Relatório de análise intercaso - SMS

Relatório de análise intercaso - SMS

(Parte 1 de 5)

Disciplina: Práticas de Segurança, Meio Ambiente e Saúde - SMS

Prof. Dr. Miguel Luiz Ferreira Ribeiro Prof. M.Sc. Antonio Fernando Navarro

Nesta seção apresentam-se considerações a respeito dos princípios, metodologias, estratégias e ações empreendidas pelos estaleiros nacionais “B” e “C” e internacionais “E”, “G”, “H” e “I”, relevantes e voltados aos processos de SMS, adotados especificamente em cada um dos sites visitados, objetos de estudo através da aplicação de protocolos de pesquisa entre os meses de março e novembro de 2009. Esses empreendimentos foram considerados representativos da indústria nacional e internacional na realização de atividades de fabricação e montagem voltadas à indústria de Óleo e Gás. Dessas visitas realizadas foram aplicados os protocolos de pesquisa em dois empreendimentos nacionais e quatro empreendimentos internacionais.

A estratégia definida no projeto foi de, em primeiro lugar, analisar as condições existentes em cada local, preenchendo-se planilhas de visita compostas das perguntas formuladas para cada tópico, definidas pelos professores e aprovadas pelo Grupo de Trabalho – GT, com o resultado das entrevistas, a análise crítica da mesma questão à luz da documentação disponibilizada e da visita de campo. A seguir, foi feita a consolidação dessas informações em um relatório de visita. Para os empreendimentos nacionais cruzaram-se as informações de modo a se estabelecer o padrão Nacional, apresentado em um Workshop específico. A mesma seqüência de atividades foi estabelecida para as visitas internacionais. Agora, pretende-se apresentar a conclusão das análises dos vários empreendimentos.

As análises individuais foram confrontadas entre si para a obtenção do resultado comum e essas em análises intra-casos. A seguir foram feitas as análises entre casos, na medida em que se avaliaram os pontos convergentes (em primeiro lugar, do cenário nacional, seguido pelo cenário internacional). Por fim, utilizando-se o instrumento de pesquisa composto de relatório com perguntas abertas, estruturadas e aprovadas pelo Grupo de Trabalho do projeto 27.4, de aplicação presencial, as avaliações e percepções dos professores durante as visitas e análises decorrentes dessas, em suas várias disciplinas e do confronto com a literatura pesquisada, eventualmente de literatura suplementar, chegou-se à análise inter caso. Desta forma, tem-se uma análise comparativa dos resultados à luz da literatura pesquisada.

Compreende-se uma análise intra-caso como aquela onde é feita a descrição e análise de cada caso – visita – separadamente. A análise entre casos é a que avalia as análises dos pontos convergentes ou não e suas diferenças. As análises inter-casos são a confrontação dos casos – visitas, realizadas pelos professores visitantes com o contido na literatura e nos documentos, visitas, realizadas pelos professores visitantes com o contido na literatura e nos documentos, definindo-se uma triangulação de dados.

Os resultados de cada um dos tópicos foram divididos por temas, seguindo-se a mesma itemização dos protocolos de pesquisa, com as respostas de cada tema apresentadas em linguagem corrente.

I.1 COMPREENSÃO DAS ANÁLISES EFETUADAS:

Na avaliação de desempenho dos estaleiros com relação à disciplina de Segurança,

Meio Ambiente e Saúde, verificaram-se alguns aspectos relevantes como: 1. Todos os empreendimentos visitados já tinham experiências anteriores com relação às atividades quando foram contratados para os atuais projetos; 2. Todos os empreendimentos seguem algumas das normas de gestão ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001. Exceto pelo empreendimento “H” os demais possuem um sistema integrado de gestão. 3. O empreendimento “C” foi percebido como aquele onde há ações mais profundas quanto às questões da saúde do trabalhador, seja com a incorporação de assistentes sociais e nutricionistas em seus quadros, seja com a incorporação de médicos do trabalho com outras especialidades médicas, os quais, ao longo das semanas dão o necessário suporte aos trabalhadores. 4. No que diz respeito às ações de responsabilidade social, destacam-se os empreendimentos

