Vitaminas Hidrossolúveis e Lipossolúveis

Vitaminas Hidrossolúveis e Lipossolúveis

(Parte 1 de 2)

CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVESC

FARMÁCIA - 4 ª FASE

ALEX BASTOS BORGES - DANIELA RAMOS CARBONI

VITAMINAS HIDROSSOLÚVEIS E LIPOSSOLÚVEIS

LAGES

2011

INTRODUÇÃO

O termo vitamina foi utilizado pela primeira vez em 1911, para designar um grupo de substâncias que eram consideradas vitais. Todas elas continham o elemento nitrogênio, na forma de aminas. Embora saibamos que várias das vitaminas hoje conhecidas não possuem grupos aminas em suas estruturas químicas, o termo é usado até hoje. O termo "Fator alimentar acessório" tem sido utilizado, algumas vezes, para expressar este mesmo conjunto de substâncias, mas de uma forma politicamente correta.

A maioria das vitaminas não pode ser sintetizada pelos animais, mesmo as que são sintetizadas não são em quantidade insuficiente. As vitaminas, portanto, devem ser obtidas na dieta alimentar. Por isso são chamadas de nutrientes essenciais. O papel das vitaminas no organismo é extremamente importante, sempre que uma vitamina está ausente em uma dieta, ou não pode ser corretamente absorvida, surge uma doença específica.

Vitaminas Hidrossolúveis

São solúveis em compostos polares. As vitaminas hidrossolúveis são a C e a família do complexo B. Estas têm menos problemas na absorção e transporte. Não podem ser armazenadas, exceto no sentido geral de saturação tecidual. As vitaminas B funcionam principalmente como coenzimas no metabolismo celular. A vitamina C é um agente estrutural vital. As Vitaminas Hidrossolúveis são solúveis em água, são difíceis de armazenar porque o excesso é eliminado pela urina. Essas substâncias são solúveis no plasma sanguíneo e por isso não necessitam de compostos carregadores.

- Via metabólica das vitaminas hidrossolúveis

Ingestão

Absorção

Corrente sanguínea

Transportadas levemente ou carreadas por

proteínas

Urina

Complexo B

O Complexo B compreende diversas substâncias que apresentam a característica de se diferenciarem em sua estrutura química, em suas ações biológicas e terapêuticas e no teor de suas necessidades nutricionais. A característica em comum é que são hidrossolúveis e de suas fontes habituais representadas pelo fígado e as leveduras.

Entre os membros desse grupo, sobressaem-se não só pelas pesquisas já realizadas no campo de sua estrutura química, fisiologia, ações farmacológicas e seus usos terapêuticos a tiamina, riboflavina, niacina, cianocobalamina, piroxidina, ácido fólico e ácido pantotênico, além de outras de menor importância nutricional e que face aos estudos até hoje realizados não apresentam certas características para poderem ser consideradas vitaminas.

Vitamina B1: Tiamina

A vitamina B1 foi a primeira do complexo B a ser descoberta. O beribéri, a doença que a sua falta provoca, aumentou no século XIX, na Ásia, ao começar a produzir-se o arroz polido. Em 1880, o almirante da marinha japonesa Takaki provou que a causa do beribéri era alimentar, combatendo a doença mudando a dieta dos marinheiros. Em 1897 Eijkman, um médico holandês em Java (Indonésia) observou que o pó do polimento do arroz, se diluído em água e dado aos doentes com beribéri, os curava. Em 1936 a vitamina B1 foi isolada e foi batizada com o nome de tiamina. Ajuda nos processos de metabolismo (que são as transformações dos alimentos que ingerimos) dando-nos a energia de que precisamos.

Onde se encontra: Ervilhas, feijão, arroz integral, pão integral, cereais integrais, carne de porco, fígado, rins, nozes, peixe e gema de ovo. Mesmo em doses elevadas, a tiamina não é tóxica. O excesso é eliminado pelos rins.

Características químicas:

A tiamina é comercializada como cloridrato de cloreto, mononitrato, bromidrato de brometo e napadisilato.

Cloridrato de Tiamina: Pó cristalino branco, ou cristais brancos, com leve odor de levedura. No estado de anidro é estável ao calor, mas quando exposto ao ar absorve 4% de água e oxida-se. Por esta razão deve ser armazenado em recipientes herméticos e opacos. Sua solução aquosa é estável em meio ácido, mas no pH 5 ou 6 a tiamina é inativada por cisão química. Com permanganato ou ferrocianeto de potássio alcalino produz tiocromo, um produto fluorescente de cor azul intenso: esta reação é usada em ensaios colorimétricos da tiamina.

Terapêutica

Vias de administração:oral e parenteral.

Formas farmacêutica: cápsulas, comprimidos, solução injetável e xarope.

Dose Diária Recomendada

0,2 – 1,4 mg∕dia, dependendo da idade e gênero.

Vitamina B2: Riboflavina

Até 1879, já tinham sido isolados dos alimentos uma série de compostos amarelados a que foi dado o nome de flavinas. Verificou-se que uma parte se modificava com o calor (chamou-se lhe B1) e que a outra era estável ao calor (chamou-se lhe B2). Ajuda nos processos de metabolismo dando-nos a energia de que precisamos. Onde se encontra: Cereais em grão, levedura de cerveja, leite, carne, ovos, fígado e verduras. A falta dessa vitamina pode causar inflamações bucais, ardor nos olhos, pele seca, sensibilidade à luz, depressão, letargia e histeria. Mas as carências de vitamina B2 costumam acompanhar a falta de outras vitaminas. Se houver em excesso mesmo em doses elevadas, a riboflavina não é tóxica. O excesso é eliminado pelos rins.

