na prevenção e no gerenciamento de crises emocionais nos acidentes, desastres e operações pertinentes a Segurança Pública, na tarefa de diminuir a vulnerabilidade do profissional, das pessoas e das comunidades;

Compreender a complexidade do tema para favorecer o intercâmbio de experiências sobre a psicologia das emergências, fornecendo subsídios para a instrumentalização das intervenções e o aprimoramento do profissional em Segurança Pública;

Reconhecer os diferentes tipos de trauma psicológico e graus de vitimização, assim como suas implicações e tipos de tratamento recomendados;

Compreender o tema desgaste/estresse profissional (Síndrome de Burnout) a fim de obter consciência sobre os riscos pessoais e no intuito de desenvolver habilidades de prevenção e recursos de autocuidado para um serviço mais eficaz; e

Utilizar, quando conveniente, recursos de primeiros auxílios psicológicos em sua própria vida, colegas e vítimas nos incidentes críticos.

O conteúdo deste curso está dividido em 3 módulos:

Módulo 1 – Psicologia das emergências: importância e necessidades atuais

Módulo 2 – Primeiros auxílios psicológicos

Módulo 3 – O profissional de Segurança Pública: autoestima, papel nos desastres e síndrome de Burnout

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Antes de iniciar seus estudos, leia algumas reflexões:

1ª reflexão

Como nos diz Morin (1980, p. 367), “a vida é sempre incerta. A morte incerta é sempre certa. Morrer é fatal, necessário, inelutável. A morte está inscrita na própria natureza da vida”. É o tema dos limites, do inesperado, da extrema contradição, do impensado e do repentino, do urgente, da emergência, do extremo estressor traumático, da finitude, da perda e da angústia de aniquilação.

As implicações são tantas que não há como se colocar num único lugar para compreender e buscar saídas. A perplexidade frente à existência do trauma traz as emoções básicas de medo, de dor, de tristeza e de raiva. Como é possível modificar essas emoções para uma situação que valorize a vida?

2ª reflexão

A aventura pode ser louca, mas o aventureiro deve ser lúcido.

3ª reflexão A competência interpessoal da equipe e a relação com a instituição são tão importantes quanto a qualificação técnica nos momentos de atendimento às vítimas?

4ª reflexão Todo o trabalho com urgências e emergências exige uma grande quantidade de teorias e habilidades. É um saber com infinitas implicações, exatamente por ser um assunto localizado nos limites entre a vida e a morte. A vulnerabilidade humana diante da natureza e das próprias ações humanas coloca esse tema no centro das contradições do mundo contemporâneo. O imprevisível incomoda, desequilibra e silencia a onipotência de todo ser humano. Viver uma situação-limite pode fragilizar ou, também, pode ser um momento para fortalecer e fazer com que a pessoa veja a vida com outros olhos, com outro corpo, muitas vezes, o que propicia a aquisição de valores, até então, desconhecidos no projeto de vida e, portanto, na construção diária da subjetividade.

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5ª reflexão “Duas almas solitárias encontram-se no mundo. Uma dessas almas se lamenta e implora da estranha um consolo. E, docemente, a estranha se debruça sobre a outra e murmura: - Para mim também é noite. Isso não é um consolo?”. (BACHELARD, 1986, p. 200)

6ª reflexão A implementação de uma capacitação pode almejar transformações a partir da atuação consciente do próprio participante que, uma vez conhecendo seus recursos pessoais, replaneja sua estratégia comportamental, visando ao melhor ajustamento a si mesmo, com aqueles com que convive e às circunstâncias que cercam seu trabalho nas missões de socorro, ou seja, somente o próprio profissional de Segurança Pública pode modificar o seu comportamento. O trabalho de capacitação limita-se a criar situações que facilitem a mudança de comportamento, no sentido de conscientizar e da qualificar profissionalmente.

7ª reflexão Uma teoria não muda a realidade, mas serve para intervir nela.

8ª reflexão É possível que a psicologia das emergências seja uma nova especialidade, se considerados os desafios postos por tantos desastres e a demanda de primeiros auxílios psicológicos, os traumas e a discussão sobre como tratar o estresse póstraumático e todas as consequências emocionais da angústia pública. Diante da quase ausência de recursos de contenção, é fácil constatar que a sociedade é hábil em criar angústias, mas não quer ou não está capacitada para propor alternativas para sair dela. Será que essas questões serão respondidas como vinha sendo feito? Quem sabe seja possível desenvolver uma nova especialidade para concentrar esforços e ampliar as discussões, as pesquisas e as ações na psicologia das emergências?

9ª reflexão Quando a emoção não se acha presente numa organização, também não pode haver nenhum compromisso, pois esse é de fato uma emoção. Um processo organizacional que simplesmente divide o trabalho em pedacinhos e despreza a emoção, deixando-a ao acaso, necessariamente deixa o compromisso também ao acaso.

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10ª reflexão Nada é fixo para aquele que, alternadamente, pensa e sonha.

Módulo 1 – Psicologia das emergências: importância e necessidades atuais

Você já presenciou ou teve que agir em situações como essas?

O tema das emergências é atual, de relevância social e cientifica e, por consequência, envolve a questão dos primeiros auxílios psicológicos. Estudá-lo irá ajudá-lo na compreensão e na ação diante de acidentes e situações inesperadas.

Neste módulo, você estudará os principais aspectos conceituais relacionados ao tema.

Ao final do módulo, você deverá ser capaz de:

► Definir emergência, psicologia das emergências, trauma e caracterizar as necessidades atuais de lidar com a incerteza;

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