“B” e “E”, da mesma maneira que os mesmos empreendimentos, agregando-se o “C”, têm forte atuação nas questões ambientais. 5. Exceto pelo empreendimento “H”, em todos os demais as equipes de fiscalização já se encontravam estruturadas, sendo essas vinculadas à gerencia do empreendimento ou à gerência de produção, o que, em última análise não apresenta qualquer óbice ao desempenho da equipe. No empreendimento “B” cada site possui um gerente de QSMS, os quais são vinculados hierarquicamente aos gerentes dos sites e tecnicamente ao gerente corporativo de QSMS. 6. Percebeu-se em todos os sites uma tendência de se reduzir ao máximo as movimentações de carga nos canteiros, principalmente em função dos aspectos de segurança dos trabalhadores, como também dos tempos gastos nessas atividades. Nos empreendimentos “G” e “I” que atuam mais fortemente em reparos e na construção de embarcações, os transportes e montagens são realizados por blocos, já montados e posteriormente encaixados nas outras seções. 7. As movimentações quando em maiores percursos, são realizadas em veículos ou equipamentos mais baixos. 8. Há o emprego mais freqüente do uso de robôs nas atividades onde a presença humana seja mais difícil ou apresente maiores riscos. 9. Foi interessante observar-se que naqueles empreendimentos onde os níveis de estruturação, subordinação e atividades são perfeitamente definidos há uma tendência de cada profissional executar somente aquilo a que foi contratado. P.Ex. o soldador é somente soldador e atua nessa disciplina. Nos empreendimentos “E”, “G” e “I” os procedimentos de SMS são incorporados aos procedimentos de execução das atividades e os trabalhadores são responsáveis não só por executar seus serviços com qualidade, mas, principalmente, de executá-los com segurança. Os profissionais são responsáveis por suas próprias seguranças. 10. Outra questão relevante nos processos é a que diz respeito à estruturação e capacitação das equipes. Exceto pelos empreendimentos “B” e “C”, ambos atuando para o mesmo cliente e sob legislações mais severas do que as dos demais países, e com algumas restrições operacionais, por dispositivos contratuais, em todos os demais as equipes principais são permanentes. Havendo necessidade de ampliação dos quadros essa pode ocorrer através da terceirização de profissionais capacitados, que já possuam registros de capacitação atualizados, ou por meio de empresas especializadas. Cessada a demanda ocorre a desmobilização. Todavia, a estrutura principal continua unida. Isso porque os contratos têm continuidade e os empreendimentos estão com fortes demandas. 1. A questão da capacitação dos profissionais é vista pelos empreendimentos da mesma forma. Todos investem fortemente nessa área. Os empreendimentos “G”e “I” além de terem suas “escolhinhas” de treinamento interno capacitam e certificam seus empregados. O ponto dissonante é o que diz respeito às avaliações desses profissionais. Exceto pelos empreendimentos “G” e “I” as avaliações são pela atuação dos profissionais, enquanto nos primeiros esses são submetidos a testes e avaliações várias vezes ao longo dos projetos. 12. Pelo fato das questões de SMS não serem vistas de modo isolado, e sim, como parte integrante de um mesmo processo, há uma maior preocupação para com a segurança do trabalhador, fazendo com que esse passe a utilizar equipamentos de proteção individual, mais cômodos e eficientes. 13. Os empreendimentos onde há ações governamentais de fiscalização das atividades, tanto nos quesitos ambientais quanto nos que envolvem a segurança dos trabalhadores são: “B”, “C”, “E” e “G”. Nos dois restantes ou não há nenhuma interferência ou essa é mínima. 14. Os empreendimentos que possuem um maior nível de interferência dos clientes nos projetos e processos são: “B”, “C” e “E”. 15. Os empreendimentos onde há algum tipo de controle estatal, inclusive através de participação acionária são: “E”, “H” e “I”. 16. Em todos os empreendimentos, exceto pelo “H”, há campanhas motivacionais para que os trabalhadores apresentem alternativas, relatem situações de desvios e se envolvam mais com a gestão de SMS. 17. No empreendimento “E” a cada semana um dos gerentes do empreendimento passa a ser o responsável pela gestão de SMS. Isso também foi observado, não com a mesma intensidade, no empreendimento “G”. 18. Em todos os empreendimentos, exceto no “H”, periodicamente os gerentes visitam as frentes de serviços e desenvolvem ações de SMS, principalmente identificando situações de riscos.

