Guia prático do cuidador

Guia prático do cuidador

(Parte 1 de 11)

MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde

Brasília - DF 2008

Guia Prático do Cuidador

Série A. Normas e Manuais Técnicos.

© 2008 Ministério da Saúde Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs

Série A. Normas e Manuais Técnicos. Tiragem: 1.ª edição – 2008 – 30.0 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas Área Técnica Saúde do Idoso Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Edifício Sede, 6.º andar, Sala 610 CEP: 70058-900, Brasília-DF Tel.: (61) 3315-2859 Fax: (61) 3315-3403 Home page: http://www.saude.gov.br

Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Edifício Sede, 7.º andar, Sala 725 CEP: 70058-900, Brasília-DF Tel.: (61) 3315-2303 Fax: (61) 3315-2862 Home page: http://www.saude.gov.br/sgtes

Supervisão geral: Luis Fernando Rolim Sampaio Adson Roberto França Santos

Coordenação Geral: Antonio Dercy Silveira Filho – Departamento de Atenção Básica/SAS/MS José Luiz Telles – Área Técnica de Saúde do Idoso/DAPES/SAS/MS

Elaboração: Ana Cristina Fonseca - Área Técnica de Saúde do Idoso/DAPES/SAS/MS Edenice Reis da Silveira – DAB/SAS/MS

Colaboração: Ana Paula Abreu- Área Técnica de Saúde do Idoso/DAPES/SAS/MS Catarina Schubert -Área Técnica de Saúde da Criança/DAPES/SAS/MS

Cláudia Araújo de Lima – Área Técnica de Saúde da Mulher/DAPES/SAS/MS Cristiane Santos Rocha – Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência/DAPES/SAS/MS Daisy Maria Coelho de Mendonça - DAB/SAS/MS Daphne Rattner – Área Técnica de Saúde da Mulher/DAPES/SAS/MS Débora Benchimol Ferreira - Consultora Técnica/MS Deurides Navega Cruz - DAB/SAS/MS Dillian Adelaine Da Silva Goulart – CGPAN/DAB/SAS/MS Geisa Maria Grijo Farani de Almeida – Coordenação de Acompanhamento e Avaliação da Qualidade de Produtos Farmacêuticos/DAF/SCTIE/MS Glória Maria Barbosa Brandão - Instituto Municipal de Medicina Física e Reabilitação Oscar Clark Rio de Janeiro Janaina Rodrigues Cardoso – Área Técnica de Saúde Bucal/ DAB/SAS/MS Lucinda da Costa Reis Neves - Área Técnica de Saúde do Idoso/DAPES/SAS/MS Maria Amalia Vidal – Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição – Porto Alegre - RS Maria Auxiliadora Zanily – Prefeitura de Campinas Maria Delzuita de Sá Leitão Fontoura Silva – Consultora Técnica/MS Maria do Carmo Gomes Kell – Consultora Técnica/MS Moacir Araújo da Silva – Consultor Técnico/MS Odilia Brígido de Sousa – Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência/DAPES/SAS/MS Raquel de Souza Ramos - Instituto Municipal de Medicina Física e Reabilitação Oscar Clark - Rio de Janeiro Sheila Miranda da Silva - Área Técnica de Saúde da Pessoa com deficiência/DAPES/SAS/MS Sheylla Maria de Moura Rodrigues – Núcleo Técnico da Política de Humanização/SAS/MS Tania Cristina Walzberg - DAB/SAS/MS Vaneide Marcon Cachoeira - DAB/SAS/MS

Revisor Técnico: Brasileira Cordeiro Lopes

Criação e editoração eletrônica: Dino Vinícius Ferreira de Araújo Julieta Andréa Esmeraldo Carneiro

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Guia prático do cuidador / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho
64 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)
ISBN 978-85-334-1472-3
1. Educação em Saúde. 2. Saúde da Família. 3. Atenção à Saúde. I. Título. I. Série.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. e da Educação na Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2008.