Características químicas:

Apresenta-se como pó cristalino amarelo ou alaranjado, de sabor amargo e odor leve. No estado anidro é estável a luz difusa; contudo, em soluções, principalmente alcalinas, decompõem-se. A dose usual é de 5 a 10 mg diários.

Terapêutica

Vias de administração: oral e parenteral.

Formas farmacêutica:comprimidos e soluções injetáveis.

Dose Diária Recomendada

0,3-1,6 mg∕dia, dependendo da idade e gênero.

Vitamina B3: Niacina

A vitamina B3, também conhecida como niacina ou ácido nicotínico, é importante para a manutenção do equilíbrio da pele e sistema nervoso. Possui também importância relevante ao bom funcionamento do sistema digestório. Sua deficiência no organismo provoca uma doença conhecida como pelagra, manchas na pele, fadiga, irritabilidade, insônia, depressão nervosa, diarréia, dermatite. Fontes: amendoim, castanha do Pará, levedura, fígado, aves, carnes magras, leite, ovos, frutas secas, cereais integrais, brócolis, tomate, cenoura, abacate, batata doce, ou grande parte dos legumes, verduras e frutas.

Características químicas

A nicotinamida funciona no organismo após a conversão em nicotinamida-adenina-dinucleotídeo (NAD) ou nicotinamida-adenina-dinucleotídeo fosfato (NADP). Deve ser assinalado que o ácido nicotínico é encontrado nesses dois nucleotídeos na forma de sua amida, a nicotinamida.

Terapêutica

Vias de administração: oral e parenteral.

Formas farmacêutica: cápsulas, tablete, soluções injetáveis isoladamente ou em associação com outras vitaminas, sais minerais, aminoácidos em produtos dietéticos e em associação com outros fármacos, para indicações não nutricionais.

Efeitos colaterais ou tóxicos: o ácido nicotínico apresenta ação vasodilatadora e quando dado pela boca ou por injeção em doses terapêuticas pode causar rubor da face e sensação de calor. Estes sintomas são transitórios e podem ser evitados pela substituição do ácido nicotínico pela nicotinamida.

Dose Diária Recomendada

2-18 mg∕dia, dependendo da idade e do gênero.

Vitamina B5: Ácido Pantotênico

O ácido pantotênico foi descoberto em 1933 como sendo uma substância essencial para o crescimento de leveduras. Dois cientistas demonstraram que o fator que curava a doença de pele (dermatite) das aves era o ácido pantatênico. Ajuda nos processos de metabolismo dando-nos a energia de que precisamos. Onde se encontra: Fígado, carnes, ovos, frutas, cereais em grão e verduras, leite. Encontra-se em praticamente todos os alimentos. O excesso de ingestão pode provocar diarréia. Como acontecem com as vitaminas hidrossolúveis, os excessos são eliminados na urina.

Características químicas

É um ácido orgânico opticamente ativo e sua atividade biológica é característica apenas do isômero d. Sua ação vitamínica no organismo resulta de sua incorporação na coenzima A.

A via metabólica pela qual o ácido pantotênico é convertido em coenzima A envolve cinco reações enzima-catalizadoras consecutivas.

Terapêutica

Vias de administração: oral, parenteral e tópico-subcutânea.

Formas farmacêutica: injetável, ungüentos, cremes e soluções.

Dose Diária Recomendada

1,7-7 mg∕dia, dependendo da idade e gênero.

Vitamina B6: Piridoxina, piridoxol, piridoxamina e piridoxal.

Em 1926, verificou-se que uma das conseqüências da falta de vitamina B2 era a dermatite. Em 1936, um cientista separou da vitamina B2 um fator solúvel em água cuja falta era a verdadeira causa das dermatites a que chamou vitamina B6. A necessidade diária de piridoxina é diretamente proporcional à ingestão de proteínas na dieta. O cozimento reduz as quantidades de vitamina B6 dos alimentos. A Vitamina B6 favorece a respiração das células e ajuda no metabolismo das proteínas e das gorduras. Atual na produção de hormonais participa no crescimento dos jovens e estimula as funções defensivas das células. Onde se encontra: Carne de porco, vísceras, cereais em grão, carnes, frutas e verduras, aveia, arroz integral, banana, batata, leguminosas, aveia, atum. Se faltar a vitamina no organismo pode ocorrer dermatites, como a seborréia, anemia, gengivite, feridas na boca e na língua, náuseas e nervosismo. Também pode causar perturbações no crescimento. Se houver em excesso é pouco tóxica, mas doses altas podem provocar intoxicações neurológicas que resultam em formigueiro nas mãos e diminuição da audição.

Características químicas

As três formas de piridoxina são fisiologicamente ativas, diferindo na natureza da substituição de um átomo de carbono em posição 4, do núcleo piridina. A piridoxina constitui um grupo ativo de várias enzimas que se acham envolvidas no metabolismo protéico, na síntese metabólica de aminoácidos.

Terapêutica

Vias de administração: oral e parenteral(intramuscular e intravenosa)

Formas farmacêutica: comprimidos e soluções injetáveis.

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