I.2 RESULTADOS OBSERVADOS:

Visando obter-se um padrão de comparação entre os vários empreendimentos visitados, analisaram-se as respostas dadas às perguntas formuladas, confrontando-as com as informações obtidas pelos professores das várias disciplinas que estiveram em todos os locais, obtendo-se um padrão de respostas, as quais, aplicando-se Likert, foram tabuladas conforme a seguir. O critério de pontuação adotado foi: 1 – Não aderente 2 – Com baixa aderência 3 – Medianamente aderente 4 – Com grande aderência

5 – Totalmente aderente

Itens das perguntas do protocolo de SMS Empreendimentos

Destacam-se que as notas ponderadas obtidas foram produto de uma avaliação pontual, que podem significar “o retrato de um momento” e não o desempenho continuado das atividades dos empreendimentos ao longo do contrato. Como dito anteriormente, muitos desses empreendimentos atuam continuamente a longos anos, fabricando todo o tipo de embarcações, com estruturas operacionais e instalações adequadas, enquanto que outros, como no caso dos empreendimentos “B” e “C” tiveram longos períodos de baixa atividade em seus sites, resultado de baixa oferta de contratos. Também se deve destacar as características do empreendimento “H”, que de uma grande área disponibilizada a terceiros, está se estruturando para oferecer serviços e produtos diferenciados, utilizando o apoio estratégico da Shell, que está organizando um grande processo de gestão. É importante que essa visita seja realizada daqui a um ano para se avaliar os avanços conseguidos em cada uma dessas disciplinas, em função do Mapeamento do Estado da Arte.

Itens das perguntas do protocolo de SMS Empreendimentos

A estruturação e planejamento das atividades de fiscalização de SMS é a base de todo o processo de gestão como pode ser observado na literatura específica. Esse planejamento é decorrente de fatores como: características dos contratos; exigências específicas quanto às questões de SMS; prazos das obras; efetivo de pessoal; características dos bens fabricados; facilidades ou disponibilidades dos canteiros de obra, incluindo o emprego de equipamentos especiais.

Segundo Araujo (2008) a experiência tem demonstrado que a ineficácia do sistema de gestão de SMS muitas vezes está relacionada às dificuldades dos gestores em se antecipar aos problemas, assim como planejar, organizar e implementar ações consistentes, normalmente estruturadas em um programa de SMS. Os processos de gestão são dependentes do ser humano, por isso da necessidade de se criar um ambiente organizacional suscetível a mudanças de hábitos e atitudes comportamentais. Os valores de SMS são partes da cultura organizacional, e, em assim sendo, devem ser incorporados aos conceitos de desenvolvimento sustentável, os quais devem estar inseridos nos programas de sistemas de gestão. De modo geral, existe uma série de barreiras ao sucesso de um sistema de gestão. Muitas destas barreiras estão relacionadas a limitações humanas e tecnológicas que permitem entender que os sistemas complexos se caracterizam por incertezas que geram vulnerabilidades.