NLM WA 590 Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2008/0125

Títulos para indexação: Em inglês: Caretaker’s Practical Guide Em espanhol: Guia Práctico del Cuidador

Apresentação5
1 O cuidado7
2 O autocuidado7
3 Quem é o cuidador8
4 O cuidador e a pessoa cuidada9
5 O cuidador e a equipe de saúde10
6 O cuidador e a família10
7 Cuidando do cuidador1
7.1 Dicas de exercícios para o cuidador12
7.2 Avaliação do estilo de vida - Pentáculo14
8 Grupos de cuidadores16
9 Serviços disponíveis e direitos do cuidador e da pessoa cuidada17
9.1 Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC)18
9.2 Benefícios previdenciários19
9.3 Legislação importante20
9.4 Órgãos de direitos20
9.5 Rede de apoio social20
9.6 Telefones úteis20
9.7 Recomendações de endereços eletrônicos20
10 Cuidados no domicílio para pessoas acamadas ou com limitações físicas21
10.1 Higiene21
10.1.2 Como proceder no banho na cama2
10.2 Assaduras23
10.3 Cuidados com a boca23
10.3.1 Doenças da boca24
10.3.1.1 Cárie dental24
10.3.1.2 Sangramento das gengivas25
10.3.1.3 Feridas na boca25
1 Alimentação saudável25
1.1 Os dez passos para uma alimentação saudável26
1.2 Outras recomendações gerais para a alimentação27
12 Orientação alimentar para aliviar sintomas29
12.1 Náuseas e vômitos29
12.2 Dificuldade para engolir (disfagia)29
12.3 Intestino preso (constipação intestinal)29
12.4 Gases (Flatulência)30
13 Alimentação por sonda (dieta enteral)30
14 Acomodando a pessoa cuidada na cama32
14.1 Deitada de costas32
14.2 Deitada de lado3
14.3 Deitada de bruços3
15 Mudança de posição do corpo34
15.1 Mudança da cama para a cadeira34

Sumário 10.1.1 Como proceder no banho de chuveiro com auxílio do cuidador . 21 15.2 Quando o cuidador necessita de um ajudante para a passagem da cama para a cadeira ................................................................................................ 35

16 Exercícios36
16.1 Exercícios respiratórios39
17 Adaptações ambientais40
18 Estimulando o corpo e os sentidos41
19 Vestuário42
20 Como ajudar na comunicação43
20.1 Alterações que podem ser encontradas na comunicação4
21 Dificuldade na memória: como enfrentá-la?45
2 Proteção à pessoa cuidada45
23 Úlcera de pressão/Escaras/Feridas46
23.1 Como prevenir as escaras46
23.2 Tratamento das escaras48
24 Sonda vesical de demora (sonda para urinar)48
25 Uripen (sonda para urinar tipo camisinha)49
25.1 Cuidados no uso de uripen50
26 Auxiliando o intestino a funcionar50
27 Ostomia51
27.1 Cuidados com gastrostomia51
27.2 Cuidados com ileostomia, colostomia e urostomia51
27.2.1 Cuidados com a bolsa52
27.2.2 Quando trocar a bolsa52
27.2.3 Cuidados no banho53
27.2.4 Esvaziamento da bolsa53
28 Problemas com o sono53
29 Demência54
30 Cuidados com a medicação5
31 Emergência no domicílio56
31.1 Engasgo56
31.2 Queda57
31.3 Convulsão57
31.4 Vômitos57
31.5 Diarréia57
31.6 Desidratação58
31.7 Hipoglicemia58
31.8 Desmaio59
31.9 Sangramentos59
31.10 Confusão mental59
32 Maus Tratos60
32.1 O que o cuidador pode fazer diante de situações de maus tratos60
32.2 Denúncia em caso de maus tratos61
3 Reconhecendo o fim61
34 Como proceder no caso de óbito62

15.3 Ajudando a pessoa cuidada a caminhar .................................................. 35 Referências ........................................................................................................... 63

Apresentação

Nos últimos anos, em conseqüência de diversos fatores, como a melhoria das condições sanitárias e de acesso a bens e serviços, as pessoas têm vivido mais tempo. Os avanços na área da saúde têm possibilitado que cada vez mais pessoas consigam viver por um período mais prolongado, mesmo possuindo algum tipo de incapacidade.

Diante da situação atual de envelhecimento demográfico, aumento da expectativa de vida e o crescimento da violência, algumas demandas são colocadas para a família, sociedade e poder público, no sentido de proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas que possuem alguma incapacidade. Desta forma, a presença do cuidador nos lares tem sido mais freqüente, havendo a necessidade de orientálos para o cuidado. Cabe ressaltar que o cuidado no domicílio proporciona o convívio familiar, diminui o tempo de internação hospitalar e, dessa forma, reduz as complicações decorrentes de longas internações hospitalares.

Respondendo a essa demanda, este Guia Prático se destina a orientar cuidadores na atenção à saúde das pessoas de qualquer idade, acamadas ou com limitações físicas que necessitam de cuidados especiais. Tem o objetivo de esclarecer, de modo simples e ilustrativo, os pontos mais comuns do cuidado no domicilio; ajudar o cuidador e a pessoa cuidada; estimular o envolvimento da família, da equipe de saúde e da comunidade nos cuidados, e promover melhor qualidade de vida do cuidador e da pessoa cuidada, ressaltando que apesar de todas as orientações aqui contidas, é indispensável a orientação do profissional de saúde.