Uma das dificuldades observadas na implantação dos processos é que a prioridade dessa estruturação volta-se mais para a atividade de produção e, por conseguinte, para a entrega do objeto do contrato no prazo determinado, por ser a atividade fim. Afora isso, devese levar em consideração a cultura da organização – empreendimento – que não se traduz, necessariamente, pela política prevencionista determinada nas legislações aplicadas, a qual, de certa modo, define a espinha dorsal de todo o processo de gestão de SMS. Todavia, percebeuse uma elevada adesão das ações ao planejamento estabelecido, motivado principalmente pela gestão do Gerente do Projeto.

A revisão da literatura permite-nos perceber que: (...) a cultura de uma

Organização pode ser vista como um conceito que descreve os valores compartilhados que influenciam as atitudes e comportamentos dos empregados. A cultura de segurança é uma parte integrante da cultura da Organização e é vista como aquela que afeta as atitudes e crenças dos acionistas em termos do desempenho nessa área. Os gerentes de SMS, quando questionados à respeito das principais ações desenvolvidas foram unânimes em responder que a alta gerência não só os apoiava em suas ações como também participava ativamente do processo, visitando as áreas periodicamente. Essas visitas passam a todos os empregados que o compromisso para com as questões de Segurança, Meio Ambiente e Saúde não é só deles, empregados, mas de toda a empresa. (Cooper, 2000). (...)

Percebe-se pelos relatos dos professores, das fotografias obtidas, das respostas dadas e da evidenciação das ações tomadas pelos empreendimentos quanto à gestão dos processos de SMS que as empresas visitadas possuem larga experiência no processo de fabricação e montagem de embarcações e componentes para a indústria de Óleo e Gás. Essa experiência é traduzida por centenas de embarcações, sejam plataformas, suplay boats, FPSO e outros tipos de embarcações, atuando em várias partes do mundo. E, em assim sendo, é natural que o planejamento das ações de SMS não seja um fato novo ou a ser implantado no processo, pois na fase atual já se encontra implementado. As equipes de SMS existem e são atuantes nesses locais. O diferencial talvez resida no fato de que há empreendimentos onde a gestão é feita com o emprego maciço de sistemas informatizados, observado em todos eles, em maior ou menor escala, em outros, os procedimentos são incorporados ao processo de fabricação (empreendimentos “E”, “G”, “H” e “I”), outros onde a fiscalização é mais intensiva e presente nas frentes de serviços, por fim, pequenas variações não tiram os méritos do processo de gestão, mas representam diferenciais, percebidos pelos empregados, em todos os cantos dos sites. Quanto à questão da informatização dos processos, destarte a questão da inserção dessas questões no mesmo sistema relativo às atividades de produção.

Conforme Bruzon et al. (2005) a segurança dos trabalhadores representa uma elevada importância na questão da produtividade. Um profissional que se sinta “seguro” fica mais motivado, resultando com isso em melhoria de seu desempenho. No processo de implantação da cultura de SMS em uma deve-se levar em consideração a participação de todos os atores nesse processo, sejam esses os gerentes, responsáveis pelas “idéias”, orientações, apoio e controle, até os funcionários, os maiores interessados, por estarem mais suscetíveis a acidentes. Os funcionários ao perceberem que a adoção das práticas de SMS faz com que sejam menos afetados pelos acidentes, ou seja, passam a se sentir mais seguros, terminam por transferir essa sensação ao seu trabalho, imprimindo dessa maneira um maior ritmo, que se reflete na qualidade do que produzem. Pode-se dizer que os custos com segurança são investimentos na medida em que a produtividade aumenta. Pelo contrário, a falta de segurança dos funcionários costuma significar gastos futuros com questões médicas, aposentadoria por invalidez, doença ou morte, gastos com a substituição do acidentado, danos à imagem da empresa, eventuais prejuízos com a queda do valor das ações, multas ou sanções dos órgãos de fiscalização. Em uma avaliação preliminar, de um lado encontra-se o funcionário sentindo-se seguro e produzindo mais e do outro as despesas havidas com as ocorrências de acidentes. Essa equação tende a apresentar só um resultado, o da prevenção.

Destaca-se que no empreendimento “C” o planejamento das ações de SMS se inicia, antes do projeto, com a realização do kick-off meeting, reunião entre a empresa contratada e os gestores do empreendimento, ocasião na qual o projeto é oficialmente apresentado aos representantes das várias disciplinas. Nessa fase todos têm a oportunidade de fazer seus comentários e estabelecer os planos de ação necessários. No início dos contratos são realizadas avaliações, principalmente dos pontos críticos que deverão ocorrer ao longo do contrato. Após essas avaliações são tomadas as medidas necessárias de mobilização e treinamento de pessoal de SMS. Excetuando-se os estaleiros nacionais, nos demais esses tipos de obras são corriqueiras e os empreendimentos possuem grande experiência, razão pela qual os planejamentos são apenas revistos em função das características dos projetos.

Em todos os empreendimentos e até mesmo pelo histórico de atuação comentada no parágrafo anterior, há procedimentos relativos a SMS, que contemplam, em primeiro lugar a Política de SMS da Organização. Essa deve estar alinhada à filosofia da mesma e ao atendimento legal. A partir dessa Política são definidos os procedimentos a serem seguidos levando-se em conta as determinações legais, contratuais e aquelas expedidas pelas Sociedades Classificadoras. Os empreendimentos “B” e “C” são regidos por uma rigorosa política prevencionista governamental, afora as exigências de seu principal contratante de serviços, exigências essas que, em algumas questões, passa a ser maior ou mais rigorosa do que as exigências governamentais. Os empreendimentos “F”, “G” e “H”, priorizam as exigências estabelecidas pelas Sociedades Classificadoras e, em menor escala, as dos clientes. O empreendimento “E”apresenta uma característica diferenciadora, pois utiliza largamente os processos de modularização e terceiriza bastante suas atividades, em sites localizados em vários países. E, em assim sendo, possui um nível de exigência maior, quase sempre definidas tendo como balizadores as normas de gestão ISO 9001 e 14001 e OHSAS 18001.

As normas de gestão empregadas nos vários empreendimentos são:

O controle do atendimento às normas ocorre quase que invariavelmente através de vistorias e inspeções nas frentes de serviços para avaliação dos níveis de atendimento às normas e procedimentos, com registros em formulários específicos. Nos empreendimentos “E” e “G”, periodicamente esses registros são analisados e avaliados em conjunto com os demais sites da organização, através de reuniões específicas, divulgando-se os resultados através da WEB. Os sites são avaliados em termos de performance e recebem “notas”, anualmente. Isso de certa maneira estimula a boa competição entre esses.

O repasse das informações a todos os envolvidos sejam esses empregados, contratados ou subcontratados, prestadores de serviços ou visitantes ocorre através de ambientações, treinamentos, briefings, Diálogos Diários, apresentações de vídeos por ocasião da visita aos sites, e fornecimento de cartilhas, folders e banners.

Tanto as Políticas de SMS quanto as normas de gestão são divulgadas e permeadas em todos os níveis da organização como também repassadas nos procedimentos. Nos empreendimentos “B”, “C” e “E” os mais elevados níveis gerenciais, da pirâmide de decisões, vão periodicamente às frentes de serviços, acompanhados pelos demais gerentes, avaliar as condições gerais, verificar a adesão às políticas da organização, conversar com os trabalhadores e, eventualmente, interagir com esses, abordando-os à respeito de questões relativas a SMS ou mesmo aos processos de produção.

Exceto pelo empreendimento “H”, cujo processo de gestão está sendo desenvolvido, em todos os demais há autorizações para o início das atividades, sejam essas permissões de trabalho, ordens de serviços ou análises específicas de riscos. O diferencial observado, notadamente nos empreendimentos “B”, “E” “G” e “I”, é que as autorizações são concedidas pelos próprios encarregados, após a análise das condições locais de trabalho. A equipe de SMS, nesses casos, atua como assessora desses encarregados.