A elaboração deste guia tomou como referência principal o

Manual de Cuidadores Domiciliares na Terceira Idade – Guia Prático para Cuidadores Informais – 2003, da Prefeitura de Campinas – SP. Além disso, incorporou informações da Política de Assistência Social fornecidas pela Secretaria Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

1 O cuidado

Cuidado significa atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho, encargo e responsabilidade. Cuidar é servir, é oferecer ao outro, em forma de serviço, o resultado de seus talentos, preparo e escolhas; é praticar o cuidado.

Cuidar é também perceber a outra pessoa como ela é, e como se mostra, seus gestos e falas, sua dor e limitação. Percebendo isso, o cuidador tem condições de prestar o cuidado de forma individualizada, a partir de suas idéias, conhecimentos e criatividade, levando em consideração as particularidades e necessidades da pessoa a ser cuidada.

Esse cuidado deve ir além dos cuidados com o corpo físico, pois além do sofrimento físico decorrente de uma doença ou limitação, há que se levar em conta as questões emocionais, a história de vida, os sentimentos e emoções da pessoa a ser cuidada.

2 O Autocuidado

“Tudo que existe e vive precisa ser cuidado para continuar existindo. Uma planta, uma criança, um idoso, o planeta

Terra. Tudo o que vive precisa ser alimentado. Assim, o cuidado, a essência da vida humana, precisa ser continuamente alimentado. O cuidado vive do amor, da ternura, da carícia e da convivência”. (BOFF, 1999)

Autocuidado significa cuidar de si próprio, são as atitudes, os comportamentos que a pessoa tem em seu próprio benefício, com a finalidade de promover a saúde, preservar, assegurar e manter a vida. Nesse sentido, o cuidar do outro representa a essência da cidadania, do desprendimento, da doação e do amor. Já o autocuidado ou cuidar de si representa a essência da existência humana.

A pessoa acamada ou com limitações, mesmo necessitando da ajuda do cuidador, pode e deve realizar atividades de autocuidado sempre que possível.

O bom cuidador é aquele que observa e identifica o que a pessoa pode fazer por si, avalia as condições e ajuda a pessoa a fazer as atividades. Cuidar não é fazer pelo outro, mas ajudar o outro quando ele necessita, estimulando a pessoa cuidada a conquistar sua autonomia, mesmo que seja em pequenas tarefas. Isso requer paciência e tempo.

O autocuidado não se refere somente àquilo que a pessoa a ser cuidada pode fazer por si. Refere-se também aos cuidados que o cuidador deve ter consigo com a finalidade de preservar a sua saúde e melhorar a qualidade de vida.

O segundo capítulo desse guia prático oferece algumas dicas de como o cuidador pode se autocuidar.

3 Quem é o cuidador

Cuidador é um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte traço de amor à humanidade, de solidariedade e de doação. A ocupação de cuidador integra a Classificação Brasileira de Ocupações – CBO sob o código 5162, que define o cuidador como alguém que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida”. É a pessoa, da família ou da comunidade, que presta cuidados à outra pessoa de qualquer idade, que esteja necessitando de cuidados por estar acamada, com limitações físicas ou mentais, com ou sem remuneração.

Nesta perspectiva mais ampla do cuidado, o papel do cuidador ultrapassa o simples acompanhamento das atividades diárias dos indivíduos, sejam eles saudáveis, enfermos e/ ou acamados, em situação de risco ou fragilidade, seja nos domicílios e/ou em qualquer tipo de instituições na qual necessite de atenção ou cuidado diário.

A função do cuidador é acompanhar e auxiliar a pessoa a se cuidar, fazendo pela pessoa somente as atividades que ela não consiga fazer sozinha. Ressaltando sempre que não fazem parte da rotina do cuidador técnicas e procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas, particularmente, na área de enfermagem.

Cabe ressaltar que nem sempre se pode escolher ser cuidador, principalmente quando a pessoa cuidada é um familiar ou amigo. É fundamental termos a compreensão de se tratar de tarefa nobre, porém complexa, permeada por sentimentos diversos e contraditórios.

A seguir, algumas tarefas que fazem parte da rotina do cuidador:

• Atuar como elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde. • Escutar, estar atento e ser solidário com a pessoa cuidada.

• Ajudar nos cuidados de higiene.

• Estimular e ajudar na alimentação.

• Ajudar na locomoção e atividades físicas, tais como: andar, tomar sol e exercícios físicos.

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