Quanto ao dimensionamento das equipes de SMS, deve-se analisar a questão sob dois pontos de vista: há empreendimentos onde existem exigências legais mais fortes e onde as pressões exercidas pelo contratante dos serviços (cliente) também é grande – o cliente não apenas “compra” um produto como também acompanha a construção, algumas vezes interferindo no processo, e em outros empreendimentos as pressões não são tão fortes assim, e as estruturas são montadas para o acompanhamento do processo ao invés do acompanhamento dos serviços. Essa grande diferença faz com que os profissionais passem a analisar o atendimento ao determinado nos procedimentos, ao invés de ficar no campo fiscalizando a execução dos serviços, atividade essa que é de responsabilidade dos encarregados pelos serviços. Nos empreendimentos “H” e “I” as pressões governamentais a esse respeito são praticamente inexistentes. Nos empreendimentos “B” e “C” as pressões exercidas tanto pelos órgãos governamentais quanto pelos clientes é maior. Não se percebeu que haja uma relação direta entre a quantidade de membros das equipes de fiscalização de SMS e a redução das ocorrências de acidentes. Contudo, há essa relação entre a Cultura de SMS da Organização e os acidentes. Onde há equipes formalizadas de fiscalização e gestão de SMS são designados profissionais que atuam especificamente em cada uma dessas áreas. No empreendimento “E” há engenheiros do trabalho, por formação de graduação, com conhecimento de meio ambiente. Assim, foram encontrados profissionais desse tipo de formação acumulando as questões de segurança do trabalho à de meio ambiente. A relação entre os profissionais de SMS e o total de trabalhadores fica bem mais clara nos empreendimentos “B”, “C” e “G”.

O aspecto da capacitação de pessoal é outro ponto bem interessante, quando se avalia o desempenho das organizações. Nos empreendimentos “B” e “C” os profissionais de SMS não são tecnicamente avaliados através de testes ou provas. Nos empreendimentos “E”, “G” e “I” há avaliações feitas na própria empresa. No empreendimento “G” não pôde ser feita essa verificação em função do fato da empresa estar implantando um sistema de gestão voltado às questões de segurança e saúde ocupacional. No momento a única certificação é para a ISO 9001.

Para a definição dos níveis de capacitação e de experiência dos membros de sua equipe de SMS a empresa elabora o levantamento das demandas e necessidades do canteiro. Em função dessas, são definidas as exigências quanto à formação e capacitação do pessoal. Após isso, são repassadas para a Contratante as experiências e perfis dos candidatos para a aprovação do currículo, como ocorre nos empreendimentos “B” e “C”. Ainda nesses as contratações são feitas após a análise curricular e o atendimento às necessidades de trabalho. As empresas procuram mesclar o conhecimento dos membros de sua equipe, até mesmo para “oxigenar” os conhecimentos. Assim, tem profissionais de maior nível de capacitação e outros que são capacitados ao longo do contrato pelos próprios técnicos mais capacitados.

O plano de treinamento é implementado de acordo com as demandas. Isso tem ocorrido, principalmente, em função da alta demanda por profissionais mais experientes, motivadas pelo grande volume de obras. Nos empreendimentos “B” e “C” os processos de contratação levam em consideração as experiências profissionais e capacitações específicas. Ao longo do tempo de permanência nas empresas esses profissionais são reciclados periodicamente. Nos demais empreendimentos também ocorre esse processo de contratação mas os empreendimentos podem formar seus próprios profissionais.

Em todos os empreendimentos há critérios específicos de avaliação do desempenho dos profissionais de SMS, seja pelo resultado do trabalho, traduzido pelos indicadores de gestão, seja pela aplicação de testes específicos. A tendência das avaliações pelos resultados e a aplicação de testes específicos é maior nos empreendimentos internacionais.

Vários são os fatores que conduzem a um eficaz processo de avaliação dos profissionais. De acordo com Araujo (2008) A experiência tem mostrado que a ineficácia do sistema de gestão de SMS muitas vezes está relacionada às dificuldades dos gestores em se antecipar aos problemas, planejar, organizar e implementar ações consistentes normalmente estruturadas num programa de SMS. Os processos são dependentes do ser humano, por isso a necessidade de criar um ambiente organizacional suscetível a mudanças de hábitos e atitudes comportamentais.

No empreendimento “E” o planejamento das ações de SMS é estabelecido desde a concepção do projeto básico, sendo que os membros da equipe e os demais empregados do estaleiro tomam conhecimento desse durante os programas de treinamento, encontros técnicos, orientações verbais e as divulgadas através de quadros de aviso e mídia eletrônica. Durante o horário do almoço são repassadas orientações básicas de SMS nos aparelhos de televisão nos refeitórios. As questões relativas a SMS são vistas sob diferentes ângulos: quando relativas ao projeto são consideradas como “SMS técnica”; quando voltadas a aspectos de canteiros de obras e realização das atividades, analisadas como “proteção pessoal” e “valores” (P.Ex. trabalhos em ambientes confinados, trabalhos em altura, movimentação de cargas, etc.). Desconstruindo a análise, sob a ótica do processo de trabalho em si, como arranjos produtivos, emprego de equipamentos e processos, dispositivos de montagem e de movimentação de cargas, entre outros, são questões que envolvem o planejamento das atividades de SMS durante a fase do planejamento das atividades e projeto. As questões relativas ao emprego de Equipamentos de Proteção ou de ferramentas de trabalho, por exemplo, são relacionadas à cultura de SMS da Organização. O entendimento dessa questão é importante para a avaliação da permeabilidade da cultura de SMS em toda a organização. Assim, discutem-se ainda na fase do projeto os aspectos maiores relativos ao planejamento das ações. Os outros aspectos são repassados continuamente a todos os trabalhadores em várias etapas do projeto.

Generalizando, os empreendimentos visitados procuram incorporar ao planejamento de suas ações de SMS não só as experiências passadas anteriormente pelos profissionais incorporados ao processo como também as orientações transmitidas pelas demais unidades da organização. Os empreendimentos “E”, “G” e “I” tem melhores estruturas de gestão nessa área visto possuírem unidades espalhadas por vários países. Assim, as experiências vivenciadas passam a ser incorporadas ao processo. No empreendimento “G” além desse repasse de informações os sites são avaliados anualmente quanto ao seu desempenho. Essa política gera a competitividade sobre qual empreendimento terá melhor desempenho no próximo ano.

No empreendimento “H” o planejamento das atividades de SMS é realizado pelos próprios clientes, nas atividades que não contem com o envolvimento dos empregados do próprio empreendimento. As atividades desenvolvidas com o apoio do empreendimento ou utilizando suas instalações fabris são antecedidas de uma planejamento das atividades, que busca ajustar não só as necessidades do empreendimento e dos clientes, como também no atendimento à Política de SMS desse. A norma de certificação e gestão adotada é a ISO 9001. Como o empreendimento está desenvolvendo ações no sentido da busca em excelência estão em desenvolvimento estratégias para a implantação das normas ISO 14001 e OHSAS 18001.

O controle do atendimento legal, nos países onde é forte a interferência estatal, é feita através de softwares desenvolvidos pelos próprios empreendimentos, que analisam alterações da legislação e outras.

O empreendimento “I” controla o controle o atendimento às normas e ou regulamentos legais e contratuais através de programas (softwares), que integram as normas de gestão na qual a organização é certificada (ISO 14001 e OHSAS 18001), com os demais procedimentos e regulamentos operacionais, dentre os quais se destacam como principais:

• Ações de saúde; • Andaimes;

• Campanhas motivacionais;

• Controle de resíduos, e outras ações mais;

• Cuidados com o meio ambiente;

• Isolamento e sinalização; • Plataformas elevatórias de trabalho;

• Segurança contra incêndio;

• Segurança contra radiações;

• Segurança no escritório;

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